Disclaimer: Naruto não me pertence claro! Mas o senhor Kakashi-sensei perfeito sim!
Fanfic sem fins Lucrativos: Inspirada na obra de Judith McNaught "Agora e Sempre"
Boa leitura!
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Hinata deu alguns passos em direção á multidão que transitava fazendo uma enorme algazarra, entre as ruas que ligavam a cidade ao porto. A mala firmemente apertada, nas mãos, e o endereço da casa do primo gravado corretamente em sua mente.
A moça caminhou com dificuldade entre as pessoas, que mal a notavam, não foi fácil alcançar as ruas de Londres, mas ela sentiu-se aliviada, quando finalmente conseguiu. Ali parada na precária calçada, em frente às movimentadas ruas de pedrinhas, apinhadas de gente e carruagens Hinata sentiu o nervosismo apertar sua garganta.
Londres era uma confusão completa, ruas estreitas, vários pedestres, e lojas por todos os lados, Hinata olhou atentamente para a multidão, seu plano era pedir para uma pessoa uma informação para que ela soubesse como chegar à casa de seu primo. Mas, todas pareciam ocupadas, demais caminhando com passos rápidos.
Constrangida de estar naquela situação, Hinata encostou as costas num muro próximo, e respirou fundo, e fechou ou olhos, o cheiro de peixe podre, e outras coisas menos agradáveis começava a ficar mais distante, o que era um grande alivio.
Algo se enrolou nos pés da moça, fazendo com ela se alarma-se e olhasse em direção aos seus pés. Um pequeno gato preto, com imensos olhos verde-jade esfregava-se graciosamente na barra de seu vestido. Os lábios de Hinata abriram-se num tímido sorriso, o pequenino gato parecia estar querendo algo. Estava tão magro, que só podia ser comida.
- Não tenho nada aqui para você – disse Hinata, fitando o gato preto.
O pequeno felino, soltou um miado fraco e continuou esfregando-se na moça, como se achasse que ela não estava dizendo a verdade.
Hinata percebeu naquele momento que também estava com fome, à hora do almoço já havia ficado para trás, e ela não havia comido nada. A moça levou a mão ao bolso esquerdo e de lá de dentro tirou um pequeno embrulho em um lenço. Abriu-o, as pequenas bolachas ali dentro estavam esmigalhadas, e não pareciam nada apetitosas, mas eram melhor que nada, pensou a moça, levando uma a boca.
O pequeno gato preto protestou com vários miados, quando viu a moça comendo algo. Hinata olhou para baixo sentindo-se o coração encher-se de pena. Uma bolacha sem duvida nenhuma não iria lhe fazer falta.
Devagar a moça abaixou-se e deu metade de uma bolacha para seu mais novo amigo. O gato pegou rapidamente o que lhe era oferecido, e infiltrou-se nas sombras do beco mais próximo. Os olhos perolados de Hinata seguiram-no, e a moça, estava completamente distraída, quando algo a atingiu, fazendo com que a moça perdesse o equilíbrio, e acabasse sentada no chão, sujando seu vestido.
- Ah meu Deus francamente! – exclamou uma voz que vinha acima de Hinata.
A moça olhou para cima, deparando-se com uma senhora de rosto severo, que estava ajeitando um pequeno chapéu em cima dos cabelos grisalhos.
- Mocinha o que está fazendo ai no chão? – perguntou a senhora, olhando para Hinata de modo desaprovador – não vê que dessa forma atrapalha o caminho das pessoas?
Com o rosto ardendo de vergonha, Hinata levantou-se tentando limpar a fuligem que havia se impregnado em seu vestido.
- Me desculpe... – disse a moça de modo fraco.
Os olhos miúdos da senhora miraram Hinata de forma ameaçadora.
- Se me der licença – exclamou a velha senhora, de modo prepotente.
- Senhora – chamou Hinata, pensando que aquela seria sua melhor chance de falar com alguém.
A velha virou-se na direção de Hinata, olhando de uma forma que dizia claramente que a considerava muito ousada por lhe dirigir a palavra.
- Sim? – perguntou à velha.
- A senhora pode me informar como chego a esse lugar? – perguntou Hinata estende-lho o papel, com o endereço do primo.
Os olhos miúdos da senhora esquadrinharam o endereço, e depois pousaram de forma debochada sobre Hinata.
- Se pretende conseguir emprego nesse lugar, devo dizer que eles não contratam pessoas desastradas como você.
O rosto de Hinata ardeu mais uma vez com vergonha, era melhor não dizer que a casa pertencia a seu primo.
- Bem de qualquer forma – disse a velha – é só você seguir reto por aquela rua, não muito longe você chegara á um longo calçadão, e depois a uma pequena praça. Nesse ponto, peça a uma outra pessoa que lhe indique o caminho.
- Obrigada – agradeceu Hinata sinceramente.
A velha senhora pareceu não se importar, com aquilo e seguiu seu caminho, afastando-se rapidamente da moça de orbes prateados como se ela fosse um grande estorvo.
Hinata respirou fundo, tentando ignorar o rosto vermelho. Pelo menos agora, sabia que caminho deveria tomar. Sem hesitar a moça começou a caminhar na direção, que a velha senhora havia lhe indicado.
Hinata caminhou longamente seguindo exatamente, a indicação que havia recebido, encontrou o calçadão, e logo mais a frente, a pequena praça. Ali ela parou um senhor, que foi muito mais simpático que a primeira, mulher e disse que ela só precisava caminhar mais algumas quadras, e depois subir uma longa avenida, segundo o homem mais vintes minutos e ela estaria lá.
Hinata agradeceu-o, e sentou-se em um dos bancos brancos e quebrados da pequena praça, para recuperar-se um pouco da caminhada do porto até ali. Seus pés doíam horrivelmente, calçava suas melhores botas, (e únicas) havia as ganhado em seu aniversario aos quinze anos, era uma pena que seus pés tivessem crescido mais alguns centímetros depois do aniversario.
Mais uma vez algo raspou nos pés da moça chamando sua atenção, lá estava mais uma vez o pequeno gato preto olhando de como que indicava que ele queria outra bolacha.
- Como chegou aqui? – perguntou Hinata para o bichando – Esteve me seguindo?
O gato miou para Hinata de um modo que pareceu muito com um sim.
- Não tenho mais bolachas, para você, vá embora.
O felino continuou esfregando-se em Hinata, parecia realmente gostar muito dela. Hinata sorriu mais uma vez para ele.
- Não me faça mais passar vergonha ouviu – disse Hinata se levantando.
O descanso havia acabado à tarde, estendia-se sobre Londres, não havia sol, a cidade inteira parecia coberta por uma densa camada de nuvens cinza que deixava o ambiente muito úmido. Hinata havia ouvido que ali o tempo era quase sempre daquela maneira.
A moça caminhou na direção que o homem havia lhe indicado, o pequeno gato preto perseguindo-a em seus calcanhares, quanto mais a moça avançava, mais percebia estar se aproximando de bairros luxuosos. Ali entre as grandes mansões com grades negras, haviam lojas, que ostentavam coisas de imenso valor. Colares, pulseiras e brincos extremamente valiosos, faiscavam em vitrines, ao lado de lojas que exibiam vestidos luxuosos, com tecidos finos e caríssimos.
A moça ficou chocada quando passou em frente á um luxuoso café em uma esquina. Ali as pessoas vestidas com elegância, tomavam chá, e comiam bolos sentados em pequenas mesas de ferro na calçada. Hinata achou que a cena lhe lembrava um quadro, em movimento.
Cansada, e com pés e costas doendo, Hinata começou a subir a longa avenida, que o homem havia dito era próximo à rua onde ficava a casa de seu primo. Já havia desistido de tentar mandar o pequeno gato preto embora, ele a seguia preguiçosamente, abanando um rabo preto e lustroso.
Quando a moça achava que sua caminhada nunca mais iria terminar, ela finalmente chegou ao topo da avenida, e virou a direita entrando na rua, onde ficava a casa de primo. O lugar a deslumbrou. A pequena rua era ladeada somente por casarões coloniais e contemporâneos, todos em ótimo estado de conservação assim como seus jardins. Hinata conferiu o remetente da carta para ver se realmente não havia cometido nenhum engano. Não cometera, estava tudo certo.
A moça caminhou pela rua com passos vacilantes, procurando o numero da casa de seu primo, suas mãos estavam suadas e sujas, ela sabia que nem de longe devia estar com boa aparência. Seus pés pararam diante da casa mais impressionante da rua, os olhos perolados conferiram o numero para ver se estava certo. A saliva ficou extremamente grossa na boca da moça. A casa era simplesmente deslumbrante.
Hinata subiu hesitante os degraus que levavam a uma imensa porta dupla de madeira, ela notou que as cortinas estavam todas fechadas, desejou de todo coração que houvesse alguém em casa. Com todo cuidado do mundo, a moça bateu três vezes na porta, sentindo o coração martelar em seu peito. Alguns minutos se passaram, ela ouviu passos atrás da porta, que logo foi aberta. Em frente à Hinata recortado, sobre o batente, estava um velho senhor, vestido de mordomo.
- Não desejamos nada hoje, obrigado – sem dizer mais nada, o velho senhor, fechou a porta na cara de Hinata.
A moça permaneceu ali parada, com a mão erguida, sentindo toda a confusão do mundo formar-se em sua cabeça. Ela devia estar extremamente horrível, para o mordomo a confundir com uma vendedora de porta em porta.
O rosto de Hinata ficou quente devido à vergonha, ela sabia que devia estar extremamente vermelha, suas mãos tremiam quando ela voltou a bater na porta.
Dessa vez, ela não precisou esperar tanto, mais uma vez o velho mordomo a atendeu, ele não pareceu nem um pouquinho feliz em vê-la.
- É você de novo menina? – perguntou – eu já disse que não desejamos comprar nada hoje.
- Mas senhor espere... Eu... – pediu Hinata.
Nesse instante a atenção de ambos foi roubada, um vulto preto passou por debaixo das pernas de Hinata, ela seguiu com atenção e viu com extremo pavor, o gato preto que a seguira correndo descontroladamente e se pendurando nas branquíssimas cortinas que haviam sobre as imensas janelas.
- Meu Deus o que é aquilo? – exclamou o velho mordomo abismado – De onde surgiu esse gato?
Hinata sentiu o coração saltar-lhe a garganta, o gato que a havia seguido durante todo o trajeto até ali agora, estava pendurado entre as cortinas da casa de seu primo, balançando-se como um louco. Não demorou muito ela ouviu o tecido ceder, e rasgar quase até o chão. Hinata teve vontade de sair correndo de tanta vergonha.
O velho mordomo correu em direção as cortina tentando espantar o bichano. Não foi uma boa idéia, descontrolado o gato pulou sobre uma pequena mesa derrubando um imenso vaso, que caiu no chão transformando-se imediatamente em imensos cacos de porcelana.
- Alguém segure esse monstro! – exclamou o mordomo, tentando segurar o gato.
Hinata não conseguiu mais permanecer parada, correu em direção ao gato, que passou por ela, pulando mais uma vez na cortina, e depois em cima do console na lareira derrubando porta-retratos que caíram no chão.
A algazarra chamou a atenção de mais empregados, que seguiram o barulho e vieram até, a sala ver o que estava acontecendo. Hinata tentou mais uma vez apanhar o gato que dessa vez lhe arranhou a mão, e pulou em cima de um armário derrubando mais coisas que se espatifaram no chão, dessa vez a moça não soube o que era. Determinada a acabar com aquela confusão, Hinata mergulhou literalmente atrás do gato agarrando-o quando ele tentava entrar debaixo de uma poltrona. O pequeno bicho, assustado mordeu e arranhou a mão da moça de orbes prateados, que mesmo sentindo dor, não o soltou. O gato então percebeu que não havia mais escapatória, e então acalmou-se finalmente. Todos os empregados, estavam olhando estupefatos para Hinata. O rosto dela ardeu como nunca antes naquele dia.
- Alguém pode me explicar, porque diabos, você estão derrubando minha casa?
A voz extremamente fria, e nada amigável veio do alto da escada, Hinata olhou naquela direção e seu coração parou de bater. Um silêncio extremamente sem graça, instalou-se no lugar.
Parado usando apenas um lençol branco para cobrir-se da cintura para baixo, Neji olhava para todos com os olhos perolados faiscando. Os cabelos cor de chocolate, caiam soltos por seus ombros e costas. Sua expressão era de um profundo desagrado.
- Então? – perguntou Neji, encarando seus empregados, especialmente o mordomo – ninguém vai me dizer o que está acontecendo?
- Neji-nisan... – a voz de Hinata soou fraca, mas o silencio era tão intenso que todos puderam ouvir, e olharam em sua direção.
Os olhos de Neji se cravaram em Hinata, e então se arregalaram a cor sumiu do rosto do rapaz, e ele tentou conter um tremor no corpo. Seus olhos faiscavam de ódio enquanto ele observava a prima na sua frente.
- Você ainda não perdeu, essa mania irritante de me chamar de ni-san? – perguntou Neji, baixando o tom de voz, até que ele parecesse um sibilo.
Hinata murmurou algo como um pedido de desculpa inteligível.
Os olhos do mordomo estavam fixos em Hinata, ele parecia que estava vendo um fantasma.
- Senhorita Hinata-sama? – ele perguntou chamando a atenção da moça – é mesmo você?
A moça concordou com um aceno de cabeça, talvez fosse somente sua imaginação, mas ela achou que os olhos do mordomo ficaram brilhantes devido às lágrimas que começavam a se acumular ali.
Neji cruzou a sala, cortando a distancia que os separava, obrigando a moça a encará-lo.
- O que está fazendo aqui? – perguntou o primo de Hinata de forma agressiva.
A moça tentou responder imediatamente, mas sua voz parecia estar perdida em algum lugar de sua garganta. Demorou em encontrá-la.
- Eu cheguei no fim dessa manhã...
- Impossível – cortou Neji – na carta que recebi do seu internato estava dito que você só iria chegar daqui a duas semanas.
- O capitão disse que às vezes a viagem acontece mais rápida e o navio chega mais cedo ao seu destino.
Neji observou Hinata buscando algum sinal de mentira como não encontrou, continuou a pressioná-la.
- E eu posso saber como você chegou até aqui?
- Eu vim andando.
Os olhos de Neji se arregalaram, um silêncio inquietante pairou sobre a sala. De repente Hinata se deu conta, que todos os empregados ainda estavam ali ouvindo sua conversa com seu primo.
- Do porto até aqui? Você veio andando? É louca?
O rosto de Hinata tingiu-se de vermelho, ela não conseguiu encarar os olhos de Neji, estava sentindo-se completamente deslocada, como se tivesse feito algo de errado.
- Eu não sabia o que fazer – defendeu-se Hinata – esperei, mas ninguém apareceu para me buscar... Pedi informação nas ruas, e vim andando...
- Porque não pegou uma diligencia? – gritou Neji assustando ainda mais Hinata – você podia ter sido assaltada, ou morta.
- Eu não tinha dinheiro – respondeu Hinata muito baixo.
A resposta pareceu irritar ainda mais seu primo.
- Por todos os diabos, você não tinha dinheiro pra gastar em uma simples corrida?
Hinata negou com a cabeça, sentindo seu rosto pegar fogo.
- Perfeito – exclamou Neji.
O rapaz continuou durante um longo tempo, observando a moça a sua frente. Parecia que por enquanto ela não ia mais olhar em sua direção. Seus olhos então recaíram sobre seus empregados.
- O que estão esperando para começar a limpar essa bagunça? – perguntou Neji irritado.
Os empregados pareceram como se tivessem acordado de um transe, todos sumiram nos corredores, em busca do que se precisava para limpeza, na sala parcialmente destruída permaneceram apenas, Hinata, Neji, e o mordomo Sarutobi.
- O que é isso? – perguntou Neji, indicando o gato preto no colo de Hinata – foi esse bicho que destruiu minha sala?
- Eu o achei no porto – explicou Hinata – ele tem me seguido desde então. Não sei o que deu nele, ele simplesmente saiu correndo quando seu mordomo abriu a porta.
Mal Hinata tivera tempo de terminar de falar, Neji agarrou o pequeno gato preto pelo colarinho, que protestou arranhando-o e mordendo, sem nenhum remorso, ou sentimento de culpa o Hyuuga foi até a porta, e jogou o felino lá fora.
Hinata estava assustada demais para falar algo. Seus perolados olhos estavam fixos no rosto de seu primo. Como alguém podia agir daquela forma.
- Da próxima vez – avisou Neji – não traga bichos pra minha casa. Eu faria você pagar pelo prejuízo que me causou, mas como já percebi você não tem um tostão no bolso.
Aturdida Hinata piscou, sentindo todo o calor abandonar seu rosto, ela sabia que devia estar extremamente pálida. Não conseguiu achar o que dizer a Neji.
- Sarutobi – chamou o Hyuuga – acomode-a em qualquer quarto. Quando eu tiver acordado por completo irei vê-la.
Sem dizer mais nada, Neji subiu as escadas pisando duro, segurando de forma precária o lençol enrolado em sua cintura.
Hinata e Sarutobi, permaneceram em silencio até que Neji tivesse desaparecido completamente de suas vistas. Então o mordomo virou-se na direção de Hinata, dizendo:
- Estou muito feliz de vê-la aqui senhorita, espero que possa perdoar minha ignorância por não tê-la reconhecido.
Ainda aturdida Hinata olhou na direção do mordomo, depois de toda a hostilidade de seu primo, a gentileza daquele mordomo, lhe deixou sem graça.
- Não se preocupe com isso. Não foi nada.
- Por favor, me siga, eu irei lhe mostrar seu quarto. A senhorita deve estar extramente cansada.
A moça concordou com um aceno de cabeça. Sim estava exausta, sentindo como se seu coração pesasse uma tonelada.
O primeiro encontro com seu primo tinha sido um verdadeiro desastre.
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Hinata seguiu o mordomo chamado Sarutobi pelos corredores compridos e bem iluminados da mansão. Mesmo sentindo-se completamente deslocada, e envergonhada pelos acontecimentos de alguns minutos atrás, a moça não pode deixar de observar e se impressionar com o interior daquele lugar.
A mansão ostentava um ar serio rígido, mas elegante. Os moveis eram de ótima qualidade, e tudo se encontrava em seu lugar, sem desordem ou bagunça, Tudo estava muito bem limpo, na casa inteira pairava um frescor de pinho, assim como um silencio opressor.
O quarto de Hinata ficava bem no meio de um longo corredor no segundo andar, ladeado por varias portas. Em pensamentos a moça, perguntou-se onde seria o quarto, de seu primo, mas no final decidiu que não preferia saber.
O mordomo abriu a porta, deixando Hinata impressionada. O quarto era enorme, muito maior que o quarto que havia sido dela no internato nos Estados Unidos. Uma imensa cama colonial estava encostada na parede, às janelas estavam abertas, e mostravam os telhados das mansões ao lado, em frente a cama havia uma pequena mas bonita lareira que estava apagada, do lado esquerdo havia uma porta, onde se encontrava um banheiro anexo. Hinata achou que seria muito difícil para ela acostumar-se a todo aquele luxo.
- Espero que o quarto esteja do seu gosto senhorita – disse o mordomo atraindo a atenção de Hinata.
A moça virou-se na direção dele, tentando sorrir sem demonstrar o nervosismo.
- Sim... É muito bonito.
- Espero que possa nos perdoar, não pudemos preparar nada melhor, estávamos esperando sua chegada para daqui duas semanas.
- O quarto está realmente ótimo – respondeu Hinata.
Os olhos perolados da moça, percorreram mais uma vez o aposento, não havia nada ali que indicasse que era um quarto feminino ou masculino, quase não havia detalhes, era um quarto impessoal. Hinata não ligou para o fato, como mesmo o mordomo dissera, ela não era esperada naquele dia, e começava a desconfiar que não era bem-vinda.
- Senhorita – chamou mais uma vez Sarutobi, atraindo a atenção de Hinata – espero que não guarde, ressentimentos do meu patrão. Sei que ele rude e grosseiro, mas ele realmente está contente em vê-la aqui.
Os olhos de Hinata voltaram-se para o mordomo, ela sabia que não havia confiança, nem verdade naquelas palavras, mesmo assim a moça sorriu tentando animar o velho homem a sua frente.
Os olhos castanhos do mordomo brilharam, enquanto observavam Hinata.
- Vou buscar algo para a senhorita comer. Tome um banho e descanse logo o patrão Neji virá vê-la.
Hinata concordou com um aceno de cabeça, não estava nem um pouco animada com a perspectiva, de ver o primo novamente, mas a palavra banho lhe pareceu extremamente tentadora.
Por fim, com uma leve mesura, o mordomo saiu do quarto deixando Hinata sozinha, a moça suspirou cansada, largou a pequena mala no chão e foi em direção ao banheiro.
Ali também o luxo austero estava presente. A banheira de porcelana tinha pés de bronze em forma de patas de gato, o que fez com que um sorriso espontâneo brotasse nos lábios da moça. As toalhas empilhadas sobre um apoio próximo a pia eram branquíssimas, e felpudas, as torneiras eram também de bronze.
Hinata ficou feliz em tirar a roupa suja e suada, abriu as torneiras de cobre deixando que a água escaldante enche-se a banheira. Seu corpo estava dolorido, e ela não queria pensar no que havia acontecido, a imagem do rosto enfurecido do seu primo ainda, estava muito nítida na sua mente.
A moça mergulhou agradecidamente na banheira, a água quente foi como uma caricia deliciosa, ela lembrou-se sem nenhum pingo de saudade dos precários banhos que havia tomado durante a viagem no navio. Dificilmente ela não faria outra viagem como àquela por vontade própria.
Hinata permaneceu dentro da banheira, até os dedos de seus pés e suas mãos se enrugarem, e a água ficar quase fria. Levantou-se sentindo frio, e cobrindo-se com uma toalha enorme.
Da janela do seu quarto, uma suava luz dourada iluminava o ambiente, o fim de tarde havia chego trazendo um silêncio ainda maior para a mansão.
Com cuidado a moça acendeu duas velas num castiçal, que estavam em cima da sua mesinha de cabeceira, reparou que havia uma bandeja de prata sobre sua cama, com um pouco de legumes, um farto pedaço de frango, e um cálice com vinho. Seu estomago roncou alto, enquanto ela observava a comida. Ao lado da bandeja estava seu melhor vestido, azul-marinho, com colarinho bem fechado, e punhos que terminavam em rendas brancas. Ela quase nunca usava aquele vestido, a não ser em ocasiões muito especiais, o que definitivamente não era o caso. Mas, não culpou a empregada que havia escolhido aquela roupa para que ela o usasse, talvez em Londres os costumes fossem diferentes.
Com cuidado a moça colocou o vestido azul, num cabide, e guardou-o num guarda-roupa de mogno, assim como o resto dos seus vestidos, que ao todo somavam cinco. Para usar aquela noite, Hinata escolheu seu outro vestido negro. Estava de luto pela morte do pai, e não se importava se aquele vestido estava desbotado, e muito amassado.
Desfez a trança, e penteou os longos cabelos negros, seus olhos estavam fixos no pôr-do-sol que ela podia observar da janela. A luz quase havia se extinguido, deixando as sombras escuras da noite cair sobre a cidade.
Hinata prendeu os cabelos no alto da cabeça, num rabo de cavalo, não sabia fazer penteados arrojados e sofisticados, para o básico estava muito bom. A moça havia sentado numa pequena poltrona ao lado de sua janela, para apreciar a pequena refeição que o mordomo havia deixado em seu quarto, quando a porta de seu quarto abriu repentinamente.
Parado em frente à Hinata, vestindo-se elegantemente com calças azuis escuras que agarravam-se as coxas, botas que iam quase até seus joelhos, e uma casaca negra, Neji parecia alguém ameaçador. O longo e basto cabelo cor de chocolate, estava preso por um rabo-de-cavalo frouxo, seus olhos cor de perola, mais frios que os de Hinata estavam fixos na prima.
A moça perdeu imediatamente a fome, seus dedos se retesaram automaticamente, enquanto um frio incomodo deslizava por seu estomago.
- Eu espero que tenha sido bem acomodada – disse Neji, novamente com um timbre de voz frio, e impessoal.
Hinata forçou-se a continuar encarando Neji, dizendo a si mesma, que não precisava temê-lo, já que agora ele era seu único parente vivo sua única família.
- Sim... Está tudo ótimo... – respondeu a moça – Muito obrigada por ter me recebido em sua casa...
- Acha que estou feliz em fazer isso?
O coração de Hinata disparou em seu peito de modo doloroso e incomodo. Não havia sido sua imaginação, nem mesmo uma mera desconfiança. Seu primo não estava feliz com sua presença naquela casa. E agora ele dizia isso com todas as letras. Seus olhos faiscavam de forma tão ameaçadora, que Hinata chegou a imaginar, se aquele homem parado em sua frente não a odiava. Sentiu-se intrigada, e com medo, o que havia feito para conseguir tamanha inimizade? Havia visto Neji pouquíssimas vezes em sua infância...
- Eu não entendo – respondeu a moça num fio de voz sendo sincera – por que disse que eu poderia ficar aqui, se não me desejava por perto?
Os olhos de Neji brilharam ainda mais, seu rosto tornou-se duro e impassível, Hinata soube somente em observá-lo que ele não responderia sua pergunta.
- Os motivos pela qual eu a recebi em minha casa, não lhe dizem respeito. Sinta-se grata por eu ter lhe acolhido, já que você não teria outra forma de se sustentar sozinha.
Hinata abaixou o rosto rapidamente, parecia que Neji tinha prazer em dizer, o quanto ela era pobre comparado a ele. A moça desejou estar de volta ao internato, e nunca mais sair de lá.
- Não estou feliz com sua presença aqui – continuou Neji – por isso mesmo, seja esperta e tente me evitar o máximo possível, quem sabe que esqueço que você existe. Tenho planos, para não ter que me preocupar com você, por muito tempo. Irei casá-la o mais rápido possível.
- Casar? – exclamou Hinata assustada.
- Sim casar. – respondeu Neji maliciosamente – sua mãe lhe deixou o titulo de duquesa, o que já é algo muito bom, isso aliado ao pequeno dote que eu pretendo dar ao homem que desejar desposa-la...
- Não pode fazer isso... Não pode simplesmente me entregar ao primeiro homem que aparecer.
- Por que não? – os lábios de Neji agora estavam abertos num sorriso frio e cínico – sou seu tutor, por isso mesmo tenho todo o direito de escolher o homem que irá casar com você.
- Você não está levando em conta minha opinião... – murmurou Hinata.
- E que opinião você poderia ter? Sou agora seu tutor, eu sei o que é melhor para você.
Os olhos de Hinata arregalaram-se de espanto, aquilo lhe soou de forma extremamente injusta. Um bolo formou-se em sua garganta. De repente um imenso cansaço, abateu-se sobre a moça, sua cabeça girava levemente, e as palavras de seu primo soavam cada vez mais de forma ameaçadora.
- Por favor, – pediu Hinata, tentando acalmar as batidas, frenéticas do seu coração – não me obrigue a casar eu...
- Essa sua relutância – perguntou de repente Neji interessado, com os olhos flamejando com desdém – por acaso deixou algum amante nos Estados Unidos?
A pergunta atingiu Hinata como um baque, a moça sentiu o sangue subir para suas faces, e esquentar-lhe o rosto. Algo agitou-se dentro do estomago de Hinata, como cordas, que davam nós. Queria discutir com seu primo, e mostrar-lhe, como ele estava sendo injusto... Nunca tivera nenhum amante, sequer mesmo um namorado... Passara toda sua juventude dentro de um internato somente para moças. Sempre havia acreditado que o pai lhe arranjaria um bom homem para marido, e com o tempo aprenderia a amá-lo. Nunca se preocupara com assuntos românticos... Mas não iria se casar somente porque seu primo a considerava um estorvo! Podia cuidar de si mesma, e iria provar isso a Neji.
- Nunca tive um amante – respondeu Hinata, com toda dignidade que conseguiu juntar – e não é por isso que estou me opondo a idéia de me casar, com alguém que você, escolher. Posso provar que sei cuidar de mim mesma.
- É mesmo – perguntou Neji de forma incrédula – e eu posso saber como faria isso?
- Eu trabalharia, sei cuidar muito bem de uma casa...
- Isso é uma oferta? Obrigado mas, eu dispenso, como pode ver eu já tenho empregados suficientes.
- Posso conseguir trabalho, aqui na cidade – continuou Hinata sem querer desistir – numa casa de família...
- Eu assumi sua responsabilidade, - respondeu Neji de forma brusca – você vai ficar, morando em minha casa, até que fazer os preparativos, necessários para o seu casamento...
Os argumentos de Hinata tinham chegado ao fim, seu primo pareceu extremamente com a conversa. O estomago da moça continuava a se convulsionar.
- Não tenho mais nada a dizer – acrescentou Neji – ficarei fora a noite toda, se você precisar de algo, peça há alguns dos meus empregados...
Hinata concordou com um aceno de cabeça, seus olhos encararam o rosto de Neji, por alguns instantes, podia-se dizer que eram familiares, pelas semelhanças físicas, o mesmo tom pálido de pele, os olhos sem cor, o contorno oval dos rostos, o liso dos cabelos, apesar de serem de tons diferentes. Mas, a moça não se sentia como se ele fosse um parente... Havia tanta hostilidade nos gestos e nas palavras do primo. Como dois estranhos, agora obrigados a viverem juntos...
Lentamente em silencio, a Hinata viu o primo dar-lhe as costas, e caminhar em direção a porta do seu quarto. Ele parecia tão forte e destemido, capaz de enfrentar qualquer coisa, a moça invejou aquela postura, desejando ter-la nem que fosse somente um pouco. Se pelos menos Neji, não fosse não hostil, pensou a moça, então talvez eles pudessem ser uma família... Se comportarem, como familiares que se importavam uns com os outros.
- Ni-san – chamou a moça, incapaz de se conter, talvez se ela fosse um pouco mais amigável Neji também fosse.
Os olhos perolados cravaram-se no rosto de Hinata de forma fria, e distante.
- Desculpe –pediu a moça de maneira encabulada – sem apelidos infantis...
Os olhos do Hyuuga continuaram fixos em Hinata, o rapaz, não disse nenhuma palavra, permanecia com a mão na maçaneta da porta agora aberta.
- Tome cuidado... – pediu Hinata concluindo a frase.
Por um instante, a moça percebeu a face de Neji mudar-se de forma quase imperceptível... Torna-se menos, austera e hostil... Mas, ele reassumiu tão rápido a postura de distancia controlada, que Hinata simplesmente achou que tinha imaginado aquilo.
Sem dizer nada o rapaz, acenou com a cabeça, para a moça e saiu do quarto, fechando a porta atrás de si com um clique.
Hinata ficou sozinha novamente no quarto, estava tudo tão silencioso que a moça pode ouvir o som do fogo queimando o pavio, e derretendo a cera da vela. Sentiu-se desamparada e extremamente solitária. Estava longe do lugar onde havia crescido, embora tivesse nascido na Inglaterra, Hinata não sentia como se ali fosse seu lugar. Deixara o país com o pai, ainda muito jovem.
Nunca pensara que o primo iria tratá-la com tanta frieza. Ela não queria ser um estorvo para ele. Neji era seu único parente vivo, sua única família.
O barulho de algo sendo arranhando na janela chamou a atenção da moça, curiosa Hinata aproximou-se da janela para ver o pequeno gato negro que a havia seguido, parado no parapeito de sua janela com os olhos esmeraldinos suplicantes.
Sem pensar duas vezes, a moça de madeixas negras abriu a janela permitindo que o gato entrasse, junto de uma brisa fresca noturna. Sem perder tempo o bichano, pulou para dentro do quarto e começou a mordiscar o pedaço de frango, que era o jantar de Hinata que estava sobre sua cama.
Os lábios da moça se abriram num sorriso, não estava mais com fome, ao contrario do pequeno gato negro.
Com cautela a moça, aproximou-se da cama, sentando lentamente, o pequeno gato parou de comer, e fixou seus olhos inteligentes no rosto com orbes perolados, como se a avaliasse. Julgando que a moça não representava nenhum perigo, voltou a comer rapidamente. O sorriso nos lábios de Hinata alargou-se, pelo menos o gato não se incomodava de ficar ao seu lado. A moça sentiu-se menos sozinha.
- Você precisa de um nome – informou Hinata, enquanto observava seu mais novo amigo felino.
O gato não se importou com o comentário, estava cheirando os legumes com muita curiosidade, parecia que já estava farto de frango.
- Nunca tive um bicho de estimação, era proibido ter, animais no internato.
Mentalmente Hinata perguntou – se, se também não seria proibido ter um gato ali. Neji poderia ficar enfurecido, com a presença do animal. Mesmo assim a moça decidiu arriscar, sentia-se melhor com a presença do bichano.
- Nino! – disse a moça de repente como se tivesse tido uma idéia súbita – você é pequenino e engraçado, acho que esse seria um nome perfeito. O que você acha?
O gato olhou no rosto de Hinata e soltou um pequeno miado agudo mostrando os miúdos dentes pontiagudos e a língua rosada.
- Eu acho que isso foi um sim.
Preguiçosamente, Nino levantou-se e foi em direção a Hinata esfregando seu corpo felpudo contra o braço da garota. Um suspiro profundo escapou dos lábios rosados. Não seria fácil permanecer ali naquele país estranho, mas ela não tinha alternativa, era melhor se acostumar rápido... Assim o sofrimento seria menor.
Continua
OoOoOoOoO
Bem pessoal, eu devo me desculpar pelo enorme atraso desde capitulo!
Pra falar a verdade, ele ja estava pronto, mas eu simplesmente tinha empacado no proximo,
então eu fui deixando pra depois... E acabou demorando tudo isso.
Espero que possam me desculpar pela demora! E que apreciem esse capitulo!
Quero agradecer do fundo do coração, as pessoas que leram essa fic, e comentaram!
Obrigada pelo incentivo e apoio!
Não tenho palavras pra dizer como fico feliz com isso!
Desculpem mais uma vez pela demora!
O proximo capitulo, com toda certeza, saira mais rapido! Ja estou terminando-o
OoOoOo
Agradecimentos muito mais do que especiais para:
Viic Girotto, julythereza, mahara-chan, Petit-dauphin, JinchurikiGIRL, Kinha Oliver,
Luka Sai, V. Lovett, Luh Hyuuga, marcy bolger, Tia Kate-chan, Uchiha Luh, Melly Hyuuga,
Pink Ringo.
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