Capítulo 19.
"Hei." Os gêmeos sentaram-se em uma das mesas do salão de almoço. "Onde está Haruhi?"
"Vocês são da classe dela, como é que nós poderíamos saber onde ela está?" Kyoya assinalou, não tirando os olhos da tela do computador. Ele estava digitando com uma mão e comendo com a outra.
"Nós pensávamos que você sabia tudo, Kyoya-senpai." Eles levantaram as sobrancelhas.
Os olhos de Kyoya estavam quase visivelmente contraídos.
"Do que vocês estão falando?" Tamaki perguntou, sentando-se na cabeceira da mesa e voltando-se para Kyoya. "E onde está Haruhi?"
"Viu só?"
"Vocês perderam minha filha!?" Tamaki gritou e algumas pessoas que passavam andando deram a ele olhares estranhos, não que ele percebesse.
"Eu digo que você deveria dar a ela algum espaço, Tamaki. Ela provavelmente quer ficar sozinha. Eu acho que considerando a situação dela a gente tem que tentar entender isso." Kyoya desistiu de manusear o computador e voltou-se para a comida com uma expressão entediada.
"Você está sendo surpreendentemente gentil hoje, senpai." Kaoru notou.
"Nenhum de vocês estava com ela quando ela viu seu pai após a notícia de morte cerebral." Kyoya disse para encerrar a conversa. Ninguém teve resposta.
Hikaru mexeu-se desconfortavelmente na atmosfera depressiva. "Talvez Mori-senpai saiba onde ela está, eles estão morando na mesma casa."
Tamaki automaticamente abandonou sua comida e golpeou numa pose dramática. "Certo, homens, para a Universidade!" Os gêmeos seguiram dispostos, Kyoya caminhou lentamente atrás murmurando algo sobre 'o idiota' nunca ouvi-lo e o motivo deles serem amigos.
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"Vocês não encontraram Haru-chan?" Huni perguntou com a boca cheia de bolo. Havia uma sombra preocupada na sua face.
"Nós esperávamos que vocês tivessem uma idéia de onde ele poderia estar." Os gêmeos disseram.
"Eu não sei, você sabe, Takashi?" Huni olhou para seu primo mais alto. Mori parecia pensar seriamente.
"Cemitério."
"Isso soa provável." Kyoya disse, caminhando através da porta da sala de aula de Mori e Huni, "Eu disse a vocês idiotas que ela queria algum tempo sozinha. Ele provavelmente voltará no fim do horário de almoço. Desculpem por incomodar, senpais."
"Não tem problema, eu sinto falta de ver vocês no horário de almoço, é solitário aqui, não é Takashi?"
"Sim." Mori respondeu ausente, ele estava tentando não se preocupar.
Haruhi poderia mesmo ficar sozinha? Era um longo caminho da escola até o cemitério. Eu tenho um período livre depois do almoço. Vou passar no colégio e verificar se ela voltou bem.
Mori pensava tão profundamente que ele não tinha notado que os quatro amigos já tinham ido embora.
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Haruhi acordou lentamente, ela aconchegou seu rosto no travesseiro macio, agradecendo a si mesma por estar dormindo.
Travesseiro? Seus olhos abriram imediatamente.
Ela sentou-se na cama na qual estava e olhou ao redor do cômodo. As paredes era de cor creme pálido e o chão tinha tábuas nuas de madeira. Os móveis consistiam em uma mesa vazia, uma penteadeira/cômoda e a cama em que ela estava sentada.
A porta abriu e seu tio entrou carregando uma tigela de sopa.
Haruhi esfregou os olhos. "Onde eu estou? Preciso voltar para a escola." Ela colocou os pés fora da cama e seu tio os colocou gentilmente de volta.
"Esta é a sua nova cama e você está muito cansada para ir à escola agora. Além disso, você não vai voltar àquela escola novamente, aqueles garotos são uma má influência, eu já liguei para o diretor."
"O quê? Eu trabalhei duro para entrar naquela escola e aqueles garotos são meus amigos." Haruhi ficou de pé, apesar de instável, procurando pelos apoios, com elas poderia ir embora. "Devolva minhas muletas."
"Não, você não vai me desobedecer, você vai ficar aqui e fazer o que eu digo." Karasuma chiou.
"Você não pode me obrigar." Haruhi falou de volta e deu um passo, ela andou de repente, mesmo sobre o gesso e chegou à porta.
"Eu sou o seu guardião legal!"
"Não por muito tempo. Você esqueceu qual é a minha idade?"
"Que diferença isso faz?"
"Eu posso escolher meu guardião, eu pesquisei com Kyoya-senpai. Ele já está me ajudando a trabalhar na papelada. Eu não disse nada antes porque sabia que você acabaria fazendo uma coisa precipitada e idiota, não que você precisasse de ajuda para isso de qualquer forma."
Karasuma fez um tipo de som de frustração. Haruhi apenas suspirou e abriu a porta, seu tio tocou seu ombro e ela voltou-se para ele rapidamente.
"O que você quer?" Ela vociferou. Seu tio hesitou por um momento quando pegou a vasilha quente de sopa e atirou o líquido no rosto da garota. O calor queimou através da superfície da pele de Haruhi e ela gritou de surpresa e dor, ela balançou e caiu sobre os joelhos, tentando desesperadamente tirar o líquido quente da face.
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Mori já tinha conferido a sala de aula de Haruhi e quase teve um ataque quando viu que ela não estava lá. Ele tinha saído e procurado pela propriedade da escola enquanto os gêmeos foram contatar Kyoya, Tamaki e Huni. Ele tinha verificado todos os andares a tempo de aparecer para encontrar todos em frente ao portão da escola.
"Meu pai falou que há alguns minutos, alguém ligou para retirar Haruhi da escola... esperem, aquele á o carro do tio da Haruhi?" Tamaki olhou por cima do ombro de Mori para um carro que passava, os olhares dos outros anfitriões o seguiram.
"E não é a Haruhi dormindo no banco de trás?"
Mori teve seu ataque dessa vez.
Antes que alguém pudesse falar qualquer coisa, ele perseguiu o carro. Os outros anfitriões apenas olharam em descrença. Kyoya limpou a garganta e gesticulou para um carro próximo (carro, não uma limusine, seria muito suspeito). "Deixem Mori-senpai e seu lapso momentâneo de insanidade. Vamos seguir aquele carro de uma maneira razoável."
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Mori, não obstante as leis da física e da natureza, consegui emparelhar com o carro por tempo suficiente para confirmar que era mesmo Haruhi no banco de trás. Quando o carro começou a ficar mais lento, ele também diminuiu a velocidade, até que se escondeu para observar o carro parando.
Karasuma estava carregando Haruhi, ele não parecia rude, mas também não parecia sentir alguma afeição pela menina. Haruhi parecia tranquila, braços e pernas relaxados enquanto era carregada dormindo, para dentro de uma casa.
A casa do tio da menina tinha um tamanho bom, dois andares mais o que parecia ser um amplo quarto no sótão. As janelas eram largas e a casa parecia clara, em frente havia grama impecável.
Mori sentou na grama do outro lado da rua, de olhos focados na casa por um par de minutos até que viu o carro com os outros anfitriões aparecer na parte baixa do caminho. Quando os outros começaram a caminhar em direção a ele, apontou para a casa.
"Então, Karasuma sequestrou Haru-chan?" Huni sussurrou, seus olhos cheios de lágrimas. Mori acenou que sim.
"Isso não seria sequestro, Karasuma é o guardião legal por enquanto, mesmo eu trabalhando nisso." Kyoya encostado contra uma árvore e seus óculos brilharam.
"Eu não acho que Karasuma possa ser o guardião de Haruhi, ele é um completo estúpido." Huni declarou docemente. Todo mundo olhou para ele.
"Mitsukuni, Onde você aprendeu essa palavra?"
"Tenho 19 anos..."
"É o suficiente." Os gêmeos encerraram. Então, eles esperaram.
E esperaram.
E inquietaram-se.
"O que eles estão fazendo." Tamaki choramingou. "Eu quero ir resgatar minha filha."
"Pelo que sabemos ela pode simplesmente estar dormindo. Haruhi talvez não precise ser resgatada. Eu acho que nós devemos voltar à escola antes que sejamos notados. Eu não gosto de deixá-la aos cuidados desse homem mas se nós não pudermos fazer nada e isso é provavelmente classificado como perseguição." Kyoya fechou o laptop e sentou na sua posição sob a árvore.
Um grito agudo veio da direção da casa de Karasuma.
"Tamaki, você tem permissão para resgatar sua filha." Kyoya disse, ambos preocupados e um pouco incomodados de Tamaki ter razão em um dos seus exageros.
Mori já tinha derrubado a porta a tempo dos outros o seguirem, Huni o alcançou e eles correram escadas acima. Eles viram uma porta entreaberta e a abriram completamente. Karasuma pareceu-me tentando conter algo do rosto de Haruhi, a pele ao redor dos olhos estavam numa gritante a cor vermelha
Ela olhou para cima, lágrima caindo dos olhos vermelhos.
"T-takashi?" Ela parecia aturdida. "Ele atirou sopa quente no meu rosto."
Karasuma se afastou, encolhido. "Eu não queria. Eu estava tentando ajudá-la."
Huni foi até ele e ergueu o punho, o tio de Haruhi ficou de costas contra a parede. Huni aplicou um golpe em seu pescoço, acertou o nervo e o homem a perdeu a consciência. O campeão de karatê esfregou as pequenas mãos, em seguida, virou-se para verificar a Haruhi, mas foi parado pelo resto do clube de anfitriões de pé na porta, completamente confusos, então ele explicou a situação para eles.
Enquanto isso, Mori estava ajoelhado perto de Haruhi, gentilmente limpando o resto de sopa quente do rosto dela. Ela olhava para ele com uma careta e olhos úmidos. Ele suspirou e deu a ela um pequeno sorriso. "Eu estava preocupado." Ele murmurou.
"Takashi, eu posso te ouvir, mas eu não posso te ver." Haruhi tinha os olhos desfocados. "Não p-posso ver."
Mori olhou para Kyoya que tinha se juntado a eles. Kyoya abaixou-se para a altura de Haruhi também.
"Haruhi." Ele começou, sua voz séria e com um pouco de preocupação. Ele mostrou a ela quatro dedos. "Quantos dedos eu estou te mostrando?"
"Humm... dois?" Tudo ficou silencioso. "Está errado, não é?"
Haruhi sentiu-se ser envolvida por um abraço quente. Os olhos estavam abertos, mas tudo que ela podia ver eram uma tenebrosa nuvem de bolhas coloridas.
Fim do capítulo 19.
E como eu disse, um capítulo tenso. Tadinha dessa Haruhi, tomara que a autora dê um bom destino para ela no fim. Próximo capítulo um pouco menos tenso.
Neste momento, se eu traduzir mais um capítulo alcanço a história original e todos terão que enfrentar a espera agoniante que eu espero... XD
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