Bleach não me pertence XD Ele é única e exclusivamente de propriedade de Tite Kubo!

Desta vez demorei porque estou estudando. Portanto, em vez de um capítulo a cada quinze dias, como estava fazendo até o capítulo passado, será um capítulo por mês. Afinal, preciso de tempo pra estudar, hehehe XD

Obrigada pelas reviews,Hakime-chan, Dondeloth, Kaho Mizuki, Grapy Walker, Raytha, Augusto, Shihouin Kah-chan, Bella-Tayoukai . Vocês me animam a continuar!


CAPÍTULO 5: BEIJO DA VIDA

Algumas semanas depois, Hisana já estava melhor.

Obviamente, o sonho daquela noite – ou melhor, o que ela pensava que era sonho – a confundiu ainda mais. Havia alguma coisa de estranho, ela sentia, mas não tinha certeza. Tudo fazia tão pouco sentido, que a fazia bufar de raiva.

E é claro que depois daquele dia, ela evitou cruzar com Byakuya. E Hisana se escondia tão bem, que nem mesmo as próprias colegas de quarto a viam na sala de aula.

– Mas afinal, conta a verdade, Inuzuri, você está matando aula? – perguntou Misuno certo dia.

– Não!

– E aonde está sentando agora?

– Estou procurando um lugar melhor, com menos conversa...

– E desde o quando a turma conversa durante a aula?

– Errrr...

Ela enrolava, enrolava e não respondia. Ou melhor, a resposta não condizia com a verdade. Na hora do almoço, ela simplesmente sumia. Ninguém sabia onde ela estava. Tudo isso para evitar encontrar Byakuya.

Ele, por sua vez, apesar daquele comportamento frio, não suportava mais passar dias sem vê–la. Chegou a intencionar a perguntar para alguma das três amigas dela, mas desistiu quando pensou que isso poderia causar problemas. No final da aula, ele vagava pelos corredores, na esperança de ver Hisana debruçada no parapeito de alguma janela, como tantas vezes a viu. Sem sucesso. E assim os dias passavam...

Folhas e mais folhas caíam das árvores indicando a preparação da natureza para o inverno. Mais uma vez, era dia de folga. Hisana decidiu que iria novamente ao campo do primeiro distrito e, chegando lá, passou a apreciar a paisagem. Olhava as folhas no chão e suspirava tristemente. Não gostava de neve. Não mais. Lembrava de quando ainda vivia, como adorava brincar na neve, entretanto, agora o inverno trazia lembranças tristes.

Estava tão entretida em observar as folhas caírem, absorvida em pensamentos, que não notava a presença de mais ninguém. Nem mesmo dele.

Byakuya a observava de longe, sentindo–se feliz por enfim tê–la visto depois do incidente do ambulatório. Havia ido até lá porque era um lugar agradável e tranqüilo, e também porque trazia a lembrança de quando trocara olhar com Hisana pela primeira vez. No fundo, esperava encontrá–la lá, e quando a viu, procurou manter discreta a sua presença, para não afugentá–la.

Ah, se fechasse os olhos, ele ainda poderia senti–la nos braços! Naquele dia, quando a carregou doente para o ambulatório, ele notara que alguma coisa no olhar e na voz dela havia mudado! Sentiu–a estremecer quando ele tocou o seu rosto, e quando tomou–a nos braços. No instante em que ela começou a chorar, entendera. Ela tentara parecer indiferente, mas depois daquele dia no campo, era impossível. Então, naquela noite, entrara escondido no quarto para vê–la.

"Vou esperar você parar de mentir para si mesma, Hisana!"

Sim, ele esperaria. Poderia ser o tempo que fosse, ele pacientemente esperaria o dia em que finalmente Hisana pararia de lutar com os próprios sentimentos, para amá–la eternamente.

Hisana levantou do lugar onde estava e começou a caminhar pelas margens do rio distraidamente. Levava as sandálias na mão e nem olhava por onde andava. Foi então que aconteceu.

A jovem só teve o tempo de gritar. Em meio a areia das margens do rio havia um sorvedouro que a tragou para as águas. Ela tentava subir à margem com toda a energia do corpo, mas a força da água a puxava para baixo. Levou as mãos à garganta, não tinha mais ar. Ainda tentou movimentar os braços e as pernas, mas era inútil. Ela engolia muita água.

"Não! Não posso morrer agora!" pensava, enquanto lembranças e mais lembranças invadiam a sua mente, desde a sua vida terrena até a espiritual. Um choro de bebê ecoava em seus pensamentos. Mas a última imagem que lhe veio à cabeça era a de um homem alto e longos cabelos pretos, com um olhar que parecia abraçar o coração. E antes de desmaiar, sentiu um braço forte agarrando a sua cintura, levando–a para a superfície.

Byakuya, pela primeira vez em sua vida, agira por impulso ao testemunhar o acontecido. Mergulhou sem pensar duas vezes, pensando apenas em salvar Hisana. A força da água era muito demais, mas conseguiu agarrar a garota e levá–la para fora da água. Infelizmente, a correnteza do rio levara os dois para mais longe do lugar onde estavam e, ainda por cima, Hisana não respirava. Tentou mantê–la na superfície com um dos braços enquanto que com o outro tentava agarrar a raiz de uma árvore. A correnteza estava tão forte, que ele só conseguiu o que queria na terceira tentativa. Com toda a sua energia, Byakuya levou Hisana até a margem do rio, mas o rosto da moça estava branco, os lábios arroxeados, a pele fria.

– Vamos, acorde! – dizia o rapaz, desesperado.

O rapaz dava leves tapas no rosto da moça, tentando inutilmente acorda–la. Encostou o ouvido no peito da moça – nada. Finalmente, Byakuya inclinou a cabeça de Hisana e, colando a sua boca na dela, soprou–lhe o ar.

Uma.

Duas.

Três vezes.

Na quarta vez, a jovem tossiu, expelindo toda a água em seus pulmões. Mas continuou desacordada.

Byakuya olhava para o rosto de Hisana, pensando no que acabara de fazer. Ele havia lhe devolvido a vida com um beijo.

Tocou os próprios lábios com uma das mãos. A sensação do encontro de sua boca com a de Hisana era algo que não poderia ser descrito jamais. Foi um encontro diverso do que esperava, mas havia sido um encontro. Uma parte dele agora estava dentro dela, a fez reviver, assim como uma parte dela estava nele. Não sabia se o momento era adequado, mas não conseguia conter a felicidade que sentia. Faltava apenas torná–la sua para sempre.

Um pensamento surgiu de repente em sua mente; era melhor que saíssem dali. Entretanto, Byakuya não reconhecia o lugar, não sabia onde estava. Poderia seguir à margem do rio para retornar ao campo, mas com Hisana desacordada seria perigoso. Nas proximidades, uma gruta. Não teve dúvidas; tomou a jovem nos braços e se dirigiu para lá. Deitou a moça no chão e foi procurar gravetos secos para uma fogueira, coisa que ele fez com muita destreza.

Porém – e agora? Hisana estava encharcada, ele também; seria perigoso para a saúde de ambos se continuassem com as roupas molhadas. Mas, conhecendo a jovem, provavelmente ela faria um escândalo se acordasse. E um pensamento errôneo de Hisana era tudo o que Byakuya não queria.

Olhou para ela novamente; aproximou–se. Ergueu–a um pouco por um momento, tencionando tirar–lhe a camisa. Mas ao tocar a pele dela, sentiu–se estremecer e desistiu. Ficar doente pareceu–lhe melhor opção do que cair em tentação. Permaneceu ao lado dela, acariciando–lhe o rosto. Há quanto tempo ela estava em seus sonhos? Há quanto tempo desejava ser o homem da vida dela?

– Desde o primeiro instante que te vi... – murmurou no ouvido dela. E continuou – Minha vontade... é estar ao seu lado para sempre!

Como ele queria que ela estivesse acordada! Como ele queria ver sua expressão ao ouvir tais palavras! Sim, era a primeira vez que Byakuya se desarmava, se despia de sua personalidade fria para se deixar envolver pelo calor de suas emoções, há tanto contidas!

– Como eu tive medo... de te perder... Hisana, minha Hisana!

E, exausto devido ao dia tão atribulado, adormeceu ao lado da mulher que amava.


Quando Hisana abriu os olhos, tudo o que viu foi um campo de neve. A mulher misteriosa estava lá, olhando para ela com uma expressão terna. Hisana ia falar, quando notou que não estava com um bebê nos braços.

Onde ela está? – perguntou, desesperada.

A mulher de branco nada disse.

ONDE ELA ESTÁ? – gritou Hisana.

Como posso saber? – retrucou a mulher – Foi VOCÊ que a deixou à sorte...

Aquelas palavras foram como espadas atravessando o seu corpo. Cruzou os braços, segurando–os com toda a força que tinha, e começou a chorar.

É por isso que chora, Hisana?

Choro... porque sou fraca... – respondeu a garota, com a voz embargada.

Então faça–se forte. – respondeu a mulher. E desapareceu.

Hisana, quando se viu sozinha, não pôde mais conter a dor profunda que sentia.

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH! – gritou, e seu grito ecoou por todo o campo de neve.


Byakuya acordou sentindo frio, como se o inverno tivesse chegado naquele instante, e somente dentro da gruta. Qual não foi a sua surpresa quando notou a chamas da fogueira congeladas, assim como as paredes do lugar. Olhou para o lado. Hisana estava coberta por minúsculos flocos de gelo, e ainda desacordada.

– Mas o que...?

O corpo dela estava frio como um cadáver, porém ainda respirava. Isso aliviou o rapaz, que por um momento foi tomado pelo medo. Byakuya limpou o rosto de Hisana, sem conseguir compreender o que havia acontecido. Levantou, observou o a paisagem exterior e deduziu ser já o final da tarde. Deveriam voltar naquele instante, antes do jantar, se não quisessem chamar a atenção. O rapaz voltou para junto de Hisana e tentou acordá–la.

– Vamos, acorde...

Ele já iria carregá–la nos braços novamente, quando, num movimento brusco, Hisana agarrou o braço de Byakuya, assustando–o.

– O que aconteceu? Por que você está aqui? Por que nós estamos aqui? Que lugar é este? – perguntou Hisana, agitada, sem dar chance para Byakuya responder.

O rapaz teve que se controlar para não demonstrar o quanto estava feliz em vê–la bem, e, reassumindo a sua expressão impassível de sempre, disse apenas:

– Acalme–se...

Hisana o olhava confusa. Abriu a boca para perguntar, mas Byakuya fez sinal para que ela se calasse.

– Você estava caminhado pela margem do rio quando caiu na água. Quase morrestes afogada. Eu estava por perto e a salvei.

Byakuya achou melhor omitir que havia feito respiração boca–a–boca para revivê–la. Confusa e agitada como estava, com certeza a reação dela não seria das melhores... Ela, por sua vez, se levantou e caminhou na direção da entrada da gruta. Sentiu a perna esquerda doer. Estava ferida.

– Você ainda não está bem...

– Estou... me sentindo estranha... – disse Hisana, não ouvindo o rapaz. – Estou... com uma sensação esquisita... um gosto diferente... na minha boca...

– Deve ser porque você engoliu muita água – mentiu Byakuya, respirando fundo para evitar se trair. – Você consegue andar, mesmo ferida?

Hisana deu três passos, mas a dor a fez tropeçar. Byakuya, por instinto, levantou e a segurou nos braços. Os dois se entreolharam; por algum tempo, permaneceram com os olhos fixos um no outro. A garota não pôde deixar de notar como os olhos dele eram lindos, e se sentia desmanchar–se nos braços dele, enquanto que o rapaz tentava lutar contra a vontade de beijá-la, e aquele contato com o corpo dela o deixava ofegante tamanho o desejo. O sentimento que os unia era forte demais... Os rostos de ambos se aproximaram, os lábios dos dois tão próximos, um sentindo o calor da pele do outro, olhos nos olhos... Hisana, temendo não resistir, tomou coragem para dar fim àquela situação.

– Vamos voltar...

– Hisana...

Os olhos dela se arregalaram; ouvira direito? Kuchiki Byakuya a chamou pelo primeiro nome?

Ele se deu conta do que acabara de acontecer e chegou a odiar a si próprio por ter dito o nome dela sem pensar.

– Você tem razão – disse o rapaz, tentando se controlar – Vamos voltar.

E a ergueu nos braços.

Hisana observou o rosto dele por todo o tempo. Como ele era forte... e tão bonito...

"Como é possível... você estar sempre presente até mesmo quando tento fugir de você?"

Byakuya percebera que alguma coisa fazia Hisana sufocar o que sentia e isso, por um momento, o frustrou. Mas nada o faria desistir dela. Nem ela, nem a sua família, nem a Soul Society.

"Pode ser o tempo que for, Hisana, estarei sempre ao seu lado, sempre por perto... nem adianta tentar se esconder, porque sempre vou te encontrar..."

E dentro do coração de ambos a frase que aquelas bocas não ousavam pronunciar...

"EU TE AMO!"


notas:

Gostaram? Isso foi um presente pra quem gosta de cenas românticas... XD (Meio Jane Austen esse capítulo, não? Será que ficou meloso? Terei que me controlar daqui pra frente...) Como eu disse lá em cima, a partir de agora a publicação será de um capítulo por mês. A autora precisa estudar, né, gente? ;D Prometo sempre procurar cumprir o prazo. O capítulo quatro me parece que foi o que mais recebeu elogios. Obrigada, gente! Isso me deixa feliz. Quando resolvi escrever a fic, eu fiquei com um pouco de receio da reação de vocês, afinal, tem gente que não gosta de ver um Byakuya mais emotivo... Eu tenho pra mim que aquele jeito dele – estilo Sesshoumaru, hehehe! – deve ser fruto da educação rígida que ele teve, porém, nenhum fã de Bleach pode desconsiderar que Byakuya tem um coração, ou seja, sentimentos... ele apenas não os externa freqüentemente. Quando me lembro do final da luta dele contra o Ichigo, no episódio 59, ele arregala os olhos ao ouvir o nosso Morango dizer "se eu estivesse no seu lugar, eu, com certeza, lutaria contra as regras da Soul Society" – nesse momento, eu entendo que ele SE VIU em Ichigo, pois foi isso o que ele fez na juventude, e por DUAS VEZES: ao casar com Hisana (uma plebéia) e ao adotar Rukia! Ele ainda tenta mentir, coitado... quando diz que "não tenho algo inútil, como sentimentos". Tsc, tsc... Então, Byakuya, me explica a foto da Hisana naquele altar, hehehe XD

Se gostou, mande review! XD