Disclaimer: Naruto não me pertence!

Fanfic sem fins Lucrativos: Inspirada na obra de Judith McNaught "Agora e Sempre"

Boa Leitura!

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De forma longínqua Hinata ouviu passos ao seu redor, seus olhos permaneceram fechados, estava com tanto sono... Mas, tinha de se levantar logo, a diretora Anko não gostava de atrasos, e ela não ia querer levar uma reprimenda...

Os olhos perolados abriram-se de repente, de forma confusa Hinata observou a fina cortina que cobria a janela. Lá fora a luz do sol era fraca, havia nuvens de fumaça brancas saindo das chaminés com telhados vermelhos. Aquela não era a paisagem que Hinata costumava enxergar no internato. Isso porque ela não estava mais no internato... Estava em Londres, na casa do seu primo Neji. O animo da moça despencou profundamente até seu estomago.

Sem animo nenhum Hinata mexeu-se na cama, sentindo mais uma vez a maciez, e o perfume caro dos lençóis, mas alguns ruídos no quarto chamaram a atenção de Hinata. Só naquele instante que a moça percebeu que havia uma criada em seu quarto. E ela estava arrumando uma mala com suas roupas. Talvez Neji tivesse desistido de tomar conta dela, talvez quisesse que ela fosse embora o mais rápido possível. Garras de medo agarraram o coração de Hinata. Se o primo a expulsasse pra onde ela iria?

- Com... licença? –chamou Hinata atraindo a atenção da criada. Precisava perguntar a ela o que estava acontecendo.

A jovem criada olhou de forma assustada para Hinata, como se tivesse sido pega cometendo um erro grave.

- Me desculpe – pediu a criada imediatamente – eu não queria acordar a senhorita. Sinto muito.

- Você não me acordou – respondeu Hinata desconcertada.

O rosto da moça tingiu-se de vermelho enquanto ela se explicava:

- O senhor Hyuuga pediu que eu arrumasse as malas da senhorita, porque vamos partir para a mansão Hyuuga dentro em breve.

- Mansão Hyuuga? – perguntou Hinata confusa – Espere! Essa não é casa do ni-san... Quero dizer do Neji-sama?

- O senhor Hyuuga possui varias propriedades em todo país senhorita, mas ele costuma morar a maior parte do tempo na mansão Hyuuga no campo, a duas horas de Londres.

Os olhos perolados de Hinata arregalaram-se de espanto. Pelo visto ela não tinha idéia do quanto o primo era rico. Mas, não podia se importar com aquilo no momento. A criada havia dito que eles iam para uma propriedade na zona rural de Londres, incluindo ela, o que indicava que o primo ainda não havia expulsado. A descoberta não trouxe alivio a moça.

- A senhorita precisa se arrumar – informou a criada – deve estar cansada da viagem de navio, mas o patrão não gosta de atrasos, e ele disse que quer almoçar na mansão hoje.

Hinata percebeu claramente o medo da jovem criada ao citar o primo. Ele devia ser um patrão extremamente rígido com seus empregados. A Hyuuga simpatizou-se pela criada.

- Bem então eu vou me arrumar, não quero que ninguém fique atrasado por minha causa.

- Deixe-me ajuda-la – pediu a criada.

O rosto de Hinata tingiu-se de vermelho. Iria demorar um bom tempo até que ela conseguisse se acostumar com todo aquele luxo. Nunca antes havia tido uma criada para ajudá-la a se vestir, mas a jovem foi muito eficiente e não permitiu um 'não' como resposta.

Os vestidos de Hinata haviam sido todos passados, e com exceção de três guardados numa imensa mala de couro negro. Hinata escolheu seu outro vestido negro, sem decote e de mangas compridas que terminavam em delicados babados que a própria moça havia feito, o vestido deixava Hinata com uma aparência simples e delicada.

A criada insistiu em pentear os longos cabelos de Hinata, mas a moça já extremamente envergonhada não permitiu, apenas passou de leve uma escova pelas melenas e as deixou soltas caindo por sobre suas costas delgadas.

Quando finalmente Hinata estava devidamente, vestida e penteada a criada a acompanhou pelas escadas, até uma requintada sala de jantar, onde seu primo Neji tomava café sendo servido pelo mordomo Sarutobi.

Hinata sentiu seu rosto esquentar ao adentrar na sala, por alguns segundos seus olhos perolados, ficaram fixos no lindíssimo lustre de cristal acima de sua cabeça. A moça achou que já tinha visto aquela mesma imagem em algum lugar.

- Vai ficar parada ai? – perguntou Neji, tirando a moça de seu devaneio.

Muito envergonhada Hinata, balançou a cabeça numa negativa, e sentou-se numa cadeira ao lado do primo. Gentilmente Sarutobi ajudou-a e logo em seguida o mordomo, depositou um prato de porcelana, com pequenas flores vermelhas delicadas nas bordas, na sua frente. Hinata sentiu-se extremamente feliz, por ter estudado em um colégio, onde conhecer as etiquetas da mesa, sempre fora cobrado.

Por cima do jornal que estava lendo, Neji ergueu seus olhos depositando-os sobre a prima, ela não parecia ter nenhuma dificuldade, em reconhecer os talheres necessários, para cada comida. Seus gestos eram delicados e precisos.

Hinata podia ser apenas uma garota com um titulo de duquesa, sem dinheiro nenhum, mas havia nela uma graça obtida somente por poucos ao nascer. Isso Neji sabia que não possuía. Ele era um mero bastardo rico.

Fechando com brusquidão o jornal, o Hyuuga apanhou, a xícara de chá e levou aos lábios, enquanto falava:

- Vamos partir logo depois do café da manhã. Espero que esteja tudo preparado em seu quarto.

Hinata fez um leve aceno de cabeça, indicando que sim, a comida no prato estava especialmente deliciosa, mas ela não conseguia se concentrar naquilo, sentia-se envergonhada na presença do primo, sempre tão frio e rígido.

- Hinata – perguntou Neji, em determinado momento atraindo a atenção da moça – passei essa manhã pela frente do seu quarto, e ouvi alguns barulhos estranhos, alguma coisa parecia que estava arranhando o chão. O que estava fazendo?

Os olhos perolados da Hyuuga arregalaram-se ligeiramente ao ouvir aquilo. A moça tinha se esquecido completamente de Nino, o pequenino gato havia feito um barulho razoável de manhã, tentando sair do quarto. O rosto de Hinata ficou vermelho, enquanto ela percebia o olhar desconfiado do primo sobre sua pessoa. Sua mente pensava em varias respostas possíveis, mas todas eram mentiras, e Hinata sabia que sempre fora uma péssima mentirosa.

- Eu... eu... es...tava – começou a Hyuuga torcendo nervosamente as mãos sobre o colo – procurando uma coisa...

- Você ainda gagueja? – perguntou Neji impressionado.

- Só quando estou nervosa – respondeu a moça, ficando ainda mais vermelha.

- Por que está nervosa?

- Eu... n...ão consegui achar o que eu estava procurando...

A sobrancelha de Neji arqueou-se ligeiramente, ele podia ver claramente o perfil vermelho de Hinata, não precisava ser um gênio, para saber que ela estava mentindo. Mas, o que ela estaria escondendo em seu quarto?

- Eu vou subir, para tentar continuar procurando... A coisa que perdi – disse Hinata se levantando muito rápido da mesa, e subindo as escadas, antes que Sarutobi, ou Neji tivessem a chance de protestar.

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Hinata fechou a porta atrás de si, encostou suas costas na madeira, e levou a mão ao peito tentando acalmar a respiração acelerada. Reparou que suas bagagens já estavam prontas em cima da cama. Mas não havia sinal do pequeno gato preto em lugar algum. Será que alguma criada o havia encontrado e enxotado pra fora?

O coração da Hyuuga bateu mais forte com o medo de pensar naquela possibilidade. Nino havia sido seu primeiro amigo, naquele país distante, não importava para Hinata que ele era apenas um animal. Ela não queria mais se separar dele.

- Nino... – chamou a moça muito baixinho, tentando atrair a atenção do bichano.

Não houve nenhuma resposta, nenhum único ronronado ou abanar de cauda. Sentindo as entranhas do seu estomago se revirarem, Hinata abaixou-se ao lado da elegante cama do seu quarto, levantou a colcha branca para poder enxergar melhor ali embaixo. Ela já havia percebido que Nino gostava de ficar em lugares escondidos.

Um sorriso divertido e brilhante surgiu nos lábios de Hinata, quando ela avistou a pequena figura do gato preto dormindo debaixo de sua cama. A pequenina boca rosada estava aberta, e os longos bigodes tremulavam quando ele respirava. Fora por isso que o gato não lhe respondera, dormia profundamente.

Com todo cuidado a moça de orbes perolados, enfiou a mão debaixo da cama, e trouxe o corpinho quentinho de Nino para perto de si, o bichano agitou-se um pouco em seu sono, mas não acordou, ainda sorrindo Hinata acomodou o gatinho em seu colo, nesse momento, a porta do quarto da garota abriu-se.

- Hinata... – disse Neji, e logo depois parou abruptamente, vendo o gato no colo da prima – O que esse animal faz na minha casa, sem minha permissão?

O tom de voz gélido de Neji assustou Hinata, a moça apertou o pequeno gato ainda mais contra seu colo, o olhar que o primo lhe lançara era gélido.

- Eu o deixei entrar ontem à noite – explicou Hinata levantando-se timidamente – ele estava com fome...

- Deixou que um animal ficasse na minha casa sem que eu soubesse? – perguntou Neji enfurecido – em algum momento por acaso, você ia me contar sobre ele?

Sem esperar resposta, Neji caminhou em direção a Hinata, com força agarrou o gato pelo colarinho erguendo-o do colo da moça. O bichano esperneou acordando muito irritado, seus pequenos dentes e garras, tentaram fincar-se de qualquer maneira na mão exposta do Hyuuga.

- Meu Deus – exclamou Neji impressionado – isso daqui é um gato de rua, deve estar cheio de doenças! Vai sair imediatamente da minha casa!

A sentença do primo, fez com que o coração de Hinata subisse para sua garganta. Imediatamente sem pensar a moça correu e agarrou o braço, que o primo segurava o gato que se contorcia freneticamente.

- Ni-san! – pediu a moça olhando nos olhos de Neji – por favor, não! Deixe-me ficar com ele. Eu prometo que vou cuidar dele!

- Não sou seu ni-san!

Envergonhada Hinata abaixou a cabeça, mas seus dedos não se soltaram do braço do primo. Ela podia ouvir os miados desesperados de Nino, fazendo seu coração contorcer-se de pena pelo animal.

- Me desculpe – continuou Hinata sem conseguir encarar Neji – mas, não coloque o Nino pra fora. Eu sei que foi errado esconde-lo de você. Mas eu prometo que nunca mais vou fazer isso... Por favor, Neji-san... Não quero ficar sem o gato... Ele me acompanhou até aqui desde o porto...

Os olhos perolados de Hinata subiram e se fixaram no rosto do primo. Por instantes nenhum dos Hyuuga disse nada, nem mesmo se mexeram, apenas ficaram naquela posição de encarando. O rosto da moça estava ligeiramente levantado. O primo era vários centímentos mais alto que ela, reforçando ainda mais sua postura imponente graças à altura. Em compensação Hinata era apenas uma garota franzina, de corpo delgado.

- Por favor... – voltou a pedir Hinata, sem que ela percebesse seus dedos apertaram ainda mais os músculos do braço do primo.

Os lábios do Hyuuga formaram uma linha rígida. Neji deixou um suspiro raivoso escapar e então respondeu irritado:

- Está bem! Se quer tanto fique com esse gato demoníaco. Não sei como alguém pode achar que isso vai dar um bom animal de estimação.

Os olhos perolados de Hinata brilharam de felicidade! Os lábios da moça abriram-se num sorriso deslumbrante, quando o primo depositou novamente em seus braços, o bichano irrequieto, imediatamente Nino se acalmou, lançando para Neji um olhar triunfante, de seus profundos olhos verdes.

- Muito obrigada Neji-san! – exclamou Hinata deliciada.

- Certo – respondeu o Hyuuga extremamente irritado consigo mesmo. Frustrado, o rapaz passou uma das mãos, pelos longos cabelos cor de chocolate, quase desmanchando seu rabo-de-cavalo solto.

Não conseguia olhar na direção da prima, e ver aquele sorriso espontâneo e feliz. Tinha de admitir que Hinata era uma excelente atriz. Nenhuma mulher que ele conhecia, iria ficar tão feliz daquela maneira, por um simples gato de rua.

- Nós já estamos saindo – disse Neji, ignorando os agradecimentos de Hinata – esteja lá embaixo dentro de cinco minutos. E controle esse bicho insano.

Sem dizer mais nada o rapaz saiu do quarto, fechando a porta atrás de si, com uma força exagerada.

Ainda sorrindo Hinata acariciou o pequeno gato em seu colo. Seu primo não era tão mal, quanto se esforçava em demonstrar.

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Os sacolejos e balanços da carruagem estavam irritando Neji extremamente, embora ele soubesse que não devia estar sentindo-se daquela forma. Estava exagerando obviamente. Às vezes nem mesmo o próprio rapaz suportava seu gênio.

Mas como podia ser diferente? Pensou o rapaz consigo mesmo em silencio. Estava no espaço mínimo de uma carruagem sentado na frente de Hinata, que não parava de sorrir, e rir delicadamente de cada palhaçada extremante idiota que aquele gato estúpido fazia, como ronronar ou arranhar delicadamente o estofado da carruagem.

Os olhos da prima brilhavam, enquanto ela acariciava a pelugem negra do gato, com todo cuidado e carinho. Neji sentiu-se um tolo ao observar aquela cena, e pior se irritar com ela. Até parecia que estava tendo ciúmes do gato.

O pensamento deixou o Hyuuga ainda mais irritadiço. Fechando o rosto pálido Neji cruzou os braços na altura de seu peito, e olhou pela janela da carruagem. Londres passava diante dos seus olhos em rápida velocidade.

As casas coloniais, os fétidos rios, as ruas de paralelepípedos, transbordando de gente, de todas as classes sociais. O Hyuuga sentia-se extremamente satisfeito em estar deixando aquele lugar. Gostava de visitar aquela cidade, e gastar seu dinheiro com todas as diversões que ela tinha para lhe oferecer. Os luxuosos bailes, os restaurantes caros, as lindas mulheres fáceis e conquistáveis. Mas, depois de um tempo ele sempre se enjoava de tudo aquilo. Os ambientes estonteantes, e suas pessoas vazias e falsas, depois de um tempo sempre o entediavam, e nesse momento o rapaz sabia que estava na hora de voltar para a Mansão Hyuuga.

Localizada na zona rural de Londres, a gigantesca casa, em estilo medieval, dava a Neji tudo o que ele mais gostava. Paz e sossego. Ali ninguém indesejável vinha lhe visitar, e ele podia com todo o conforto cuidar de seus negócios, sem deixar a propriedade.

Aquele era seu santuário, uma de suas conquistas mais memoráveis, de forma nenhuma o rapaz iria abrir mão daquele lugar.

Ligeiramente sem querer a perna de Hinata roçou a do primo, fazendo com que ele tirasse seus olhos da janela, e os fixasse na moça. A prima ainda continuava totalmente entretida brigando com aquele gato pulguento, ignorando totalmente a presença Neji.

Mentalmente o rapaz sorriu daquela ironia, o Hyuuga conhecia varias mulheres que fariam qualquer coisa para conseguirem uma volta de carruagem com ele, e aproveitarem parar trocarem beijos e toques lascivos. Ao passo que Hinata, ignorava-o por completo brincando como se fosse uma criança com seu bichinho de estimação.

- Desse jeito vai encher a sua roupa de pelos – comentou Neji com voz ácida incapaz de continuar apenas observando aquela cena.

Os olhos perolados de Hinata subiram cravaram-se no rosto do primo, ela lhe lançou um sorriso tímido como se tivesse percebido a presença do rapaz, apenas naquele momento.

- Eu não me importo – respondeu a Hyuuga simplesmente – depois é só escovar o vestido.

- Claro – rebateu Neji triunfante – qualquer empregado, pode realizar esse simples trabalho não é mesmo?

- Eu sempre escovei meus vestidos no internato – explicou Hinata – nós não tínhamos empregados.

Incrédulo Neji continuou observando Hinata. Ela parecia estar dizendo a verdade, embora ele achasse extremamente difícil vê-la com uma escova na mão, fazendo o serviço de uma simples empregada. Afinal ela era uma autentica Hyuuga. Ao contrario dele.

O pequeno gato preto estava andando pelo colo de Hinata curioso, com tudo ao seu redor, a carruagem então sofreu um solavanco mais acentuado, fazendo com que o bichano perdesse o equilíbrio das patas, e caísse no espaço onde, estavam as pernas de Neji e Hinata.

- Nino! – exclamou a garota, salvando o gato arteiro – tente ficar quieto.

- Nino? – perguntou Neji em tom de deboche – que tipo de nome é esse pra um gato?

- Bem... – explicou Hinata ligeiramente envergonhada, com aquela pergunta – eu achei-o pequenino... Então dei-lhe o nome de Nino.

- Como sabe que é um macho?

A pergunta pegou Hinata de surpresa, ela abriu a boca para responder, mas ficou sem fala, ela não fazia idéia, se Nino era um gato, ou uma gata.

- Eu não sei... – respondeu a Hyuuga por fim.

Os olhos perolados de Neji reviraram-se levemente nas órbitas, com a resposta da prima. Algo bem típico de Hinata aquele pequeno lapso de atenção ao sexo do animal. Pensou Neji consigo mesmo.

- Me de ele aqui – pediu o Hyuuga tentando alcançar o animal.

O gato preto rosnou em direção a Neji, tentando se proteger no colo de Hinata, mesmo assim o rapaz pegou-o tendo grande trabalho em mantê-lo quieto.

- Gato dos infernos! – exclamou Neji,

- Nino se comporte! – pediu Hinata para o gato.

O Hyuuga virou o pequeno bicho de cabeça para baixo, e olhou fixamente, para a parte anterior do corpo do bichano próximo as patas traseiras.

- Não é um gato – respondeu Neji por fim – é uma gata.

O rapaz devolveu o bicho para Hinata, que continuava a rosnar e mostrar as pequenas presas, lançando olhares maldosos, para o Hyuuga.

- Nino é uma mulher? – perguntou Hinata decepcionada.

- Sem sombra de duvida é uma gata – respondeu Neji.

- Então ela não pode ter nome de macho – explicou a moça – que nome dou a ela Neji-san?

- Não me pergunte o gato é seu. Ou melhor, a gata é sua.

Os olhos perolados da moça, ficaram levemente pensativos, enquanto ela observava o bichano brincar com os fiapos do punho de seu vestido.

Neji continuou a observá-la, detestando ver aquele olhar. Pelo amor de tudo que era mais sagrado, ela não precisava ficar daquele jeito, só porque não conseguia dar nome a um gato.

- Os olhos dela me lembram jades – comentou Neji, incapaz de encarar a prima, ele olhava para a janela.

- Jades... – repetiu Hinata pronunciando o nome com cuidado.

Você está amolecendo, Neji seu bastardo idiota! Pensou o rapaz consigo mesmo. Onde já se viu ficar batizando gatos!

- Jade – disse Hinata por fim, voltando a sorrir, enquanto encarava a gata em seu colo – é um nome perfeito... Obrigada Neji-san!

Ao ouvir seu nome, o rapaz, olhou na direção da prima, e pode observar mais uma vez, o sorriso deslumbrante de Hinata. Por quase um segundo ele chegou a pensar que valia a pena bancar um idiota para ver-la sorria daquela maneira. Logo depois ele se arrependeu do pensamento, e voltou a ignorá-la, encarando a paisagem que agora, começava a mudar, enquanto eles deixavam à cidade para trás.

Ele conhecia muito bem aquele truque feminino. Os sorrisos singelos, os olhos brilhantes. Quantas e quantas vezes, ele não havia visto a mesma expressão no rosto de suas amantes, sempre que recebiam um agrado particularmente caro.

Todas as mulheres eram iguais na opinião de Neji. Todas feitas da mesma matéria podre, fazendo joguetes, para alcançar seus objetivos. Fingindo que amavam, que se importavam, quando no fundo só conseguiam se importar consigo mesmas. Falsas, traiçoeiras, egoístas...

Os olhos perolados de Neji estavam fixos na paisagem que agora ostentava copas frondosas de árvores, como salgueiro e o carvalho. O céu era de um azul profundo, pontilhado de pequenas e esparsas nuvens brancas. Mas o Hyuuga não via nada naquilo. Na sua mente uma antiga memória do passado voltara para lhe assombrar. Era nítida, como a tela de um quadro recém pintado, com tintas berrantes.

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Neji estava sentado em cima de uma imensa cama, o quarto onde estava era mal iluminado, e estava bagunçado, havia pequenos cacos de vidros coloridos refletindo a luz das velas no chão.

Com os dedos rechonchudos e desajeitados, o pequeno garoto, tentava alcançar, um retalho de pano colorido que lhe chamara a atenção. Era jovem e esperto,tudo lhe aguçava os sentidos.

O pedaço de pano escarlate sumiu na confusão de mantas e edredons que existiam sobre a cama. Por alguns instantes o garoto ficou triste, e até pensou em chorar, mas mudou rapidamente de idéia. Ela nunca gostava quando ele chorava.

Os orbes perolados do garotinho Neji, ergueram-se e pousaram na figura que estava sentada, de frente a uma penteadeira de pinho mal-cuidada. A mulher penteava habilmente seus longos cachos negros, deixando –os brilhantes e sedosos.

Pelo espelho, ela percebeu que o garotinho a observava, delicadamente pousou a escova sobre a penteadeira, e levantou-se caminhando na direção da cama.

Seu corpo alto e delgado, mal era escondido pelo tecido fino e transparente da camisola, os seios pequenos e pontudos eram expostos exageradamente pelo decote do corpete.

Os dedos longos e finos tocaram a bochecha de Neji, instintivamente o garoto tentou recuar aquele toque, mas aquele gesto despertou uma fagulha de ira nos olhos dourados de sua mãe.

- Meu filho – disse ela sorrindo lindamente – você é tão parecido com seu pai... E esses olhos... Duas perolas emolduradas por cílios. Ninguém pode negar que você é um deles.

Emocionada com suas próprias palavras a mulher se ajoelhou ao lado da cama, e abraçou o corpo frágil e desnutrido do filho. Os olhos de Neji se arregalaram com aquele gesto. Já conhecia o suficiente a mãe para saber que ela nunca demonstrava carinho, sem querer algo em troca.

Os dedos da mulher roçaram no cabelo curto cor-de-chocolate de Neji, o garotinho aspirou o perfume conhecido da mãe, pó de arroz misturado com vinho.

- Um dia – sussurrou a mulher de cabelos negros no ouvido de Neji – você terá toda fortuna da família Hyuuga... Não importa o que eles ê é meu. Meu bastardo Hyuuga.

Com cautela a mulher deixou de abraçar seu filho, e encarou-o longamente, então voltou a sorrir de uma maneira angelical.

Batidas foram ouvidas na porta, chamando a atenção de Neji e de sua mãe. O sorrido dela aumentou ainda mais.

- Ele chegou – anunciou ela para o filho – já sabe o que tem de fazer. Esconda-se, e não saia de lá até que eu te chame.

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- Neji-san?

A voz de Hinata trouxe Neji de volta para o presente. Ele não era mais um garoto assustado de seis anos, e não estava mais dentro de um quarto fétido e bagunçado. Era um homem de negócios, que superara todos os problemas com o passado e seus fantasmas. Lembrar-se daquilo agora era inútil...

- Aconteceu alguma coisa? – o tom de voz da prima era preocupado, o rapaz detestou ouvi-lo.

- Não – respondeu Neji, voltando ao seu tom habitual frio.

Hinata não pareceu muito convencida com aquela resposta, então a moça voltou seu olhar para a janela do seu lado. A paisagem de fora, lhe tirou momentaneamente o fôlego.

Campos de flores, e plantações estendiam-se até onde a vista conseguia alcançar, bem ao fundo dava-se para ver o longínquo cume das montanhas azuladas, que tentavam alcançar o céu de um azul sem igual.

Aqui e ali podia se ver uma pequena casa, ou choupana de madeira, as árvores de troncos grossos ladeavam a estrada de terra batida. Não havia muito movimento, às vezes a carruagem passava rapidamente por uma carroça puxada por um velho burro, que logo era deixada para trás.

Quanto mais a carruagem ia se aprofundando pelo interior daquele vale, mais Hinata sentia-se bem consigo mesma. Aquele lugar combinava muito mais com ela, do que a luxuosa mansão Hyuuga em Londres.

- Estamos chegando – avisou Neji para Hinata.

A moça concordou com um pequeno aceno de cabeça. Realmente começava a sentir-se curiosa para ver a mansão Hyuuga, e principalmente ansiava em sair daquela carruagem, à viagem lhe deixara com terríveis dores nas costas, e nas pernas.

Os olhos perolados de Hinata voltaram a se fixar lá fora, a moça não pode deixar de sorrir, quando o reflexo dourado do sol brilhou, na superfície de um lago de águas cristalinas, ao fundo ela podia ouvir o som estridente das cigarras. Era um dia atipicamente quente.

- É um lugar lindo... – murmurou Hinata mais para si mesma, mas Neji pode ouvir suas palavras.

A principio o primo nada respondeu, então o rapaz cruzou os braços sobre o tórax bem definido. Nessa manhã ele usava uma casaca cinza escura, com uma gravata negra de seda em volta do pescoço. Como sempre estava extremamente elegante.

- É o melhor lugar para se estar, quando a ton começar – respondeu então o Hyuuga sem encarar a prima – Londres ficará um verdadeiro inferno. Diga-me Hinata você já fez seu debbut?

- O que? – perguntou a moça repentinamente fixando sua atenção no primo.

- Quando uma moça, completa quinze anos, ela começa a freqüentar as festas da sociedade. Isso se chama debbut. É nesse momento que será escolhido, o marido da jovem. Embora isso raramente aconteça, em suas primeiras aparições. É um costume britânico antigo.

As sobrancelhas de Hinata franziram levemente por sobre sua testa pálida. Não havia nenhum costume como aquele nos Estados Unidos, sem sombra de dúvida ela ainda teria que aprender muito sobre aquele país.

- Quantos anos têm Hinata?

- Dezoito – respondeu a moça de forma cautelosa.

- Está três anos atrasada para realizar seu debbut – explicou o primo – eu aposto que no colégio, que você freqüentava não lhe ensinaram nada sobre etiqueta.

O rosto da Hyuuga tingiu-se fortemente de vermelho. Ela tinha plena consciência que comparada as moças que vira na cidade, não passava de uma garota pobre, com o mínimo de instrução.

- Você sabe pelo menos valsar? – perguntou Neji, continuando a série de perguntas.

Hinata balançou a cabeça negativamente. Seus olhos estavam baixos, observando as mãos que apertavam o tecido do vestido.

Um suspiro frustrado e irritado saiu dos lábios de Neji, ele jogou a cabeça para trás, pousando-a, sobre o estofado de couro da carruagem.

- Como pensei – respondeu o rapaz – vou precisar contratar uma professora de etiqueta para você. Não temos muito tempo a ton começa no mês que vem. Se não se apresentar a sociedade não vou conseguir arranjar um marido para você.

Os olhos perolados da moça, cravaram-se no rosto do primo. Neji não olhava em sua direção. Seus olhos perolados estavam fechados, enquanto seu rosto parecia estar concentrado em algo.

Hinata sentiu os lábios secarem no silencio que instalou-se na carruagem. Não queria se casar, não queria realizar nenhum debbut como uma típica moça londrina... Mas não sabia como evitar aquilo, e mesmo que soubesse, não teria forças para enfrentar o primo que era seu tutor legal.

Um frio viscoso escorreu pela coluna da moça enquanto ela pensava nas palavras de Neji. Era incapaz de se imaginar, entrando numa igreja vestida de branco, para se casar com um homem que não amasse. O estomago de Hinata deu um solavanco desconfortável dentro do seu corpo. Só de imaginar, aquilo lhe deixava doente de frustração.

A Hyuuga estava tão concentrada em seus pensamentos, que não percebeu que a carruagem diminuía a velocidade gradativamente. Ao seu lado Neji abriu os olhos, e sentou-se completamente ereto no banco. Alguns minutos depois, o cocheiro apareceu do lado de fora da carruagem e abriu a porta para Neji com um pequeno floreio.

Ainda abalada com a conversa que acabara de ter com o primo, Hinata deixou que sua mão fosse segurada pelo cocheiro, ajudando-a a descer, embora ela pudesse fazer aquilo sozinha. Seus pés tocaram na grama que estava bem aparada e exibia um tom de verde-escuro ela seguiu as costas do primo que andava um pouco a sua frente. E então seus olhos se ergueram para a majestosa construção que estendia a sua frente.

Momentaneamente Hinata perdeu o fôlego, e deixou que sua boca abrisse ligeiramente devido ao espanto. Ela nunca tinha visto nada como aquilo.

A Mansão Hyuuga era gigantesca, sua fachada era feito de uma pedra de cor cinza-escuro. Possuía quatro andares, e inúmeras janelas de vidros que refletiam a luz do sol. Devia possuir inúmeros quartos. Mais de cem talvez... Era imponente, com suas portas duplas de mogno que se abriam para um jardim onde sebes de um verde profundo cresciam esculturalmente ladeando uma fonte de pedra onde havia um anjo também de pedra, despejando um filete de água dos lábios abertos ligeiramente.

Olhando para direita Hinata viu um pequeno bosque, com árvores pequenas e medias que estendiam suas copas para um enorme celeiro, que poderia abrigar vários animais.

Havia também uma pequena confusão de empregados, desembarcando as malas, indo e voltando da mansão. Sarutobi estava no meio deles dando ordens que eram prontamente obedecidas. Hinata procurou pela presença do primo, mas não o encontrou.

Estava parada ainda impressionada com a imponência da mansão que não percebeu o mordomo Sarutobi aproximar-se dela.

- Está tudo bem Hinata-sama? – perguntou Sarutobi educadamente.

A moça olhou na direção do velho, sorrindo para tranqüilizá-lo.

- Sim – respondeu ela – apenas estou impressionada com a construção.

- Entendo. Espero que a senhorita possa apreciar sua estadia aqui. Sem duvida o lugar é magnífico.

Sem dizer mais nada, o mordomo afastou-se indo se juntar aos outros criados que estavam espalhados pela propriedade concentrados em seus afazeres. Hinata então avistou seu primo parado na entrada na mansão dando ordens há alguns carregadores, que estavam levando as malas para seus quartos. O rapaz parecia muito bem adaptado aquele lugar, tão seguro de si distribuindo afazeres a todos.

Todos ali pareciam estarem acostumados com suas funções desempenhando seus trabalhados. Todos pertenciam aquilo, menos Hinata. A garota permanecia parada no jardim, esperando que alguém lhe dissesse o que fazer. Gostaria de ajudar, ser útil... Mas, o que poderia fazer?

Ela não passava de um estorvo para o primo, que desejava casa-la, o mais rápido possível para ver-se livre daquele problema, que ela era. Mais uma vez a idéia causou calafrios na Hyuuga. Não podia deixar que aquilo acontecesse.

Tinha de mostrar ao primo que era uma pessoa útil, capaz de cuidar de si mesma. Ela podia não saber valsar, ou saber todas as regras de etiquetas, mas sabia executar outros serviços... Uma idéia surgiu na mente da moça de orbes perolados. Um sorriso ligeiramente travesso surgiu nos lábios rosados de Hinata. Sem duvida aquela era uma boa idéia... Só precisava colocá-la em pratica.

Ela ia conseguir provar ao primo que não precisava de um casamento.

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Yare pessoal, dessa vez eu não demorei tannnnto assim para postar!!

Eu espero que tenham gostado do capítulo! Na minha opinião ele ficou meio fraquinho,

mas a historia logo começará a esquentar! Tenham paciencia.

Eu queria agradecer imensamente, as pessoas que estão lendo essa historia e comentando!

Muito obrigada por todo o incentivo, sinceramente eu não esperava que a fic, fosse agradar!

Obrigada mais uma vez de todo coração!

Mandem reviews, dizendo o que estão achando da fic, sugestões e criticas são sempre bem-vindas!

Agradecimentos mais do que especiais para:

Viic Girotto, Uchiha Luh, Tia Kate-chan, V. Lovett, Luh Hyuuga, Yuria Shimahara,

MaNgEtZu SoUkE, Lust Lotu's, Aresandora-san, Melly Hyuuga, FranHyuuga.

Adoro vocês!