Capítulo 07.
Haruhi bocejou e esfregou os olhos, procurando ao redor os comprimidos para dor de cabeça. Mas o que ela achou não era nada comum de se encontrar no seu quarto às oito da manhã.
"Mori-senpai, o que diabos você está fazendo no meu quarto?!" Ela sentou-se mas não pôde sair da cama porque seu braço ainda estava em volta do pulso de Mori. O rapaz piscou sonolentamente uma vez ou duas e olhou para Haruhi calmamente. Pânico no seu interior.
"Você adormeceu..." Ele fez o gesto com o braço, explicando a situação.
"Oh." Haruhi acalmou-se um pouco e soltou seu braço do de Mori. "Desculpe por causar tantos problemas. Você quer café da manhã? É o mínimo que posso fazer."
Antes de Mori ter a chance de responder, ela foi até a cozinha e começou a cozinhar, estava fazendo um café da manhã ocidental. Primeiro porque era mais rápido e fácil, depois porque não tivera tempo de ir ao supermercado. Enquanto ela estava preparando os ovos ela olhou para si, percebendo que ainda estava com o uniforme desde o dia anterior, então ela retornou ao quarto onde Mori ainda estava sentado no mesmo lugar, obedientemente como se esperasse por um comando, honestamente, ele parecia perdido sem o seu pequeno companheiro. Haruhi trocou o peso corporal, tentando decidir o que dizer.
"Então..." Ela tocou seu uniforme amassado. "Você gostaria de usar o banheiro primeiro? Eu sinto muito, eu não sei o que fazer com as roupas."
Mori acenou com a cabeça em sinal de gratidão. "Eu tenho meu uniforme de kendô." Haruhi passou para ele uma toalha e mostrou como o chuveiro funcionava e o deixou para se trocar. Ela tomaria banho mais tarde, quando Mori já tivesse ido. Ela pôs outras roupas, sem olhar exatamente quais, eram confortáveis calças jeans escuros e uma bata cor-de-rosa com um cinto simples e preto. Era provavelmente uma coisa que seu pai havia colocado no seu guarda-roupas após uma infame maratona de compras.
Depois de um tempo Mori terminou seu banho e saiu do banheiro, o uniforme escolar trocado pelo uniforme de kendô que estava na bolsa da escola. Haruhi terminou de cozinhar e estava colocando a comida na mesa, um pedaço de bacon já entre seus dentes e ela estava mastigando-o devagar. Ela não olhou para cima, estava muito ocupada colocando os talheres quando sorriu e apontou um lugar vazio à mesa.
"Gostaria de algo para comer? Meu pai deveria estar em casa agora mas eu acho que eu ficou na casa de algum amigo como de costume. Você pode ficar com a porção dele." Ela sentou-se e serviu-se da maneira mais polida possível. Mori lenta e silenciosamente abaixou-se e começou a comer. Ele foi surpreendido em como Haruhi podia ficar relaxada com ele, normalmente, uma garota em sua posição e com suas experiências passadas estaria em pânico. Isso foi uma coisa que ele tinha ficado preocupado se ela faria quando acordasse. Admirou sua coragem e habilidade para seguir com a vida. Uma vez que tinham acabado de comer, jogaram alguma conversa fora, mas tinham comido em silêncio, Mori agradeceu Haruhi pela refeição, aprontou-se para o kendo, mesmo que fossem apenas nove e meia, ele queria ajudar com os alunos mais jovens antes do seu treino.
"Obrigada, e desculpe de novo por todos os problemas, vejo você na segunda-feira." Haruhi acenou sorrindo enquanto dizia adeus a Mori.
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Haruhi continuou com seus afazeres. Terminou o dever da escola, como de costume, lavou algumas roupas e foi até o supermercado, pois a comida estava acabando. Quando ela voltou para casa a presença extravagante do pai ainda estava fora.
"Provavelmente bebendo estupidamente na casa de Ruku-san mais uma vez." Ela suspirou. Normalmente se ele saía para beber, voltava por volta das nove, estando pelos pubs o dia todo. Ela começou a preparar o jantar. Estava perto das oito, ele voltaria em breve. Aproximadamente nove e meia ela comeu algum peixe e arroz que tinha preparado, e uma hora depois comeu um pouco mais e pegou o dever da escola para tentar melhorá-lo. Quando estava perto da meia-noite ela desistiu e foi para a cama. Seu pai quase sempre voltava de preocupação com sua 'preciosa Haruhi'.
"Ele deve mesmo ter bebido bastante dessa vez." Haruhi falou alto para si mesma, balançando a cabeça. Ela entrou nos cobertores se preparando para uma noite de sono interrompido. Ela acordou algumas vezes quando pensou ouvir a porta da frente abrir, mas cada vez ela saiu para ver eram outras portas vizinhas barulhentas, ou a máquina de lavar terminando o ciclo, ou o vento fazendo bater uma janela. Cada vez que acordava ela sentia ao mesmo tempo medo de quem poderia ser e esperança que seu pai tivesse chegado finalmente. Ela voltaria a dormir alguns minutos depois, o efeito de algum remédio fazendo efeito no seu corpo.
Com o tempo, a manhã chegou. Haruhi se sentia como se não tivesse dormido. Ela não tinha nenhuma tarefa doméstica e nenhum lugar para ir, então, checou a cama de Ranka procurando alguém que não estava lá e voltou para sua própria cama para ler alguns livros didáticos e de vez em quando alguma ficção. Ela estava tentando não ficar preocupada, Ranka esteve fora todo o final de semana, o que era muito incomum e só tinha acontecido duas ou três vezes que ela podia se lembrar.
"Onde ele está?" Haruhi repetia, quando vez ou outra olhava para o relógio na prateleira. As horas passavam e nada acontecia. Ela desejou que o Clube de Anfitriões estivesse lá, preenchendo os espaços vazios. Haruhi recomeçou a adormecer, o calor e o conforto de sua cama, quando o telefone de casa tocou.
Haruhi correu para atender, esperando ser seu pai pedindo desculpas por estar fora todo esse tempo. Era Arai.
"Oi Haruhi! Eu liguei para saber se está tudo bem, já que não ouvi falar de você por um tempo." Ele soou feliz, mas com uma ponta de preocupação.
"Oh, sim, eu estou bem." Ela estava desapontada por não ser o pai ao telefone.
"Mesmo?"
"Mesmo. Qual é o problema?"
"Você sabe qual é o problema..."
"É, eu sei..." Ela desligou rudemente o telefone e foi para cama tentar dormir, como se fosse conseguir. "Obrigada por refrescar minha memória." Ela sussurrou. Estava ficando farta das preocupações vazias das pessoas que sabia que não poderiam e não fariam nada. Arai tinha sido um conforto no início quando ela precisou dele, mas agora ele só conseguia incomodá-la em cada momento acordado da vida dela.
Depois de dois comprimidos para dormir Haruhi conseguiu fechar os olhos por um tempo, aproximadamente às nove da noite o telefone tocou outra vez.
"Arai, se for aquilo outra vez... Ah, Kyoya-senpai? O quê? Estou indo agora." Haruhi agarrou seu casaco, sua expressão mudou entre a fúria, a calma e pânico. Falta de sono e estresse não eram uma boa combinação.
Está certo. Eu não me importo se eu estou com medo. Hokari Imutzu vai pagar por causar isso ao meu pai.
Fim do capítulo 7.
Demorei apenas um dia a mais para atualizar, mas como os reviews também estão demorando um pouco para serem postados, acho que ninguém se importa. *malvada*...
Semana que vem: O que houve com Ranka? E um novo encontro perigoso entre Haruhi e Hokari.
