Capítulo 17.

Quando Mori se levantou, ele imediatamente começou sua rotina matinal, banho, café da manhã e kendo no dojo da família.

Ele estava lutando contra bonecos de palha, mas parou porque ficava vendo o rosto do pai de Haruhi em vez da falta de expressão da palha. Ele se sentou no chão de madeira e fechou os olhos, limpando a mente de todos os pensamentos. Ele respirou profundamente e então expirou. Ele podia sentir seus músculos relaxarem e liberarem toda a tensão que ele nem sabia que tinha.

Embora se suponha que ao meditar você limpe a mente de todos os pensamentos, a de Mori se encontrava à deriva através de acontecimentos recentes. Seu coração passando por muitas emoções diferentes até o presente momento. Ele pegou a sua memória mais recente e o rosto ficou quente. Ele permaneceu quieto e calmo, com os olhos fechados. Sua boca se contorceu-se ligeiramente num sorriso. A menina em quem estava pensando provavelmente ainda estava encolhida em sua cama, dormindo e longe das recordações, se é que era possível. Esperançosamente elas não seriam todas ruins.

Mori finalmente desistiu de meditar e foi tomar uma ducha, permitindo-se mais alguns momentos de felicidade silenciosa como a água fria que escorria pelos cabelos e pelo seu rosto, agarrando-se aos seus cílios e relutantemente espirrando no fundo branco de cerâmica do chuveiro.

Ele saiu e envolveu uma toalha na cintura, em seguida, ele vagou pelo corredor para seu quarto. A porta de Haruhi estava entreaberta. Mori estendeu a mão para abri-la, mas lembrou seus modos e bateu suavemente.

Sem resposta.

Mori bateu um pouco mais forte.

Ainda sem resposta.

Ela provavelmente ainda está dormindo.

Mori não conseguiu resistir à oportunidade de olhar para o rosto dela adormecido, era provavelmente uma das poucas vezes em que não podia ver a tristeza, já que ela estava bem escondida, ele podia vê-la nos olhos, pele, músculos e mesmo na respiração. Ele empurrou a porta com suavidade, deixando-a abrir por si só. O quarto ficou em silêncio, as coisas de Haruhi estavam arrumadas, a cama perfeitamente feita. Nenhuma Haruhi. Os olhos de Mori se arregalaram uma fração e seu coração pulou, em seguida se acalmou novamente. Ela provavelmente tinha ido comer alguma coisa ou talvez ela estivesse no jardim. Sim, tinha sido isso.

Mori continuou a andar pela casa a um ritmo relativamente rápido, ele assustou um pouco as empregadas no caminho, todas meninas jovens. Provavelmente devido à sua semi-nudez.

Ele abriu a porta da cozinha desesperadamente passando, fazendo com que o cozinheiro soltasse um grito em terror. Nenhuma Haruhi.

Onde ela foi?! Ela é muito fraca para estar vagando sozinha. E se o seu tio a encontra? E se eu o fiz ficar com raiva ontem e ele quer vingança? Eu estou parecendo mais com Tamaki cada dia que se passa. Devagar. Mantenha. A. Calma. Mori foi até a pessoa que poderia saber de algo. Afinal, seu quarto estava ao lado dela.

Ele empurrou a porta e ela bateu violentamente contra a pilha de CDs de Satoshi. Seu irmão mais novo ganiu e caiu da cama.

"Meu Deus, o que diabos foi isso?" Satoshi sentou-se e gemeu.

"Onde está Haruhi?"

"Haruhi...? Ah, você quer dizer a garota!" Satoshi assentiu com a cabeça. "Não sei, desculpe não poder ajudá-lo... ela saiu?" Mori grunhiu de frustração.

"Você não está exagerando?" Satoshi sentou na sua cama e esfregou os olhos sonolentos.

Mori olhou para seu irmão intensamente.

"Certo, eu entendo, seu passado, blá, blá, blá, é melhor você procurar por ela. Mesmo assim aposto que ela está bem." Satoshi se deixou cair sobre o travesseiro. Mori correu para fora do quarto. "Espere!" Mori voltou-se impaciente. "Coloque algumas roupas antes de sair correndo por aí." Mori concordou sem expressão enquanto mentalmente chutava a si mesmo.

~.~.~.~

Mori vestiu-se e então, rapidamente saiu de casa. Ele ficou na frente do portão e olhou para a estrada vazia sentindo um pouco estúpido. Ele não tinha idéia para onde estava indo, mas ele tinha que fazer algo então ele seguiu por todo o caminho das casas da rua. Ele olhou rapidamente em cada jardim, mas ele não achava que Haruhi estaria em algum deles. Ele se movimentou de forma constante até que chegou a uma versão maior, mais elaborada de sua casa. Em vez de tocar a campainha da porta como uma pessoa normal, ele fez o uma coisa que estava acostumado, deu a volta e subiu pela janela do quarto de Huni. E, adivinhem, Huni estava sentado em um pequeno sofá comendo bolo. "Takashi? O que você está fazendo aqui?" Huni riu. "E porque a sua camisa está para trás?"

Mori apressadamente arrumou sua camisa enquanto explicava. "Haruhi está desaparecida."

"O quê? Haru-chan não pode sumir." Huni engoliu seu bolo e automaticamente seguiu seu primo para fora da janela do quarto para procurar por ela. "Será que eu chamo Kyo-chan? Ele pode chamar sua polícia particular."

"Sim."

Huni, simultaneamente enquanto corria ao redor das áreas em busca de Haruhi, não só chamou Kyouya mas, para aborrecimento silencioso de Mori, ele também chamou Tamaki e os gêmeos. Mori duvidava que seriam de muita ajuda, era mais provável que fossem um incômodo.

Em algum ponto em sua busca por toda a cidade Kyouya, Tamaki, Hikaru e Kaoru se encontraram com eles, três dos quais em completo estado de pânico. (Não há prémio para quem adivinhar.)

"Kyo-chan, onde está a polícia." Huni perguntou enquanto eles olharam em mais uma loja de café, na esperança de Haruhi estar lá dentro.

"Oh, por favor, eu sei onde ela está realmente e não há necessidade de toda essa histeria, sem ofensas, Huni-senpai."

"Onde está Haru-chan!?" Huni olhou para Kyouya com olhos arregalados. Tamaki estava agitando o amigo pela camisa em desespero até ele dar um cascudo e deixar Tamaki choramingando, mas recusando-se a ir para o seu canto.

"O cemitério."

"..."

"O pai dela foi enterrado ontem você não acha que é o local mais provável em que ela esteja?"

"Isso não é bom, Takashi?" Se virou para olhar o espaço em branco atrás dele.

"Mori-senpai nos deixou logo que Kyouya mencionou o cemitério." Os gêmeos apontavam para a porta aberta por onde seu veterano tinha corrido. "Nós precisamos nos apressar e encontrá-los. O testamento vai começar a ser lido em breve."

~.~.~.~

Haruhi estava sentada na grama, se virou e piscou, aturdida, ao ver o rapaz correndo e depois caindo de joelhos na grama em frente a ela.

"Takashi, o que está fazendo aqui? Você parece que correu uma maratona ou algo assim."

Algo assim. Mori pensou e olhou nos olhos de Haruhi, entre eles a pele ligeiramente enrugada de confusão ou preocupação.

"Eu estava preocupado."

"Por quê? É porque você não me encontrou em casa? Eu deixei um bilhete sobre a minha mesa de cabeceira."

...

Mori colocou os dois braços sobre os ombros e inclinou-se ficando próximo do rosto dela. Ele ficou observando-a por alguns instantes, até que ouviu o som inconfundível de passos, ele sentou-se quando o clube anfitrião apareceu na esquina.

"Parabéns Mori-senpai, você a encontrou." Os gêmeos saltaram e abraçaram seu brinquedo favorito, até que ela os empurrou para longe.

"Já que estamos todos aqui eu acho que seria aconselhável ir à leitura agora... a menos que você não nos queira lá Haruhi." Kyouya ergueu as sobrancelhas para a garota sentada na grama. Ela estava usando um vestido, provavelmente por ser mais fácil de usar isso que outro tipo de roupa, por causa do gesso na perna. Era simples de algodão com uma cor branca e tinha um casaco preto que estava pendurado fora de seus ombros. "Eu tenho uma limusine à espera." Acrescentou ele e apontou para o carro preto lustroso. Uma pequena multidão pessoas que visitavam o local ficou de olhos arregalados.

Haruhi encolheu os ombros com indiferença e usou suas muletas como alavanca para sair do chão, segurando ambas muletas na mão. "Vocês podem vir, não é como se o meu pai tivesse algo para deixar, por isso vai ser bem chato e simples." Ela agarrou a mão de Mori como se fosse normal e caminhou para a porta do carro. Mori seguia passivamente atrás, como se ele não estivese feliz com o pequeno gesto de Haruhi. Embora ele estivesse. Seu primo podia perceber.

Espero que Haru-chan realmente goste de Takashi como ele gosta dela. Se isso for só o amor dela por seu pai ser colocado em outra pessoa quando ela se entristece... Eu não quero nem pensar nisso...

Eu vejo que Mori-senpai confessou seu amor por Haruhi em alguma forma, este é um desenvolvimento interessante.

Porque Haruhi pegou a mão do Mori-senpai?! Papai gosta de Haruhi mais do que ele! Estou confuso...

O que está acontecendo?

Haruhi não notou ninguém olhando para as duas mãos ligadas, se o fizesse, ela provavelmente não se importaria.

~.~.~.~

"Vendo como os dois únicos parentes vivos do falecido estão presentes, acho que estamos prontos para começar." Um homem idoso que se assemelhavam fortemente a um cão de caça disse em uma voz que definitivamente não se adequava a sua aparência.

Abriu um pedaço de papel e limpou a garganta enquanto Mori encarou Karasuma Fujioka outro lado da sala, Kyouya rabiscou em seu caderno, Huni se deliciava sobre um bolo coberto de gelo e Tamaki assistia os gêmeos jogarem em seus Nintendos DS.

"Uh... Esse foi um dos mais curtos que já vi em um tempo, ele diz que todos os pertences da casa serão mantidos ou vendidos, dependendo da vontade da senhorita Haruhi Fujioka e o apartamento deve ser vendido. Eu acredito que isso já tenha sido providenciado." O homem fez uma pausa e ler a mesma linha e outra vez. "E, nas palavras exatas do falecido: 'para quando você fizer dezoito anos, minha filha querida aqui estão seus oito milhões de ienes'."

Haruhi quase caiu da cadeira.

"O quê?" Haruhi engasgou.

Os anfitriões apenas olharam para frente. "Eu suponho que é muito para um plebeu." Hikaru encolheu os ombros.

"É apenas uma coincidência, ou é o valor do vaso que quebrou no ano passado?" Sua duplicata ponderou.

Haruhi ignorou-os. "Não, não, isso não pode estar certo. Meu pai não muita coisa que pertencesse a ele." Ela fracamente raciocinou. "Posso ver, por favor?" Ela estendeu a mão trêmula para o pedaço de papel que ela pensava estar cheio de mentiras. Ela balançou a cabeça enquanto olhava obstinadamente a verdade. "Ele sempre disse que estava guardando dinheiro para minha universidade, eu pensei que ele estava brincando."

"Isso não é maravilhoso minha sobrinha querida?" O tio de Haruhi apareceu ao seu lado, todo sorrisos. Mori ficou logo de pé na frente da menina. Que estava um pouco desorientada. "O quê? Ela é minha sobrinha. Não sua." Mori se afastou um pouco, mas manteve alerta em caso do tio violento de Haruhi tentasse fazer alguma coisa.

"Você deu um tapa no rosto dela ontem, que grande familiar você é!" Hikaru observou sarcasticamente. O homem que lia o testamento saiu, não querendo se envolver em todo o negócio sujo.

"O que importa é que eu seja da família." Karasuma continuou sorrindo. "E eu acredito que ela está sob minha guarda e eu vou levá-la para casa agora. Não vou querida?" Ele colocou a mão firme no braço de Haruhi, ela recuou para longe dele indo para perto de Mori.

"Isso pode ser verdade, mas ontem você estava muito bêbado para cuidar dela, eu vou fazer meus médicos pessoais verificarem a sua saúde e estado mental para termos certeza que a nossa querida Haruhi estará segura contigo." Kyouya fechou o e ajeitou os óculos calmamente até a ponta do nariz. Karasuma abriu e fechou a boca como um peixe, não tendo certeza se acreditava que um adolescente poderia realmente fazer esse tipo de coisa ou não. Kyouya suspirou irritação quando o seu comentário foi recebido pelo silêncio. "Guardas, por favor, escoltem este homem para fora."

Guardas apareceram do nada e arrastaram Karasuma da sala, Haruhi assistiu sua saída.

"Bastardo ganacioso." Ela murmurou baixinho.

"Você tem esse direito." Os gêmeos concordaram com a cabeça. "Nenhum de nós teria dito melhor."

"Acho que meus médicos serão capazes de mantê-lo ocupado por alguns dias, nesse meio tempo eu vou ver se os pais de Mori-senpai podem assinar um acordo para tê-la sob seus cuidados. A julgar pelo passado de comportamento violento do seu tio, será possível tirar a guarda dele." Kyouya já estava discando um número em seu telefone celular. "Você deveria descansar um pouco de qualquer forma Haruhi, a escola começa amanhã. Seu novo uniforme estará esperando por você."

"Não posso usar o meu antigo?"

"Não... Você terá que usar um uniforme feminino a partir de agora. Não é maravilhoso minha filha?"

"O quê??"

Fim do capítulo 17.

Haruhi sente uma falta enorme do pai a consumir a cada dia. Mas esse sentimento será somado com o fato de enfrentar os olhares por toda a escola e a atitude ganaciosa do tio.