Capítulo 16.

Haruhi sentiu o carro parar de se mover e ser deligado, ela não queria levantar-se. Estava muito confortável e ela se sentia segura. Ela sentiu um toque em seu ombro e se virou para olhar o seu senpai que a encarava, sua expressão era impossível de ler.

Estou deitada no colo dele! Sua mente de repente alertou e ela levantou-se depressa. "Desculpe, eu não havia percebido..." Na verdade, ela estava mentindo. Ela tinha percebido mas estava realmente cansada para se importar, Mori apenas sorriu gentilmente e acenou tranquilizando-a.

"Mestre Takashi?" Uma jovem empregada bateu na janela do carro. Mori abriu a porta e saiu, então ofereceu uma mão para ajudar Haruhi. Se tivesse sido Hikaru ou Tamaki ela não teria aceitado a oferta, ela teria visto isso como algo paternalista. Mas, era óbvio que ela sabia que aquela não era a natureza de Mori. A jovem empregada piscou para ela. "Mestre Takashi, seu pai está esperando esta jovem... Senhorita...?" Ela olhou para Haruhi esperando.

"Apenas me chame de Haruhi." A serviçal concordou e sorriu.

"Seu pai está esperando a senhorita Haruhi?" Ela estava se dirigindo a Mori novamente. Ele simplesmente acenou e pegou a mão de Haruhi e a levou pela frente da casa. Haruhi não estava exatamente espantada pela casa/mansão, mas apreciou a beleza simples, muito mais que a casa de qualquer outro anfitrião. Ainda era ridicularmente grande, mas não ridicularmente extravagante. Haruhi olhou dentro de algumas das portas abertas pelas quais passavam. O tema geral da decoração era nitidamente madeira de cerejeira um fundo branco e havia preto e branco, vasos cheios de flores em cada cômodo. Mesmo que cada cômodo fosse de igual arquitetura, eles também pareciam distintos de alguma forma, um quarto tinha uma enorme pintura na parede de único um lírio branco, Haruhi parou menos de um segundo apreciando e seguiu de modo a não ficar para trás (tão rápido quanto alguém pode seguir de muletas).

Logo Mori entrou em um dos quartos, as paredes eram pintadas em dois terços de cor branca e um outro, na parte inferior, de cor azul escuro, quase marinho. A cama tinha o mesmo padrão e o tapete era bege. Havia uma mesa com uma pilha bem grande de livros escolares em um canto e na parede estavam vários materiais de artes marciais e cartazes de kendo e ainda mais alguns prêmios e certificados.

"Esse é o seu quarto?" Haruhi vagou cutelosamente pelo espaço e Mori ficou sem jeito no meio do quarto.

"Sim." Haruhi apenas acenou sem som em resposta e e ficou perto da janela com vista para uma vasta área de grama e flores, era um jardim ou um campo? Haruhi não sabia qual. Mori andou até a porta e voltou-se novamente. "Eu tenho que ir falar com meu pai."

"Eu vou ficar bem sozinha. Estou ouvindo barulho no quarto ao lado." Haruhi apontou para um cômodo de onde saía um alto som de música. "Qualquer coisa, é só eu ir até o seu irmão." Mori concordou depois foi para a sala de chá, adivinhando que seria onde sua mãe estaria, e provavelmente, seria uma boa idéia levá-la ao seu lado antes de falar com seu pai sobre a aquisição de uma outra pessoa para a família. Ninguém disse isso em voz alta, mas sua mãe tinha Akira Morinozuka enrolado em seu dedo mindinho.

~.~.~.~

Haruhi ficou no meio do quarto espaçoso de Mori, sem saber o que fazer nele. Ela balançava suavemente ao ritmo da música de Satoshi que estava vibrando através da parede, os olhos parados viajaram ao redor da sala, reconhecendo a limpeza natural do mesmo. Mori era tão organizado? Ou as empregadas domésticas faziam toda a limpeza? Haruhi notou o grande número de fotos espalhadas pelo quarto. Ela pegou a mais próxima que estava na mesa. Nenhuma grande surpresa, era Huni comendo bolo. A próxima foi do clube de anfitriões inteiro menos ela mesma, era de provavelmente dois anos atrás, e todos estavam vestidos de, Haruhi não sabia bem do que, mas pareciam vestidos de animais. Mori tinha escrito na parte de cima 'Definitivamente o cosplay mais estúpido' Haruhi abafou um pequeno riso. Havia um outro do clube de anfitriões de uniforme normal sem ela de novo, os gêmeos estavam com uniformes da escola secundária. Houve uma pequena foto no canto dela; esta foi rotulada de 'Família do Clube de Anfitriões.'

Havia outras numerosas fotos espalhadas pelo quarto, sua família, o clube anfitrião, Huni. Haruhi esfregou os olhos cansado. Tinha-se cerca de meia hora desde Mori tinha ido falar com o pai. Haruhi não podia se sentir preocupada ou culpada por causar tantos problemas. Havia apenas uma mensagem a passar por sua mente.

Durma. Não. Durma. Não é possível. Durma. NÃO! DURMA! NÃO POSSO!

Ela pegou mais uma foto na tentativa de manter o cérebro ocupado e se sentou na cadeira da mesa de Mori. Huni estava segurando a câmera na frente deles, um grande sorriso em seu rosto. Haruhi estava do lado dele com uma surpresa, mas feliz, expressão em seu rosto e Mori, do outro lado, estava olhando para alguma coisa e, sorrindo, à maneira Mori.

O que ele está olhando ...? Eu?! Não, eu estou muito cansada... durma.

Haruhi enroscou-se na cadeira confortável, com os braços instintivamente enrolado em torno da foto, então ela fechou os olhos.

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Mori acabou explicando para a mãe e sentiu-se incômodo quando ela olhou para ele por alguns momentos, até que ela sorriu levemente. Ela colocou uma mão em seu ombro e olhou para ele.

"Como eu poderia não levá-la debaixo da minha asa, depois de tudo que ela passou?" Então ela gritou. "E eu adoraria ter uma filha! Oh, não que eu não ame você e seu irmão, é claro." Mori sorriu para sua mãe, uma mulher que quase tinha dupla personalidade. Ela podia mudar de um dos mais calmos níveis que ele conhecia (o parãmetro era Haruhi) a uma aluna risonha. "Você deve ir ver como ela está agora, Haruhi não é? Eu vou lidar com o seu pai. Ele está de bom humor por isso não deve ser muito difícil."

Fazendo o caminho de volta a seu quarto para ver como Haruhi estava, ele encontrou Satoshi saindo de lá, o irmão mais novo o viu e fez um gesto para pedir silêncio. "Ela está dormindo." Mori ficou com uma expressão neutra olhando para o irmão e esperando uma explicação. "Eu fui no seu quarto porque eu ouvi você entrar lá com alguém e eu fui ver quem era. Mas agora, você vai me contar quem é a garota que está sentada no seu quarto?"

"Ela vai ficar aqui conosco."

"Uh... por que?"

"O pai dela morreu e ela não tem mais ninguém."

"E a mãe dela morreu também?" Os olhos de Satoshi se arregalaram de simpatia. "Essa é a garota pela qual você foi testemunhar?" Mori concordou, "Cara, que péssimo começo de vida!" Satoshi balançou a cabeça em admiração e recuou para o seu quarto. Mori, finalmente, conseguiu escapar para o seu próprio.

Haruhi estava realmente dormindo. Satoshi havia colocado uma manta sobre os ombros deixando descoberta apenas a cabeça, sua tiara estava no chão e seu cabelo estava bagunçado. Parecia fofinha. Seus cílios ainda estavam pegajosos com lágrimas e ela parecia calmo, mas uma nova lágrima estava descendo pelo rosto. Mori levou sua mão para limpá-la. Quando ele escovou suavemente o rosto de Haruhi, ela abriu um pouco os olhos.

"Mori-senpai?" Haruhi sentou-se e esfregou os olhos preguiçosamente.

"Takashi."

"Hm?"

"Se você mora nessa casa agora, você deveria me chamar de Takashi."

"Claro." Haruhi sorriu. " Oh, eu espero que não se importe, eu gostei da foto que você tirou. Eu devo ter caído no sono antes de colocar no lugar." Haruhi levantou-se e colocou a foto tirada em Karuizawa de voltar ao lugar na mesa. Seu olhar permaneceu sobre a foto por alguns instantes, em seguida, virou-se para Mori e o olhou nos olhos fixamente.

"Venha." Mori agarrou a mão pequena e levou-a do quarto de volta pelo corredor. Ele gostou de ter mais uma desculpa para segurar sua mão. Dessa forma, ele poderia gostar dela sem ela saber. Ele levou-a um quarto vazio. Haruhi suspirou e caminhou para a pintura do lírio que tinha visto antes. Era a flor favorita dos pais dela.

"Seu quarto." O garoto alto falou para ela.

"Meu quarto." Haruhi repetiu devagar. Não, não pode ser, esse quarto é do tamanho do meu antigo apartamento. Mas minha bagagem está aqui. Haruhi flutuou ao redor da sala, absorvendo seu novo ambiente, devorando avidamente todas as novas informações. Ela parou de repente, lembrando alguma coisa. Ela abriu a frente de sua bolsa e tirou uma moldura. Era um retrato de sua mãe e seu pai no dia do casamento. Ela colocou-o em sua mesa de cabeceira.

"Perfeito." Haruhi sorriu e bocejou.

"Durma." Mori apontou para a cama coberta de linho branco.

"Não, Takashi-senpai eu não posso. Temos aula em dois dias, tenho de estudar, eu tenho que..."

"Durma." Ele optou por ignorar o 'senpai', por enquanto.

Haruhi murmurou algo incompreensível, tropeçou e caiu sobre a cama, deixando cair suas muletas. Ela fechou os olhos e suspirou de contentamento com o tecido mole. Mori puxou um cobertor sobre os ombros, em seguida, deixou-a descansar um pouco. Ele tinha colocado um pouco de comida em sua mesa de cabeceira caso ela tivesse fome mais tarde.

Ele foi tirar o terno e se trocar em seu quarto, em seguida, sentou-se em uma cadeira e começou a ler, só para, logo depois, desistir pois não conseguia se concentrar. Ele olhou para a imagem que Haruhi estava segurando e em seguida se perdeu em seus pensamentos. Por que Haruhi estava chorando em seu sono? Será que ela sempre fazia isso? Ela está pronta para voltar para a escola? Todo mundo sabe que ela é uma menina agora, era impossível esconder com a história nos jornais e tudo sobre o processo judicial.

"Takashi?" Haruhi estava parado na frente dele. Ele estava prestes a levá-la para a cama, mas ela começou a falar novamente: "Eu vou voltar a dormir, mas eu só queria lhe agradecer e pedir desculpas por ser um fardo."

"Você não é um fardo." Mori deixou escapar rapidamente.

"Um, bem... e..." Haruhi se inclinou para a frente e beijou-o rapidamente, ela estava prestes parar e ir embora quando Mori não fez nada, supondo que ela teve uma idéia errada, mas então ele puxou o braço dela para trazê-la de perto, não era particularmente íntimo ou longo, mas foi o suficiente para dizer um ao outro os seus sentimentos. Quando se separaram eles apenas se olharam nos olhos por alguns instantes.

"Boa noite." Haruhi murmurou e então flutuou de volta para seu quarto, quase literalmente flutuante, com uma mistura de emoções, a maioria boa, mas ainda havia os pensamentos remanescentes de seu pai que não iriam embora por um longo tempo.

Fim do capítulo 16.

Esse capítulo não foi um doce? Bom, aproveitem, as coisas vão ficar ainda mais amargas em algum tempo.

No próximo capítulo o tio de Haruhi está de volta. Temos uma leitura de testamento também.