Capitulo 14.

Mori estava indo pegar Haruhi para o funeral, Huni sentado silenciosamente ao lado dele, segurando Usa-chan, que estava vestindo um smoking combinando com o do garoto. Huni estava vestindo um terno da marinha e uma camisa rosa por baixo; Mori estava vestindo o mesmo que Huni mas com uma camisa lilás e, obviamente, alguns tamanhos maiores . Prestou atenção a carros e a casas que passavam voando enquanto o carro se aproximava de casa de Haruhi.

Mori lembrou a última coisa que Haruhi tinha dito a ele quando ela teve alta do hospital, "Oh, diga a todos que o meu pai me fez prometer que ninguém iria usar preto no seu funeral. Ele disse que seria terrivelmente maçante para olhar lá do céu." Haruhi sorriu cansada, mas feliz com a lembrança. Mori imaginou como Ranka teria pedido algo parecido a ela. Pelo menos as memórias que Ranka deixou foram felizes.

Quando o carro parou em frente ao apartamento de Haruhi, ela estava em pé na soleira da porta aberta, a mala com todos os seus pertences atrás dela. Ela viria mais tarde para buscar tudo com seu tio. Ela estava vestindo um vestido hortelã (verde azulado) com flores de cor preta subindo do fundo do vestido e uma fita preta na cintura. Terminava pouco acima do joelho, ela também usava um casaco de lã por cima e que combinavam com a faixa no cabelo.

Ela pulou lentamente os passos, usando sua muleta para se alavancar para o próximo degrau, quando chegou ao carro, ela ficou surpresa ao ver Mori, Mori de todas as pessoas, ficar de boca aberta para ela. "Meu pai sempre quis que eu vestisse, ok?" Mori repreendeu si mesmo e balançou a cabeça, a máscara estóica de volta no lugar. Ele abriu a porta do carro para Haruhi poder sentar-se. Ela se arrastou para dentro do carro, em seguida, olhou para o apartamento no qual ela tinha vivido toda sua vida. Ela não era de se apegar a objetos ou lugares, mas ela ficaria triste de sair. Huni, nos últimos cinco minutos do caminho à casa de Haruhi, tinha adormecido.

Haruhi, agora sentada em segurança, olhou para o garoto adormecido e quase sentiu como se fosse se juntar a ele, mas duvidava que ela realmente conseguisse dormir. Esfregou os olhos em uma tentativa vaga de erradicar o cansaço que pairava sobre ela desde... que dia? Ou seria semana? Ela não tinha certeza. Ela não conseguia se lembrar. Piscando desfocadamente, olhou Mori no banco oposto e, em seguida piscou novamente. Ele está me olhando? Sim, definitivamente. Por quê? Estou parecendo tão ruim assim? Pior? Havia apenas uma maneira de saber com certeza. Perguntando.

"Pareço tão ruim assim?" Passou a mão pelo cabelo, esquecendo-se da faixa que saiu do lugar.

Mori olhou confuso por um momento (ou pelo menos se sentia confuso), percebeu então que tinha olhado fixamente para ela, piscou. Ele balançou a cabeça e desviou os olhos, corando levemente de ser pego olhando para ela de novo nos últimos três minutos.

Haruhi inclinou-se sobre ele e pôs-se uma das mãos dela sobre sua testa. Mori congelou. O que ela está fazendo?

"Você está quente." Haruhi comentou. O que ela estava dizendo?

"Você quer abrir a janela?" Inclinou sua cabeça para olhá-lo no olho. Mori agitou sua cabeça e voltou a olhar fixamente para fora a janela, sentindo estúpido pelo engano, mas ainda desejando que não fosse um engano, mas o que ela sentia verdadeiramente.

Vai ser sempre um sonho. Ouça-me Takashi. S. O. N. H. O. (N/T: Mori falando com si mesmo em sua cabeça. Nota desnecessária?)

Haruhi exalou profundamente. "Estamos aqui." Mori assentiu e pegou Huni de onde estava dormindo.

O resto dos anfitriões estava esperando por eles nas proximidades. Huni estava acordando, esfregando os olhos e tropeçando em seus próprios pés quando ele chegou a eles. Havia várias formas de murmurar a palavra 'oi' devolvida a cada host por Haruhi. Os gêmeos estavam vestindo ternos marrons com coletes verdes esmeralda, camisas brancas e botões de ouro padronizado. Kyoya estava vestindo um terno da marinha muito escuro com uma camisa roxa. Foi provavelmente o mais longe de terno preto que possuía. Tamaki estava vestindo um terno azul com uma camisa branca.

Quase que automaticamente eles se voltaram para o pequeno templo, onde o funeral iria ocorrer em trinta minutos. O pátio já estava arfando com pelo menos 70 pessoas, um terço deles era de travestis. Misuzu estava lá, assim como sua filha, Mei. A garota mais alta vestida com um vestido rosa pálido com um cinto branco, literalmente, atirou-se em Haruhi.

"Você está bem?" Perguntou ela. Preocupação e lágrimas pesando em sua voz. Ela se afastou. Haruhi deu-lhe um pequeno sorriso e acenou com a cabeça em resposta.

Misuzu também abraçou e chorou. "Oh, pobre criança..." Haruhi tentou dizer que estava tudo bem, mas estava muito ocupado sendo sufocada pela monstruosidade de babados do vestido de Misuzu.

Outras pessoas começaram a se aglomerar em volta de Haruhi. Ranka tinha sido uma pessoa popular. Mesmo tendo alguns… passatempos estranhos. Todos que conheciam Ranka, conheciam Haruhi. Achavam que perder uma mãe e o pai com apenas dezesseis algo incompreensível, mesmo se a criança tivesse um coração de aço. A simpatia que sentiam por ela se transformou em um jogo em que as pessoas se revezavam para mostrar-lhe o seu apoio.

"Por que eles continuam perguntando se ela está bem?" Kaoru perguntou confuso.

"Sim, seu pai acabou de morrer. O que eles pensam?" Hikaru franziu a testa.

"É uma coisa comum em funerais, uma forma de mostrar apoio. Imagino, pela sua confusão, que ambos nunca foram a um funeral antes de hoje." Kyoya disse. Os gêmeos balançaram a cabeça.

"Nope, nunca."

De fato, somente Kyoya e Huni tinham ido alguma vez a um funeral, e eram de avós de amigos da família que mal conheciam.

Haruhi tinha deixado de ser abraçada e agora estava entrando no templo com o resto da multidão. Huni olhou ao redor enquanto seguiam a multidão através das portas de madeira.

"Não é qualquer um que se parece com Ranka-san. Onde você acha que o tio da Haru-chan está?" Perguntou a ninguém em particular.

"Ele não veio para o funeral de seu próprio irmão?" Tamaki ficou mortificada. Nenhuma das perguntas foi respondida já que o funeral começou. (N/A*: Eu não vou entrar em detalhes sobre a cerimônia, porque os funerais japoneses são muito diferentes dos funerais ingleses. Tentei aprender sobre eles, mas apenas fiquei confusa X_X)

Durante todo o funeral, Haruhi encarou quase distraidamente a frente. Lágrimas escorriam pelo seu rosto em silêncio enquanto ela adiantou-se para oferecer incenso diante da urna que continha as lembranças de seu pai. Tamaki era mais histérico do que ela, ele estava perto do pranto ponto antes que alguém (possivelmente um dos gêmeos. ou talvez ambos) enfiar um par de meias na boca dele para mantê-lo quieto.

Depois eles foram para o túmulo, que estava junto ao túmulo da mãe de Haruhi. Ela depositou lírios brancos e incenso, o mesmo que tinha feito para a mãe menos de uma semana atrás. Esses lírios agora pareciam tristes com as suas cabeças inclinadas. Orvalho ocasionalmente escorria das pétalas caídas como lágrimas.

Depois dela, uma menina colocou um buquê de margaridas que tinha amarrado com uma fita rosa. Ela tinha cinco anos de idade, filha de vizinhos de Haruhi. Quando ela colocou suavemente ao lado da lírios frescos ela voltou para a mãe. A mulher sorriu tristemente e pegou a criança. Embora a menina não entendesse completamente o conceito de morte, ela sabia que o homem bonito que disse bom dia para ela todos os dias tinha ido embora. E ele não voltaria mais.

Enquanto outras pessoas estavam prestando seu respeito, um homem bateu no ombro de Haruhi. Ela virou-se para encará-lo.

"Ainda bem que você conseguiu chegar." Ela sussurrou asperamente. "Pena que você está atrasado."

"Não é como se eu tivesse perdido algo importante." O homem, Karasuma Fujioka sorriu sem calor. "Vamos lá."

"Filho de uma mãe..." Haruhi murmurou. Ela estava, claramente, irritada. E tinha um bom motivo para estar.

Fim do capítulo 14.

*Nota da Autora traduzida.

Demorou, mas saiu. Eu demorei deliberadamente a começar a traduzir essa parte da fic, por achar tudo isso, pessoalmente, muito difícil e muito triste. Vamos para as partes mais suaves e lights, apesar de ainda um tanto melancólicas. Espero que estejam gostando!^^

A seguir: não existe mais a família Fujioka, não a que Haruhi costumava ter...