Capítulo 3.
Os anfitriões sentaram-se pacientemente enquanto Arai permaneceu silencioso por alguns momentos, como se tomando coragem e reunindo forças para contar a eles exatamente o que Hokari Imutzu tinha feito a Haruhi e por que ela estava reagindo daquela forma à presença dele. Ela tinha chegado a um nível histérico só de ver o rapaz, o que era surpreendente no caso da garota.
"Bem, eu acho que começaria dizendo como Haruhi o conheceu." Ele disse, as palavras saíram com desgosto. Os olhos de Arai tinham se tornado cheios de ódio só de pensar no novo estudante de Ouran. "Hokari Imutzu juntou-se à nossa escola no meio do nosso primeiro ano*. Ele estava no ano seguinte. Todos comentavam que era estranho ele não ter começado no início do ano como os outros, parece que ele tinha causado "problemas" em sua antiga escola particular e o pai, para castigá-lo, o havia matriculado no ensino público, pelo menos foi o que o professor nos explicou." Arai terminou num tom de quem pede desculpas.
"Isso não nos esclarece como ele conheceu Haruhi pessoalmente." Kaoru retrucou.
"Estou chegando ao ponto, fiquei quieto." Kaoru calou-se. "Num primeiro momento todos procuraram ficar longe dele, nenhum de nós sabia que tipo de problemas ele tinha causado. O que era realmente estranho é que cada dia ele escolhia uma garota e passava a segui-la, ele não chegava a se aproximar, apenas ficava olhando das sombras. Um dia ele começou a seguir Haruhi, ela tinha ouvido falar desse estranho hábito dele, então o ignorou. Só que depois que começou a segui-la, não mais mudou de garota, como antes. Sinto que ela ficou um tanto assustada, mas nunca costumou incomodar os outros com seus problemas."
"Haruhi está assustada agora porque teme que ele passe a segui-la novamente?" Tamaki inclinou a cabeça para um lado, não entendendo como isso poderia ser assustador, ele mesmo já o tinha feito.
"Não é esse hábito que a assusta tanto. Haruhi permanecia na escola por muito tempo depois das aulas para estudar. Parece que graças aos amigos do pai, a casa dela não era muito tranquila. Ela estava fazendo as tarefas de casa na sala de aula e Hokari sentou na mesma sala, ele tinha feito isso uma semana inteira, então Haruhi apenas se levantou para sair, como de costume, mas naquele dia ele foi até ela e..." Arai parou, estava achando difícil dizer o que vinha a seguir. As mãos apoiadas no sofá apertavam o tecido púrpura do que ele era feito.
"Ari-chan?" Huni chamou preocupado, também tentando incentivar e tranquiliza-lo.
"Eu não tenho certeza exatamente do que aconteceu, porque eu não estava lá no momento, mas acho que ele tentou flertar com ela e foi rejeitado. Ele disse que se Haruhi não ia ser a namorada dele, então pelo menos ele iria aproveitar o momento. Ele... Haruhi lutou, mas acho que ele era forte demais para ela... eu não pude chegar a tempo... ele se aproveitou dela, ele abusou dela..."
"Você está dizendo que ele..." Hikaru olhou assombrado para Arai, olhos arregalados, ele não podia acreditar no que estava ouvindo.
Arai confirmou e pôs a cabeça entre as mãos. "Eu não cheguei a tempo de evitar isso." Ele disse pesaroso olhando para as mãos, ele se culpava pela garota ter se machucado.
"Como você soube de tudo isso?" Kyoya sussurrou, ele mesmo abalado pela história.
"Porque..." Arai levantou a cabeça com um olhar assombrado. "Porque fui eu que a encontrei. Eu estava entregando vegetais para a cozinha da escola para o meu tio, e eu o vi deixando a sala de aula. Eu esperei ele sair, Haruhi estava no chão, ela não me deixou tocá-la e ela não me deixou chamar a polícia. Eu a cobri com o meu casaco e esperei ela se acalmar." A voz de Arai começou a falhar.
"A polícia não sabe?" Mori finalmente se pronunciou.
"Não, apenas eu, Haruhi e ele, nem mesmo o pai dela soube." Arai colocou a cabeça entre as mãos novamente.
"Haruhi." Tamaki sussurrou o nome dela. Pensando em como a garota parecia viver tão normalmente enquanto vivia atormentada por tanto tempo sem falar para ninguém. Nada poderia ser feito para pegar o garoto que tinha ferido ela tão terrivelmente.
"Pobre Haru-chan." Huni tinha começado a chorar e escondido o rosto no blazer de Mori.
Eles sentaram em silêncio até que um grito rasgou a quietude, Arai levantou-se e correu.
"Haruhi!" Ele seguiu a trajetória através da porta, em direção ao grito, os outros o seguiram. Assim que saiu no corredor, uma pequena figura colidiu com ele. A camisa encharcada de lágrimas.
"Haruhi, o que foi?" Os gêmeos inclinaram-se ao lado dela e tocaram seus ombros gentilmente.
"Volte garota, eu só estava brincando!" Hokari veio correndo pelo corredor. Mori e Huni posicionaram-se na frente de Arai e de uma irreconhecível Haruhi.
"Ele estava esperando... quando eu saí do banheiro..." Ela tremia. Arai a consolava como a uma criança e a afastou de Hokari que estava agora parado à frente de Mori e Huni, encarando.
"Não chegue perto da Haru-chan." Huni falou mostrando seu lado obscuro.
"Por quê? O que ela é para vocês?" o garoto de cabelos escuros retrucou. "Ela não é namorada de nenhum de vocês, então me deixem ter o que eu quero!" Ele parou de falar. Mori agarrou seu ombro, empurrando-o para trás. Hokari estremeceu à força dele.
"Haruhi Fujioka não é o seu brinquedo, nenhuma garota é, se você chegar perto dela de novo, vai se arrepender severamente." Mori falou lentamente para o rapaz que tinha causado tantos problemas à amiga.
"Ah, fala sério! Você se divertiu, não foi, Fujioka?" Hokari gritou através de Mori para que a garota nos braços de Arai. Haruhi sentiu-se tremer ainda mais. "Idiota." Hokari disse com desprezo, virou as costas e com as mãos nos bolsos começou a sair. Ele sentiu um tapa no ombro e virou, a cara amarrada olhando ao redor.
"O que você..." ele foi silenciado quando Mori o socou a mandíbula, jogando-o contra a parede.
"Deixe. Haruhi. EM PAZ!" Mori parou de falar, ameaçando outro soco, Huni planejava o mesmo.
"Filhos da mãe!" Ele xingou bravo, cuspindo um dente. "Vou processá-los por isso! Têm sorte de não terem quebrado meu maxilar! "
"Oh, eu não acho que você queira fazer isso, quando a polícia investigar o motivo de Mori ter te socado, você estará atrás das grades." Kyoya entrou na discussão e esboçou um sorriso quando viu a face de Imutzu e o que tinha acontecido com ela.
"Certo!" Ele jogou as mãos no ar em derrota, em seguida, correu para o corredor na direção dos portões da escola. "Esse maldito vai pagar por isso." Ele murmurou.
"Ele se foi?" Tamaki sussurrou.
"Obviamente." Hikaru respondeu com uma tentativa débil de rir, mas saiu como um choro estrangulado. Kaoru apertou a mão do seu irmão.
Se aquilo tinha assustado a todos daquela forma, como Haruhi estava se sentindo? Ele pensou e lançou um olhar sobre a indefesa menina apoiada em Arai.
"Takashi, você está bem?" Huni tocou o braço do primo e o balançou.
"Sim..." Era uma mentira, ele estava furioso. Voltou-se rapidamente para ver como Haruhi estava, ela tinha os olhos fechados e a respiração era lenta. "Dormindo?" Mori perguntou surpreso.
"Não, eu acho que ela desmaiou." Arai respondeu.
"Estou indo me certificar que essa história não vai vazar pela escola." Kyoya disse diante das pessoas à frente dele. Eles iam lhe dizer exatamente a mesma coisa.
Esse cara, o que ele fez com a Haruhi? Ele realmente... Ele realmente estuprou ela? Ela nunca falou nada...
"Eu vou com você, estou certo que Haruhi não vai querer que mais ninguém fique sabendo dessa história." Arai falou repentinamente, passando a menina aos braços de Mori. "Você pode cuidar dela e levá-la para casa? Eu não sei mais onde ela mora já que se mudou depois que paramos de estudar juntos." Ele dirigiu a palavra ao homem silencioso que agora tinha Haruhi nos braços como uma noiva. A única diferença é que a noiva estava mole e pálida.
Mori confirmou em entendimento e Huni o seguiu.
"Minha filha." Tamaki gemeu quietamente e começou a segui-los.
"Mori-senpai está cuidando dela, eu aconselho vocês três a voltarem para casa e não comentarem o ocorrido." Kyoya olhou para Hikaru, Kaoru e para seu melhor amigo. Arai concordou e agradeceu enquanto seguia o Rei das Trevas até a sala de música, onde estaria o laptop em que ele poderia hackear o sistema de informações dos clubes que podiam passar alguma informação.
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* N/T: Equivalente ao sexto ano no Ensino Fundamental brasileiro.
Nossa... terminei esse rápido, posso estar ficando boa nisso. Capítulo tenso, fic tensa... gosto dessas coisas! Obrigados pelos Reviews. Até a semana que vem! ^_^
