Oláá,

Tudo bem?

Resumo : Jantar ; D

: D


4º_Presa


Bella POV

Não era novidade que me estava a sentir muito mal dentro daqueles trajes. Sentia-me uma criança vestida de noiva cadáver num desses carnavais. Uma criança a brincar junto de adultos.

Quando Charlie me olhou senti-o desfalecer no seu interior. Sei que ficou alegre pela filha ter virado "mulher" – embora eu me sentisse muito mulher dentro das minhas roupas masculinas.

Era uma grande mudança. A filha de vestido, toda maquilhada e ainda por cima com um rapaz, esbelto, e bem entroncado, de smoking, à espera dela, como um verdadeiro príncipe encantado.

Charlie não sabia que eu e Edward éramos irmãos. Contávamos tudo um ao outro. Nem mesmo a Alice, a irmã de Edward, eu contava tanto quanto contava a ele. Ed sabia o quanto eu precisava do corpo escuro e bem musculado de Jacob. E eu sabia o quanto Edward tinha necessidade de ter Verónica de novo. Por isso, era impossível nós sermos namorados.

Edward pouco falara nessa noite, eu sabia que o choque era grande e ele estava com dificuldade em reagir comigo como sempre reagira. Quer dizer eu de homem passara a mulher. E até Rosalie, a outra irmã de Edward, que só se preocupava consigo e somente com a sua imagem, admitira que eu estava linda.

Eu não me sentira linda. Não me sentira linda até Jacob me vir abrir a porta e, muito dificilmente, me reconhecer. Tive que falar para que não houvesse dúvida que era eu.

- Olá Jake. – Cumprimentei quando saí do carro, segurando a sua mão estendida para mim. A sua expressão deu-me vontade de rir, mas tive que mostrar o meu entusiasmo num simples sorriso vitorioso. Não quis dar a entender que tudo aquilo era para ele, pelo que contornei a porta aberta e larguei a mão grande de Jacob para ir ao encontro de Edward. Sorri-lhe e ele retribuiu-me o sorriso. Era verdade, o meu melhor amigo era um príncipe encantado. O seu cabelo curto, ao contrario de Jacob, quase passava despercebido quando se olhava para a face bem clara, em contraste com a de Jacob. Os seus olhos verdes, bem verdes, cantavam para mim. Isso relaxava-me sempre. Edward não merecia Vitória. No entanto, como cavalheiro que era, não se tinha aproximado dela mal Jacob a largara. Tinha-a confortado. Eu sabia que ela estava em boas mãos. Embora aquela catatua não merecesse, pois a sua lista de namorados era já vasta e ela não soubesse bem o que era o amor.

- Bels. – Jacob correu até nós. – És mesmo tu? Edward parabéns! – Saudou. Voltou a segurar a minha mão, beijou-a e passou-a por baixo do seu braço, fazendo-me acompanhá-lo até à entrada do restaurante. – Estás linda, Bella. Onde te escondeste este tempo todo?

Os seus olhos brilhavam no meio da noite bem escura. Eu corei.

Comecei a sentir-me estranha devido a tamanha atenção vinda da parte dele e, por isso, fi-lo parar para que pudesse chamar Edward. Sim, Edward estava ali para me segurar caso caísse. Ele fizera isso sempre desde que nós nos tínhamos juntado nesta luta. Consigo eu sentia-me sempre segura e conseguia ser eu mesma.

- Edward… Vem…- Não olhei para Jacob mas senti-o olhar para traz, tentando fazer ligação com o facto de eu estar tão interessada em Edward nessa noite. Foi então que decidi pôr um plano em acção. Edward iria compreender assim que ouvisse. – …amor!

- Amor? – Jacob aproximou-se de mim, com uma expressão de incompreensão. Assim que o olhei percebeu que eu estava (supostamente) apaixonada por ele.

- Sim. – Respondeu Edward por mim. Incrivelmente rápida a sua entrada. Roubou-me de Jacob, querendo mostrar que em mim ele não podia tocar. Nem ter. Lentamente, como se receasse uma má reacção da minha parte, foi pousando a sua mão suave sobre a minha cintura. Puxou-me contra o seu peito. O meu coração saltou com a força com que me prendeu e olhei-o sem compreender. Sorriu-me e percebi que estava a querer causar ciúmes no casal que se encontrava ao nosso lado. Suspirei preparada para noite em que Jacob me iria querer. O meu coração estava a saltar sem parar. – Sim. Bella e eu estamos apaixonados.

Ainda a puxar-me contra si, entramos no restaurante. Havia demasiada luz e eu consegui ver bem Jacob. Trazia um smoking preto, a camisa branca estava aberta para que pudéssemos vislumbrar o seu peito, não havia sinal de gravata. Suspirei e logo de seguida sorri, assim que vi que trazia sapatilhas. Ele sempre dissera que detestava sapatinhos brilhantes. Não gostava de ver o seu reflexo em "sapatos de cristal". A sua acompanhante, bem alta, tal como aquelas top models que se pavoneavam pelos corredores da fama, vinha de salto alto, muito mais alto que o meu, e o seu vestido era tão curto, que eu quase apostara que não passava de restos de uma cortina rasgada por um gato. Era um vestidinho branco, cheio de fitas brancas, feitas no mesmo tecido do véu de uma noiva. Embora me doesse eu tinha que admitir. Eles ficavam os dois muito bem juntos. Jacob aproximou-se de do balcão pequeno onde se encontrava um senhor de idade com o nariz empinado e disse:

- Black!

O senhor verificou o nome no seu caderno de veludo e acenou para um rapazinho que estava à porta.

Assim que entramos pela porta grande, o volume da música foi aumentando, embora nos conseguíssemos ouvir perfeitamente. Havia casais a dançar numa pista pequena, danças de salão, como se estivéssemos num baile. Imaginei-me dançar com Jacob. Mas ele não dançava.

Fomos conduzidos a uma mesa redonda onde havia quatro pratos brancos que reluziam para nós. Em frente a estes quatro cadeiras que identificavam os quatro lugares que nós preenchemos. Eu e Verónica fomos sentadas por empregados e os homens sentaram-se ao nosso lado.

- É tudo demasiado perfeito. – Segredei a Edward.

- Tens razão. Tu estás a enquadrar-te perfeitamente neste cenário! – Sorriu-me e pousou a sua mão sobre a minha, acariciando-a. Fiquei em estado de choque pelas palavras e gestos do meu melhor amigo.

- Hum… acho que preciso de ir até à… - lembrei-me das palavras de Alice "retocar-me, diz sempre retocar a maquilhagem" – Vou-me retocar.

E foi assim que consegui fugir dos três pares de olhos que me olhavam ainda admirados. Era por isto que não me vestia como uma mulher. Havia demasiados olhares para as pernas, peito ou mesmo somente as curvas. Mesmo que fosse completamente tapada, os olhares não paravam de nos perseguir, como se fossemos presas. Não acabávamos mortas. Mas certamente acabaríamos na cama de algum dos donos desses olhares.

Assim que desapareci do ângulo de visão deles, virei para o corredor das casas de banho. Encostei-me a uma parede e suspirei. Deixei-me relaxar. Quando achei sentir-me preparada para voltar para a mesa e estava prestes a contornar a esquina para a grande sala, bati contra Jacob.

- Aqui estás tu. – Disse-me, segurando-me pela cintura, voltando-me a encostar à parede.

- Jake. – Olhei para cima, para ele. Tentei afastá-lo de mim. – Jake, que fazes aqui?

- Vim à tua procura. – Baixou os seus lábios até ficarem a centímetros dos meus. Ele era demasiado confiante. – Estás fantástica hoje, amor.

- Jacob, pára com isso! – Resmunguei. A minha respiração cessou, mas eu não podia entregar-me assim a Jacob. Edward dissera e bem que tinha razão: se eu me entregasse agora, seria apenas mais uma e eu não podia ser mais uma.

- Bels, - Suspirou-me ao ouvido. – Bels, eu não sabia que eras tão escaldante.

Tentei lembrar-me de respirar, no entanto era difícil com aquele Deus ali, mesmo à minha frente, a implorar-me para que o beijasse. Lentamente, como que a provocar-me, desceu para o meu pescoço, beijando-mo.

- Jake. – Consegui dizer. – Jake, pára!

- Bels, por favor, sabes que aquele otário não te ama. – Senti-o expirar para o meu ombro. – Só me quer provocar!

- Não. – Edward não era otário. Edward era o meu melhor amigo. Empurrei-o. – Ele ama-me e eu amo-o.

- Bels, isso é mentira. – Voltou a aproximar-se.

- Não é… - Aproximou-se de mim, agarrando-me a nuca, fazendo com que não conseguisse movimentar a cabeça. Fazendo com que fosse ainda mais impossível fugir do seu, agora inevitável beijo.

- Que se passa aqui, Bella? – Edward apareceu no corredor, olhando para nós. – Sai daqui, Jacob. Bella, precisamos de falar.

Automaticamente Jacob largou-me. Quase perdi a força e caí. Jake, agiu como se nada demais tivesse acontecido e, encolhendo os ombros, deixou o corredor com um sorriso no rosto.

- Edward, não é o que pensas! – No entanto Edward começou a rir assim que o disse. Não era o seu riso. Estava a provocar o riso.

- Bella, não me deves explicações, lembraste? – Riu. – Só te vim lembrar que ainda é cedo para te entregares.

- Eu disse isso a mim mesma e recusei. – Defendi-me. – Mas ele não acredita na nossa relação.

- Pois então vamos ter que ser mais convincentes. – Veio até mim e agarrou-me os braços, sem me magoar. Sorriu. Mas os seus olhos estavam a esconder algo.

Estava a sentir-me uma barata tonta, saltando de abraço em abraço. Deixamo-nos ficar ali, a fazer tempo, sem nos falarmos. Apenas olhávamos um para o outro. Eu sempre tivera dificuldade em lidar com os olhos das pessoas, mas com Edward era tão fácil ficar ali, simplesmente a olhá-lo. Somente a olhar aqueles olhos verdes.

Assim que achou que o tempo estava a trair a nossa "discussão" – sim, era suposto estarmos a discutir o facto do meu namorado me ter apanhado imóvel nos braços de Jacob – e que estava na hora de voltarmos ao jogo, colocou um braço sobre os meus ombros despidos e arrastou-me para a grande sala.

- Como? – Olhei-o enquanto caminhávamos abraçados. Sorriu-me.

- Sorri.

Chegamos à nossa mesa e deparei-me com o jantar que eu não tinha pedido posto na mesa, no meu lugar. Não sabia quem tinha pedido por mim mas, fosse quem fosse, sabia exactamente do que eu gostava. Um bom hambúrguer. Em frente a Vitória estava um minúsculo prato de salada mista. Seria aquilo o jantar dela? Encolhi os ombros e Edward largou-me para, logo de seguida, arrastar a minha cadeira, fazendo-me sinal para que me sentasse. Sorri-lhe e, mesmo antes de me sentar, juntou os nossos lábios num pequeno beijo. Arregalei-lhe os olhos e ele, sorrindo, acariciou-me a face.

- Eu disse: sorri.

Algo de muito errado se estava a passar com Edward. Aquele não era o rapaz extrovertido que, simplesmente, me tratava como irmão. Esforcei um sorriso e ataquei o meu hambúrguer. Edward comia uma espécie qualquer de peixe vermelho e Jacob sorria-me devorando um prego em prato. Concluí que Edward e Vitória pertenciam, definitivamente àquele mundo chique enquanto que eu e Jacob éramos bastante simples.

Durante todo o jantar quase não houve conversa. De vez em quando Jacob e Edward discutiam sobre algum assunto que pouco me importava mas, como sempre, ambos tinham diferentes opiniões. Edward sorria-me apaixonadamente, o que era estranho, e Jacob sorria maliciosamente. Eu parecia uma presa entre dois predadores. Vistoria tentava desesperadamente chamar a atenção de Jacob mas este pouco ou nada lhe ligava.

- Vamos dançar? – Segredou-me Edward. Arregalei-lhe os olhos. Ele sabia. Ele sabia que eu era uma péssima dançarina.

- Edward, tu sabes que eu não gosto. – Murmurei por entre dentes.

- Vá lá! – Levantou-se e arrastou-me com ele até à pista onde imensas pessoas já dançavam.

- Edward! – Resmunguei. – Eu não sei dançar! Já te disse.

- Não faz mal. – Sorriu-me. – Precisamos falar.

Segurou a minha mão e fomos balançando, tentando dançar em sintonia.

- Desculpa o beijo. – Pareceu corar. – Mas tínhamos que nos tornar mais convincentes. Bella, não te entregues a ele! Ele tem que perceber que és difícil e que é por isso que te ama.

- Não faz mal quanto ao beijo. – Sorri. Mas fazia. Era tudo diferente quando Edward mostrava aquele tipo de sentimento em relação a mim. Mesmo que fosse mentira. – Eu sei, Ed. E quanto a Vitória?

- Hum… - pensou para si, enquanto me fez rodopiar. – Estou a mostrar-me apaixonado por ti.

- Ela parece triste. – Olhei para a mesa mas eles já lá não estavam.

- Atrás de ti! – Puxou-me para si e espreitei por cima do meu ombro. Jacob e Verónica dançavam agarradíssimos, quase a engolirem-se, muito apaixonados.

Jacob a dançar? Era impossível!

Mas dançava bem. Sorriu-nos vitoriosamente. Edward juntou-nos mais. Baixou os seus lábios, procurando os meus. Não avançou mais que isso. Apenas os beijou. E embora tenha corado, consegui ver, pelo canto do olho Jacob perder o seu sorriso.

TTT

- Avançamos imenso esta noite! – Disse Edward sentando-se no lugar do condutor após me ter sentado a mim. – Não achas?

- Hum, hum. – Estava a ver Jacob beijar, como se não houvesse amanhã, Vitória. As lágrimas não me subiram aos olhos. Contudo algo ficou entalado na minha garganta. Algo que detestava que acontecesse. Sabia que se falasse agora, o meu estado mudaria por completo. Era difícil segurar a parede. Ela estava a cair. Tentei respirar fundo.

Senti o carro tremer. Edward tinha desligado o carro e o silencio tornou-se doloroso. Queria quebrá-lo mas se o fizesse, o som do meu choro tornar-se-ia ensurdecedor. Cerrei os dentes com força. Senti Edward olhar para mim.

- Que se passa, meu? – Seguiu o meu olhar. – Oh, vá lá Bella. Já assistimos a isto imensas vezes.

Deixei-me cair no silêncio.

- Bels? – Edward abanou-se. Olhei-o implorando que notasse que não queria falar. Os seus olhos, graças a Deus, repararam. – Bels chora, querida.

Abraçou-me. Mal ouvi aquela palavra, aquela única palavra, não consegui evitar. O nó na garganta desfez-se e foi inevitável conter as lágrimas que, não sei de onde, apareceram.

- Calma! – Foi-me dando palmadinhas nas costas, como se isso me acalmasse. – Bels, não há razão para choro. Eles não se amam de verdade. Hoje estão assim porque Jacob quer fazer-te ciúmes.

- Não entendo. – Solucei. Limpei as lágrimas à camisa de Edward e não me importei com o facto de a estar a amarrotar. – Ele quase me beijou, Edward. Ele prendeu-me…

Arrepie.

- Prendeu-te? – Afastou-me com brusquidão.

- Sim. Imobilizou-me… se não fosses tu… - permiti-me suspirar por entre as lágrimas. – Ter-me-ia, inevitavelmente, beijado.

- Mas… - os seus olhos, por momentos, queimaram-me o rosto pela intensidade com que me olharam. – Mas tu não recusaste?

- Recusei! Mas como te disse, Edward, ele não acredita na nossa relação.

- EU MATO-O! – Gritou. Largou os meus braços e, bruscamente, abriu a porta do carro. Fechou-a com mais força ainda e, depois de procurar por Jacob, bateu bruscamente no tejadilho do carro.

Ainda sem saber o que se estava a passar, deixei-o bater no carro sem me meter, com medo de, por algum motivo, devido a tal cegueira que lhe estava a dar, ele me confundisse com o carro e eu ainda acabasse como vítima. Após ter parado com a violência, encostou-se ao automóvel, silencioso, tentando acalmar-se. A medo, abri a janela do seu lado e esperei que dissesse algo. Mas nada saiu de si. Nem um olhar. Decidi encostar-me no meu assento e esperar que Edward se lembrasse da minha existência e me levasse a casa.

Poucos minutos depois, ainda em silêncio, entrou e ligou o motor. Numa velocidade extraordinária, chegamos a casa em minutos, sem sequer falarmos. Não me atrevi a resmungar pelo facto de ele atingir os 120 e muito menos pela brusquidão com que parou em frente a nossa casa. Mal paramos, ficamos imóveis. Ele estava perdido em pensamentos e eu a recuperar da viagem. Deixamo-nos ficar em silêncio e em silêncio permanecemos à saída.

Dirigi-me à minha porta.

- Até amanhã. – Gritei do meu alpendre, esperando que me ouvisse. Procurei a chave que era suposto estar na minúscula carteira de Rosalie.

- Até amanhã. – sussurrou-me ao ouvido deixando-me com um beijo nos lábios.


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: D

Frase do dia :

"Perdoamos uma criança que tem medo de escuro facilmente. Mas a verdadeira tragédia da vida é quando homens têm medo da luz." – Platão

Beijinhos a todos da Teixeirinha