Capítulo 22

Anteriormente...

Mori e Haruhi assentiram, Mori tentou ignorar o sorriso afetado de Kyoya, que estava piscando. Haruhi ouviu as portas de vidro da frente hospital deslizarem e, em seguida, uma voz.

"HARUHI!" Soou como uma tentativa fracassada de naturalidade, como se o dono da voz tivesse seus dentes cerrados. Haruhi reconheceu a voz.

"O que ele está fazendo aqui?" Kyoya sibilou. "O pessoal da minha força policial será punido por este deslize."

Mori colocou Haruhi em uma posição mais segura nos braços.

"Saia daqui, Fujioka Karasuma." Ele resmungou, protegendo Haruhi como um escudo.

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"Eu vim buscar a minha sobrinha. Eu sinto muito por ter escorregado e machucado ela."

"Por que você não pode simplesmente me deixar em paz?" Haruhi gritou ferozmente, ainda envolvida no abraço protetor de Mori.

"Não apenas você não é mais guardião legal de Haruhi, como há uma ordem de restrição dizendo que tem que manter uma distância de pelo menos vinte metros dela." Kyoya estava secretamente chamando a polícia local aliada à força policial privada de sua família.

"Oh? É mesmo? Bem, eu preciso do dinheiro... quero dizer, da garota, ela é a minha única parente viva." Karasuma soava mais desesperado do que solitário.

"Takashi, tome cuidado. Eu acho que ele está drogado." Haruhi tinha visto viciados nas ruas e becos do seu bairro o suficiente para saber como eles se comportavam. Mori murmurou em concordância, ele podia ver as mãos de Karasuma tremendo e seus olhos pareciam selvagens e desfocados. Mori gelou quando viu Karasuma puxou um objeto do bolso da jaqueta.

"O que foi?" Haruhi sussurrou, inquieta com a súbita tensão do corpo de Mori. Uma mulher que saía do hospital deu um passo para a calçada, parou e gritou, correndo de volta para o prédio.

"Leve Haruhi para dentro." Mori murmurou para Kyoya. Karasuma abafou uma risada.

"Você precisa entrar também, aquela arma é exclusiva dos policiais da minha família, ele deve ter roubado." Kyoya grunhiu, e pela primeira vez na vida Haruhi ouviu medo em sua voz.

"Deixe a garotinha vir."

Mori menteve sua posição, ele podia ver os policiais escondidos ao redor da cena. Karasuma engatilhou a arma carregada.

"Então eu vou ter que fazer você me entregar." Ele murmurou. Os dentes de Haruhi tremeram de medo.

"T-takashi, ele vai te machucar." Ela puxou a camisa dele, tentando movê-lo para a direção que supunha ser a das portas do hospital.

Dois policiais agiram rapidamente e agarraram Karasuma, puxando seus braços para cima, tentando evitar que ele atirasse em alguém. Karasuma ganiu e puxou o gatilho, a bala ricocheteou em uma direção aleatória. Haruhi sentiu o vento zunir acima da sua cabeça e automaticamente empurrou Mori para longe.

Ela ainda estava com o eco do tiro nos ouvidos, mas pode ouvir o gemido de dor de Mori, o que fez seu coração encher-se de terror.

Outra vez não, não me deixe. Não tome todos de mim.

"Takashi! Takashi!" Haruhi quase gritou, ela não se importava se a polícia tinha levado seu tio para longe, por um bom tempo, se possível.

"Eu estou bem." Ele está falando, com uma voz tensa, mas ele está falando. Haruhi caiu de joelhos ao lado dele, colocando as mãos cegamente na frente dela, sentiu então o ombro de Mori, seus dedos estavam molhados e ela podia sentir o cheiro metálico de sangue.

"Desculpe-me... Eu tenho causado tantos problemas." Mori sentou-se e afagou-lhe os cabelos com o braço bom. Kyoya colocou uma mão no ombro de Haruhi.

"Você o empurrou a tempo, então foi só de raspão, os médicos vão cuidar disso e ele vai ficar bem."

"Sim." Mori moveu a mão para o rosto dela e, em seguida, levantou-se. Duas enfermeiras histéricas o levaram para dentro.

"Ainda é minha culpa." Haruhi estava aliviada por estar usando bandagens nos olhos, pois cobriam seu olhar culpado.

"Haruhi, não importa o que você diga, e se você disser isso a alguém terei que dobrar sua dívida, mas todos no Clube de Anfitriões, e acho que outras pessoas também, seriam piores se não tivessem conhecido você." Kyoya admitiu, dando uma mão para Haruhi sair do chão. "E eu odeio admitir, mas você me ensinou coisas que eu nunca saberia a respeito do mundo."

Haruhi permaneceu em silêncio, deixando as palavras gentis de Kyoya reverberarem, ainda incerta de si mesma.

"Nós vamos lavar as suas mãos." Ele gentilmente a conduziu pelas portas do hospital até um banheiro perto da entrada. Ele abriu a torneira e passou um sabonete para ela, permitindo à menina esfregar o sangue seco das mãos.

"Senpai." Haruhi disse em uma voz pensativa. "Você sabe que realmente deveria parar de ser um idiota, você é uma das melhores pessoas que eu já conheci... quando não está tentando aumentar meu débito, eu quero dizer."

"Vou levar isso como um elogio." Kyoya sorriu.

"Você este rindo?" Haruhi virou-se para ele e Kyoya passou uma toalha.

"Não."

"Mentiroso." Haruhi deixou um sorriso quebrar a seriedade do próprio rosto.

Assim que deixaram o banheiro, Kyoya pode ver Mori se aproximar, lado a lado com as duas enfermeiras. Ele tinha sua expressão usual, um curativo enfaixava o braço abaixo do ombro esquerdo. Não demonstrava nehuma emoção até que avistou Haruhi, então suavizou a expressão. Obviamente, ela não podia vê-lo ainda, mas sentiu sua presença. Quando ele se aproximou, ela girou a cabeça como quem procura ao redor.

"Takashi, você está bem?" A voz de Haruhi soou mais normal que antes, ela sabia que era porque o som dos passos dele estavam firmes e se ele podia andar normalmente então a ferimento não era grave.

"Sim." Ele passou a mão pelos cabelos dela e a garota suspirou feliz.

"Sinto muito." Ela repetiu. "Eu causei tantos problemas."

"Valeu à pena." Insistiu Mori.

A enfermeira mais próxima limpou a garganta. "Houve um corte profundo, mas você teve muita sorte para quem levou um tiro, senhor Morinozuka, se trocar as bandagens todos os dias pelas próximas duas semanas acho que não terá problemas. Senhorita Fujioka, tanto as bandagens dos seus olhos quanto seu gesso poderão ser removidos em duas semanas também, venham ao hospital nessa data. Tenham uma boa semana.

"Obrigada." Haruhi sorriu e Mori inclinou-se ligeiramente, em seguida, pegou a mão de Haruhi e saiu do prédio. Kyoya os seguiu até lá e disse um breve adeus, entrando num carro que estava à sua espera. O cenário externo estava quase normal. Karasuma estava longe de ser visto.

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"Haruhi imouto-chan!" Satoshi abraçou-a quando ela passou pela porta. A garota ficou confusa com sua atitude repentina. Ele nunca havia sido frio com ela, mas agora ele estava agindo como se fossem amigos de infância. Mori não estava surpreso, Satoshi parecia se afeiçoar rapidamente às pessoas.

"Haruhi é mais velha que você." Mori ressaltou. (N/A: Imouto quer dizer irmã mais nova.)

"Mas ela tem essa carinha tão fofa." Satoshi lamentou, em seguida avistou a atadura branca no braço do irmão. Ele olhou de volta para Haruhi e gritou. "Vocês são irmãos de curativos!"

Haruhi e Mori pensaram exatamente da mesma forma. Uhn? O.o" (N/T: desculpem o emoticon, mas é a melhor descrição da reação dos dois!)

"Por que está usando isso?" Satoshi olhou rapidamente o braço do irmão, inspecionando a camiseta. "Não fez isso só para ficar parecido com a Haruhi imouto-chan?" Ele levantou as sobrancelhas para o irmão que virou o rosto tentando não parecer envergonhado. Haruhi não parecia embaraçada, ela estava muito ocupada se perguntando por que Satoshi dirigiu-se a ela como uma irmã e não se incomodou com a formalidade para com o seu verdadeiro irmão mais velho.

"Tiro." Mori disse a ele.

"Você levou um tiro?!" Satoshi levou um susto.

"Foi por minha culpa." Haruhi juntou-se à conversa quando Satoshi gritou. Mori balançou a cabeça e fez um som de desaprovação.

"Bem, a não ser que tenha sido você a atirar nele, não vejo como isso pode ter sido sua culpa." Satoshi deu-lhe um tapinha na cabeça, esperando que a expressão de culpada desaparecesse do rosto dela. "E pelo que parece, meu irmãozão ainda pode usar o braço, quer dizer que não foi tão ruim assim."

Haruhi encolheu os ombros e suspirou mais uma vez, tirando a mão de Satoshi da sua cabeça, caminhou lentamente para o quarto dela, usando a parede para se orientar. Os irmãos compartilharam um olhar.

"Ela geralmente age assim?" Satoshi perguntou.

Mori balançou a cabeça, mas deu um sorriso.

"Eu acho que desastres podem mudar as pessoas, mas você poderia tentar compensar isso." Satoshi empurrou o irmão na direção em que Haruhi tinha ido. Mori olhou para trás agradecido, Satoshi tinha um brilho travesso nos olhos. "E se chegar muito longe, certifique-se de usar proteção, não precisamos de mais surpresas inesperadas."

Mori atirou um olhar bravo ao irmão, mas seguiu em frente. O irmão sorria quase maldosamente. Ele entrou no quarto de Haruhi para encontrar a menina arrastando as mãos ao longo da parede, murmurando algo sobre sua mala. Ela virou o rosto para ele quando parou na porta.

"Eu não me lembro do formato do quarto e tudo que eu pude encontrar foi essa estúpida janela... Estúpida cegueira. Eu pareço um bebê chorão indefeso." Haruhi sentou no chão e passou as mãos pelos cabelos. Ela ouviu os passos de Mori em frente a ela, então ele se ajoelhou. "Talvez eu devesse ir morar com Misuzu e Mei, assim você não teria que me proteger e se machucar.

"Mas eu quero." Mori murmurou, sua voz mais perto que ela esperava.

"Por quê?" Haruhi tentou não gaguejar, ela podia sentir o calor do seu rosto no dela, as bocas mais próximas. Não havia nenhuma necessidade para palavras ali. Foram apenas poucos segundos de contato, quando ela deixou o beijo, sentiu falta do sentimento suave e seguro.

"Eu acho que eu vou ficar." Haruhi murmurou quase sonolenta. "Se você me quiser."

Mori sorriu e afagou os cabelos da menina, depois pegou em sua mão e levou-a para o jardim.

Fim do capítulo 22.

Assim como no original, temos uma prévia ali, que também retifica alguns errinhos que cometi bem no final do capítulo 21. Perdon!

Esse capítulo foi tenso e fofo, ao mesmo tempo... O.o"

Não posso dar prévia do que vem por aí porque eu não sei. Esse capítulo foi ao ar originalmente no domingo (24/01/2010), eu estive com uma crise de enxaqueca durante as últimas 36 horas, então não pude traduzir depressa. T.T

Um beijo a todos que estão lendo.