Capítulo 5.

Um flash de luz iluminou a vasta sala de música, Haruhi soltou um grito agudo e pulou da posição que se encontrava no colo de Kaoru.

"Putz, Haruhi! Não me assuste desse jeito." Kaoru permaneceu onde estava, piscando perplexo ao movimento de Haruhi. A pequena morena, em vez de pedir desculpas, encolheu-se no canto da sala com suas mãos sobre a cabeça para se proteger. Ela estava tremendo violentamente.

"Eu não sabia que você tinha tanto pavor de tempestades." Kaoru ficou de pé, tentando decidir o que fazer.

"Faça parar, faça parar, faça..." Ela choramingou. "Isso dói, isso dói..."

"Hey, Haruhi, está tudo bem..." Hikaru parou de falar, Haruhi começou a gritar, os olhos apertados e ela balançava os punhos selvagemente. Kaoru teve que se desviar. Ela estava respirando irregularmente e em seguida, abriu os olhos desnorteada.

"... Por que estou no Clube de Anfitriões?" Ela estranhou e olhou ao redor. "O que você está fazendo aqui?"

Ela não se lembrava o que tinha acabado de acontecer? Ela ainda deveria estar dormindo. Pele menos a professora tinha mandado Hikaru ficar na aula, ele teria ficado um tanto assustado.

"Você estava dormindo, então a professora deixou você sair da sala, ela disse para eu cuidar..." Kaoru foi interrompido. O barulho profundo balançou as paredes quando a luz preencheu a sala, cegando-os. A tempestade estava sobre eles. Haruhi voltou à posição no piso, mãos segurando os ouvidos.

"Ele está aqui..." Ela chorou.

"Quem?" Kaoru balançou a cabeça em confusão.

"Ele..." Haruhi insistiu. "Sempre." Um trovão a interrompeu. "...sempre que há uma tempestade, ele está aqui, como naquela noite."

"Esse é o motivo de você temer tanto os trovões? Por causa do tal Imutzu?" Haruhi vacilou e concordou, mencionar o nome dele tinha sido um grande erro. Kaoru se ajoelhou e colocou um braço em volta dos ombros trêmulos. Ele sentou com ela, esperando o inevitável momento em que Tamaki entraria bruscamente pelas portas procurando por sua filha.

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Haruhi voltou a dormir novamente, uma vez que a tempestade começou a diminuir, deixando apenas as marcas da água na janela, como lembrança de sua presença. Hikaru juntou-se aos dois assim que a aula terminou.

"Eu posso ficar com Haruhi agora? Você já perdeu geometria." O rapaz torceu o nariz ao dizer o nome da matéria mais detestada por ele.

"Você não acha que há acontecimentos mais sérios que perder uma aula?" Kyoya se materializou atrás de Hikaru, fazendo o saltar de susto.

"Exatamente! Tal qual como minha pobre filhinha aceitou ficar sozinha com um desses clones por uma hora inteira. O que esse mundo está se tornando?" Tamaki disse pronto a tirar Haruhi do lado de Kaoru. Uma mão firme em seu ombro o impediu, ele ainda se balançou freneticamente na direção de Haruhi.

"Deixe-a dormir." A voz grave de Mori ressoou.

"Isso não era exatamente do que eu estava falando, Tamaki. Eu queria dizer que nós precisamos convencer Haruhi a procurar a polícia, ou fazer isso nós mesmos." Kyoya suspirou à estupidez de Tamaki.

"Mas não há nenhuma evidência, não é?" Huni fechou a cara, triste. "Como poderíamos convencer a polícia sem nenhuma prova?"

"Nós não temos todos que voltar para a aula? Eu não quero perder mais nenhuma e já estamos atrasados." Os anfitriões voltaram-se para olhar Haruhi levantando e desamassando o uniforme. "E Huni-senpai está certo, não existem provas, então não vamos à polícia." Como uma declaração final ela saiu da sala, indo até a próxima aula.

"Ela não percebeu que deixou a maleta dela aqui, né?" Hikaru sussurrou para o irmão.

"Eu acho que não." O outro Hitachiin respondeu enquanto pegava o material de Haruhi e seguia ela até a sala deles. Hikaru seguiu gritando enquanto corriam para a sala de aula.

"Vamos achar alguma prova, não vamos?" Tamaki dirigiu-se ao melhor amigo.

Kyoya sorriu e ajeitou os óculos. "É claro, estou certo que eu poderei achar algo."

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Kyoya tinha decidido que o problema de Haruhi (e a falta de provas para ir à polícia) era mais importante do que o clube de anfitriões, então ele colocou um aviso dizendo que o clube estava fechado naquele dia, desapontando as garotas ricas que eram suas clientes e frequentavam diariamente.

Arai também tinha vindo checar Haruhi do apartamento onde estava hospedado com alguns parentes. Ele tinha dito à família que havia uma amiga muito doente e que precisava que ele estivesse com ela. Uma mentira que todos tinham engolido.

"Você tá legal?" Ele ainda estava preocupado e a olhava de cima a baixo, capturando seus olhos cansados, ela inteira parecia cansada. Tinha tido mais duas horas de sono depois da aula, mas ainda assim parecia exausta.

"Eu estou bem. Não o vejo desde ontem." Haruhi disse contrariada e continuou fazendo uma tarefa de casa, tentando ignorar o tema da conversa.

"De qualquer forma, você estava um tanto assustada durante a tempestade. Acredito que mais que o normal." Kaoru contrariou-a, sabendo que ela não estava bem. Quem estaria se um monstro que assombrou seu passado voltasse a perseguir? Todo os anfitriões a tinham visto quando eles foram "resgatá-la" depois do desastroso encontro com Hikaru em Karuizawa, então todos sabiam como ela ficavam durante uma tempestade.

Haruhi lançou um olhar gelado para ele e continuou escrevendo.

"Você ainda tem medo de tempestades? Eu achava que isso era por causa da tempestade que ocorreu aquela noite." Desta vez Haruhi ignorou completamente o que Arai estava dizendo. Ela não gostava de ser o centro da conversa, especialmente uma tão difícil como aquela.

"Parem de falar sobre isso, por favor. Lembram-se de como fugiu da última vez? Após essa última briga, estou certa de que ele não vai me incomodar novamente."

"Havia uma tempestade naquela noite?" Tamaki sempre havia pensado que Haruhi tinha medo de trovões por estar sempre sozinha, mas ele ficou chocado em descobrir o significado do medo mais obscuro da garota.

"Sim, eu lembro que eu estava correndo com as caixas de legumes que eu tinha que entregar, estava chovendo forte." Arai confirmou olhando para o nada enquanto lembrava do passado.

"Nós não deveríamos tentar fazer Imutzu ir para a prisão de qualquer forma?" Kaoru notou a expressão incomodada de Haruhi, mas ainda assim não mudou de assunto.

"A única prova que temos é que ele tem um registro por incomodar outras garotas, o que o rendeu a expulsão da primeira escola." Kyoya olhou no laptop, de onde ele tinha acabado de tirar a informação.

"Isso não é suficiente para mandá-lo para prisão ou qualquer coisa assim. Podem esquecer." Haruhi acrescentou, levantando-se e arrumando as suas coisas.

"Ele não tem incomodado ninguém aqui em Ouran, quer dizer, além de Haruhi?" Hikaru estava tentando lembrar se tinha ouvido alguma queixa de uma cliente.

"Eu na verdade nem o vi hoje, talvez ele tenha ido embora e minha filha estaria a salvo para sempre." Tamaki se apressou a abraçar Haruhi, mas ela o impediu e ele foi para o canto da parece, emburrado.

"Sim! Talvez Takashi o tenha espantado." Huni se agitou do lugar onde estava nos ombros do primo, o rosto de Mori impassível, mas interiormente ele estava em dúvida.

Os membros do clube de anfitriões (acrescidos de Arai) continuaram debatendo sobre vários assuntos sobre Hokari Imutzu, então Haruhi saiu o mais silenciosamente que pode. Mori notou e a seguiu quietamente para ter certeza que ela chegaria em casa a salvo. Ele sentiu um pouco de culpa por deixar Huni para trás, mas ele sabia que o tipo lolito iria entender.

Mori estava certo de estar em dúvida. Em um enorme quarto, Hokari estava sentado com as cortinas fechadas em um confusão de lençóis em sua cama. As camareiras conversavam nervosamente do lado de fora. Hokari ficou o dia todo lá, planejando seu próximo passo.

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Cada vez que eu traduzo um capítulo fico mais preocupada com o que vai acontecer...

Próximo capítulo: mais momentos fofos e menos tensão, pra relaxar um pouquinho... essa fica ainda me mata do coração!!!

Reviews please!!!