Ouran High School Host Club e seus personagens não me pertencem.

Aventura, UA (Universo Alternativo), Romance, Drama

Era Uma Vez o Fim do Mundo

2- Resposta

O sol ainda aparecia no horizonte quando o reino Ouran despertava.

Comerciantes abrindo suas lojas, crianças indo para a escola... Mas isso não interessa muito. O que interessa é o monumento central do reino: o castelo. Ou melhor, as pessoas que lá estavam. Era impossível descobrir o que passavam na mente dos guerreiros escolhidos, pois todos pareciam preocupados com a resposta que deveriam dar para o rei dali alguns poucos minutos. Todos, com excessão de um, que ainda dormia.

- Kyouya! Vamos, acorde!

O loiro balançava o mais novo amigo pelo ombro, já devidamente arrumado para se apresentar no salão que seria servido o café-da-manhã. Mesmo se esforçando para acordar o moreno, ele apenas resmungava coisas sem sentido nenhum. Em um só movimento, Tamaki puxou as cobertas e Kyouya entreabriu os olhos e fitou o outro com um olhar de demônio. O loiro tremeu de medo. Kyouya sabia ser assustador! Mas engoliu em seco e falou com tom firme.

- O café-da-manhã já está servido! Vamos, apronte-se!

O rapaz odiava ter que admitir, mas aquele idiota tinha razão. Levantou-se com muito custo e ficou trancado no banheiro por alguns minutos, até sair de modo mais apresentável, colocando os óculos. Admirou-se ao ver que Tamaki o esperava com paciência e um sorriso nos lábios.

- Vamos então?! – levantou-se.

- Sim. Mas não precisava me esperar.

- Não foi incômodo nenhum! E não é mais legal andar acompanhado?

Nesse momento, Kyouya teve a certeza de que o loiro só o esperou para garantir que não se perderia no caminho. Limitou-se ao silêncio e seguiu os corredores até o salão, onde todos já estavam em seus lugares. Apenas três cadeiras estavam vagas, um detalhe que passou despercebido por todos.

- Estão atrasados, Kyouya, René.

- Apenas Tamaki, por favor, senhor. E peço perdão pelo atraso!

- Tamaki, então. Todavia, sentem-se.

Os garotos fizeram uma rápida reverência e sentaram-se e com um sinal do rei Yuzuru os vários empregados começaram a servir o banquete. Foi uma refeição silenciosa, com um dos gêmeos, Hikaru, parecendo um tanto desconfortável. Não tinha gostado daquele plebeu e ele tinha sentado bem ao seu lado. Kaoru não era tão radical quanto o irmão. Achava um insulto, de certa forma, mas não iria reclamar. Se ele ganhou o torneio, deveria ser apto a sentar-se ali, então o respeitava. Mas eram apenas detalhes. Detalhes eram irrelevantes.

Todos terminaram de comer e os pratos foram retirados. Yuzuru não perdeu tempo e olhou para todos os presentes, embora em um canto da mente estava pensando em Haruhi. Ela provavelmente tinha desistido.

- Acredito que todos se lembram do assunto que vamos tratar hoje. Sem mais delongas, gostaria de ouvir a resposta.

- Como disse ontem, eu quero lutar. – disse Mitsukuni, respondendo tanto para ele quanto para Takashi. Se o primo fosse, Morinozuka também iria.

- Minha resposta também não mudou. – Kyouya afirmou, ajustando os óculos contra a face.

- Também irei! Meu desejo continua o mesmo, apesar de saber dos perigos! – Tamaki disse com mais determinação do que no dia anterior.

Hikaru engoliu em seco e Kaoru segurou-lhe a mão.

- Nós também vamos. Tudo bem, Kaoru? – virou-se para o gêmeo.

- Sim. Eu vou com você aonde for, Hikaru.

- Certo. Fico contente com a decisão de vocês. Vocês partem ao meio dia. Não se atrasem.

O rei terminou de falar e saiu dos aposentos. Os garotos também se dispersaram e voltaram aos respectivos quartos para arrumar os pertences. A manhã passaria rápido.

E, definitivamente, passou.

Era exatamente meio dia e todos já estavam reunidos no porto, inclusive o rei e seu conselheiro.

- Sabe de Haruhi?

- Não, meu senhor... Não vi ela a manhã toda.

- Entendo. – Yuzuru se conformou e virou para os guerreiros, atraindo a atenção deles – Meus jovens, este navio não possui muito luxo, mas é o suficiente para levar-lhes em segurança até a ilha, sem chamar atenção. Peço que vão com cuidado. Confiem em vocês mesmo e que Deus os aben-

- Esperem!

Um grito foi ouvido e passos rápidos se aproximavam. Os cabelos castanhos voavam com a corrida e ela trazia nas costas, além de uma mochila, um arco e flechas, além de um punhal preso à cintura. Ryoji sorriu. Era sua linda filhinha, Haruhi. O rei também sentiu uma pontada de orgulho, pois tratava a filha do conselheiro como se fosse sua própria filha! A garota chegou ofegante, colocando as mãos sobre os joelhos para tentar recuperar o fôlego. Parcialmente recuperada, ela endireitou o corpo e olhou para o mandante da missão. Nos olhos castanhos havia determinação.

- Senhor Yuzuru, eu me decidi. Desejo ir.

Ryuoji já não agiu como conselheiro e sim como pai. Abraçou a filha de modo protetor. Sabia que ela enfrentaria muitos perigos se embarcasse naquele navio, mas também tinha consciência de que ela sempre cuidou de tudo sozinha, desde a morte da mãe. Ela seria forte para enfrentar aquilo também.

- Haruhi... Tome cuidado.

- Hai, otou-san.

Foram apenas murmúrios. Haruhi se afastou após receber um beijo no topo da cabeça do pai, juntando-se aos colegas. Yuzuru sorriu e retomou a fala interrompida.

- Como dizia... Tomem cuidado. Tenham confiança em suas habilidades. Que Deus os abençoe.

- Hai!

Todos exclamaram e se viraram para partir. Seria uma longa jornada. Nenhum ousou olhar para trás, embora Haruhi sentisse vontade de fazê-lo. Apenas estranhava que nenhum outro pai estivesse ali. Pessoas ricas, definitivamente, eram muito... Frias. Claro, com excessão de um certo loiro que parecia segurar as lágrimas.

- Que emocionante cena entre pai e filha! – era Tamaki, falando após embarcar no navio.

Gota geral. Todos se perguntavam como aquele ser emotivo conseguiu sobreviver as batalhas até o momento. O navio fez o típico barulho, indicando que estava partindo, e Hikaru não se aguentou. Puxou Tamaki pela camisa, falando em tom irritadiço.

- Espero que não nos atrapalhe com suas baboseiras, está entendendo?!

Não esperou resposta do garoto que piscava os olhos sem entender. Soltou-o e saiu andando, com Kaoru indo ao seu encalço. Tamaki franziu as sobrancelhas.

- O que há com eles?

- Nee, nee... Não se irrite com eles, Tama-chan. Hika-chan e Kao-chan não estão acostumados a ficarem rodeados de muita gente. Conheço eles faz algum tempo, então eu sei. Eles nunca se relacionaram com outras pessoas. – era Haninozuka falando.

- Eles são estranhos... Posso lhe chamar de Hani-senpai?

- Claro! – o mais baixo sorriu amigavelmente, apertando o coelhinho de pelúcia contra o corpo. – Bem, agora Takashi e eu vamos guardar nossas coisas na cabine. Até logo, pessoal!

Os mais velhos foram na frente e Tamaki se espreguiçou, sentindo a brisa do oceano. Ao longe, podia avistar Ouran, cada vez mais diminuindo... Era a primeira vez que saía de lá, então estava relativamente empolgado.

- Essa viagem será animada, não é, Takashi?!

- Sim.

Enquanto isso, os Hitachiin já tinham se apossado de uma das cabines.

- Aquele cara é tão irritante! – o mais velho falou.

- Com certeza... Mas, Hikaru... o jeito que ele fala...

- Você também achou?

- Se parece com um senhor feudal! É um tono. Baka tono! – os dois falaram e caíram no riso. Mesmo mal conhecendo o metido a francês ou seja lá o que ele fosse, tinham a certeza que ele era um perfeito idiota.

Como Hani e Mori tomaram conta de outra das cabines, restou a Tamaki e Kyouya dividirem uma. Haviam quatro e Tamaki insistia em deixar que a donzela dormisse separada deles. Não era nem um pouco educado deixar uma dama no mesmo quarto de um cavalheiro! Todos deixaram seus pertences nos quartos e tornaram a se encontrar. Teriam bastante tempo para se conhecerem.

- Ma cherry, poderia me dar a honra de saber o teu nome? – era Tamaki, para Haruhi, percebendo que ela estava avoada enquanto olhava para o céu.

- Fujioka Haruhi.

- Já nos vimos antes, não?!

- Sim. Enquanto você procurava seu quarto, ontem.

- Certamente! – o loiro abriu um sorriso – Pode me chamar de Tamaki. O rei que lhe convidou?

- Sim... Sou filha do conselheiro, Ryoji. Ele achou que seria bom que eu viesse. – Haruhi voltou o olhar para Tamaki, prestando atenção no que ele dizia.

- Mas é perigoso.

- Eu sei me cuidar, não se preocupe... Tamaki-senpai.

- Nee, nee, Haru-chan, Haru-chan! Vamos comer bolo?

Haruhi encarou aquele menininho.

- Não gosto tanto assim de bolo...

Mitsukuni fez uma expressão chorosa e estendeu o coelhinho.

- E do Usa-chan? Você gosta?

A garota encarou o bichinho de pelúcia e, sem perceber, inclinou-se levemente para frente, com as bochechas levemente rosadas.

- É até bonitinho...

Mitsukuni deu um giro, soltando uma exclamação. A cena era observada por Tamaki, que achou a situação incrivelmente fofa! Tirou a atenção dos mais baixos para olhar em volta. Faltava alguém ali. Takashi estava perto do primo, Kyouya anotando algo em um caderno no seu canto... Ah, os gêmeos. Cautelosamente, René foi para perto do de óculos, que não esperou ele se aproximar muito.

- O que você quer?

- Ah! Queria saber dos irmãos Hitachiin.

- Provavelmente estão no quarto.

- Vou lá! Eles não podem se isolar assim!

Kyouya deu um meio sorriso irônico com a exclamação do colega, observando que ele se virava para ir as cabines de esguelha.

- Não vai se perder?

O garoto quase tropeçou, mas endireitou a postura e fez uma expressão extremamente orgulhosa, mesmo que o moreno não tivesse vislumbre de sua face.

- Não!

E continuou seu caminho.

Dessa vez, Tamaki não se perdeu. O navio não era tão grande assim para ele ter essa capacidade.. E, dessa vez, ele também não precisou recorrer ao método do sapato. Parou em frente a porta da cabine e bateu.

- Quem é?

- Tamaki.

Hikaru bufou.

- O que você quer?

- Não querem ir lá para cima? Estamos todos lá. Logo vamos apreciar a comida de Haruhi!

- Não estamos com fome.

- Hikaru... – Kaoru murmurou, fitando o gêmeo.

- Ela vai fazer para vocês também, não precisam ter vergonha!

- Não queremos. Não precisamos nos relacionar com vocês! Nem sabem nos diferenciar!

Tamaki franziu as sobrancelhas, mas acabou por perder a paciência. Provavelmente quem falava era o mesmo que havia o subestimado - se não se enganava, chamava Hikaru.

- Mas é claro que não! Como querem ser diferenciados se ficam presos no seu próprio mundinho? Ser tão igual chega a ser um dom, mas vocês são duas pessoas separadas, Hikaru e Kaoru. Alguém vai saber diferenciá-los, mas apenas se vocês saírem desse mundo fechado. Deveriam parar de ser tão egoístas.

A última frase foi murmurada, mas mesmo assim os gêmeos ouviram. Ficaram atônitos. Apenas uma pessoa falara com eles daquele modo, uma antiga empregada, mas ela disse que ninguém nunca ia diferenciá-los.

Esses plebeus... tão insolentes!

Tamaki suspirava. Aqueles gêmeos eram estranhos. Parecia querer que ninguém os reconhecesse, mas também que os diferenciasse. Resolveu deixar para lá. Talvez tivesse sido muito insolente com eles, que pertenciam a uma família nobre, mas naquele momento eles precisavam trabalhar juntos. Estavam, literalmente, no mesmo barco.

- Ah, ele voltou! Tama-chan, sente-se conosco!

Haninozuka chamava o rapaz, que logo sorriu e foi até os colegas, sentando na rodinha formada no chão. Haruhi lhe entregou um prato e as bochechas do loiro coraram. Uma expressão de pura felicidade surgiu no rosto de René.

- Oh! Comida feita por Haruhi...

- Podem comer.

- Itadakimasu! – falaram em conjunto e começaram a apreciar a comida feita pela garota, até que Mitsukuni repara que seu primo olhava para outro lugar.

- Takashi, o que houve?

- Estão vindo.

Todos se viraram na direção que ele olhava.

- Hikaru, tem certeza?

- Sim, tudo bem. É apenas para passar o tempo, não é?

- Sim. Para matar o tédio.

Os gêmeos perceberam o olhar sobre eles e Kaoru falou por ele e pelo irmão, que tinha mais dificuldade em transformar sentimentos em palavras.

- Podemos nos juntar a vocês?

Um sorriso aflorou nos lábios de Tamaki, Hani e Haruhi.

- Claro! Juntem-se a nós, meus gêmeos favoritos!

É... Certamente, eles eram os únicos gêmeos que Tamaki conhecia. Mesmo assim, o primeiro dia em alto mar seguiu calmamente, com a esperança de que o espírito de união surgisse entre os guerreiros.

Continua~

Mais um capítulo! Nossa, demorou, não é? *Foge das pedras*

Mas, ainda sim, saiu. Não achei de todo ruim esse capítulo, até gostei, mas não sei se consegui seguir a mesma linha do primeiro... Mesmo assim, saibam que o finalzinho já está pronto (estou com medo de não sair como quero x_x') e que provavelmente vai ter de tudo (ou quase isso?) nessa fic. Ah, sim... resolvi deixar o "Coelhinho" como Usa-chan mesmo. É mais bonitinho. :~

Bem, vamos as reviews!

Bab Barbosa: Agradeço a paciência comigo viu?! Espero que tenha gostado desse capítulo também :3 Que não espere muito né? x)

Dy: Owh, brigada *-* Se você tiver lendo isso aqui é porque eu consegui chegar ao capítulo dois! [falando como se fosse um marco, mas realmente é]. Fico feliz por ter gostado ^^ Sua opinião é importante :3

Hamiko0: Bem... isso você vai ter que esperar pra ver :x Não pretendo adiantar muita coisa, até porque a história não está completa, mas digo que acho que você vai gostar. ^^

Espero conseguir manter o nível né! xD Fiquei muito feliz com os elogios! Obrigada, de verdade! *-* Caso tenha alguma sugestão, elas são sempre bem-vindas!

Continue acompanhando ^^

Selenia Du Crovax: Que bom que gostou! Do início, pelo menos, eu também gostei! xD Provavelmente a parte de ação vai demorar um pouco, pois ainda tem de chegar no local, certo? Mas tentarei compensar quando chegar e vou tentar não demorar (muito) para fazer os capítulos!

Agradeço a todos que mandaram reviews! Espero que continuem acompanhando :3

Se acham que mereço, que tal mandar um comentário? Sua mão não vai cair, juro!

(09/08/2009)