Num salto o alcancei. Foi algo irracional. Sentia os meus dentes afiados como lâminas a perfurar a sua garganta como uma faca que passa em manteiga.

Era tão macio, tão frágil e delicado…Suave.

O sangue dele passou por entre os meus lábios rapidamente era impossível parar, tinha um trago maravilhoso! Uma mistura exótica agridoce. Doce e amargo. Também um salgado agradável e tentador um tanto apimentado, mas excelente. A textura assemelhava-se a leite. Era quente, mas ao entrar em mim tornava-se frio como uma pedra de gelo. Algo diferente mas…Irresistível!

Suguei-o até á ultima gota deixando só a carcaça no chão de terra batida.

O calor na minha garganta havia parado.

O que tinha eu feito? Continuava a não entender aquilo em que me tinha tornado, mas o que quer que fosse era algo monstruoso.

Olhei para o pobre homem estendido no solo sem uma gota de sangue no corpo, sim era triste; o homem de feições rosadas agora tinha faces pálidas e enrijecidas.

Mantinha os olhos, agora completamente cinzentos, abertos.

Num acto nobre de solidariedade, fechei-os com a palma da minha mão direita.

Irritei-me. Num brusco e veloz acto arranquei um tronco que se desencaminhava da restante árvore que se encontrava junto a mim. Acho que nem o homem mais forte do mundo teria aptidão para tal feito, era preciso muita força! O tronco era de madeira maciça, e muito grande e pesado. Mas eu erradiquei-o sem algum esforço, por acaso… foi bastante fácil!

Sabem que mais? Se era esta a minha nova natureza, eu ia aceitá-la como uma bênção, e não uma maldição. Se existissem mais como eu iriam ter de o aceitar também, portanto eu adaptar-me-ia.

É a lei da vida, a lei da sobrevivência, e todos têm que a respeitar.

Comecei a juntar as peças do puzzle.

Força, velocidade, olhos vermelhos, indiferença ao sono, pelo que entendia a minha pele estava gelada, rígida e pálida, e ainda o facto de beber sangue.

Algo na minha mente despertou e me induziu a algo.

Seria possível? Poderiam os vampiros ser reais? Será que derretia se me expusesse ao sol? Mas os vampiros não dormiam em caixões? Bem eu nem sequer dormia! Será que eu era intocável ou até mesmo imortal?

Até que a ideia me agradava…Eu sempre fui tão frágil e pequenina…

Uma pergunta que ainda me massacrava a cabeça… O que me aconteceria com a exposição ao sol?

Eu queria respostas.

Sempre fui muito curiosa, e sempre me disseram que a curiosidade matava.

Foi mais forte que eu, por segundos me considerei masoquista e insana mas pouca diferença me fez. Corri em direcção ao cume da montanha onde o sol brilhava no seu ponto mais alto.

Parei. Um passo e era atingida pelos raios solares. Eu não queria morrer outra vez, se é que lhe posso chamar morrer… não queria sentir a mesma dor que sentira anteriormente era demasiado dolorosa, e se com toda aquela dor eu não morresse, esse seria o meu maior desejo.

Acontecesse o que acontecesse eu teria que o enfrentar mais tarde ou mais cedo. Era algo inevitável, e mais vale tarde que nunca, portanto eu iria enfrentá-lo agora.

Fechei os olhos, e dei o temido passo em frente que era preciso e que poderia causar a minha morte.

Já sentia o sol a apoderar-se de mim, mas não sentia dor. Era bom, mas não sabia se esta era uma sensação duradoura ou se em segundos se tornaria numa sensação de morte.

Já estava imóvel no mesmo sítio há mais ou menos um minuto. Nada havia acontecido mas também ainda não tinha ganhado coragem para abrir os olhos e ela, era precisa. Tinha de ver se havia, em mim, diferenças físicas.

Lentamente abri os olhos, mas apenas olhava em frente.

Daqui de cima tinha-se uma vista esplendorosa. Via-se o oceano num azul brilhante e inspirador. As águas estavam calmas, as pequenas ondas cantavam delícias. Cada uma dava lugar á próxima. Era a eterna melodia que eu me sentia capaz de escutar. Avistava pequenos veleiros a milhares de quilómetros. O vento fazia as folhas dançarem, estas já não eram em tons de Outono, mas sim de um verde cintilante que a uns olhos humanos se muito focassem eram capazes de se magoar. Nos pequenos galhos das árvores avistavam-se módicos passarinhos que acompanhavam na perfeição a eterna melodia e a magnificente dança das verdes folhas. A maioria deles era constituída por variadas cores.

Azul, vermelho, laranja e amarelo eram das predominantes.

Era uma paisagem radiosa, que eu não queria estragar.

Mas era agora.

Levantei as minhas mãos em direcção ao céu, de maneira a enfrentarem o meu olhar.

Oh meus Deus… Mais uma surpresa…mas esta foi agradável…

Eu não estava a derreter! Eu estava a brilhar! Era tão bonito! A minha pele parecia estar com diamantes cravados em cada poro, mas ao mesmo tempo conseguia ser mais lisa que mármore.

Recuei um passo agora tinha a certeza que este efeito era solar. Até que era uma sensação satisfatória.

Já não me considerava o ser monstruoso que pensei ser há alguns minutos atrás. Foi tudo tão rápido. Apesar de tudo, esta minha nova natureza era traiçoeira. Será que todas estas ofertas iriam compensar o facto de me ter tornado numa assassina? Só o futuro iria poder responder a estas questões. Mas se eu agora era uma vampira quem era o meu criador? Bem agora pensado bem podia ser nenhum, afinal eu também não derreti…A história era muito mal contada! Mas de alguma maneira eu tinha de ter ficado assim. Aproximei-me do riacho que passava por entre as árvores e usei-o como um espelho.

Afinal a mordedura no pescoço era um clássico, lá estava a cicatriz onde se definiam duas marcas perfeitas de dentes.

Mas quem? E porquê? Porquê? Mais um objectivo na minha vida ou existência, mais uma nova procura que eu desejava que se tornasse numa descoberta…

Agora tinha mais meios para encontrar o meu irmão, mas será que eu seria capaz de me aproximar dele, ou de quem quer que fosse sem matar? Só havia uma solução…

Eu tinha de ir para outro país. Bem longe daqui, onde o clima se pudesse ajustar às minhas condições.

Pensei. Num ápice obtive uma resposta.

O Alasca seria o local perfeito. Do outro lado do continente e com o ambiente ideal para alguém como eu. Sim, eu iria "caçar" humanos era a minha natureza mas eu também não queria ser limitada a viver como um bicho, além disso eu iria saber o histórico da minha comida. Não queria matar ninguém que não merecesse o destino a que o iria submeter, ninguém que não fosse propriamente um santo. Achava-me suficientemente justa e tolerante para com a raça humana, a raça a que eu um dia pertenci. Por outro lado achei-me mediana para com os da minha espécie actual, muitos deles não seriam assim tão bonzinhos como eu, muito pelo contrário. Apostava comigo mesma que muitos deles achariam graça a "brincar com a comida" e eu definitivamente não achava piada a estes tipos de brincadeiras.

Era algo muito demente e absurdo, afinal estamos a falar de pessoas apesar de serem seres inferiores merecem ser respeitados como qualquer outro.

Embora parta para uma nova vida não conseguiria deixar para trás tudo aquilo que tinha construído durante estes dezoito anos. A minha família apesar de não estar sempre presente era importante, tinha de a ver por uma última vez.

Esta noite iria a minha casa, buscar algumas das minhas coisas mais importantes e ver os meus pais, mas claro ia caçar primeiro tinha de saciar a minha sede antes de ver quem quer que fosse.

Já eram duas da manhã, a esta hora o meu pai devia estar a chegar do trabalho e a aterrar na cama aonde já deveria estar a minha mãe a dormir há muitas horas.

Depois de ter matado o fogo da minha garganta, fui caminhando calmamente para casa, por aquelas ruas obscuras e silenciosas que agora já não me metiam medo algum. Eu sabia que iria sentir falta disto, praticamente isto um dia havia sido a minha vida, onde passei a minha infância, mas nem tudo dura para sempre, excepto eu.

Eu não queria acreditar no que o meu pai tinha feito… ele tinha espalhado cartazes pelas redondezas com a minha fotografia a dizer "Procura-se".

Por um lado senti-me feliz, mas por outro não.

Eles tinham dado pela minha falta…eles tinham se preocupado comigo! Acabei por ser invadida por uma sensação reconfortante mas amargurada.

Eu também estava a ser egoísta com eles, nunca me faltou nada em casa, claro que estava a falar de comida e bens materiais porque amor e carinho sempre faltaram, apesar de tudo eu era a única filha que eles tinham. Talvez não estivessem lá quando eu larguei as fraldas ou disse a primeira palavra. Talvez não estivessem lá quando participei na peça de teatro da escola ou quando apareci no quadro de honra. Talvez não estivessem lá quando caí e esmurrei o joelho ou quando me saiu o primeiro dente… mas eu amava-os com tudo o que sou como qualquer outra filha ama os pais.

Agora já não posso voltar atrás, já não posso recuperar aquilo que perdi, e eu irei começar uma vida nova, do zero, se o preço a pagar fosse nunca mais os ver, eu iria pagar.

Mais uns minutos e estava á porta de casa, eu podia ir a correr na minha velocidade vampírica ao ponto de ninguém me ver mesmo que tentasse, mas eu não queria… Queria ir com calma e poder ver tudo mais uma vez…

Um último olhar.

Se eu pudesse chorar neste momento as lágrimas já estariam a criar novos caminhas pela minha face, embora elas não existissem eu chorava. Não, não eram gotas de água que eu deixava para trás eram soluços mórficos, silenciosos e agoniantes.

Estava na entrada de minha casa, inspirei todo o ar que pude e em saltos ágeis e velozes alcancei a janela do meu antigo quarto.

Agora eu já nem respirava, estagnei.

A minha mãe estava adormecida em cima da minha cama com vários pacotes de lenços ao lado, estava com os olhos inchados vermelhos e cheios de olheiras, ela estava a tremer deveria ser do frio, abri o armário e tirei o meu coberto branco e felpudo, era o mais quente que tinha. Cobri a minha mãe com suavidade para não a acordar, que era a ultima coisa que eu queria neste momento. Por varias razões, não muito difíceis de descobrir.

Quando a cobri completamente e me afastei ela inspirou e suspirou algo como "Volta para mim."

- Não posso. – Falei baixinho como resposta, apesar de ter a certeza que ela estava a sonhar.

-Por favor…- Agora as palavras dela já pareciam um suplício…

-Desculpa…-A minha voz fraquejou mas era a única coisa que a minha garganta podia deitar para fora naquele momento.

Olhei para o rosto da minha mãe que agora derramava uma lágrima que se desmanchava quando lhe tocava nos lábios.

Já não aguentava mais a pressão estiquei-me rapidamente para alcançar a mala de viagem que se encontrava debaixo da minha cama.

Abri rapidamente o guarda-fatos e atirei para dentro da mala as minhas poupanças que iriam ser precisas no futuro, algumas roupas, uma fotografia que tinha minha com os meus pais, e coloquei o meu MP4 ao pescoço o meu companheiro nos momentos de solidão.

Fui á casa de banho e num ápice já estava de volta com os meus produtos de higiene que agora escorregavam das minhas mãos para a mala de viagem.

Já estava pronta para partir mas queria primeiro ver o meu pai.

Dirigi-me para o quarto principal e não estava lá ninguém. Onde estaria o meu pai? Provavelmente na esquadra ainda a trabalhar. Nunca mais o iria ver. Tinha de aprender a viver com isso, embora não o considerasse um desafio fácil.

Voltei para o meu quarto peguei na minha mala, dei um beijo na testa da minha mãe, que agora já estava muito mais calma, e saltei da janela.

Fitei a minha casa por momentos e desta vez saí dali a correr.

Já estava bem longe de casa, parei de correr e liguei o meu MP4 começou a reproduzir tranquilamente "Wake me up when September ends" dos Green Day era agradável deixei a música continuar.

Guardei o aparelho na mala para não se partir e continuei com os auriculares nos meus ouvidos a tocar.

Comecei a correr na minha velocidade vampírica rumo ao Alasca.

Cheguei á fronteira ao fim de mais ou menos uma hora, mas não abrandei.

Cheguei a uma floresta coberta por neve, ficaria por aqui até chegar á hora dos hotéis abrirem para me poder instalar em algum para os próximos tempos.

Sentei-me numa rocha completamente branca, pousei a mala ao meu lado e fechei os olhos.

Ouvi passos atrás de mim, até que também ouço uma voz grave e rouca.

-Bella?

_________________________________________________________________________________________________________________________________________

N/A:

'Mimy Cullen' : Bem Obrigada:^) É um grande incentivo que nos dão com as reviews =). Acho que já respondi á questão de como a Bella descobriu qe era vampira e também o que ela ia fazer, quanto a quem a transformou vais saber em breve :). Novo capitulo espero que gostes :D

P.S: Não me matem pelas atitudes da Bella! xD