Capítulo 06.

"Mori-senpai, eu sei que você está aí." Haruhi parou de andar e olhou para trás.

Como ela sabia que eu estava aqui? Mori sempre teve a destreza de se tornar invisível, então porque agora, quando ele estava tentando ser invisível, ela o tinha sentido?

"Eu pude sentir seu olhos me seguindo." Haruhi respondeu a questão silenciosa dele, o olhar do rapaz era mais marcante do que ele pensava. "Por que está me seguindo?"

"Para ter certeza que estava segura."

"Ok, mas da próxima vez, me avise. Eu quase confundi você com um tarado ou coisa assim." Haruhi não pensou antes de falar a frase.

Mori concordou de qualquer forma.

Eles caminharam em silêncio, Haruhi gostava de silêncio, era pacífico. Mori, apesar de ser uma pessoa silenciosa estava se sentindo desconfortável, ele geralmente tinha Huni para preencher os hiatos. O silêncio caiu pesadamente sufocante, sufocante o suficiente para que ele começasse uma conversa.

"O que você realmente acha sobre tudo isso?" Haruhi parou de andar, surpresa com o início da conversa.

"Falando sério, é um bocado chato... Eu estava tentando esquecer tudo isso, e com essa reviravolta, ninguém tem me dado um segundo de paz." Ela suspirou.

"Você não acha que alguma coisa pode ser feita contra ele?"

"Bem, eu não vejo o que poderia fazer agora. Eu concordo que eu deveria ter feito algo naquela vez, mas não há como voltar."

"E por que você não agiu quando tudo aconteceu?" Essa era uma coisa que Mori quis perguntar antes. O que tinha feito Haruhi se recusar a ir à polícia?

"Eu estava em pânico, eu acho. Com o tempo eu coloquei os pensamentos em ordem, um mês depois... mas não havia mais nenhuma..." Haruhi parou e pensou na palavra. "... nenhuma evidência. Agora, estou surpresa que Kyoya-senpai não tenha achado nada ainda, mas sei que o pai de Hokari é um cabeça da força policial local, não há chance de deixar o filho dele seguir para a prisão. Ele simplesmente o faz mudar de escola e permite que tome vantagem de outra garota.

"Kyoya..."

"Kyoya-senpai não pode fazer nada! Eu sei um jeito de pegá-lo, mas realmente não quero fazer isso..." Haruhi vagueou em pensamentos e Mori esperou pacientemente que ela continuasse, quando ela não disse nada, ele decidiu não insistir no tópico.

Mori foi retirado de suas reflexões sobre aquele assunto ao ouvir a garota fungar, ao olhá-la pode ver ela enxugando os olhos, furiosamente tentando limpar as lágrimas que tinham escapado.

"Haruhi..." Ele tocou seu ombro em apoio, mas ela fugiu do contato.

"Eu estou bem. Eu não deveria ficar chorando toda hora. É estupidez e não resolve nada."

"Eu não tenho certeza." Mori puxou-a para perto de si e ela deixou as emoções de medo e dor que tinha carregado por quatro anos fluírem para fora dela. Mori fez o que ele fazia de melhor e esperou silencioso, dando a Haruhi seu apoio sem voz.

"Eu não pude dizer a ninguém." Ela conseguiu sufocar. "Eu vi o meu pai durante anos sofrendo por causa da morte da minha mãe, tive que fingir nada tinha acontecido. Se ele soubesse, iria magoá-lo mais do que a mim." Haruhi estava agarrada ao blazer de Mori. "Por que ele não me deixa esquecer? Ainda não teve o suficiente? Tudo estava bem, então ele voltou..."

"Nada está bem, ele machucou você e eu não vou ignorar isso." Ele levantou o rosto dela e enxugou uma lágrima, mas ela virou o rosto rapidamente.

"Não, eu não quero ser um incômodo." Ela tentou empurrar Mori, mas ele agiu como uma sólida barreira, forte e confiável. Mori ergueu Haruhi nos braços, ignorando as reclamações fúteis dela. Ele a sentou confortavelmente em um dos braços.

"Não seria incômodo para ninguém ver Imutzu atrás das grades." Aquele foi o fim da conversa. Haruhi tentou discutir inutilmente, mas todos os seus comentários encontraram o silêncio, então ela desistiu. Mori caminhou pelas ruas, iluminado parcialmente pela meia lua e as primeiras estrelas espreitavam através da fina camada de nuvens, que persistiam sobre a cidade, o clima tinha limpado significativamente ao longo do dia. Ele escutou a respiração estável de Haruhi e ele podia jurar que podia ouvir o seu batimento cardíaco. Ele o fez sentir estranhamente calmo ao ouvir sua respiração e o coração tranquilo em um padrão rítmico.

Durante o tempo que eles rumaram para o apartamento dela, Haruhi caiu no sono nos braços de Mori. O corpo dele sentia-se suavemente quente, e ele sabia que era a temperatura dela e não tinha que se preocupar. Ele pressionou a campainha e esperou em silêncio, imaginando que um Ranka histérico atenderia perguntando porque sua filha tinha chegado em casa tarde.

Nenhuma resposta veio. Parecia que Ranka estava trabalhando.

Bem... e agora?

Mori olhou ao redor, como se esperando que a resposta viesse de algum lugar. Ele avistou a bolsa de Haruhi, pendendo do ombro em que a menina não estava apoiada. Se sentiu culpado por olhar a bolsa de uma moça, mas logo concluiu que era para achar a chave que abriria a plana e branca porta à sua frente.

A tranca abriu facilmente e a porta deslizou para dentro suavemente, mostrando parte da cozinha e da sala de Haruhi. O lugar parecia exatamente o mesmo que ele tinha visto na sua primeira vez ali, mas sentiu incômodo de estar sozinho com a garota. Ele atravessou a porta e ficou parado ali mesmo na entrada.

Devo colocá-la na cama ou no sofá? Eu não deveria invadir a privacidade dela, então, provavelmente seria melhor o sofá? Mas ela vai ficar confortável lá? Melhor a cama.

Ele deu alguns longos passos até o quarto dela, a porta já estava aberta. Ele deitou-a para descansar na cama. Ela rolou de lado, o rosto na direção dele e resmungou algumas palavras, mas continuou dormindo. Escutando a respiração dela ele viu quão pequena e frágil ela parecia. Mesmo tendo um rosto com moldura de menino, nunca poderia dizer que aquela face pertencia a um. Assim tinha sido quando ele percebera o real gênero dela, o dia que a tinha tirado do sufocante abraço de Tamaki. Aquilo poderia ser também pelo fato de naquele dia, não importando o quão pequenos fossem, ele tinha tocado nos seios dela. Mori lembrou-se das imperceptíveis marcas cor de rosa marcando-lhe os rostos.

Não querendo invadir a casa de Haruhi ainda mais ele virou-se para sair, e parou de novo quando a menina choramingou e sussurrou algumas palavras antes de ficar em silêncio novamente. Mori checou a temperatura dela novamente e continuava normal mas quando ele virou-se, viu espalhados sobre a mesa de cabeceira, caixas de analgésicos e remédios para dormir. Devia ser a primeira noite de sono tranquila dela em dias. O dia seguinte era sábado e ele não tinha que estar na classe de kendo antes do meio-dia. Ele não gostava da idéia de deixar Haruhi acordar sozinha, então resolveu ficar.

Ele recorreu a uma das almofadas na pequena sala de estar e sentou para o que parecia horas ouvindo o ocasionais gemidos ou choramingos de medo ou pavor provenientes do quarto da garota. Eventualmente ele dormiu sentado, como se estivesse meditando.

A próxima vez que acordou foi às três horas da manha com um baque. Ele olhou para o quarto de Haruhi e viu o "tipo natural" encolhido em forma de bola no chão, provavelmente não tinha percebido que caíra da cama, e pela marca vermelha na testa, também a tinha batido no piso.

Ele se curvou para examinar a cabeça e verificou que não era nada grave. Colocou-a de volta na cama e tentou sair mas o braço que tinha usado par apoiá-la tinha ficado preso, Haruhi continuava se apoiando em Mori, mesmo dormindo.

Mori sentou-se no piso perto da cama. Se ele tentasse puxar o braço ela poderia acordar, arruinando a sua noite de sono. Ele se posicionou o mais confortável que pode e esperou pela vinda da manhã.

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N/T: É, parece que a votação na fic original deu Mori para par de Haruhi... Eu confesso, acho que eles combinam perfeitamente!

No próximo capítulo: Um fim de semana silencioso... Imutzu volta a agir. Não percam!!! Reviews please!!!