Ouran High School Host Club e seus personagens não me pertence.

UA, aventura, romance, comédia, drama, etc e tal.

Boa leitura.

Era Uma Vez o Fim do Mundo

3- Dez dias em alto mar!

Dez dias era o tempo de viagem, mas para não tornar o relato cansativo, apenas os acontecimentos que tem alguma importância ou graça serão comentados. Afinal, para que saber a rotina do acordar, se limpar, comer e dormir? Os primeiros dias não foram muito agitados, afinal ainda havia um estranhamento das pessoas no presente local. As coisas só melhoraram lá para o segundo, terceiro dia, no qual os gêmeos Hitachiin pensaram em um jogo que acharam que seria divertido.

- É o seguinte! Pensamos em um jogo divertido!

- Qual?!

Tamaki logo se adiantou, aproximando-se dos irmãos, juntamente com Mitsukuni acompanhado de Takashi e Haruhi e Kyouya que, discretamente, prestavam atenção.

- Pensamos que estamos um bom tempo neste navio, mas... – Hikaru começou.

- Nunca vimos o capitão! – Kaoru completou.

- Então poderíamos tentar descobrir quem é! – falaram juntos.

- Parece interessante... – o loiro avaliava, com a mão sobre o queixo.

- O que acha, Takashi?

- Hum...

"Que idiotas...", pensou Kyouya, revirando os olhos e voltando a ler.

- Venha participar, Haruhi!

Chamaram os gêmeos, se apoiando cada um nos ombros da garota. Naquele meio tempo, eles a elegeram como o brinquedinho da viagem (junto com Tamaki, obviamente).

- Não, obrigada. – respondeu com uma expressão de puro tédio.

- Ah, vamos, vamos, vamos!

Cada um a puxava de um lado, o que acabou arrancando um suspiro dela.

- Ok. Só parem com isso.

- Eba!

Eles saíram comemorando, animados com a ideia de diversão. Porque, após um tempo, o navio e o oceano pareciam extremamente monótonos, pois era apenas uma imensidão azul, com alguns pontos brancos no céu. Uma imensidão infinita que parecia levar ao mais completo nada, como se houvesse o vazio no final de toda daquela viagem. Mas os tripulantes sabiam que não era bem assim. Só que ficava chato.

Foi decidido: Hikaru, Kaoru, Haruhi, Tamaki e Mitsukuni com seu primo iriam entrar em ação mais no final da tarde. Kyouya optou por ficar no quarto que dividia com Tamaki. Quando o sol estava se escondendo no horizonte, parecendo ir de encontro com o mar, o céu ganhando aquela tonalidade laranja sendo quebrada apenas por tons de amarelo e vermelho, eles foram calmamente descendo pelas escadas de madeira do navio que faziam questão de ranger, quando eles estavam tentando fazer silêncio. A iluminação era dada apenas por algumas poucas janelas que havia no corredor, dando uma atmosfera medonha ao local por causa da luz amarelada de final de dia. Em fila, pararam em frente a porta do capitão. Tamaki, seguido de Haruhi, Hikaru, Kaoru, Hani e Mori.

- Vou abrir. – anunciou o loiro.

Todos ficaram com uma enorme expectativa. Admitindo ou não, todos ali estavam curiosos para ver a face do capitão. Se houvesse uma exceção, esta provavelmente seria Morinozuka, que continuava impassível. Tamaki respirou fundo e abriu lentamente a porta de metal que respondeu com um barulho enfadonho, que fez todos ficarem tensos, suando frio. Dali podia-se ver a roupa azul com detalhes em dourado típica de navegadores, tendo a cabeça branca coberta por um chapéu do mesmo tom da roupa. Foram se aproximando lentamente, achando estranho que não obtiveram nenhuma reação. Tamaki que tomou a iniciativa, virando o ombro do capitão de uma vez. Aí que reconheceram: uma face verde, monstruosamente deformada, com olhos esbugalhados e boca aberta, com os fios do cabelo branco caindo por ela. No imenso silêncio que reinava no navio, três vozes se juntaram em um só grito agudo enquanto a cabeça rolava pelo chão e mostrava... Um pedaço de madeira. Haninozuka que se adiantou, pegando a cabeça e balançando-a.

- Tama-chan, Kao-chan, Hika-chan, olhem, não precisam ficar com medo! É de mentirinha!

Hikaru e Kaoru se aborreceram, enquanto Tamaki se recuperava do susto. Haruhi se mantinha impassível, enquanto Hani continuava a balançar a cabeça. Mori se abaixou e sussurrou no ouvido do mais baixo:

- Mitsukuni, pare. Está irritando-os.

- Céus, vocês... Não conseguem nem fazer silêncio? – era Kyouya que aparecia na porta.

- M...Mas, Kyouya! Não tem ninguém pilotando esse navio! – Tamaki entrava em pânico.

O de óculos suspirou e resolveu explicar, apesar de estar claro que Haruhi e os mais velhos dali já sabiam.

- Está claro que o Yuzuru-sama tem um ótimo senso de humor. E que este navio está no "piloto automático". Conhecem?

- Realmente... Devíamos ter pensado nisso, Hikaru. Ele provavelmente não queria envolver mais ninguém nisso. – Kaoru concluía, com uma gota caindo pela cabeça.

- Agora perdeu toda a graça, vamos subir.

Todos concordaram e, assim, o primeiro jogo que os Hitachiin fizeram terminou em um gigante "game over, you fail".

Mas eles não desistiram! No dia seguinte, o céu não estava completamente azul, bem pelo contrário: estava cheio de nuvens, fazendo o mar ganhar com uma coloração mais escura, dando sinal de que naquele dia o sol não brilharia mesmo que ainda fosse cedo, eles puxaram Tamaki para um canto e falavam em sussurro.

- Temos um novo jogo.

- Outro?! O de ontem não foi divertido como vocês falaram! – o loiro exclamou, aborrecido, fechando os olhos e cruzando os braços.

Em resposta, os gêmeos sorriram com maldade.

- Dessa vez o jogo é...

-... Descobrir o ponto fraco de Haruhi!

Tamaki abriu os olhos e ficou a fitar os gêmeos, pedindo silenciosamente uma explicação.

- Você não acha estranho, tono? – Hikaru.

- Uma garota normalmente morreria de medo daquilo de ontem! – Kaoru.

- Mas ela nem gritou.

- Então decidimos tentar descobrir do que ela tem medo!

- Que idiota! Se ela quiser contar, ela contar... – Tamaki foi interrompido.

- Quem ganhar vai ser considerado o mais próximo dela! – eles exclamaram juntos após seguir seus padrões de fala, levantando cada um, um dos braços.

Após ouvir isto, o mais alto se animou mais. Acabou concordando entrar no jogo. Decidiram que teriam até o final do dia. Hikaru e Kaoru foram até o porão do navio e acabaram por arranjar um rato, deixando perto da menina que não se mostrou abatida. Pegou uma rede – sabe-se lá onde – e captou o bicho. É, estratégia de animais nojentos falhara. Em seguida, Tamaki arranjou uma injeção com uma agulha bem grande e afiada, mostrando para a garota. Ela apenas olhou inocentemente e indagou.

- Para que isso, senpai?

E, então, Tamaki reparou que ela não tinha medo de agulhas.

No final do dia, que só parecia final por estar mais escuro e as nuvens estarem ganhando um tom acinzentado, pois de resto nada mudara, os três suspiraram encolhidos em um canto do navio.

- Esse jogo é chato. – Hikaru reclamou. – Ela não tem medo de nada!

- Verdade. Nem parece uma menina!

- Vamos fazer outra coisa, Kaoru?

- Sim, vai ser mais divertido!

Os gêmeos saíram e Tamaki ficou pensando consigo mesmo que era impossível alguém não ter medo de nada! Mas Haruhi parecia uma muralha, este jogo provavelmente falhara também. Até tentou ter mais ideias de coisas assustadoras, mas gastou todo seu estoque com o jogo. Nesse momento, Hani apareceu carregando um balde de madeira cheio de batatas.

- Tama-chan, Tama-chan! Pode descascar isto para nós?!

- Claro, Hani-senpai!

O mais alto se levantou, pegando o pesado balde e se encaminhando para o depósito, onde havia os materiais adequados e o local adequado para colocar as cascas. No caminho, encontrou Haruhi olhando para o céu, parecendo preocupada. Resolveu chamá-la.

- Haruhi! – atraiu atenção dela. – Está fazendo algo? Se não, pode me ajudar com isto?

- Ah, tudo bem. Desde que você não esteja pretendendo nada. – encarou o rapaz.

- Não! – ele se sobressaltou. – Claro que não! Eu até tentei pedir ajuda para os outros, mas eles me disseram que não dava, estavam ocupados e coisas do tipo. Então resolvi pedir para você. – ele corou levemente.

- Entendi... É por que somos plebeus, não é? – gota.

- Então, você vai me ajudar?!

Ele se exaltou e, no final, ela concordou e seguiu o rapaz até o depósito, onde Tamaki colocou dois bancos para sentarem e baldes ao lado deles, com o de batatas no meio dos dois. O trabalho se seguiu com poucas conversas, não por Tamaki não puxar assunto, mas por Haruhi parecer que não queria conversa. Ela parecia apreensiva e olhava a cada batata descascada para o pequeno pedaço de céu visível dali. O mar se fazia ouvir naquele silêncio, estando agitado e o barulho do vento soprando forte. As nuvens tinham uma pesada cor chumbo, escurecendo cada vez mais o convés.

- Será que terá uma tempestade com trovões...? – ela se perguntava baixinho enquanto o mar se tornava um com o céu.

- Ué? Não está acendendo. – Tamaki falava consigo mesmo, tentando acender uma lamparina.

- Não precisa disso, senpai. Ainda dá para ver o que fazemos. – ela comentou, sorrindo casualmente.

- Ah... Está bem então. – falou calmamente, mas pensava "ela é muito fofa!"

Quando ia se sentar, um feixe de luz cortou o céu e iluminou por um segundo o recinto. Haruhi já sabia o que viria e estremeceu, fechando os olhos com força ao ouvir o barulho do trovão.

- Haruhi? Tudo bem? – Tamaki a fitava, preocupado.

- T...Tudo. – ela se levantou, sentindo um arrepio correndo visivelmente em seu corpo. – Mas eu lembrei que tenho que fazer algo... Até mais, senpai.

Tamaki ficou sem entender o que poderia ser e ficou ainda mais confuso ao ver que ela abria uma daquelas enormes caixas e entrava, fechando a "porta" em seguida. Tamaki piscou os olhos e se aproximou com cuidado do lugar que ela se trancara, sussurrando contra a madeira.

- Haruhi... Você tem medo de trovões?

E mais um relâmpago cortou o céu, seguido de um alto barulho. Haruhi estava encolhida, tapando os ouvidos, mas isso não era suficiente. Apenas abafava o som, mas ainda conseguia ouvir e Tamaki ouvia perfeitamente os sons de exaltação da garota, que se assustava com os trovões, tendo os olhos cheios de lágrimas.

- Vamos, Haruhi. – tentava abrir a enorme caixa de madeira. – Se ficar aí, vai ser mais assustador.

- Não. Eu estou bem. É assim que eu sempre supero.

- Sempre...? Sozinha?

Tamaki conseguia imaginar. Pelo pouco que ela falou, o pai vivia trabalhando e mal tinha tempo para passar com a filha, além de ter perdido a mãe muito cedo. Por isso ela não tinha medo das coisas. Ela não queria dar trabalho, não queria atrapalhar o pai, nem ninguém; crescera de forma independente. Por isso ela começou a fazer as coisas sozinha. O garoto sorriu levemente, sabendo que compreendeu melhor a amiga, conseguindo abrir a caixa.

- Entendo... Mas, agora... Você não está mais sozinha, Haruhi. – ele estendeu a mão, na intenção de ajudá-la a sair dali. – Venha.

Haruhi, com expressão chorosa, levantou-se e encarou o loiro. Estava trêmula, mas ia saindo lentamente daquele ambiente ainda mais escuro, quando o barulho de um novo trovão a despertou e fez com que ela se agarrasse ao loiro, em um abraço firme, que foi correspondido com leveza e carinho.

- Não se preocupe. Estarei aqui, não deixarei você ficar sozinha.

Haruhi apertou a blusa do rapaz, sentindo as lágrimas escorrer livremente pela face. Ele teve certeza de que todos têm seus medos, ele mesmo já passara por isso, mas vivia positivamente. E, no final, o jogo não foi completamente perdido.

- Tamaki, Haruhi! – era Hikaru e Kaoru que chegavam no depósito, mas fizeram uma expressão de pura malvade, apesar da descrença. – Ah. Não sabíamos disso.

- Eeh?! – Tamaki se virou, ficando absurdamente corado. – Ela é minha... filha! Nada mais natural que um pai abraçar sua cria! Seus gêmeos pervertidos!

- Sei... – e eles saíam do local.

- Hey! Seus...

- Senpai...

Haruhi chamou, baixinho, e ele acabou por se acalmar. E ficou no ar se Haruhi superara seu medo, pois parou de relampear, apesar da tempestade ter se arrastado por toda a noite, agitando o mar.

Mas, depois da tempestade, o sol sempre brilharia. E brilhou como nunca no dia seguinte, o céu claro, limpo e cristalino, sem nenhum traço de nuvens. E Tamaki elegeu uma família. Ele era o pai, Kyouya a mãe e Haruhi a filha.

- Por que eu tenho que ser a mãe...? – Kyouya perguntava com certo descaso, após pegar Tamaki explicando para os gêmeos as condições deles.

- Ah, vamos Kyouya! – o de óculos saiu andando e o loiro foi atrás. – Hey, não me ignore!

- Tamaki idiota... – Hikaru resmungava. – Por que ele estava abraçando Haruhi? Ela é nosso brinquedinho, não pode ficar fazendo isto com ela.

- Hikaru... – Kaoru observava o irmão, entendendo o que se seguia.

- Haruhi! Venha brincar conosco! – o mais velho chamou ao ver a menina caminhando.

- Não posso. Tenho que preparar a comida.

- Ah, então nós te ajudamos! Vamos, Kaoru?

- Bem... Eu preciso fazer uma coisa, Hikaru. Mais tarde eu vou.

O Hitachiin saiu, deixando que Hikaru seguisse Haruhi, mesmo que seu irmão tivesse ficado levemente chateado com aquilo.

- Não entendo o Kaoru.

- Por quê?

- Ele não veio comigo.

- Hikaru, vocês podem andar juntos, mas vocês são pessoas diferentes. Não precisam ficar sempre juntos.

Após Haruhi falar isso, ele se calou. Cada vez mais, aquilo estava se tornando realidade e, no fundo, ambos os gêmeos sabiam, mas Kaoru era quem estava admitindo com mais clareza. Ele andava na direção dos quartos e, no caminho, viu que Tamaki conversava com o Haninozuka e Morinozuka apenas ouvia. Acabou por parar na frente do quarto de Kyouya, batendo na porta, ouvindo apenas um "entre" como resposta.

- Com licença, Kyouya-senpai.

- Ora... – ele ajeitou os óculos, demorando dois segundos para identificar quem era. – Kaoru, estou certo?

- Sim. Mas como?

- Vocês partem as franjas para lados diferentes e você... Bem... Você usa mais blusas laranja que seu irmão.

Ele falou que como se fosse óbvio. E realmente era, mas a maioria das pessoas não diferenciava, tanto que eram taxadas pelos Hitachiin como idiotas. Eles eram pessoas contraditórias: queriam ser diferenciados, mas ainda sim não queria isso. Naquele navio estavam aprendendo pouco a pouco a se relacionar com outras pessoas, mas isso era difícil, principalmente para Hikaru que em muitos momentos queria tomar Haruhi só para si. Kaoru suspirou com o pensamento, mas não falou nada, apenas obedecendo Kyouya, que falou para ele se sentar, o fazendo sobre a cama que o mais velho estava sentado, encostado sobre a parede, com um livro no colo.

- Onde está seu irmão?

- Com Haruhi.

- Não fica com medo?

- Do quê? – arqueou uma das sobrancelhas, fitando o moreno.

- Dele se apaixonar e ficar mais tempo com ela do que com você.

Kyouya era direto, sem rodeios, o que acabou por fazer que o mais novo abaixasse a cabeça, olhando para o próprio colo. Tinha consciência disso, mas...

- Hikaru ainda é meio besta. Não sabe como demonstrar seus sentimentos. E, apesar de tudo, é bom para ele que se importe com mais alguém além de mim. Eu só não quero que...

Sem perceber, ele apoiou um dos pés na cama, abraçando a perna com os braços e apoiando o queixo no joelho, com o olhar perdido. A única coisa que ele não queria era perder Hikaru. Mas por que estava contando aquilo para Kyouya? Não tinha um motivo. Só queria falar com alguém. Esse alguém até poderia ser Haruhi, mas ela estava envolvida demais e os outros, no momento, estavam conversando entre si. Poderia até mesmo ser Tamaki, mas parecia que ele começara a sentir coisas pela garota e mesmo que não, ele tentaria resolver a situação de Kaoru. É, Kyouya foi até uma boa escolha, pois era no canto dele e não tentaria fazer nada. "Apenas poderia ter uma expressão mais simpática", pensava. Mas nem isso podia exigir, pois entrara ali quase de intruso e ainda estava atrapalhando o mais velho.

- Todavia, desculpe incomodá-lo, Kyouya. Mas...

- Você queria conversar com alguém, certo?

- Certo. – levou uma das mãos até atrás da cabeça, rindo sem graça. – Assim até parece que você lê mentes!

- Não. Mas é fácil ler expressões. A sua não mente.

O Hitachiin ficou surpreso. O moreno era bem observador! Mas... Então aquilo queria dizer que tudo que pensava estava na cara?

- Fica tão perceptível assim?

- Sim. Pelo menos para mim, digo. Pessoas como Tamaki, ou mesmo seu irmão, nem se dão conta.

- Então fico mais aliviado. – sorriu fracamente. – Não quero preocupar ninguém, especialmente Hikaru.

Kaoru levantou-se, batendo na cama para limpá-la de qualquer sujeito que seu sapato possa ter deixado.

- Obrigado, Kyouya-senpai.

- Não há de quê. Quando quiser conversar...

Ele apenas sorriu como resposta, saindo do quarto e indo correndo de encontro a Hikaru. Provavelmente ele ficou emburrado por ter o deixado ir sozinho, mas aquilo era um bom sinal. Enquanto ele ainda se importasse, tudo ficaria bem. Isso mesmo... Enquanto ainda tivesse uma parcela de Hikaru para si, já estaria satisfeito. Queria pensar assim.

- Hikaru?

- Ah, bem na hora. Kaoru, pode ajudar Hikaru com a louça? Tenho que pegar algumas coisas. Volto já.

Ele assentiu, vendo Haruhi sair, deixando os Hitachiin sozinhos. Hikaru estava irritado com o irmão mais novo, era visível.

- Você demorou. – soltou acidamente.

- Desculpe, Hikaru. – se aproximou do gêmeo, envolvendo seu pescoço com os braços e ficando na ponta dos pés para tal, já que eram da mesma altura. – Mas eu já prometi, não é? Vou estar ao seu lado, sempre. Pelo menos, enquanto você permitir.

- Idiota... – ele sussurrou, abaixando a face. – Então trate de cumpri-la.

Hikaru se virou, apoiando a testa no ombro do irmão, retribuindo o abraço. Ficaram assim por algum tempo, até Kaoru segurar a mão do outro e virá-lo para a pia.

- Agora, é melhor terminar isto, se não Haruhi nos dará uma bronca!

E ambos caíram no riso ao imaginar a "raposinha" com raiva. Sim, enquanto aquilo durasse tudo ficaria bem.

E a noite caiu sem que os heróis vissem. Logo, eles já estavam em seus aposentos, se preparando para dormir. Tamaki, que estava adentrando no quarto com cuidado, deixou-o de lado ao ver que Kyouya lia, com uma lamparina acesa. Ler; isso era algo constante na vida de Ootori.

- Ainda acordado?

- Posso dizer o mesmo de você.

- Hehe, estava observando o céu. Está bonito lá fora. – ele se arrumava para dormir, logo se deitando na cama e se cobrindo, de costas para Kyouya.

- Tamaki, posso te perguntar algo? – Kyouya apagou a fonte de iluminação, também se deitando, igualmente de costas para Tamaki.

- Claro!

- Como eram seus pais?

Não, Kyouya não era do tipo que fazia interrogatórios. Era bem na dele e conseguia identificar algumas coisas nas pessoas de cara. Já tinha visto que Haruhi era do tipo que não se ligava em muita coisa, estava ali provavelmente para adquirir experiência e também que Haninozuka só queria saber do pai respeitar seu desejo e seu primo estava ali para protegê-lo. Os gêmeos também eram simples, do tipo que vivia no próprio mundo e não deixava ninguém se aproximar, apesar de estarem mais comunicativos desde o início da viagem. Já Tamaki... Ele era altruísta demais. Uma pessoa assim não existia. Ele parecia apenas um idiota. Proteger o reino? Impossível ser só isso. Ele também devia ter algum egoísmo. Kyouya esperava descobrir mais sobre ele com aquela pergunta.

- Meus pais?

- Sim.

- Eu... Não os conheci. Digo, não me lembro da minha mãe, pois ela me deu para que Shima criasse antes que eu completasse dois anos de idade. – a voz se tornou apenas um sussurro. – A única coisa que eu tenho é uma foto que quase não se dá mais para ver a imagem e um ursinho de pelúcia.

Houve um momento de silêncio, mas logo ele voltou ao tom normal.

- Mas não tenho raiva de ninguém! Ela era muito bonita e quis que eu tivesse uma vida melhor do que se eu estivesse com ela, pois ela enfrentava dificuldades e tinha um corpo fraco.

- E seu pai?

- Eu... Não sei quem é.

Kyouya ficou a fitar a parede do quarto, sem nem imaginar que Tamaki fazia o mesmo. Sim, ele parecia tão feliz que, apesar de ser plebeu, parecia ter vivido até ali uma vida cheia de felicidade com uma linda família simples, que sempre comia junta em volta da mesa, com conversas calorosas regando o ambiente.

- Você... não se sente sozinho?

- Eu...

Engoliu em seco. Solidão era algo que conseguia não ver a maior parte do tempo, mas não podia negar que ela estava lá, bem ao seu lado. Shima quase nunca ficava em casa nos mesmos horários e, quando ficava, ela estava cuidando das tarefas. Não que gostasse, mas também brincou muito sozinho. A companhia mais frequente era um cão que tinha, chamado Antoniete. Por não ter pais e eles serem desconhecidos para todos, Tamaki era uma criança relativamente comentada no local em que vivia, sendo poucos que atreviam a se aproximar. Mas ele sempre fora forte. Podia até se dizer que ele estava apenas fechando os olhos, mas ele suportou tudo, aprendendo artes marciais e o manuseio de espada, também se fortalecendo espiritualmente. A solidão... Ela só apertava nas noites solitárias em que não conseguia dormir.

- Não há necessidade de responder.

Tamaki fechou os olhos.

- Obrigado, Kyouya...

- Boa noite, Tamaki.

E, naquela noite, foi apenas silêncio.

Mas, naquela altura da viagem, os mantimentos deviam ser racionalizados e Hani já começava a sentir falta dos doces abundantes. Até o terceiro dia ele agüentou com balas que tinha trago escondido na mochila, mas o mau humor tomava conta dele e uma aura maligna pairava em volta dele. Nem Mori se aproximava demais. Hani ficava a arremessar coisas e o objeto favorito parecia ser o ursinho de Tamaki, que soltava um berro toda vez que o via apanhando de graça. Confessou para os amigos, com tom pesaroso.

- Eu sinto que se demorarmos demais para chegar... Todos nós vamos morrer!

- Isso é exagero, senpai.

Haruhi comentou, mas logo Hani saía do quarto, começando a morder o mastro de madeira. Foi uma gota geral. Tamaki se aproximou, com cuidado e medo. Muito medo.

- Hani-senpai... vai fazer mal se comer isto.

O mais baixo o encarou e como não estava pensando, mordeu a mão do loiro, que começou a gritar.

- Minha mão! Minha mão! Vai arrancar, vai arrancar! Socorro, Mori-senpai!

- Mitsukuni. Pare.

Mori fez com que o primo soltasse a mão de Tamaki, lhe dando uma bala em seguida. Tinha pensado que aquilo poderia acontecer, então trouxe algumas balas reserva. Ao comer a bala, o baixinho voltou a sorrir e a abraçar o Usa-chan e girar com felicidade. Os outros respiraram aliviados e agradeceram mentalmente a Takashi. Sem ele, Tamaki teria perdido a mão e, mais tarde, provavelmente todos ali não teriam sobrevivido à viagem, que chegava ao fim. A imensidão do mar era quebrada por um pedaço de terra que podia ser visto, mesmo que ainda parecesse pequenino, devido à distância. Ali estava o objetivo da viagem.

Continua...

Demorou também, eu sei! Mas acho que agora dá pra fazer um trabalho mais... caham, relativamente rápido. Mas digo que para capítulo sair, preciso de reviews! Elas são meu combustível para escrever. çç

Bem, agradeço a quem comentou no capítulo anterior. Obrigada, de verdade.

Mas... Será que alguém ainda lê isso? Se sim, se manifestem, por favor.

Beijos,

Yuu Grantaine.

(21/10/2009)