Capítulo 04.
"Mas o que aconteceu com minha querida filha, eu mato aquele inseto se tiver feito alguma coisa com ela." Quando Huni tocou a campainha do apartamento de Haruhi, Ranka se espantou com a visão de sua pálida filha nos braços de Mori. Mesmo que Haruhi tivesse permanecido meia hora desacordada, os gemidos histéricos do pai foram capazes de acordá-la. Ela acordou e apertou os olhos tentando se lembrar de onde estava e o que tinha acontecido. Por um momento ela se sentiu congelar, mas percebeu que estava do lado de fora da sua casa... sendo carregada?
"Ela esqueceu de comer de tanto estudar e acabou desmaiando de exaustão e desidratação." Haruhi virou-se para ver a expressão de Mori. Ela estava surpresa ao vê-lo falando mais do que suas costumeiras monossílabas, mas quando ele olhou de volta para ela, foi a vez dele de estar surpreso por vê-la acordada, olhando para ele com olhos que pareciam ainda maiores em seu rosto pálido e magro, e ela sorria, como em apreciação à sua mentira.
"Obrigado por me trazer pra casa, rapazes. Desculpem qualquer incômodo." Ela desceu dos braços de Mori embora tenha demorado um pouco para se soltar do punho da camisa dele, como se certificando que estava segura. Quando os pés dela tocaram o chão ela cambaleou um pouco, mas Huni a apoiou. Ranka pegou na mão dela e guiou-a para dentro de casa. Antes de fechar a porta ele sorriu para os dois amigos em gratidão.
"Obrigada meninos."
Huni sorriu e acenou, mas uma vez que a porta tinha sido fechada sua face se transformou num misto de contrariedade e tristeza. "Takashi, o que nós podemos fazer para ajudar a Haru-chan?"
Mori abaixou e balançou a cabeça. Se Haruhi não queria que eles fossem à polícia, o que ele achava absurdo, então a única coisa que podiam fazer era protegê-la daquele garoto, mesmo considerando as dificuldades de não estudar na mesma classe da menina, pelo menos Imutzu Hokari também não era da mesma classe.
"Eu ainda não posso acreditar que a Haru-chan não nos disse nada." Huni estava mais falando consigo mesmo do que com seu companheiro enquanto entravam na limusine e retornavam para casa. Mas se Huni não podia acreditar, Mori podia. Haruhi parecia o tipo de pessoa que não incomodaria os outros com seus problemas ou contando coisas do passado. Só que infelizmente o passado a seguira até Ouran.
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Haruhi se arrastou para fora da cama na próxima segunda-feira, mas não por não ter conseguido acordar. Ela na verdade nem tinha conseguido dormir. E agora ela estava indo para escola por julgar que estaria mais segura lá, rodeada de amigos, do que em casa, sozinha.
"Não vai querer tomar café da manhã, docinho?" Ranka assistiu sua filha abrir a porta da frente e pegar o material da escola. Haruhi sequer virou, apenas negou com a cabeça e fechou a porta atrás de si. Ela não queria que o pai visse as olheiras escuras sob seus olhos.
Haruhi sabia o caminho para a escola como a palma da mão, então ela deixou seu corpo e mente relaxarem um pouco e rumou através das poças de água nas calçadas até o prédio rosa que a abrigava. Pequenas gotas a fizeram voltar-se para cima e notar as gordas e pesadas nuvens de chuva sobre a cidade. Ela suspirou em derrota.
Que sorte eu tenho, a minha vida poderia ser pior. Eu estarei ensopada antes de chegar à escola.
Ela não podia levar seu corpo a correr o restante do caminho, então ela andou lentamente, ombros caídos demonstrando a entrega. Uma limusine passou por ela e parou alguns metros a frente. Haruhi saltou assustada quando uma cabeça usando um livro texto para não se molhar apareceu para fora da janela bem em frente a ela.
"Hey, Haruhi, você está louca, andando para a escola nesse tempo? Entre!" Antes dela ter a chance de recusar Hikaru a puxou para dentro do carro. Haruhi esqueceu tudo e afundou nos assentos macios. Os músculos tensos pelos pesadelos foram relaxando, ela deixou as pálpebras caírem até ver a face de Hokari, sorridente, à sua frente. Ela abriu rápido os olhos e sentou ereta no banco do carro, os músculos novamente rígidos.
"Você está bem?" Kaoru tocou seu ombro gentilmente e encarou os olhos sonolentos, privados de sono. Ela ficou ainda mais tensa, recordando de coisas que passaram pela sua mente na noite anterior. Kaoru percebeu e retirou o braço.
"Eu estou bem." Hikaru voltou para ela um olhar que queria dizer: 'Ha, isso é mentira!' Haruhi respondeu. "Ok, eu não pude dormir noite passada, estava pensando sobre umas coisas..." A lembrança fez ela respirar mais rápido, e olhar ao redor parecendo assustada.
"Oh." Hikaru se mexeu no assento desconfortavelmente. Não sabendo realmente o que dizer a seguir.
"Você não precisa ficar preocupada agora, apenas relaxe. Ele não pode tocar em você aqui, pode?" Kaoru completou pelo irmão. Haruhi considerou o que ele disse e concordou, deixando-se apoiar novamente na pelúcia branca de que era feito o banco e suspirou.
"Obrigada." Ela murmurou, a respiração mais lenta. Rapidamente ela caiu no sono. Os gêmeos notaram isso quando ela encostou no ombro de Kaoru. Ele relaxou e abraçou-a sobre os ombros quando notou um sorriso no rosto dela, olhou então pela janela, perdendo o olhar ciumento de Hikaru.
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Eu estou andando por um corredor. Espera, esta não é Ouran. É a minha antiga escola! Estou usando o uniforme do primeiro ano. Considerando o tempo fora, parece que é outono. Não significa que "ele" deveria estar aqui? Eu me viro, mas não há garoto algum me seguindo. Eu suspiro de alívio e continuo andando pelo prédio.
"Tchau Haruhi-chan!" Uma menina chama por mim e acena. Reconheço-lhe como uma amiga antes "daquilo" acontecer, Kimialgumaoutracoisa. Eu aceno para ela e continuo andando, eu entro em uma sala vazia, a mesma velha sala familiar e sento-me para fazer algum trabalho, biologia. Eu sinto pânico, é o mesmo que eu estava fazendo "aquela" noite, e eu olho ao redor, mas ainda não há Hokari em uma cadeira olhando preguiçosamente para mim.
Eu começo a preencher os espaços na folha à minha frente. Começa a ficar escuro lá fora e a chuva cai severamente, mas não há sequer um barulho de trovão. Meu corpo não reage como se costume. Eu penso que talvez isso signifique que não vá acontecer nada, talvez eu tenha ganhado uma nova chance! Sorrio ao pensamento.
Eu terminei biologia e agora estou resolvendo economia. Eu preparo meus dedos para responder a próxima questão. Estou ficando com fome, e meu pai deve querer a comida dele também.
Um flash de luz faz minha mente se calar, surpresa. Eu grito e as mão de Hokari estão vindo em minha direção. Tudo que eu posso sentir e ver é a dor e o medo e o sorriso dele me consumindo.
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N/T: Estou tensa, toda vez que leio, toda vez que releio e traduzo esses capítulos... Próximo capítulo, um dia tranquilo?? *Tenso*
OMG, obrigada pelos reviews!
