Muahuahuá! Eu voltei! \o/
Tudo bem, foi extremamente cretino da minha parte ter desaparecido daquele jeito (mesmo não sendo culpa minha, foi cretino), portanto resolvi postar mais rápido dessa vez. Meu ritmo é meio complicado assim mesmo, então o próximo capitulo pode demorar um pouco.
Obrigadíssima pelas reviews, eu fiquei felicíssima ao recebê-las.
Em agradecimento pela paciência de vcs, aqui vai o capítulo mais emocionante até agora (infelizmente, sem beijos SasuHina... só dizendo isso para que vocês não fiquem decepcionados depois e me chamem de filha da mãe. T-T)
Aproveitem!
5. Beijos e beijos.
Hinata passou o resto do turno no pós-operatório e na sutura, evitando totalmente qualquer tipo de contato com Uchiha Sasuke além do que o trabalho exigia. Não o respondia olhando nos olhos, evitava pacientes da neuro que precisariam de cirurgia e entrava na primeira sala que encontrava quando o via surgindo no corredor. Estava morrendo de vergonha do incidente padrinho de casamento – mesmo ele dizendo que tudo bem e que foi necessário – e queria mais do que qualquer outra coisa recuperar sua seriedade profissional que julgava perdida, coisa que só parecia possível caso se mantivesse bem longe de seu chefe-professor-mentor. Sasuke era claramente seu anti-amuleto, uma espécie de imã perverso para situações embaraçosas.
Não que ela tivesse qualquer tipo de sentimento por ele. Não o odiava, tampouco se sentia atraída por ele. Só não conseguia entender por que tinha que passar por coisas estranhas toda vez que chegava perto do Uchiha.
Quando as quarenta e oito horas acabaram, Hinata se sentia um trapo. Tomou uma ducha, trocou de roupa e desceu sozinha graças à sua demora para pentear os longos cabelos e amarrar o cadarço dos tênis. Todos já haviam ido embora e Ino declarou, zangada, que a esperaria no carro - junto com Kiba, que pegaria uma carona com elas – antes de sair do vestiário batendo a porta atrás de si.
O corredor dos elevadores estava quase vazio, o que era ótimo. Mas havia alguém... Oh, merda. Hinata constatou, com pesar, que havia apenas uma pessoa esperando o elevador: exatamente aquele que ela gostaria de evitar. Pensou em se virar e descer pelas escadas, mas ele já a havia visto e ficaria muito estranho sair se comportando feito uma doida toda vez que tivesse que chegar perto dele.
- Oi – ela cumprimentou ao se aproximar, sem encará-lo.
- É impressão minha – Sasuke enfiou as mãos nos bolsos do longo casaco preto e olhou para os números brilhantes sobre a porta metálica do elevador, esperando – ou você está me evitando ultimamente?
Para sua própria surpresa, Hinata manteve seu tom de voz controlado.
- Não, eu não estou evitando o senhor. Estou apenas... olha, eu não estou fazendo isso. Só estou agindo normalmente, como internos devem agir.
Sasuke deu de ombros.
- Sem essa de senhor – disse ele. – E, para sua informação, eu tive muito mais contato com os outros internos no final do turno do que com você. Não sei se você conseguiu aprender qualquer coisa depois da cirurgia de aneurisma. É por causa do nosso noivado?
Hinata desejou fervorosamente que número cinco ficasse logo brilhante para ela poder dar o fora dali.
- Não existe nosso noivado, Dr. Uchiha, e eu pretendo dizer isso ao Sr. Orochimaru o mais rápido possível. – ela ainda não o encarava. – E, para a sua informação, eu aprendi muitas coisas hoje, obrigada. Não sei por que isso importaria para o s... para você.
- Não importa – seu tom apático não deixava dúvidas quanto a isso. – Mas provavelmente essa atitude afeta na sua residência. Infelizmente para você, Hyuuga, eu serei seu tutor por um semestre inteiro.
- Eu sei, e isso não me incomoda.
- Tem certeza?
- Absolutamente.
Sasuke abriu a boca para dizer alguma coisa, mas o elevador se abriu e algumas pessoas saíram, deixando-o vazio. Contrariada, Hinata marchou para dentro com o Uchiha em seus calcanhares. Teria que ficar à sós com ele naquele cubículo.
- Ficar dois minutos sozinha comigo é tão desagradável assim? – perguntou ele quando as portas fecharam-se, como se tivesse lido os pensamentos dela.
- Bom, sim – respondeu Hinata, surpresa com a própria ousadia. – Se o s...você for continuar me interrogando assim, certamente é.
- Ui – Sasuke pareceu sorrir um pouco. – Meu Deus, Hyuuga. Se não gosta de mim, pode dizer.
- Mas eu não não gosto de você – ela parou ao ver a expressão sutilmente divertida dele. – Quero dizer... o problema não é esse. Dr. Uchiha, pelo amor de Deus. Você é o meu chefe. A gente deveria mesmo ter esse tipo de conversa?
Sasuke cruzou os braços.
- E por que não?
Hinata pensou por um segundo antes de encará-lo.
- Faz diferença para você a minha opinião a seu respeito?
- Menos do que você imagina – novamente seu tom apático não deixava dúvidas. – Mas é divertido ver a sua reação.
- Você não parece estar se divertindo – acusou ela.
- Ah, mas estou.
Hinata bufou e cruzou os braços, recusando-se a falar com ele novamente. Como se já não fosse ruim o suficiente, agora ela servia também de entretenimento para seu professor. Muito engraçado, realmente.
As portas metálicas finalmente abriram-se no térreo e a Hyuuga saiu pisando duro, sem olhar para trás. Infelizmente Sasuke andava rápido o suficiente para alcançá-la e, mais depressa do que ela poderia dizer "bisturi", estava caminhando ao seu lado.
- Agora, sério. Esqueça o atropelamento e o nosso noivado...
- N-não existe nosso n-noivado! – interrompeu Hinata com a voz aguda.
- Tudo bem, tudo bem. Esqueça o atropelamento e o suposto noivado que não existe e pare de se comportar como uma maluca. De todos os internos, e não apenas os meus, mas TODOS, você foi a única que assistiu uma cirurgia cerebral e depois passou o dia inteiro em suturas – Sasuke bateu no bolso do casaco procurando por suas chaves. – Não precisa disso, certo? Esqueça tudo aquilo.
- Eu sei disso – resmungou Hinata, passando pelas portas duplas de vidro e parando em seguida, virando de costas para o estacionamento para encarar Sasuke de frente. – O que eu não entendo é que diferença minha carreira faz para você.
Ele revirou os olhos.
- Já disse que não faz – declarou com impaciência. – Mas não é justo deixar que você continue fazendo isso que está fazendo só porque eu não tive a menor disposição de vir te dizer que não é necessário.
- Tudo bem, recado dado – disse Hinata, sem conseguir entender por que estava sendo tão agressiva. Provavelmente era a mistura de sono com dor de cabeça e frustração com o primeiro turno que estava sentindo que a fazia agir assim. – Mais alguma coisa, Dr. Uchiha? Porque eu realmente estou louca para ir para casa.
Sasuke a encarou por um momento. Ele parecia divertido.
- Você realmente fica parecida com um cachorrinho minúsculo tentando intimidar quando está brava, Hyuuga.
Certo, agora ela também era um projeto de cachorro.
Indignada, cansada e com raiva, Hinata lhe deu as costas e seguiu em direção à vaga onde estacionara na manhã anterior. Quanto mais pensava, mas certeza tinha de que era preciso ficar longe do Uchiha. Já estavam até discutindo com uma intimidade maior do que o trabalho permitia e, sinceramente, ficar íntima do chefe nunca é uma boa ideia. Não se você não quiser todos os colegas de trabalho te acusando de favorita.
- Hinata, pelo amor de Dave, anda logo – gritou Ino pela janela aberta do carona. – Estamos te esperando há horas.
Ela correu até a porta do motorista e entrou no carro, colocando o cinto e enfiando a chave na ignição com pressa.
- Desculpem-me – disse ela, lançando um olhar culpado para Kiba pelo retrovisor. – Eu tive uns contratempos.
Sentado no banco de trás, Kiba se reclinou sobre o encosto almofadado e cruzou os braços.
- Nós vimos seu contratempo – disse ele, indicando um lugar mais à frente com a cabeça.
Hinata olhou para onde o amigo apontava e viu Sasuke entrando em um carro com aparência de caro, mas desviou rapidamente os olhos. Deu a partida e focalizou a saída, ignorando a pontada leve de ciúmes na voz do Inuzuka.
- Rá, coloca contratempo nisso – Ino colocou o cinto de segurança e virou-se para Hinata. – O que vocês estavam conversando ali na entrada?
- Nada. Estávamos nos despedindo, sabe como é, educadamente.
- Despedindo? – Kiba pareceu incrédulo. – Qual é, Hinata, você é uma péssima mentirosa. Parece loucura, mas vocês pareciam estar discutindo alguma coisa.
Hinata fez a curva na primeira esquina e manteve os olhos na rua.
- Discutindo? – Ela tentou parecer convincente. – Kiba, não seja bobo. O que eu teria para discutir com meu chefe no terceiro dia de trabalho? Você acha mesmo que eu sou ruim a ponto de me sair mal assim, tão rápido?
- Claro que não – disse ele. – Talvez vocês estivessem em uma discussão mais pessoal.
Ino gargalhou no banco do carona.
- Ficou doido, Kiba? A menina acabou de conhecer o Dr. Delícia. Ele mal deve se lembrar do nome dela, quanto mais ter assunto pessoal para discutir.
Hinata fez que sim com a cabeça.
- Exatamente – disse.
Kiba deu de ombros.
- É só que você parecia meio zangada com ele.
- Não estou.
Ino colocou o indicador na bochecha e pensou por um segundo.
- Olhando por esse lado... aquilo realmente não pareceu uma despedida educada, Coelhinha – disse ela.
- O quê, eu parecia uma doida sem educação? – perguntou Hinata, esforçando-se para manter a expressão imparcial.
- Claro que não – respondeu Ino. – Mas não parecia exatamente com alguém que diz: "Até logo, Dr. Uchiha, foi ótimo trabalhar com o senhor", que é o máximo que você poderia dizer a um chefe em seu terceiro dia de trabalho.
- Bem, mas foi exatamente o que eu disse. O que vão querer para almoçar?
Kiba se empertigou perto da janela, emburrado. Se Hinata havia conversado banalidades com o Uchiha, por que não queria contar? Não havia nada a respeito do trabalho que ela não poderia dizer a ele ou a Ino. Sabia que ela estava escondendo alguma coisa, e isso o deixava chateado e enciumado.
Ele definitivamente precisava criar coragem e se declarar para ela.
- Oi, mãe. Feliz aniversário.
Sasuke passou pela porta larga de madeira, curvou-se para abraçar a doce e amável mulher que o esperava na entrada e entregou o presente que havia trazido para ela. Era engraçado vê-lo tentar ser carinhoso sem saber como fazê-lo, mas ele se esforçava. Os olhos de Mikoto brilharam com a atenção do filho mais novo.
- Obrigada, querido! – ela pegou o emaranhado que servia de embrulho e o observou por alguns segundos. – Deixe-me adivinhar. Foi você mesmo quem embrulhou?
Sasuke deu um sorrisinho de canto.
- É, foi. Eu não tive tempo para fazer com calma, a senhora sabe. Acabei de sair do hospital.
- Eu sei – disse ela, tentando abrir o presente sem rasgar o papel. – O que eu quero saber é se o seu irmão vem me visitar também.
- Infelizmente ele vem – Sasuke revirou os olhos, fingindo aborrecimento. – Anteontem foi turno dos internos, dois dias inteiros. Esse ano ele pegou um grupo também, então hoje ele está liberado.
- Oh, quem bom! – Mikoto sorriu alegremente. – E o Naruto? Eu disse a você para chamar o Naruto, não disse?
- Ele vem mais tarde, mãe. Hoje ele trabalha.
- Espero que venha mesmo, porque eu fiz aqueles bolinhos que ele adora só para ele.
- Humpf. Você deixa aquela criatura muito mal acostumada.
- E a sua namorada, Sasuke? Você a convidou?
- Que namorada, mãe?
- Ora, a Karin!
Sasuke suspirou de irritação. Quantas vezes ele teria que repetir a mesma coisa?
- Mãe, eu não estou mais com ela – disse ele. – Acabou há décadas.
Mikoto puxou seu perfume preferido de dentro da confusão de papel brilhante e beijou o rosto do filho em agradecimento.
- Obrigada, querido – disse ela. – E quanto à Karin, eu acho que vocês acabam voltando mais cedo ou mais tarde. Dê tempo ao tempo, filho.
Sasuke tirou o casaco e o pendurou no gancho do armário sob a escada, ajeitando sua blusa preta de mangas compridas sobre a calça jeans azul-escura.
- Dou tempo ao tempo esperando que vocês entendam que acabou de uma vez por todas – disse ele, seguindo a mãe em direção à sala de estar.
Sentado na maior poltrona, perto da janela, estava Uchiha Fugaku, outrora o médico mais brilhante de sua geração. Mas no momento ele não parecia nada brilhante: envelhecido pelos anos, mal olhou para o filho quando ele se aproximou para cumprimentá-lo, preferindo depositar sua atenção em seu cachimbo velho e gasto. Olhava para fora sem prestar atenção em nada e parecia viver no mundo da lua. Sasuke se limitou a lhe dar um tapinha suave nas costas e se sentou no sofá. Sabia que tentar puxar assunto com o pai era praticamente inútil, a não ser que começasse a falar dos "velhos tempos".
- Ele está melhor? – perguntou para a mãe.
- Um pouco. Às vezes ele tem seus momentos de lucidez – Mikoto sorriu tristemente. – Pelo menos voltou a comer minha comida.
- Como porque você voltou a servir direito, Anna! – gritou Fugaku, para surpresa geral. – Já falei que o-d-e-i-o beterraba, mas você ficava insistindo em esconder essa porcaria no meu arroz.
Sasuke se levantou e aproximou-se do velho.
- Está tudo bem, pai. Ninguém vai esconder nada na sua comida, tá?
Fugaku o encarou com desdém.
- Que pai o quê! Ficou maluco? Meu filho Itachi tem um ano e meio. Não tenho nenhum filho desse tamanho aí não.
Tudo bem, Sasuke entendeu o recado. Bagunçou ainda mais os cabelos despenteados e foi para perto de Mikoto, que assistia à cena com desgosto.
- É assim, agora. Deu para ficar me chamando de Anna, uma babá que Itachi teve antes de você nascer, você sabe, e dizer que quer ver seu bebezinho. Como é que eu posso explicar para ele que o bebezinho dele já tem 33 anos? Ele vai pirar.
- Relaxa, certo, mãe? É normal as coisas ficarem assim.
- Mas é horrível.
- É. Pelo menos ele não tem que agüentar a chatura e a inconveniência do Itachi, olha que bom.
- Sasuke – disse Mikoto em tom de advertência.
- Tá, desculpe.
A campainha soou estridente no hall de entrada. Mikoto se iluminou e correu para atender, e Sasuke se limitou a revirar os olhos e se jogar no sofá de frente para o pai. Nunca-jamais-em-tempo-algum correria alegremente para recepcionar seu irmão mais velho. Eles podiam até ter sido grandes amigos na infância, mas agora não se davam muito bem – provavelmente porque eram parecidos demais e acabavam irritando um ao outro.
Logo o barulho de vozes no hall era audível por toda a casa.
- Oi querido, que bom ver você! Você está maravilhoso!
- Obrigado, mãe. Trouxe isso para você.
- Ai, que lindo! Muito obrigada, filho, foi gentileza da sua parte.
- É, de nada. Olha quem eu trouxe para te ver!
Típico, pensou Sasuke. Itachi tinha que trazer algum amigo que não tinha nada a ver com a família no dia do aniversário da mãe. Ele era um retardado, mesmo.
- Oi, – guinchou uma voz feminina absurdamente familiar e adocicada.
Sasuke olhou em direção a porta, incrédulo. Não ousou ir até lá porque sabia que não seria exatamente uma ideia fantástica, mas soube imediatamente que mataria o irmão mais tarde. Antes fosse um amigo idiota o acompanhante misterioso. Seria infinitamente melhor do que a pessoa que ele havia realmente trazido.
Filho da puta traidor.
- Karin, meu anjo! Que bom ver você!
- É bom ver você também, Sra.U. Meus parabéns, você está ótima!
- Você também, querida! Estava falando com o Sasinho sobre você agora mesmo.
Sasuke quis pular pela janela. Por que a mãe tinha que ficar usando aquele apelido ridículo de infância que sua ex-namorada insistia em copiar?
- Hum, aposto que ele não ficou feliz nada, nada, em falar de mim. O Sasinho anda me evitando, ultimamente.
Viu só?
- Isso é normal. Meu irmão não passa de um gay no armário.
- Itachi – Mikoto usou o mesmo tom de advertência que havia usado com Sasuke alguns minutos antes.
- De qualquer forma, eu não fiquei com raiva dele por ele ter terminado comigo. Parece que quem ficou com raiva foi ele.
- Mas o que é isso, o Sasinho não fica com raiva de ninguém, não – pobre, pobre Mikoto. – Mas venham, vamos entrando.
Os três surgiram na sala de estar, um depois do outro. Sasuke viu aparecer primeiro sua mãe adorável e gentil, depois seu irmão ridículo e idiota e por último sua ex-namorada gostosa mas sem noção. Karin o encarou com um sorriso aberto, quase desafiador, mas ele apenas a olhava apaticamente. Se ela esperava qualquer tipo de recepção amigável, iria se decepcionar terrivelmente.
Karin, Sasuke e Naruto entraram no Hospital St. Louis no mesmo ano como residentes. Naruto e Sasuke ficaram amigos logo de cara, tratando-se como irmãos implicantes mas inseparáveis, ajudando-se mutuamente e passando pelo sufoco dos primeiros meses se apoiando – embora não admitissem isso. Já Karin apaixonou-se pelo Uchiha à primeira vista. Implicou, lutou, insistiu, persistiu, até atormentá-lo a ponto de cansar. Finalmente, apenas para ter paz, Sasuke a convidou para sair e os dois acabaram entrando em um relacionamento de quase quatro anos, quatro longos anos de humilhação para Karin e tormento para Sasuke. Karin saiu do St. Louis e virou médica residente de outro hospital da cidade, mas nem por isso largava do pé de Sasuke. Finalmente, em um belo dia de setembro, ele foi encontrá-la no trabalho e a viu aos beijos com um enfermeiro do hospital. Não chorou, não reclamou nem xingou; era a desculpa perfeita para colocar um ponto final no namoro. Desde então um mês já havia se passado e todos esperavam que ele a aceitasse de volta, mas Sasuke não tinha a menor intenção de voltar para um relacionamento superficial e frio como o que ele tinha com Karin.
Ela piscou algumas vezes para ele, fazendo dengo.
- Oi, Sasuke. Você parece ótimo.
- Oi – ele fuzilou Itachi com os olhos, mas o irmão não pareceu se importar. – Eu não esperava ver você aqui, Karin.
- Está brincando? Eu adoro a Sra.U. – ela passou o braço direito pelos ombros de Mikoto, como se quisesse ilustrar o que dizia. – Não me esqueci do aniversário dela. Não é porque nós terminamos que eu tenho que me afastar da sua família, Sasuke.
- Geralmente é o que as ex fazem.
Mikoto pigarreou.
- Sasinho, por favor.
Itachi, ignorando os olhares do irmão, aproximou-se de Fugaku e depositou um beijo no alto da sua cabeça grisalha.
- Oi, pai. Como está?
Fugaku levantou o rosto para encarar o filho.
- Quem diabos é você?
- Sou eu, pai. Itachi. Lembra de mim, Itachi, seu filho?
Os olhos do velho brilharam em reconhecimento.
- Oh meu Deus, Itachi, você cresceu demais! Está um homem feito! Quantos anos você tem agora, dezenove?
- Já tenho mais de trinta, pai – Itachi piscou para ele, brincalhão.
Fugaku esfregou os olhos.
- Não é possível! Onde esteve por todos esses anos? Você fez medicina como seu pai, não fez? Era onde você estava? Fazendo faculdade de medicina?
- Sim.
- Ah, você sempre me deu tanto orgulho! Mas e o seu irmão? Cadê o Sasuke? Aposto que ele se tornou artista plástico só para me contrariar. Ele nunca foi um filho bom como você, você sabe.
Sasuke deu um suspiro cansado e levantou a mão esquerda, ignorando os risinhos de Itachi.
- Aqui, pai.
- Ora, você está aí? – Fugaku franziu o cenho. – Não vai cumprimentar o seu pai? Que desnaturado!
Sasuke levantou-se, se aproximou da poltrona do pai e lhe deu um abraço de urso. Fugaku pareceu quase satisfeito.
- Eu não sou artista plástico, pai – disse Sasuke. – Sou neurocirurgião.
- Neuro? Mesmo? Isso é muito bom – Fugaku espiou por trás de Sasuke, onde Mikoto e Karin observavam a cena em silêncio. – Viu isso, Mikoto? Eles estão enormes. Você também envelheceu, mulher.
- Pois é – Mikoto sorriu.
- E quem é essa moça bonita aí ao seu lado?
Sasuke revirou os olhos. Nem se deu ao trabalho de olhar para trás.
- Aquela é a Karin, minha EX-namorada. Ela só veio aqui dar os parabéns para a mamãe e já está de saída.
Fugaku olhou bem para sua antiga nora.
- Ex? Minha nossa, Sasuke, você é uma anta por ter deixado essa mulher escapar. Seu irmão tem razão, você é meio retardado.
Karin sorriu para Fugaku e aproximou-se para apertar sua mão.
- Está tudo bem, , foi ele quem terminou comigo.
- Pior ainda!
Itachi sentou-se no sofá e apoiou os cotovelos sobre os joelhos, examinando o pai com atenção, Sasuke se cansou de ser xingado e foi para a cozinha ajudar a mãe a levar as travessas de comida para a mesa de jantar e Karin ficou conversando alegremente com Fugaku. Parecia quase uma família normal reunindo-se para o almoço.
- Eu não sei por que a Karin tinha que aparecer por aqui – disse Sasuke, pegando alguns molhos no armário da cozinha. – Tinha que ser o Itachi. Ele TINHA que convidar.
- Foi gentileza da parte dela vir aqui me cumprimentar, Sasinho.
- Mãe, entende uma coisa: ela não é minha namorada. Não mais. Ela não tem nada a ver com essa família, entende? – ele dizia essas palavras como se estivesse declarando que tomates são vermelhos: como se não fizesse a menor diferença para ele. Apático. – Só vem aqui para irritar. Eu não vou voltar com ela nem em um milhão de anos. Ela me traiu, e essa foi a oportunidade perfeita para dar um fim nisso. Se eu voltar agora, isso nunca vai acabar.
- Mas vocês eram felizes – declarou Mikoto, temperando a salada.
- Ficou maluca? Eu nunca fui feliz com ela. A verdade é que eu nunca amei a Karin, mãe. Nem sei se eu cheguei a gostar dela.
- Então por que vocês namoraram por tanto tempo?
Sasuke não respondeu.
- Sasinho... ah, não, Sasuke, pelo amor de Deus. Por favor, não venha me falar que era por causa do sexo.
Ele continuou calado.
- Sasuke! E eu pensando que você era diferente dos outros! Do Itachi eu até esperaria uma coisa dessas, mas de você? – Ela largou a colher que segurava com força no balcão de mármore. – Estou com vontade de te dar um soco agora mesmo.
Nunca houve muito tabu em relação ao sexo na família Uchiha. Mikoto e Fugaku sempre conversaram abertamente sobre o assunto com os filhos, acreditando que era melhor eles estarem bem informados e confortáveis para conversar a respeito do que fazer tudo escondido. Por isso eles nunca se acanharam de perguntar aos filhos sobre suas atividades noturnas.
- Que exagero, Dona Mikoto!
- Exagero? – ela escolheu uma colher de pau na gaveta e bateu com ela na cabeça de Sasuke.
- Ai, mãe!
- Não se brinca com os sentimentos dos outros assim, Sasuke.
- Oh, e os sentimentos da Karin por mim eram tão nobres que ela me traiu na primeira oportunidade, não é? – ele alisou a cabeça onde a mãe havia batido. – Isso realmente doeu.
- Na primeira oportunidade? Depois de quatro anos!
- Eu vi depois de quatro anos. Vai saber por quanto tempo ela ficou me chifrando – seu tom de voz não mostrava o menor sinal de mágoa. – Pelo menos eu fui fiel.
Itachi apareceu na porta da cozinha e recostou-se no beiral de madeira, os braços cruzados no peito e a expressão apática como a do irmão mais novo. Parecia... faminto.
- As madames vão ficar a vida toda fofocando na cozinha, ou o almoço vai ser servido?
Mikoto sorriu maternalmente para ele.
- Claro que não, filho. Venha, Itchinho, ajude o seu irmão e leve os bolinhos para a mesa, por favor.
Sasuke não era o único naquela casa que tinha apelidinhos carinhosos constrangedores.
- Levo, levo.
A comida, os pratos e os talheres foram ajeitados sobre a mesa de forma simétrica e organizada, como era de costume de Mikoto. Convenceram Fugaku a se levantar da poltrona e assumir a cadeira na ponta da mesa, onde gostava de se sentar antes de ficar doente, e Itachi sentou-se ao lado dele. Karin levantou-se também, mas não se aproximou da mesa de jantar.
- Eu preciso ir – disse ela. – Eu combinei de sair com uma amiga minha para comer fora, Sra. U., e já estou atrasada.
- Ora, vamos, fique!
- É uma pena, mas realmente não posso.
- Oh, bem, é uma pena mesmo. Mas volte em breve para nos visitar, querida, fiquei muito feliz em vê-la por aqui!
- Claro que sim! – Karin a cumprimentou com um beijo no rosto e apertou a mão de Fugaku. – Foi um prazer conhecê-lo, Sr. Uchiha. Itachi, obrigada pela carona.
- Foi um prazer – respondeu ele. Para Itachi, qualquer coisa que irritasse seu irmãozinho era um prazer.
Karin piscou algumas vezes antes de voltar-se para o último membro da família Uchiha.
- Sasuke, você pode me acompanhar até a porta?
Não, ele quis responder, mas Mikoto o empurrou discretamente.
- Tá.
Ele seguiu Karin pelo hall e abriu o armário para que ela pudesse pegar seu casaco de veludo azul-marinho. Ela o vestiu, ajeitou a roupa por baixo do agasalho e encarou Sasuke por alguns segundos. Em seguida, atirou-se sobre ele e o beijou.
Sasuke não fez absolutamente nada. Não a empurrou para longe, não reclamou nem se afastou. Apenas manteve os braços cruzados, longe de onde ela queria – sua cintura –, a boca firmemente fechada, os olhos abertos e a expressão impassível. Parado, como uma estátua linda, quente e respirando. Karin afastou seu rosto do dele para observá-lo e voltou para lhe dar outro beijo; uma, duas, quatro vezes. Não houve a menor reação. Ele mal piscava.
- Você não costumava ser assim tão frio – sussurrou ela, acariciando o rosto dele.
- Acho que também nunca fui um exemplo de carinho e afeto.
- Não mesmo, mas pelo menos você correspondia os meus beijos...
- As palavras "fim de namoro" significam alguma coisa para você?
Karin suspirou, derrotada. Inclinou-se para beijá-lo uma ultima vez e abriu a porta da rua. Antes de sair, virou-se novamente.
- Até mais, Sasuke.
- Tchau.
A porta se fechou e Sasuke avançou para trancá-la, como se Karin pudesse simplesmente mudar de ideia e voltar para estuprá-lo. Sem parar para pensar, voltou para a sala de jantar para comer bolinhos e matar seu irmão de sobremesa.
Hinata colocou os pratos sobre a pia e abriu a torneira, deixando a água jorrar por sua mãozinha fria. Pegou a esponja, colocou detergente sobre ela e se pôs a esfregar a louça branca com cuidado e sem pressa nenhuma.
- Eu comi às suas custas, agora me deixe pelo menos ajudar com isso – disse Kiba, entrando na cozinha com os copos de vidro e a garrafa de vinho.
- De jeito nenhum – ela sorriu. – Você é desajeitado e vai quebrar os meus pratos.
- Como é?
- Eu disse que vai quebrar meus pratos – repetiu Hinata, rindo.
- Ah, agora você vai ver só!
Ela só teve tempo de depositar o prato no fundo da pia antes de Kiba correr até ela para lhe fazer cócegas. Hinata tentou desviar, espalhando gotas de água para todo lado em sua tentativa de fuga ineficaz, mas Kiba a agarrou antes que ela alcançasse a porta e a puxou para si.
- A-há. Muito bem, Dona Hinata, quem aqui é o desajeitado, hein?
Hinata segurou o riso.
- Desculpe, sou eu.
- Isso aí.
Ela fez menção de se soltar para voltar à pia, mas Kiba não afrouxou o abraço. Ele a girou para que ela o encarasse e a olhou com uma expressão estranha, fazendo com que Hinata se encolhesse um pouco.
- O q-que foi? – perguntou ela.
Era agora ou nunca.
- Eu... Hinata, você sabe que eu gosto de você, não sabe?
Ela franziu o cenho.
- Bem, sim. Eu também gosto muito de você, Kiba, você sabe. Somo amigos há muito tempo.
- Não, Hinata. Não desse jeito. Assim.
E, ao dizer isso, Kiba se inclinou e a beijou na boca.
Oh, não. Isso não podia estar acontecendo.
Hinata entrou em uma espécie de piloto automático. Seus lábios se moviam junto aos de Kiba, mas ela não estava presente. Só o que ela conseguia pensar era: o que está acontecendo? Ino está na sala, ele devia saber disso. Eu não penso nele dessa forma! O que eu vou fazer? O que eu vou fazer? O que eu vou fazer?E por que eu estou retribuindo o beijo, meu Deus? Que horas são? Estou muito, muito ferrada. Um turbilhão de coisas passava pela sua cabeça, inclusive coisas que não tinham nada a ver com o momento. Aquilo não podia estar acontecendo.
Finalmente ela conseguiu mover suas mãos para o peito dele e o afastou com delicadeza, sentindo o rosto corar imensamente. Os dois ofegavam.
- Desculpe, Kiba, e-eu não posso.
- Por que não? – ele a olhava nos olhos. – Hinata, eu sou apaixonado por você, e faz tempo que eu me sinto assim. Você me conhece, nós nos damos tão bem. Por que não podemos ficar juntos?
Hinata desviou os olhos.
- Eu te adoro, Kiba. E-eu te amo, de verdade. M-mas... mas não estou apaixonada por você – a voz dela se tornou um sussurro.
Kiba encostou sua testa na dela e fechou os olhos, suspirando tristemente. Ele já desconfiava que ela não sentisse por ele o mesmo que ele sentia por ela, mas ouvir a confirmação era muito pior. Acariciou os cabelos de Hinata e a beijou no topo da cabeça, afastando-se em seguida.
- Tenho que ir. – disse.
Hinata fechou os punhos com força.
- Por favor – pediu com um fio de voz. – Fique.
Ele a encarou por um momento. Foram quase quatro anos até que tivesse coragem de tomar uma atitude em relação ao que sentia para ser rejeitado quando finalmente conseguiu fazê-lo. Estava verdadeiramente chateado, mas não estava com raiva de Hinata. Não era culpa dela se ela não o amava. Só não podia continuar perto dela naquele momento, não quando precisava tanto ficar sozinho para pensar.
- Não, eu preciso mesmo ir – disse por fim.
- V-você não está... – Hinata o olhou com os olhos arregalados e marejados.
Kiba segurou o rosto dela carinhosamente entre as mãos.
- Não estou – garantiu ele. – De jeito nenhum. Mas eu preciso de um tempo só para mim, agora.
- Tu-tudo bem.
Kiba saiu da cozinha e Hinata o seguiu a uma certa distância, como se qualquer movimento seu pudesse voltar a machucá-lo. Ino, esparramada no sofá, virou-se para dizer alguma coisa a eles, mas parou ao ver as expressões em seus rostos.
- Estou indo, Ino. Até amanhã.
- Até... – balbuciou Ino, acompanhando-o com os olhos enquanto Hinata abria a porta de entrada para ele e a fechava novamente após sua passagem. – É impressão minha, ou o clima ficou meio estranho de repente? – perguntou, voltando-se para a Hyuuga.
Hinata virou-se, olhou para a amiga e abriu a boca para falar e.. começou a chorar. Ino ficou surpresa, mas pulou do sofá e correu para abraçá-la.
- Meu Deus, Hinata! O que aconteceu?
- Ele... ele disse – ela soluçava convulsivamente. – Disse que é apaixonado por m-mim, mas... mas eu n-não sou ap-aixonada por e-e-ele, então eu... eu... ahn...
Ino tirou o cabelo de Hinata do rosto.
- Calma, calma – disse ela, ainda mais surpresa. – Oh, meu Deus, ele te contou. Uau. Mas você já devia ter percebido isso, Coelhinha. Ele sempre adorou o chão onde você pisa.
- E-eu acho que eu j-já d-desconfiava, mas... i-isso foi muito i-inesperado. E-eu o magoei.
- Vamos por partes: o que aconteceu na cozinha?
Hinata esforçou-se para parar de soluçar e respirou fundo.
- Estava t-tudo normal, ele f-foi levar os copos para a cozinha e d-disse que ia me ajudar com a louça. Aí a g-gente começou a brincar, ele veio me fazer c-cócegas, mas eu tentei fugir, e-então ele me abraçou , disse que g-gosta de mim e me beijou.
- Ele te beijou? – Ino teve que se conter para não gritar.
- S-sim, e eu – Hinata corou. – Eu meio q-que retribuí s-sem querer, o que n-não foi bom, p-porque depois eu tive que dizer que não o via d-dessa maneira.
- Você não gosta dele nem um pouquinho?
- Eu adoro, mas não d-desse jeito.
- Vocês se dão tão bem... acho que podia dar certo entre vocês, Hinata.
- Mas eu estaria enganando-o s-se ficasse com ele sem gostar, gostar.
- Se você não gosta nem um pouco – Ino colocou uma mecha de cabelo louro atrás da orelha. – Por que retribuiu o beijo?
Hinata pensou um pouco.
- Não s-sei – ela corou. – Acho que foi por reflexo. I-ino, você já beijou muitos caras sem gostar deles! Não é p-porque eu beijei que e-estou apaixonada.
- Verdade. Isso é uma grande confusão, meu Deus. O que você vai fazer?
- Não sei – admitiu Hinata, olhando para o chão.
As duas ficaram em silêncio por alguns minutos, até Ino estalar a língua, dar de ombros e sair em direção à cozinha.
- Vem, Coelhinha. Eu te ajudo a lavar a louça. Sem declarações dessa vez.
- Não f-foi engraçado.
- Foi um pouco. Agora trate de parar de soluçar para me explicar essa história direito.
That's all, folks!
De qualquer modo, eu infelizmente tenho a mania de achar que o que eu escrevi não está perfeito ainda. Escrevi e reescrevi trilhões de vezes, e esse que vocês leram foi o que ficou mais perto do bom... pois é. De qualquer forma, se vocês gostarem, já me sinto realizada :D
Obrigada por acompanharem, pessoal!
p.s.: Adotei uma gatinha! Não é lindo? Bom, não tem nada a ver com a fic, mas eu quis contar porque fiquei toda empolgada. O nome dela é Margot e ela é a coisa mais fofa do Brasil :D
Ok, tchau.
