Capítulo 12.
Havia um silencio mórbido. Tamaki e os gêmeos abriram a boca em horror absoluto, não tendo certeza de qual reação deveriam ter, já que nunca tiveram que lidar com algo assim. Huni parecia querer abraçar Haruhi, mas também tentava desesperadamente não chorar de forma a não perturbá-la ainda mais. Era um pouco tarde para isso, porém, ela ficou olhando completamente traumatizado e porque independente de como ela estava, era difícil dizer se ela queria algum conforto, ou se, como de costume, ela preferia sofrer em silêncio.
A quietude da mesa atraiu quase tanta atenção quanto quando havia barulho e perturbação. Uma garçonete, um tanto curiosa, parou olhando para Kyoya e limpou a garganta discretamente.
"Com licença, Senhor, está tudo bem?" Ela abraçou a bandeja firmemente. Kyoya não era o mais fácil de falar na maioria das vezes.
"Sim, nós vamos pagar a conta agora." Ele tomou um cartão de crédito do bolso do casaco e entregou-o à menina. Ele realmente não se importava com o que ela faria com ele. Ele cancelaria depois, se houvesse algo irregular.
A garçonete não discordou e foi rápido proceder ao pagamento. Quando Kyoya voltou-se novamente para seus amigos, ninguém tinha se movido. Ele tossiu discretamente, pegando a atenção de Huni, Mori e Kaoru. Kaoru cutucou Hikaru e eles se levantaram para sair. Tamaki ainda agia como se estivesse em transe e Kyoya teve que bater na parte de trás da cabeça e Tamaki, e antes que ele pudesse responder, Kyoya levou-o para fora do restaurante. Ele olhou para Mori, silenciosamente dizendo ao senpai o que fazer.
Mori concordou, pegou Haruhi no colo e segurou-a firmemente contra o peito, ela enrolou nele de forma automática e segurou firme em sua jaqueta, como se estivesse em agonia. Huni agarrou a perna da calça do primo, ele teria abraçado Usa-chan, mas ele não pôde trazer o bicho de pelúcia para a audiência.
Mori não sabia o que pensar. Haruhi quis dizer que o pai tinha morrido? Ela não tinha deixado com suas palavras, mas mesmo assim, não importa o quão otimista ele estivesse, tentando pensar em todas as possibilidades, tudo o que podia ver era a expressão da menina quando ela disse: Ele se foi.
Mori cresceu sendo protetor e tentanto ajudar as pessoas, principalmente Huni, mas a morte era uma coisa da qual ele não podia proteger ninguém e provavelmente era a única coisa da qual ele tinha medo. Não sua própria morte, mas a morte daqueles com quem se importava. Como quando ele era pequeno e o seu cão havia morrido, o que era tão ruim quando a experiência podia ser.
~.~.~.~
O caminho de carro foi silencioso, era como se a viagem feita pela manhã estivesse se repetindo. Haruhi tinha se movido um pouco da posição, mas ainda parecia quase uma bola sendo segura firmemente por Mori. Ela estava tremendo, e doía em Mori poder sentir e assistir isso.
Eles chegaram ao hospoital e Mori continuou a carregá-la até o quarto do pai. Ele viu o médico com quem tinha conversado na noite anterior. Ele olhou tristemente em Mori, em seguida, a Haruhi, com simpatia misturada com tristeza.
"Por favor, entrem." Ele murmurou. Permitiu a Mori entrar carregando Haruhi, e ele também permitiu que Kyouya passasse (porque, em parte, era proprietário do hospital), mas ele colocou um braço para parar os outros. Antes que pudesse protestar, ele disse calmamente, mas com firmeza. "Eu vou pedir a um de seus amigos para explicar a vocês."
Mori deixou Haruhi suavemente de pé e ela continuou tremendo, tropeçou ao dar um passo em direção ao pai. Ele estava ligado eletrodos e máquinas, e estava respirando. Mori sentiu-se aliviado. Ele pensou que a fala de Haruhi significava que ele estava morto. Mas se ele estava respirando, então porque Kyouya e Haruhi estavam tão tristes? Será que eles sabiam algo que ele não sabia?
"Nós pensamos que ele estava melhorando, mas nós encontramos um pequeno ferimento no cérebro, era tão pequeno que a princípio que, quando fizemos uma varredura que apareceu como uma sombra insignificante. O médico mostrou-lhes uma imagem do cérebro e apontou a lesão.
Era verdade. Não parecia nada for a do comum, Kyoya concordou, ele havia pensado que a condição de Ranka tinha piorado por má assistência médica, mas não fazia sentido. Só os melhores profissionais podiam trabalhar nos horpitais Otori.
"Ele teve a lesão na pior parte do cérebro que poderia... Temos realizado tantos testes como podemos... simplesmente não há qualquer atividade cerebral." O médico limpou a garganta e engoliu. "Eu tenho o pesar de dizer que Ryoji Fujioka foi declarado clinicamente morto cerca de cinco minutos atrás. Chamamos vocês logo que depois que nós começamos os testes."
Haruhi deixou-se emitir um pequeno soluço, mas manteve a compostura e assentiu. Kyouya virou a cabeça, escondendo suas emoções.
"Mori-senpai, por favor, vá informar os outros." Mori obedeceu e seguiu o médico assim que ele saiu.
Haruhi se aproximou de seu pai, outro soluço escapou dos lábios. Ela tocou seu rosto, estava frio, não gelado, mas também não muito quente "Papai, não vá." Ela sabia que ele não podia voltar. Ninguém que tem morte cerebral declarada podia. Tudo o que o mantinha vivo eram as máquinas. "Papai." Ela soluçou. "Por favor, eu não quero que você vá embora."
Ela chorou, o coração partido em soluços. Não como no momento em que Mori a tinha consolado. Aquilo era apenas uma fungada em relação a isso. Ela estava chorando incontrolavelmente. A última vez que tinha chorado assim foi quando sua mãe tinha morrido.
Ela se agachou ao lado da cama de seu pai e descansou a cabeça ao lado dele e segurou a mão dele com força. Kyouya ficou sem jeito no canto. Ele chegou a deixar algumas lágrimas cairem silenciosamente em seu rosto, em seguida, ele se aproximou Haruhi, hesitante.
"Haruhi... Se isso faz você se sentir melhor, saiba que ele não sente nenhuma dor." O choro de Haruhi não parou, mas ela balançou a cabeça em compreensão. Ela estava feliz que ele não estava com dor, mas ela estava chorando porque ela não queria que seu pai a deixasse e achou que era um tanto de egoísmo da parte dela.
"Haruhi, não é egoísmo se sentir assim." Kyouya leu a sua mente. Ela chorou mais, se isso era possível, ela precisava de algo para agarrar. Algo verdadeiro, seu pai parecia papel quando ela segurou sua mão, esperando que o pequeno aperto de garantia de que nunca viria. Ela escondeu o rosto na camisa Kyouya e chorou.
~.~.~.~
Mori saiu da sala para um semi-círculo de rostos preocupados e ansiosos. Seu rosto era ilegível, mas se alguma coisa poderia fazer Mori derramar uma lágrima, então deve ser realmente ruim.
"Takashi... Ranka-san não está... ele está morto?" Huni perguntou. Ele abraçou um ursinho de pelúcia aleatório do hospital que tinha encontrado e preparou-se para a resposta.
"Não." Todos eles deram um suspiro de alívio. "Mas talvez fosse melhor que ele estivesse."
"O quê? Como você poderia dizer isso?" Hikaru brigou. "O que poderia ser tão ruim que ele estaria melhor morto? Isso é terrível."
Mori esperou por alguns instantes, enquanto a respiração pesada de Hikaru acalmou-se mais uma vez, em seguida ele engoliu e falou novamente. Sua garganta doía. "Ele é diagnosticado com morte cerebral."
"Ele não pode jamais voltar?" Tamaki perguntou: "Quer dizer, se ele não está morto, então tem de haver alguma esperança, não é?" Ele disse que mais como uma afirmação que como uma pergunta, querendo que fosse verdade. Ele imaginou que Haruhi sabia o que era como perder alguém. Já havia acontecido com ela uma vez, mas duas vezes? Como poderia Haruhi passar por isso?
Mori balançou a cabeça negativamente e Huni falou para Tamaki. "Isso significa que tudo o que está mantendo Ranka-san vivo são as máquinas. Seu cérebro está morto e não pode voltar. Não há ondas cerebrais e a máquina é que permite que ele respire e seu coração bata." Huni não parecia, mas entendia um monte de coisas melhor do que a maioria das pessoas e estava entre os cinco primeiros mais inteligentes em seu ano, juntamente com Mori.
"Haruhi, nós precisamos ir confortá-la." Tamaki foi atravessar a porta, mas Mori o parou.
"Não vamos imcomodá-la." Ele encarou e Tamaki parou.
"Haru-chan sairá a seu próprio tempo. Acho que devemos esperar aqui." Todos concordaram mecanicamente. Eles não estavam chorando. Eles ficaram chateados por Haruhi, terrivelmente, mas podiam ouvir os soluços e isso foi suficiente para mantê-los em silêncio. Seguraram-se o máximo que puderam, começando a chorar sutil e silenciosamente. Isso, para algumas pessoas, seria pouco típico deles, mas era um assunto muito pouco típico também.
De volta ao quarto, Haruhi ainda estava se segurando a Kyouya e soluçando. Ele havia permanecido em silêncio e segurou-a até que ela se calou e adormeceu. Ele colocou delicadamente na poltrona ao lado da cama de seu pai e se cobriu com um cobertor de reposição, escovando um fio de cabelo de seu rosto. Ela parecia pacífica, mas seu rosto estava pálido, em torno, seus olhos estavam vermelhos e inchados e seus cílios foram presos em grupos para as lágrimas.
Todos viam Kyouya como sem coração, o Rei das Sombras. Eles não conseguiram ver, por vezes, seus motivos gentis. Mas Haruhi tinha percebido isso nã vez que foram para a praia. Ele balançou a cabeça e foi para junto do resto dos anfitriões, Haruhi deve ter ficado aterrorizada quando ele tentou aquele truque. Se ele soubesse de suas experiências passadas, ele nunca faria algo assim.
Os anfitriões pareciam esperar por ele, provavelmente esperando que ele pudesse dizer que havia acontecido um milagre. Infelizmente esse não foi o caso. "Ela está dormindo." Declarou Kyouya simplesmente, sentou-se pesadamente em uma cadeira de plástico que estava em uma fila ao lado de todos, em seguida, se arrependeu, porque a cadeira era muito desconfortável. Ele esfregou as têmporas, em seguida, olhou com ar cansado, quando o médico nervoso de antes foi até ele.
"Senhor Otori. Ah... Eu vi que a senhorita Fujioka está dormindo. Eu vou dizer-lhe pessoalmente, mas se você vê-la primeiro, você poderia dizer que ela tem que decidir quando quer desligar o suporte de vida." O médico abrandou quando um Kyouya muito cansado e sob pressão olhou para ele.
"Obrigado, eu poderia ter isso por favor?" Kyoya ignorou o médico e pediu a uma enfermeira que passava com um vaso, provavelmente para colocar as flores no quarto de algum paciente. A jovem enfermeira apenas concordou e entregou, voltando para pegar um outro vaso.
"Kyoya, você não vai jogar isso nele, vai?" Tamaki perguntou cautelosamente. "Não á culpa dele. Não perca o controle."
"Cale-se idiota." Kyoya olhou para a frente friamente depois socou o vaso com o punho, destruindo-o completamente. Tamaki calou-se. Kyouya olhou os danos à sua mão, em seguida, virou-se para o médico com seu sorriso assustador. "Obrigado por me dizer. Eu vou ter a certeza de contar a ela."
Depois que o médico saiu, parecendo um pouco tonto e desnorteado, Huni arriscou até Kyouya. "Kyo-chan, sua mão está ok? Tá cheia de sangue."(N / T: No original Huni diz "bleedy" ao invés de "bloody", desculpem-me, não sei como transmitir isso em português.)
"Eu estou bem Huni-senpai." Kyouya sorriu novamente. Era um sorriso que dizia 'quem me perturbar terá a face quebrada igual aquele vaso.' Huni fez um pequeno ruído voltou os olhos para Mori. Todo mundo já entendia como Kyouya conseguiu manter um rosto calmo todo o tempo.
Haruhi estava acordado. Ela tinha conseguido enganar Kyouya em pensar que ela estava dormindo tranquilamente, enquanto ela pensava que nunca poderia fazer novamente. Ela ficou acordada, olhando para o rosto do pai. As lágrimas caindo sem previsão de quando iriam parar.
Fim do capítulo 12.
Ah, leitores queridos, não me matem! Essa semana foi corrida em relação ao trabalho e às aulas, só agora consegui terminar. Triste esse capítulo, né? Mas agora, além do pesar, Hauhi tem mais um problema, ou dois... Até semana que vem!^^
