Hihu!

Mais um capítulo saindo do forno (?) pra vocês! *-*

*apanha*

Tudo bem, pra mim mesma que gosto de escrever fanfics e fico pulando que nem uma otária quando recebo uma review. :D

De qualquer forma, demorou mas chegou. Espero que gostem! \o/


2. O Turno – as primeiras horas.

O armário era espaçoso o suficiente para abrigar as roupas perfeitamente dobradas e a bota de cano alto que Ino havia acabado de substituir por tênis mais confortáveis e o uniforme azul do hospital St. Louis. Estava incrivelmente animada naquela manhã, mais do que Hinata a via desde que estavam no terceiro ano da faculdade e o cara mais gato da classe a chamou para sair – era expectativa pura nos olhos dela. Dava para ver aquele brilho azul a quinze metros de distância.

- Hoje é o nosso primeiro turno! – exclamou ela, animada – Quero dizer, é nosso primeiro dia realmente profissional. Mal posso esperar!

Hinata fechou seu armário com um baque surdo e girou nos calcanhares para encará-la com o olhar mais severo que pôde – o que, no caso dela, não queria dizer muita coisa. Ela tinha uma incrível dificuldade em se fazer realmente séria.

- Sabe que isso quer dizer trabalho duro, não sabe?

Ino praticamente gritou de empolgação.

- Sim!

A chuva que insistira em cair durante toda a madrugada anterior havia varrido qualquer vestígio de humor que Hinata poderia ter tido naquele dia. Odiava a umidade mais do que odiava salgadinhos de tomate seco, e toda aquela água molhando seus cabelos e suas roupas enquanto se arrastara do estacionamento até a recepção do hospital mais cedo só a deixara ainda mais azeda. Não que uma Hinata azeda conseguisse ser muito menos meiga e doce do que quando bem humorada – o máximo que ela conseguia fazer era dar algumas respostas um pouco menos educadas às pessoas mais próximas, e isso a deixava parecida com um gatinho bebê fazendo manha quando tudo o que queria era dar uns bons chutes na bunda de alguém.

Estava preparando-se para sair e seguir a rotina do dia anterior quando Tsunade abriu a porta do vestiário estrondosamente, os cabelos despenteados e as olheiras destacadas ao redor dos olhos. Trazia uma prancheta, como no primeiro dia, e uma sacolinha de tecido laranja enfiada no bolso do jaleco.

- Bem, bem – começou ela. – Hoje é o grande dia. Seu turno de 48 horas começa aqui.

Os cochichos entusiasmados se tornaram audíveis. Ela os ignorou.

- As duplas de ontem serão dissolvidas em grupos de quatro. Eu tenho aqui – ela tirou a sacola do bolso e a ergueu, sacudindo-a no ar – os nomes de nossos médicos que cuidarão de vocês. Cada nome está escrito quatro vezes. Vocês mesmos irão sortear o nome do seu novo mestre. Podem vir.

Um por um, os internos se aproximaram e pegaram um pequeno papel dobrado, lendo em voz baixa o nome escrito em tinta preta. Era engraçado ver como as reações variavam entre exclamações de alegria, suspiros de alívio e tapinhas frustrados na testa, dependendo do que cada um ouvira falar quando trocaram informações entre uma sutura e outra no dia anterior. Hinata se aproximou e escolheu também um dos papeizinhos, desdobrando-o. Uchiha Sasuke, estava escrito. Outra vez esse cara. Não havia passado muito tempo com o médico na última vez, ele havia passado as instruções rapidamente e mal haviam se esbarrado depois disso, mas pelas suas observações mentais ele parecia ser uma pessoa séria, compenetrada, rígido. Metódico, até. Se suas suspeitas se comprovassem, ela estava ferrada.

- Oh, céus – suspirou.

Ino se aproximou, evidentemente satisfeita com o sorteio.

- Saí com o seu primo – deu uma piscadela. – Vai ser moleza.

- O Neji? – Hinata deu um risinho debochado, ou algo parecido com isso – Ouvi dizer que ele é um chato no trabalho. Boa sorte com ele.

- Rá – bufou Ino.

Finalmente todos pegaram seus nomes e Tsunade largou a sacolinha em um banco vazio. Ela sorriu malignamente.

- Espero que tenham tirado alguém com quem gostariam de trabalhar – piscou. – Vão ficar com essas pessoas até o fim do semestre.

Ah, beleza, pensou Hinata, isso se eu não for reprovada antes. Depois respirou fundo e relaxou; não tinha motivos para ficar apavorada. Uchiha Sasuke era um ótimo cirurgião. Era uma oportunidade em tanto poder aprender com ele. Além do mais, tiveram muito pouco contato no dia anterior. Talvez ele fosse um cara simpático e bem humorado, na verdade. Talvez fosse até divertido ficar ao lado dele.

- E aí, quem você tirou? – perguntou Ino.

- O Uchiha, outra vez – Hinata deu de ombros e enfiou seu papelzinho por um fresta no armário. – Pois é.

- O que foi? Ele não é gente boa?

Ela pegou o estetoscópio, o pendurou nos ombros e olhou pensativa para a amiga por um momento, como se pensasse em uma característica que definisse Uchiha Sasuke. Não lhe vinha nada à mente.

- Não é bem assim – disse por fim. – É só que ele é tão... sério. Intimidador! – Hinata estalou os dedos; era a palavra que ela estava procurando. – Ele é intimidador.

- Ah, fala sério – Ino revirou os olhos. – Todos os médicos aqui são intimidadores.

- O Neji não pareceu intimidador para você – assinalou a Hyuuga.

- É completamente diferente. O Neji é de casa.

- Você só o viu duas vezes, no natal e no dia de ação de graças. Não é como se vocês fossem melhores amigos, se é que me entende.

- Dizer que a gente apenas se viu é praticamente um insulto – Ino abriu um sorriso malicioso. – Afinal de contas, aquele natal foi bem inesquecível.

Hinata revirou os olhos, lembrando-se daquele dia. Enquanto ela se entediava com o peru e os salgadinhos frios da sua mãe e ouvia os tios e tias conversando sobre coisas fantasticamente chatas com seus pais, Ino e Neji se embebedaram de vinho tinto e acabaram se beijando na varanda, sob o visco. Algumas vezes. Graças a Deus a coisa não havia evoluído para um deita-e-rola na rede e olhares constrangedores pela manhã, e tudo foi considerado apenas farra de uma noite só. Os dois garantiram que não sentiam nada um pelo outro e as coisas continuaram absolutamente como eram antes, sem lágrimas e sem coração partido. Do jeito que Hinata gostava.

- Pensei que aquilo não havia significado nada para você. – acusou.

- Não significou – Respondeu Ino. Depois piscou. – Mas por que é que eu não posso me lembrar do que foi bom?

Hinata bufou e prendeu os cabelos negro-azulados em um rabo-de-cavalo alto. Antes que tivesse tempo de responder, Kiba se aproximou e passou o braço direito pelos seus ombros, envolvendo os de Ino com o esquerdo, o bom humor intacto como sempre. Era praticamente impossível irritá-lo ou deixá-lo para baixo.

- Uchiha Sasuke – disse ele. Puxou levemente as pontas dos cabelos das duas e sorriu, brincalhão – Quem vai me fazer companhia hoje?

Hinata levantou a mão e fez uma careta.

- Outra vez? – Kiba pareceu surpreso, mas contente – E aí, como ele é?

- Intimidador – disse Ino, olhando Hinata com o canto dos olhos – A coelhinha não pareceu muito empolgada quando me contou que o tirou.

Hinata deu de ombros, ignorando a loura.

- Não passamos muito tempo juntos, na verdade. – disse ela – É mais uma sensação de que ele pode ser bem exigente, se quiser. O cara é um gênio! E se cobrar genialidade dos outros também?

Os três começaram a andar em direção à porta. Tsunade já havia saído e os outros internos começavam a se mexer, procurando os integrantes do seu grupo. Já era hora de ir.

- Alguém mais tirou o Dr. Uchiha? – perguntou uma garota baixinha de cabelos cacheados.

- Uchiha Sasuke? – Hinata se virou para ela.

- Uchiha Itachi.

- Eu tirei Uchiha Sasuke! – Uma garota de cabelos castanhos presos em dois coques no alto da cabeça se aproximou. – Meu nome é Mitsashi Tenten.

Hinata sorriu e acenou para ela.

- Você é amiga daquela garota, a Sakura, não é? – disse Kiba. – Essa é Hyuuga Hinata e essa é Yamanaka Ino. Eu sou Inuzuka Kiba.

Tenten assentiu.

- Muito prazer. Vocês três são do grupo do Uchiha?

- Não, eu não – Ino sorriu e se despediu alegremente dos amigos. – Vou ver se encontro alguém do meu grupo. Vejo vocês mais tarde?

- Sim. - Respondeu Hinata, e a loura saiu em direção aos outros internos.

Kiba e Hinata trocaram um olhar de aprovação depois de conversarem um pouco mais com sua colega de equipe. Ela era genuinamente legal e engraçada, e não seria nada mau passar algumas muitas horas com ela por dia. Aburame Shino se identificou mais tarde como o quarto integrante do grupo. Era caladão, misterioso e não parecia muito interessado em se apresentar ou conhecer melhor seus novos colegas, mas ninguém pareceu se importar muito com isso. Desde que não se desentendessem muito, estava tudo bem.

Finalmente, depois de o grupo identificado e organizado, os quatro saíram para o corredor e seguiram em direção aos elevadores.


- Então, eu estava pensando se você não iria se importar se eu chamasse a Karin para sair esse fim de semana - Naruto desviou os olhos do ramen que devorava como se não houvesse amanhã e encarou o amigo, hesitante.

Sasuke tomou um gole do seu café e deu de ombros, sem ao menos desviar os olhos do livro grosso que segurava sobre a mesa lisa e branca do refeitório do hospital. Parecia mais apático e cansado essa manhã, por causa da chuva. Ele detestava a umidade.

- E eu me importaria porque...? – zombou ele. – Eu já te falei um milhão de vezes que eu não tenho mais nada com a Karin, nosso namoro acabou há décadas. Fim. The end. Finito. Kaput.

Naruto voltou sua atenção para a comida, pensativo. Era difícil para ele entender por que o amigo era tão avesso a compromissos, terminando um namoro que tinha tudo para dar certo. Karin era bonita, inteligente, uma cardiologista brilhante e, tirando seu temperamento difícil, uma ótima companhia. Exatamente do tipo que os caras procuram para namorar. Ela era completamente apaixonada por Sasuke desde o dia em que eles entraram no hospital como internos e, depois de muita insistência da sua parte, o venceu pelo cansaço. O namoro deles durou quase quatro anos.

Quatro longos anos de humilhação para Karin e chateação para Sasuke.

O pager do Uchiha bipou no bolso do jaleco antes que Naruto pensasse em algo para dizer. Ele puxou o aparelho e conferiu a tela, largando o livro e o café inacabado sobre a mesa.

- Tenho que ir – resmungou, apressado. – Os internos estão aqui. Você não tem um grupo de estudantes para ensinar, não? – seu olhar caiu sobre o copinho de ramen que Naruto comia com a maior tranqüilidade do mundo, debochado.

- Não esse ano, colega – respondeu ele. – Você se ferrou sozinho.

Sasuke reclamou baixo e saiu do refeitório, virando no corredor dos elevadores. Era típico ele ter de ficar com todas as tarefas chatas enquanto Naruto se divertia abrindo o tórax das pessoas sem ter que se preocupar em voltar para supervisionar o trabalho de seus internos. Era tão injusto que o outro pudesse comer seu estúpido ramen enquanto ele próprio mal tinha tempo para tomar um café sossegado que ele sentia vontade de beliscar alguém – o chefe, de preferência.

O elevador abriu suas portas e Sasuke saiu para o PS. Alguns grupos de internos ainda esperavam pelos médicos empoleirados nas cadeiras azuis de espera ou encostados das paredes, conversando baixo entre si. Um grupo em particular se colocou em postura ereta assim que o Uchiha saiu de dentro do elevador. Ele enfiou as mãos nos bolsos do jaleco e se aproximou deles em poucas passadas.

- Acho que é desnecessário me apresentar, não? – começou ele, sem saber muito bem o que deveria dizer. Mesmo assim, não parecia nem um pouco embaraçado. – Vocês observaram as coisas por aqui no seu primeiro dia e fizeram alguns trabalhos simples. A partir de hoje vocês pegam no pesado. Vão fazer o que eu disser, na hora que eu disser. Quando eu mandar, vão parar o que estão fazendo e fazer outra coisa que eu precise que façam. Podem dormir quando tiverem tempo, se encontrarem alguma cama livre naquela salinha ao lado do vestiário, ou em qualquer outro lugar possível. Digo o mesmo para comida – comam quando encontrarem tempo. – seu olhar pousou na garota de olhos perolados que o observava com atenção. – As coisas não serão mais como ontem. Hoje vocês serão os médicos.

Hinata estalou os dedos da mão esquerda imperceptivelmente. Sabia, pensou. Sabia que estava ferrada. Controlou o impulso de desviar os olhos e continuou encarando o médico de volta. Não iria mostrar que estava intimidada logo no início do seu primeiro turno, de jeito nenhum. Ela não era assim tão fraca.

O pager de Sasuke soou novamente em seu bolso, dessa vez com um código diferente. Ele lançou seu sorriso de canto para os internos, os olhos ainda impassíveis.

- Vocês podem começar agora mesmo.

Ele avançou pelos corredores com pressa, descendo até a saída de ambulâncias, com os internos em seus calcanhares. Odiava ter que retroceder quase dois anos inteiros para ter que ensinar àqueles estudantes como ser médicos, mas jamais deixaria que alguém o visse reclamando disso. Ainda poderia fazer cirurgias avançadas quando fosse chamado – e ele era bom o suficiente para ser chamado muitas vezes. E seria apenas por um semestre, afinal de contas. Acabaria logo.

- Entendi totalmente o que você quis dizer com intimidador – sussurrou Kiba, sem diminuir o passo ao lado de Hinata – A Dra. Sabaku também era durona, mas o máximo que ela fazia era dar uns bons gritos para assustar a gente. Esse cara consegue meter medo sem levantar a voz. Ele é do mau.

- Eu sei. Mas tenho certeza que a gente consegue – ela olhou para ele por um segundo – Não consegue?

- Claro que sim.

Uma ambulância já freava sonoramente no estacionamento. Sasuke e seus internos enfiaram um avental às pressas e calçaram luvas de borracha, avançando para as portas abertas na traseira do veículo. Um enfermeiro saiu empurrando a maca onde um homem de aproximadamente cinqüenta anos estava deitado, inconsciente, e os cinco imediatamente assumiram o controle.

- Orochimaru, 51 anos. Ele teve uma convulsão repentina. Nunca havia acontecido antes, pelo que se sabe. Não houve reclamações de dor de cabeça antes disso, e ele caiu inconsciente um minuto depois – o enfermeiro despejou as informações rapidamente, habituado ao procedimento do hospital. – Teve mais uma a caminho do hospital, mas ficou inconsciente de novo.

Sasuke assentiu e arrastou a maca junto com Kiba, Hinata, Tenten e Shino. Os quatro olhavam para ele atentos, esperando que ele os dissesse o que exatamente queria que fizessem.

- Ele terá que passar por todos os exames: CT, CBC, toxicológico, químico-7 – começou ele, sem diminuir a velocidade dos seus passos. – Aburame? – ele olhou para os garotos e Shino fez sinal de quem estava escutando – você vai para os laboratórios, e Mitsashi – Tenten assentiu – você vai fica com exame e diagnóstico. Quero a Hyuuga levando o paciente para a tomografia e depois para o quarto. Vai se tornar sua responsabilidade agora.- Hinata engoliu em seco, mas concordou com a cabeça. – Inuzuka? – Kiba se virou, ansioso – Você volta para a sutura.

Kiba pareceu decepcionado por um segundo. Hinata era a única garota de sorte que cuidaria do paciente, mas, de todos eles, ele era o único que voltava exatamente para o ponto de partida. Mas ele logo deu de ombros e assentiu. Aquele era apenas o início do turno, certamente alguma coisa melhor apareceria para ele depois.

Orochimaru foi levado para o quarto para que pudesse ter seu sangue coletado, depois um enfermeiro ajudou Hinata a conduzi-lo para a tomografia. Os outros internos saíram para suas respectivas tarefas e Sasuke foi para a ala cirúrgica. Talvez houvesse alguma coisa ali para melhorar um pouco o seu humor antes que tivesse que voltar a lidar com seus internos inexperientes.

Como se ele fosse ter sorte de encontrar uma boa cirurgia tão em cima da hora.


Hinata arrastou a maca suavemente pelo corredor do terceiro andar. Orochimaru acabara de ser liberado da tomografia e parecia recuperar a consciência aos poucos, portanto precisava ser levado rapidamente para seu quarto. Se inconsciente ele era uma figura estranha, de longos cabelos negros e pele muito pálida ainda manchada com os resquícios de maquiagem (!), acordado ele era simplesmente equisitíssimo.

- Minha cabeça dói – resmungou de forma arrastada e manhosa quando finalmente recuperou a fala. – Quando é que eu vou poder sair daqui?

- Isso vai depender – respondeu Hinata. – Nós ainda não temos o diagnóstico exato. Talvez você precise de uma cirurgia, talvez não.

Orochimaru se apoiou nos cotovelos, alarmado.

- Você quer dizer uma cirurgia na minha cabeça? Porque eu não vou deixar ninguém raspar meus cabelos, de jeito nenhum. Faz ideia de quanto tempo levou para que eles crescessem até a cintura?

Hinata não soube o que dizer depois dessa, então simplesmente arrastou a maca até o elevador e o chamou em silêncio. Precisou morder o lábio inferior com força para não acabar explodindo em uma gargalhada bem na cara do paciente – o que seria bem pouco profissional.

- Aliás, eu espero que a comida daqui seja boa. – Orochimaru continuou distraidamente enquanto era arrastado para dentro do elevador. – Eu odeio feijão. Vocês servem feijão por aqui?

Hinata balançou a cabeça negativamente e apertou um botão.

- Que bom.

O elevador subiu um andar e parou. Hinata empurrou a maca para fora distraidamente, e teria continuado pelo corredor até o quarto 1002 se um impacto do lado oposto do carrinho seguido por uma exclamação baixa de dor não a tivesse feito levantar o olhar, alarmada. Sasuke estava bem na sua frente, o corpo curvado em direção ao abdômen e a mão esquerda apoiada na parede mais próxima, arfando. Ela havia acabado de acertar o seu chefe bem na barriga com um paciente que poderia ser descrito como nada menos do que afeminado. Oh céus. Então isso é que é estar ferrada, de verdade.

- Dr. Uchiha! – exclamou ela, tirando Orochimaru do caminho e correndo até o médico debilitado. – Aimeudeus, eu sinto muito. Eu... me desculpe, eu não o vi parado aí. Quero dizer, eu devia ter visto, mas estava tão distraída com o Sr. Orochimaru que eu... quero dizer, eu não...

- Eu estou bem – Sasuke arfou e se tentou se endireitar. Aquilo realmente doeu. – Posso saber o que o paciente tem de tão interessante para que você se esquecesse completamente de olhar por onde anda?

Hinata corou um pouco e ajudou Sasuke a ficar completamente reto.

- Nada. Ele estava apenas me dizendo que não gosta de feijão – murmurou. – Eu estava... na verdade eu meio que tentava não pensar nas coisas que ele dizia para não rir dele e... isso acabou acontecendo. M-me desculpe. – De repente ela se sentiu mais nervosa do que nunca. Ser uma pessoa distraída nunca era bom sinal para um médico.

Sasuke desviou os olhos para a maca. Orochimaru apoiava a cabeça na mão direita e observava a cena, deliciado, como se estivesse assistindo a um capítulo da novela das oito. Era realmente uma pessoa bizarra da cabeça aos pés, e o médico se pegou pensando no esforço que a Hyuuga devia ter feito para não rir na cara dele.

- Procure prestar mais atenção – disse, sem alterar seu semblante inexpressivo. Ele segurou um dos lados da maca e olhou para Hinata. – Eu te ajudo a levá-lo para o quarto. Talvez assim a gente evite que mais pessoas sejam atropeladas no caminho.

Hinata assentiu, sentindo o rosto queimando. Provavelmente seria lembrada pelo Uchiha para sempre como a interna estúpida que quase esmagou seu pâncreas com um paciente homossexual, e tudo porque era distraída demais para olhar para frente antes de sair de um elevador. Ela segurou o outro lado da maca e os dois a arrastaram pelo corredor até o quarto 1002 em silêncio.

Hinata ajudou Sasuke a transportar Orochimaru para o leito e deixou a maca do lado de fora para que o enfermeiro a levasse para o PS.

- Vá almoçar, Hyuuga – disse Sasuke quando ela entrou novamente no quarto, o tom de voz imperceptivelmente mais suave. – Seu rosto está meio pálido, e todos os outros internos já foram liberados. Talvez esse atropelamento todo seja apenas fome.

Hinata baixou o rosto, exasperada. Estava na cara que ele não esqueceria aquele incidente assim tão cedo.


- O Neji é um chato no trabalho – resmungou Ino, depositando sua bandeja ao lado da de Kiba na mesa larga e branca do refeitório. – Só fica dando ordens e bancando o bonzão. E eu nem pude lhe dar um soco porque ele é o meu chefe.

Kiba sorriu e devorou uma batata frita.

- Grande coisa – brincou ele. – Hinata acaba de me contar que atropelou o Uchiha com uma maca. E adivinha? Nem foi demitida. Deixou o cara ofegando no corredor.

- Como é que é?

Hinata afundou o rosto nos braços cruzados sobre a mesa. Ainda sentia vergonha por ter feito aquilo no seu primeiro turno, e estava começando a querer atropelar Kiba também para que ele parasse de rir dela e contar aquela história por aí. Só o que faltava era Sasuke ouvir o caso se espalhando e achar que ela havia fofocado para todo mundo para se vangloriar como a rebelde que machucava os chefes. E ela definitivamente não era do tipo rebelde machucadora de chefes.

- Foi um acidente – resmungou, o som abafado pelos braços ao redor do rosto. – E eu não o larguei ofegando no corredor!

Ino riu incontrolavelmente.

- Eu daria o meu primeiro salário inteira para ter visto isso! – gritou ela quando conseguiu recuperar o fôlego. – Imagina só a cara da Coelhinha quando viu o que tinha atropelado o chefe!

Hinata levantou o rosto e enfiou um pedaço de pão na boca, emburrada. Estava se sentindo mais uma lesma incompetente do que uma coelha naquele momento. Só o que fizera até agora foi ser babá de um homem de cinqüenta anos e machucar uma pessoa. Quando ia começar a agir como uma médica de verdade?

- Eu sei que as coisas estão um pouco chatas agora, mas vai melhorar – disse Kiba, apertando de leve a bochecha de Hinata. – Eu ouvi dizer que no segundo turno é que a coisa pega de verdade. Tem até interno fazendo apendectomia, e tudo o mais.

Tenten sorriu amigavelmente para Hinata.

- E não se preocupe com essas merdas com os chefes – disse ela. – Quando eu trabalhei em uma casa de iogurtes, derrubei um sorvete na camisa do gerente. Quase perdi meu emprego.

Hinata assentiu e voltou a comer. Já estava ficando meio cansada de falar daquele assunto, e só o que queria era voltar logo ao trabalho para fazer alguma coisa útil e parar de ser conhecida como "Aquela Que Atropela".

Seu pager bipou no bolso da calça e ela olhou o código na tela. Fim do horário de almoço, pelo menos para ela.

- Tenho que ir – Hinata empurrou a bandeja e se levantou em um pulo. – Vejo vocês mais tarde?

E,sem esperar qualquer resposta, ela correu de volta para os elevadores.


O plano inicial era enfiar todo o turno em um só capítulo, mas ficaria tão gigantesco que ninguém teria paciência de ler (muito menos de esperar a chatura ficar pronta). Tenho que admitir que ele acabou ficanto bem pouco emocionante, mas pelo menos eu tentei explorar um pouquinho o casal principal nesse capítulo, que vai ser... sasuhina, é claro. O casal mais fofo de todos os tempos, ai, ai. *-*

Claro que eu queria fazer um suspense básico até os dois finalmente ficarem juntos, mas não deu pra segurar. :D

De qualquer forma, prometo tentar entrar mais nas outras personagens no próximo capítulo.

Muito obrigada pelas reviews, pessoal! Eu fiquei muito, muito feliz! *---*

Hasta la vista, people! 8D