Capítulo 11.
Haruhi sentou perto de seu pai, olhando para sua forma inconsciente enquanto escovava os cabelos curtos e arrumava a roupa que os gêmeos tinham lhe dado. Haruhi não tinha realmente olhado para a roupa até vesti-la. Só sabia que era um terno formal e uma saia cujo comprimento batia no joelho.
Devido à grande influência social dos membros do Clube de Anfitriões (associado à seriedade do caso), eles conseguiram adiantar muito o julgamento de Hokari. Eles também tinham os melhores advogados das famílias trabalhando no caso, para ter certeza que Hokari seria considerado culpado.
"Bem, pai, fique melhor logo. Hoje Imutzu vai pagar pelo que fez, eu sei, talvez a mamãe me ajude." Ela pegou a mão dele e ergueu. "Me perdoe por nunca ter dito o que aconteceu, mas você não precisava de mais essa preocupação na sua vida. Eu prometo que nossas vidas serão melhores quando tudo isso terminar."
Haruhi pegou as muletas depois lentamente se afastou do quarto, os membros do clube estavam esperando por ela na entrada principal do hospital, mas Arai teve de voltar para casa, embora estivesse lá durante o primeiro incidente, ficar significava levantar a questão do motivo de ele não ter ido à polícia. Estavam todos nervosos, mesmo que não demonstrassem. Não era só a audiência, mas também o primeiro dia que Haruhi deixaria o hospital. Sua garganta ainda tinha hematomas, embora quase imperceptíveis, além de sua perna quebrada que estava longe de ficar boa.
Durante o trajeto, o carro esteve silencioso. Os gêmeos não estavam realmente com humor para piadas. Este dia era tão importante para eles como era para Haruhi, não que eles quisessem pessoalmente ver Hokari punido, mas eles queriam que ele fosse punido por Haruhi. Ela merecia.
Os anfitriões se sentaram no banco mais próximo que podiam, eles não podiam ler a expressão do rosto de Haruhi, ao lado dela havia o advogado dos Ootori. Mori sentou mais perto do que o resto dos rapazes, porque ele era uma testemunha, Arai estaria lá também, mas Haruhi não queria que sua família descobrisse, poderia lhe causar problemas. Além disso, o fato de que ele não tinha ido à polícia da última vez poderia suscitar confusão. E ele não feito isso anos atrás porque Haruhi tinha praticamente gritado histérica para que não fosse, o estado de espírito confuso o suficiente para não pensar com clareza.
Haruhi endureceu quando ela assistiu Hokari tomar o seu lugar, uma vez que ela viu os dois guardas enormes de pé ao lado dele, ela relaxou um pouco.
Os membros do público começaram a entrar por trás dos anfitriões. Entre eles estava a família de Hokari, seu pai olhou em volta condenando seu filho. Hokari tinha feito coisas ruins antes, mas isso? Ele ficou chocado. Ele iria estragar o seu trabalho, sua reputação, ele ficaria feliz em vê-lo pelas costas. A mãe de Hokari ficou em silêncio pretensioso, examinando os outros membros do público com nojo. Sentou-se e ajeitou a maquiagem com um espelho pequeno e compacto. Ela obviamente não queria estar lá e realmente não poderia se importar menos com o resultado.
Eventualmente, o tribunal foi silenciado quando a juíza entrou e tomou seu lugar, tinha um ar de autoridade sobre todos e quando seu martelo trovejou, as poucas pessoas que ainda estavam cochichando uns com os outros logo se calaram. Como se tivessem sido colocadas no mudo.
"Estamos aqui hoje para a audiência de Hokari Imutzu." Ela falou normalmente, mas sua voz ainda ecoou ao redor da sala. "Acusado de estupro e agressão. Foram relatados vários casos de assédio sexual em outras ocasiões, mas saiu em liberdade por falta de provas ou por álibi fornecido pelo pai. Desta vez a acusação é mais grave. Na nossa última reunião, negou tudo, você ainda alega inocência?
Hokari estava de pé e portava-se casualmente, o olhar entediado. Ele cruzou os braços e ficou olhando preguiçosamente para a juíza.
"É claro." Ele parecia seguro e olhou para o pai em busca de apoio, mas fez uma careta quando o pai o encarou de volta, balançando a cabeça. O olhar dizia: 'você foi longe demais dessa vez, criança estúpida.'
"Bem então, podemos chamar a vítima a ficar de pé?"
"Claro, vá em frente." Hokari acenou com a mão com desdém. Alguns dos jurados atiraram-lhe um olhar de reprovação por seu comportamento. Hokari sabia muito bem a questão não tinha sido feita para ele.
"Haruhi Fujioka." A juíza falou.
Haruhi olhou para trás, para seus amigos e em seguida, ficou de pé e andou até o local reservado aos que responderiam as perguntas.
"Quanto à primeira questão. Os ferimentos que você sofre hoje foram causados pelo Sr. Imutzu?
"Sim."
"Você tem alguma prova?"
"Sim, meu advogado tem uma gravação em vídeo da noite do ataque que provocou estas feridas e admitindo ter me atacado e estuprado três anos atrás." Os jurados tinham as sobrancelhas levantadas quando fita foi entregue e em seguida, encaminhada para ser passada.
O vídeo foi passado em uma televisão previamente colocada em um canto da sala. Os anfitriões se retraíram enquanto observavam Haruhi ser golpeada. Ouviram-se suspiros pela sala quando ouviram o barulho do osso sendo quebrado, foi surpreendentemente alto e parecia incrivelmente doloroso.
Olhos desgostosos focaram em Hokari. Haviam alguns sussurros de 'como você pôde?', enquanto o vídeo prosseguia, Hokari levantou-se de sua cadeira. "Ela não estava ouvindo, certo?" Ele gritou. "Eu não ia machucá-la. O amigo grande dela me feriu também!" A voz subiu uma oitava quando ele mostrou o braço quebrado em pânico para todos verem. Ele não estava acostumado a ser pego, sempre teve o pai para apoiá-lo. Ninguém jamais disse a ele que realmente o que ele estava fazendo era errado, e quando eles tentaram foi provavelmente a única atenção real que ganhou de seus pais.
"Provavelmente foi a falta de educação que o fez tão ignorante." Uma pessoa sussurrou para alguém ao lado, que concordou de volta.
"Mas isso não é suficiente para que eu tenha alguma simpatia por ele. Muitas meninas sofreram por causa disso."
A juíza pausou o vídeo.
"Senhor Imutzu, por favor sente-se e fique quieto. Estará fazendo um favor a si mesmo. Este vídeo em si mostra-nos que estava mentindo." Então ela virou-se para Haruhi, que estava sentado durante todo o tempo. "Quando o Sr. Imutzu diz 'continuar o que foi interrompido há três anos'; ele está falando da ocasião em que ele a estuprou, é o que quer dizer? Naquela vez, como foi interrompido?"
Haruhi inspirou trêmula. "Sim. Naquela vez foi interrompido quando ouviu alguém andando no corredor." O juiz assentiu. Alguns dos jurados escreveram notas.
"Alguma vez ele chegou a declarar isso?"
"Não, Takashi Morinozuka chegou lá antes."
"Bem, então vamos ver o que o vídeo nos diz." A juíza acenou com a cabeça para a pessoa que manipulava a televisão e a gravação continuou. Mostrava Haruhi balançando semiconsciente na mão de Hokari e ele tentando despi-la. Sua mão estava prestes a deslizar em suas roupas íntimas, quando houve uma colisão de som e um monte de poeira, algo bateu a câmera e ela se desligou.
Houve alguns momentos de silêncio, em seguida, a juíza perguntou: "Como o vídeo foi gravado?"
"Com a câmera de vídeo do meu pai. Eu a coloquei no banheiro da escola, não estava esperando que Imutzu aparecesse, mas eu estaria preparada se fosse o caso. Ele tinha ameaçado me pegar antes, e eu não queria correr nenhum risco."
"Obrigada. Você pode se sentar." Haruhi sentou-se em seu lugar, seu advogado, ofereceu-lhe um copo de água, que ela aceitou. "O Sr. Takashi Morinozuka." Mori assumiu o lugar onde Haruhi tinha recentemente se sentado, a juíza começou o interrogatório.
"Confirma que, como a Senhorita Fujioka disse, a encontrou no banheiro? Sendo atacada por Hokari Imutzu?"
"Sim."
"Como você sabia para onde procurar?"
"Nós, os membros do Clube de Anfitriões, sabíamos que Haruhi estava tendo problemas com Hokari Imutzu e quando ela não apareceu para as atividades do clube, suspeitamos o pior. Enquanto eu estava procurando por ela, ouvi um barulho e quando percebi que a porta estava barricada, eu suspeitei."
"Entendo... e você quebrou o braço Hokari e deixou-o inconsciente."
"Sim, Imutzu ameaçou estrangulá-la, assim que eu tive a chance de conseguir, tirei a mão de sua garganta e ele ficou inconsciente quando bateu na parede."
"Obrigada. Por favor, retorne ao seu lugar e aguarde as decisões do júri."
Depois do que parecia uma quantidade de tempo infinita, a juíza utilizou seu martelo para chamar a atenção das pessoas.
"Este tribunal considera o réu culpado. Hokari Imutzu condenado a vinte anos por estupro, assédio sexual e agressão. Você terá também o aconselhamento para fazê-lo compreender totalmente o que você fez."
Haruhi sentou em silêncio, não estava completamente certa do que fazer agora que tudo acabou. O resto da sala ficou em silêncio, e depois houve alguma comemoração. Na maior parte dos membros do clube, mas também do público em geral. Obviamente eles julgaram o resultado justo.
Hokari tinha um olhar insano nos olhos e sacudia a cabeça em descrença, ele provavelmente teria gritado ameaças, mas estava muito chocado.
Haruhi caminhou até os anfitriões, o seu corpo estava andando no piloto automático. No caminho, ela foi parada por uma mulher cansada de meia idade, morena de cabelo longo ondulado emoldurando seu rosto.
"Obrigado por ser tão corajosa. Minha filha teve problemas com esse menino, ela, ela quase se matou. Agora ninguém vai sofrer." Haruhi assentiu sem expressão, seu cérebro ainda não estava respondendo corretamente. Ela então foi cercado pelos anfitriões.
Os gêmeos estavam fazendo uma dança da vitória e Tamaki a abraçou suavemente para não tocar em seus ferimentos. Huni estava cantando uma canção tema de 'Dora, a exploradora'. Kyoya lhe deu um tapinha rápido sobre os ombros e um aceno de parabéns. Mori esperou até que a comoção diminuísse e, em seguida, colocou a mão na cabeça de Haruhi e sorriu. Ele ficou surpreso quando Haruhi se inclinou e o abraçou rapidamente (e um pouco desajeitada pela perna imobilizada).
"Obrigada por tudo. Você ajudou muito, finalmente acabou." Então Haruhi lhe deu um sorriso pequeno, cansado.
"..." Mori piscou estupidamente por um momento e depois foi trazido de volta aos seus sentidos por Huni batendo em suas costas.
"Vamos lá! Vamos conseguir alguma comida e bolo." Ele riu. Haruhi realmente se sentia exausta, mas ela não queria estragar a atmosfera feliz que tinha estado ausente durante meses.
No restaurante 'casual' escolhido por Tamaki, Haruhi mordiscou um pedaço de pão enquanto o loiro, Hikaru e Kaoru gritavam ruidosamente sobre a mesa uns para os outros, perturbando o restaurante todo.
Ela sentiu um pequeno vibrar em seu bolso, seu celular de cortesia (dos gêmeos) se iluminava com uma luz laranja. Era do hospital.
Talvez eles queiram checar se está tudo bem.
"Alô? Sim, Haruhi Fujioka falando..."
O silêncio persistiu do lado de Haruhi da linha. Levou algum tempo para os anfitriões notarem que ela estava imóvel com o telefone no ouvido. "Haru-chan?" Huni cutucou o braço da garota levemente. "Está falando com quem? Não vai dizer nada em resposta?"
Kyoya pegou o telefone das mãos de Haruhi e pressionou contra a própria orelha. "Alô? Kyoya Ootori falando... Eu sou um amigo... oh, entendo. Obrigado, estaremos indo para aí logo."
"O que está havendo?" Kaoru olhou nervosamente as expressões de Kyoya e Haruhi. Ele encostou no ombro de seu irmão, se apoiando.
"Parece Ranka-san piorou inesperadamente." Kyoya disse calmamente.
"Ele está bem?" Tamaki sussurrou. Era uma questão que ninguém tinha certeza se queria a resposta.
"Ele se foi." Haruhi sufocou a voz rouca. Ela estava sentada na mesma posição, as mãos tremiam violentamente.
Fim do capítulo 11.
N/T: E Haruhi pensou que tinha acabado, que ficaria tudo bem... mas quanta dor ela ainda pode aguentar? Lembrem-se que a fic é classificada Hurt/confort...
Capítulo 12 dolorido daqui há alguns dias... estou demorando mais para postar, não quero alcançar a autora que está no capítulo 15. Por isso perdoem a demora!
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