Capítulo VI

O coração de Edward batia descompassado, sua mente e corpo totalmente consumidos pelo desejo que sentia por Bella. Pu xou-a com firmeza para si, alinhando as curvas suaves com a ri gidez do próprio corpo. Aquela mulher tinha sido feita para ele; moldava-se a ele como nenhuma outra. Seus segredos, sua com paixão, suas fraquezas... tudo o encantava.

Explorou a boca macia com abandono. Quando ela gemeu, sen tiu cada centímetro de seu ser arder em resposta. Bella arqueou o corpo, pressionando-o contra o dele, e Edward se pôs sobre ela, apoiando-se nos braços. Instintivamente, Bella moveu os quadris, e o calor que irradiava o deixou sem fôlego.

Mergulhou a mão nos cabelos fartos, como sonhara por tantos dias, ao mesmo tempo em que acariciava a face macia com a ponta dos dedos. Correu a boca pelo pescoço esguio, sugando a pele morna. Para seu delírio, percebeu que ela se arrepiava, a pulsação acelerando sob seu toque. Seus corações batiam em uníssono.

Bella o trouxe para mais perto. Compreendia o que ele desejava fazer?

Seus lábios não tiveram dificuldade para encontrar as deliciosas protuberâncias sob o tecido. Lembrava-se bem dos mamilos rosa dos... os mesmos que agora pareciam implorar pelo calor de sua boca.

Deslizou a mão direita pela cintura delgada até encontrar um seio, e, com um gemido, envolveu-o com a boca. Bella o conduzia pelos cabelos. E, céus, ele a queria... Desejava-a dolorosamente.

Nesse instante, uma batida fraca soou a distância. Ignorando-a Edward voltou a atenção para o outro seio. Sugou-o por cima do tecido, e Bella soltou uma exclamação abafada, arqueando mais corpo.

Continuou a acariciá-la, e ela o enlaçou com as pernas, pressionando o corpo quente contra o dele.

Bella arfava agora, ansiosa por algo que não compreendia bem

Mas Edward entendia...

Ergueu-se, de modo a livrá-la da túnica. Precisava dela nua.

— Cullen, eu trouxe a sopa! — uma voz soou do lado de fora.

Edward ergueu a cabeça, ofegante.

Maldição! Estava prestes a realizar um sonho de dias... E a consumar uma união que precisava romper a todo custo!

Relutante, baixou a túnica e saiu de cima dela, sentindo o co ração bater na garganta. Novas batidas ressoaram na porta, e ele deixou escapar um sus piro de frustração.

— Parece que Fraiser está disposto a nos alimentar de qualquer! maneira.

Graças ao bom Deus. O homem jamais saberia que o tinha salvado de uma encrenca... e também a virtude de Bella.

Com as faces rosadas e o olhar confuso, ela o acariciou no peito.

— Não quero comer agora.

Tentado a indagar o que ela queria, então, Edward obrigou-se à se conter. Do contrário, realizaria todos os desejos dela, um a um, não importando acordo, nem Donaliegh. Cada vez que Bella o fitava daquela maneira, sentia uma coisa além da paixão, além da luxúria.

— Eu sei... mais do que você imagina. Mas é melhor deixarmos o homem entrar, antes que derrube a porta.

Decididamente, não poderiam dormir juntos naquela cama. Era melhor ele dormir no chão.

Bella ergueu-se sobre um cotovelo, devagar. Olhou ao redor, confusa, e Edward viu-se tomado de culpa.

— Está bem?

— Meio tonta, acho.

As batidas soaram de novo.

— Convém eu abrir a porta logo.

Consciente da própria excitação, Edward tratou de atravessar o cômodo com uma lentidão estudada.

Fraiser, prestes a bater novamente, o saudou com um sorriso.

— Boa noite! Eu os teria deixado dormir, mas é melhor come rem estas tortasde peixe enquanto estão quentes. — Riu. — Minha Ângela pode ser bonita, mas não tem a mão muito boa para cozinha.

Colocou na mesa a cesta contendo um par de tortas chamusca das, um pão escuro e um pote de mel. Com um baque surdo, pousou um jarro de cerveja.

— Se ainda ficarem com fome depois disso, podem chamar. Tem mais lá em casa. — Voltou-se para Bella: — Como está, moça?

Ela ensaiou um sorriso. Na verdade, estava péssima. Além da exaustão depois do episódio com Ângela, sentia a pele arder onde Edward a tocara com as mãos e a boca, e o ventre se apertar com uma sensação que não compreendia bem.

— Um pouco melhor, obrigada.

— Que bom. Minha filha está muito preocupada com você. Bella limitou-se a concordar com um gesto de cabeça. Tinha vontade de gritar que a alegria da filha dele era sua ruína, mas não podia. Jamais deixaria que soubessem o que curar fazia com ela.

Se também tiver o poder da cura, alertara-a sua mãe certa vez, será um fardo que só você poderá carregar. Essa será a sua pe nitência.

Suspirou, incapaz de perguntar sobre o pequeno Edward. Sabia que, se o fizesse, a frágil muralha que a protegia dos próprios sen timentos, e que Edward de alguma maneira erguera com seus beijos, se romperia, dando livre curso à dor que trazia dentro de si.

Fraiser observou o fogo fraco e atirou dentro dele mais algumas turfas. Voltou-se, então, com um sorriso.

— Vou me recolher agora. Mas, se precisarem de algo, estarei à disposição.

Quando ele partiu, Bella prendeu o ar, perguntando-se o que Edward faria em seguida. Iria tomá-la nos braços de novo?

Em vez disso, ele puxou uma cadeira, indicando-lhe a outra.

Ela se sentou, indagando-se o porquê de Edward parecer tão con trariado.

Em silêncio, ele apanhou duas canecas, sentou-se do outro lado da mesa, pôs a comida diante de Bella e começou a comer. Tudo sem tocá-la, sem dizer nenhuma palavra. Confusa, ela buscou-lhea a mão, e ele se retraiu.

Uma dor profunda a varreu no peito. Mais forte do que jamais sentira. Sem apetite, engoliu o nó na garganta e pousou as mãos sobre o colo. O que havia feito ou dito para que Edward quisesse tanto manter distância agora?

Sentindo-se repentinamente sem ar e temendo que fosse come çar a chorar e não parasse nunca mais, arrastou a cadeira e se levantou. Sem pensar muito, estendeu as mãos e buscou a saída.

Edward franziu o cenho.

— Aonde vai?

Edward se pôs em pé. Abriu a porta com um tranco, esperando se deparar com Bella do lado de fora. Mas não encontrou ninguém. Saiu a passos largos, olhando para os dois lados da estrada. Nada. Tudo o que via eram algumas sombras ao luar.

Onde ela havia se metido? Estremeceu com o frio que vinha do lago e lembrou-se do que Bella vestia e praguejou. Ela não conhe cia ninguém por ali, a não ser Ângela e seu pai. Era isso! Tinha ido ver o pequeno Edward.

Atravessou a estrada em direção à choupana dos Fraiser. A fumaça clara saindo da chaminé e a luz fraca por trás das janelas fechadas o tranquilizaram. Bateu na porta.

— Cullen... Entre! — Fraiser sorriu. — Estávamos mes mo conversando a seu respeito.

Sentindo-se um perfeito idiota por preocupar-se sem nenhum motivo, Edward cruzou a soleira e varreu o ambiente com os olhos. Ao se deparar apenas com Ângela e o bebê ao lado da lareira, sentiu, o coração afundar dentro do peito. Disse a si mesmo para permanecer calmo, que Bella ainda devia estar por perto, mas percebeu que as mãos começavam a suar. — Bella passou por aqui? O homem franziu o cenho.

— Não. Não a vejo desde que fui levar a sopa. Por quê?

— Minhas desculpas por incomodá-los...

Sem dizer mais nada, bateu em retirada e rumou para a estala rem. Não imaginava por que ela iria até lá, mas era o único lugar com o qual poderia estar mais familiarizada. Escancarou a primeira e a segunda porta e parou. O lugar ainda estava entupido de homens discutindo e gritando. E nem sinal de Bella. Soltando um palavrão, abriu caminho com os ombros, ignorando as reclamações, na esperança de que ela houvesse encontrado refugio nos fundos, onde a escuridão era ainda maior.

Nada.

Não tinha mais onde procurar, e as conversas escabrosas sobre o que os Gunn vinham aprontando na vizinhança em nada alivia ram sua ansiedade.

Virou-se para a saída e se encontrou frente a frente com Emmet MacKay, um velho amigo e cavaleiro que não via desde que luta ram juntos em Burgundy.

Emmet segurou-o com força pelos ombros.

— Cullen, seu velho cavalo de batalha! Que diabo está fazendo aqui no sul?

Edward sorriu. Emmet parecia não ter envelhecido um só dia. Con tinuava forte e belo como um touro.

— Procurando minha mulher. Parece que a perdi. Emmet caiu numa gargalhada, e as cabeças se voltaram.

— Eu bem soube que estava à caça de uma.

Santo Deus, seria possível que todo o mundo no reino soubesse da vida dele?

— E você, o que tem feito? A última coisa que ouvi é que continua partindo os corações das virgens pelas alcovas do castelo de Edimburgo.

— E por que não? — Emmet riu. — Mas Albany se cansou de perder para mim as moças mais bonitas e me mandou para esta maldita missão.

— Que missão?

Emmet jogou um braço sobre os ombros do amigo e curvou-se para cochichar:

— Não aqui.

Edward concordou, discreto. Política e intrigas eram um prato cheio para Emmet. Quanto mais suja a história, melhor. E quanto me nos se dissesse em público, mais seguro seria.

Quando Emmet tentou guiá-lo para um canto mais reservado, Edward não saiu do lugar.

— Desculpe, amigo, mas agora não posso. Preciso encontrar Bella.

— Bella, hein? Eu vou com você, então. Preciso conhecer a felizarda.