Capítulo 13.
"Bom dia..." Haruhi disse, sentindo a garganta rouca e seca. Ela não se incomodou tentando sorrir, não havia sentido.
"Gwahdwg!" Tamaki caiu ruidosamente da cadeira sobre o desinfetado e perfumado mármore do piso quando a voz de Haruhi o despertou. Os outros, tirando de Huni e Kyouya, gemeram e sentaram-se em suas cadeiras, esticando as costas para despertar seus corpos de um sono desconfortável. Os dois restantes tinham adormecido com tampões de ouvido, os de Huni tinham sido colocados por Mori e Kyouya havia colocado os próprios.
"Silêncio, Tono!" Os gêmeos resmungaram então olharam para a aparência de Haruhi. Seus olhos estavam inchados, o cabelo dela estava uma bagunça e seu rosto estava avermelhado e brilhante pela camada de lágrimas salgadas.
"Conseguiu pegar no sono Haruhi?" Kaoru perguntou calmamente, Hikaru puxou o braço dela e a garota caiu sentada no assento ao lado deles. Haruhi esfregou os olhos com a mão que Hikaru não estava segurando e assentiu.
"Eu acho que eu dormi um pouco, eu realmente não me lembro." Haruhi piscou algumas vezes e passou os olhos sem foco, caiu ligeiramente para um lado, mas se endireitou. Mori apareceu na frente dela com uma caneca e estendeu-a para ela. Ela olhou para ele com uma expressão zumbificada (N/T: tomara que seja uma boa tradução para 'zombified'), então olhou para a caneca que estava irradiando calor.
"Café." Ele murmurou e colocou a caneca em suas mãos, cuidando para que o guardanapo enrolado estivesse corretamente no lugar para que ela não se queimasse. Haruhi sorveu um pouco e rolou o líquido quente em torno de sua língua antes de engolir. Ela não podia sentir nada. Seus sentidos estavam dormentes. Ela nem sequer sentiu como o líquido escoou em sua garganta e caiu em seu esôfago.
Os quatro rapazes estavam sem jeito de como Haruhi lentamente tragava o doce café do hospital, Hikaru foi o primeiro a quebrar o, quase, silêncio (Huni roncava suavemente). "Haruhi, o médico ontem à noite, quando você estava dormindo, disse a Kyoya-senpai você tem que decidir..." Haruhi cortou-o.
"Eu não estava dormindo, eu ouvi. Por favor, eu não quero ouvir novamente." Disse Haruhi dolorosamente, quase causando um estremecimento em Hikaru "E eu já decidi." Ela respirou fundo e se mostrou satisfeita com a sua própria decisão. "Hoje. Vou fazer isso hoje."
"Tão cedo?" Tamaki perguntou em tom abafado.
"Sim." Haruhi sorriu tristemente. "Então ele poderá estar com a mamãe novamente. Ele sente muita falta dela e não pode fazer mais muito mais por mim aqui."
Tamaki e Mori sorriram suave e levemente para essa estranha lógica, desta vez Kaoru quebrou o silêncio. "Sinto muito se isso parece curioso, mas você não tem avós, tias e tios que deveriam estar aqui?"
"Os pais da minha mãe e morreram antes de eu nascer, assim como o meu avô paterno. Minha última avó morreu cerca de três, quatro anos atrás. Pouco antes de conhecer Imutzu." Haruhi então franziu o cenho. "Eu tenho um tio, do lado do meu pai, mas ele sempre odiou meu pai, tão pouco chegou a gostar de mim, então eu acho que não há ninguém."
Pouco antes de conhecer Imutzu? Então, essa é outra razão pela qual ela não contou a seu pai. Takashi pensou. Se ela não tem nenhuma outra família, ou pelo menos uma que se preocupe com ela, então quem é que vai cuidar dela agora? Kyouya já explicou a situação para a escola, mas o que dizer em casa? Ela não pode viver sozinha, pode? Haruhi não é adulta o suficiente para viver sozinha.
A mente de Mori estava começando a trabalhar mas foi interrompida por Kyouya que levantou e estava limpando os óculos com o que parecia lenço de seda fina. Ele os colocou em seu rosto e empurrou-os até a ponta do seu nariz. "Eu vejo que você tomou uma decisão Haruhi. Se você quiser, eu vou atrás do médico." E tomar um café, E uma aspirina E me refrescar um pouco. Ele acrescentou mentalmente.
Em vez de contestar, Haruhi apenas balançou a cabeça e olhou para a xícara de café. "Obrigada." Uma vez Kyouya os tinha deixado, ela suspirou e se inclinou para o lado no ombro de um dos gêmeos, ela não sabia qual. Ela não percebeu que Hikaru e Mori estavam ambos ardendo de ciúme, embora Mori fosse um pouquinho, quer dizer, muito menos óbvio.
Como posso estar sentindo ciúmes num momento como este? Mori repreendeu-se mentalmente e ocupou-se com a procura de algum bolo para dar a Huni quando acordasse e com a coleta dos sacos de dormir que Kyoya tinha pedido. Todos tinham caído no sono antes que os sacos pudessem ser entregue a eles.
~.~.~.~
No momento em que ele voltou, Haruhi estava falando com o médico, que lhes disse para chamá-lo de Ichiro, ele parecia estar confirmando a decisão de Haruhi, a julgar pelo olhar cansado e irritado no rosto de Haruhi não era a primeira vez que ele perguntava se ela tinha certeza. Ela se manteve apenas acenando.
"Olha." Ela disse finalmente. "Você está perdendo tempo. Meu pai está deitado lá dentro, e eu tenho certeza que ele preferia estar com a minha mãe do que aqui sem fazer nada. Ele já está morto, eu aceito isso, ter uma máquina de respiração a mantê-lo não é realmente viver."
"Você está terrivelmente calma sobre isso." O médico deu um sorriso triste.
"Oh, acredite em mim, eu não estou calma." O médico parou de sorrir.
"Bem, você gostaria de ficar sozinha ou..." O doutor fez um gesto para os rapazes espalhados pela sala de espera. Todos pareciam sujos, os gêmeos pareciam um par de gatos de rua. A única pessoa que parecia apresentável era Kyouya, mas parecia que o cabelo não gostava dele esta manhã, havia duas ou três mechas aleatórias bagunçadas.
"Eu prefiro ficar sozinha, mas vocês podem entrar, se quiserem, eu acho." Haruhi encolheu, provavelmente para encobrir o fato de ombros tremiam. Ela falhou epicamente, uma vez que fez o ombros parecerem ainda mais trêmulos.
"Nós vamos ficar." Os gêmeos e Tamaki responderam. Huni assentiu.
"Eu também." Huni foi seguido por Mori e Kyouya que simplesmente acenaram com a cabeça em concordância com os outros. Haruhi entrou na sala escura que seu pai estava e os amigos apenas permaneceram de pé esperando. Foi inquietante como o silêncio dominava. Huni sentou no chão e retirou Usa-chan de sua maleta. Ele olhava para o coelhinho de pelúcia e puxou um fio solto.
Kyouya bateu palmas. "Vamos lá, rapazes, temos que pelo menos parecer quase apresentáveis." Ele foi seguido de silêncio. "..." Kyouya bateu na parte traseira da cabeça de Tamaki com seu notebook. Tamaki caiu para a frente para o chão com um berro.
"Sim, senhor!" Então começou a tirar a roupa de sua bolsa e trocando a camisa suja. Os outros pegaram suas malas.
"Tamaki."
"Sim, Kyouya?"
"O banheiro." Kyouya apontou para uma porta no corredor.
"Ah. Certo." Tamaki pegou sua bolsa e foi ao banheiro, uma menina por quem passou no caminho desmaiou afetada pelo charme sem-camisa. Kyouya balançou a cabeça, em seguida, sentou-se em uma das cadeiras de plástico e, silenciosamente, escreveu no caderno, ele podia ouvir murmúrios do médico pela porta branca de espessura. Provavelmente, explicando o que ele ia fazer, não que ele precisasse explicar a Haruhi, ela entendeu tudo e foi mais perturbador do que ela esperava.
Depois de meio minuto, houve silêncio. Os gêmeos tinham retornado.
O médico saiu após mais meio minuto. Ele tinha que dar um tempo limite para qualquer hipótese de ondas cerebrais e respiração. Não havia chance, mas foi o procedimento formal. No momento em que o médico havia surgido, Huni e Mori tinha retornado. Mori tinha acabado de arrumar a gola da camisa polo rosa pálido de Huni.
O médico acenou para eles, em seguida, suspirou e desapareceu no corredor, provavelmente para preencher formulários.
Houve mais alguns minutos de silêncio, ele poderia ter sido horas, mas o tempo realmente não significa nada em dias como estes. Tamaki apareceu depois de um tempo, sentou-se perto de todos eles, olhando para o chão e encostado na parede pensando em nada. A única coisa que quebrou a monotonia dolorosa era o chamando telefônico dos pais para saber se estava tudo bem. Eles sabiam onde eles estavam, mas nenhum deles havia passado em casa há mais de vinte e quatro horas.
Em um momento Tamaki ligou a televisão que se escondia no canto superior bem acima de um vaso de rosas e lírios brancos. A tv não permaneceu ligada por muito tempo. Houve reportagem sobre a 'vida trágica de uma menina de dezesseis anos de idade, que depois de anos de injustiça, finalmente conseguiu o que era certo, então de repente, fiou sem ninguém para cuidar dela'.
A última parte era uma mentira, Mori pensou sobre o que acabara de ver na televisão. Mesmo sobre a tela apagada, todos os anfitriões poderiam ver o retrato de uma triste treze anos de idade com longos cabelos castanhos e enormes olhos castanhos em um rosto cansado, que era sua imagem da escola.
"O que quer que vocês façam..." Disse Hikaru. "Não deixem Haruhi assistir televisão." Kaoru terminou logo antes da porta do quarto de Ranka-san abrir. Haruhi saiu. Mori podia ver o leito coberto por um lençol branco a atrás dela.
O silêncio parecia cair para um novo nível.
"Vamos para casa." Ela sussurrou.
"Mas Haruhi." Kyouya disse gentilmente. "Você não tem idade suficiente."
"O médico chamou meu tio." Ela disse as últimas palavras com rancor. "Ele pediu à senhoria que cuidasse de mim, ele vai me pegar depois do funeral."
"Você ainda poderá frequentar Ouran, certo Haru-chan?" Huni veio até ela e abraçou-a no lado em que não havia impedimento na perna.
Haruhi olhou para ele sem emoção. "Sim, ele mora mais perto de Ouran do que eu agora."
"Certo, então nós vamos cuidar de você." Huni garantiu a ela antes de deixá-la ir. "Eu posso deixá-la em casa." Como Haruhi não respondeu, Huni puxou-a delicadamente pela mão e levou-a pelo braço para fora do o hospital. Mori seguiu depois de pegar arquivos e documentos na recepção. Os anfitriões restantes lentamente dispersaram. Esta golden week* ia ser memorável.
Por todas as razões erradas.
Fim do capítulo 13.
*Golden Week: (Semana Dourada) é a junção de quatro feriados nacionais numa semana de maio, que ocorre no Japão.
No próximo capítulo: O tal tio de Haruhi pode ser mais um monstro na vida dela...
Imagino que queiram me matar... Desculpem a demora a postar, mas essa semana foi realmente agitada onde eu trabalho e as coisas saíram do controle... Quero agradecer a todos os reviews e avisar que estou postando uma outra história traduzida dessa mesma autora, se chama "I'll Be Right Beside You" e é um drama muito emocionante!
Beijos a todos!
