Capítulo 23.

Haruhi estava sentada eu Deus sabe qual restaurante com o resto do clube de anfitriões conversando alegremente ao redor dela. Ela estava feliz também, tomando sua bebida e ouvindo com um semi-interesse o que os outros falavam.

Ela mexeu animadamente sua perna recém livre, sentia ela estranha e aerada, a pele exposta e quando ela andava, parecia fraca, mas não doía.

Isso também significava que ela podia usar calças novamente. Haruhi admitia que vestidos e saias eram aceitáveis, apesar de estranhos, e era verão no fim das contas. Mas calças eram confortáveis e ela sentia-se mais protegida e segura. A mão de Mori estava sobre a dela, eles estavam sentados num longo banco alcochoado de seda, Huni estava de um lado dela e Mori do outro, Kyoya estava em frente a ela, desconfortavelmente entre os gêmeos e Tamaki. Haruhi não tinha que vê-lo para saber quanto incomodado ele estava com o trio, que estava fazendo um escândalo como sempre.

Haruhi suspirou satisfeita e Mori apertou sua mão, preocupadamente.

"Eu estou bem." Haruhi sorriu para ele. "E seu braço?"

"Ok." O curativo tinha sido retirado simultaneamente ao gesso dela, Haruhi escovou as mãos dela gentilmente ao longo de onde o ferimento tinha sido feito, encontrando apenas a cicatrização. "Olhos?"

"Eles não têm doído em dias, eu realmente não vejo por que eu não posso tirar a bandagem hoje, mas eu acho que um dia a mais não vai fazer muita diferença."

"Ei, Haruhi, o que você quer comer?" Hikaru perguntou ruidosamente do outro lado da mesa.

Ricos idiotas e seu barulho desnecesário. Haruhi balançou a cabeça. "Eu não me importo, você pode escolher por mim." Não havia necessidade em dizer que ela não poderia pagar nada, apenas para não incentivar Tamaki a se dispor a comprar todo o menu para sua linda Haruhi.

Ela tinha notado que ele não se chamava mais de pai dela ou a ela de filha dele. Ou ele estava sendo atencioso por considerar que ela podia ficar se lembrando do próprio pai morto, ou provavelmente Kyoya o tivesse alertado para os sentimentos dela.

"Quando todos tiverem pedido sua comida, eu poderei contar tudo que eu sei sobre Karasuma Fujioka e como ele apareceu em frente ao hospital daquele jeito."

O estômago de Haruhi deu uma volta engraçada ao som do nome do homem, mas ela estava grata por finalmente entender o que aconteceu.

Foram mais 20 minutos para todos se aquietarem e fazerem os pedidos, o garçom estava totalmente confuso no momento que deixou a mesa, então Kyoya só passou a ele uma folha de papel com tudo que as pessoas queriam.

"Certo." Kyoya começou, os gêmeos calaram-se e sentaram quietos. "Nesse momento, Karasuma Fujioka está em reabilitação e quando ele a tiver completado ele se mudará para uma parte diferente do país." Haruhi deixou escapar um suspiro fraco, o homem horrível número dois estava fora do seu caminho. "As razões para reabilitação são alcoolismo e abuso de substâncias e jogo."

"Uau." Hikaru disse. "São um monte de problemas."

"Eu juro que nem todas as famílias 'plebéias' são tão problemáticas como a minha." Haruhi sabia que eles estavam pensando agora que as pessoas comuns andavam pelas ruas fumando crack e desperdiçando seu dinheiro.

"No dia que ele apareceu no hospital, ele havia sido detido por um policial local, um dos meus policiais locais estava de pé guardando a cela dele. Karasuma não foi apropriadamente revistado e ainda tinha drogas com ele. Embora alterado pelo uso das drogas, ele conseguiu pegar a arma do meu oficial e bateu na cabeça dele, tomando-lhe as chaves. Ele fugiu antes que qualquer um pudesse perceber. Eu asseguro a vocês que tanto o policial que o revistou quando o que o estava vigiando foram demitidos.

Isso foi um pouco duro. Haruhi pensou consigo, mas não disse nada. Afinal, Kyoya a tinha ajudado muito com seus recursos infinitos e conhecimento e agora se sentia culpado por ter sido imperfeito e ter cometido erros. Na verdade era confortante para Haruhi saber que Kyoya era apenas humano, o sentimento de medo que aparecia quando ela estava perto dele tinha desaparecido, a não ser que o demônio da pressão baixa estivesse presente na hora que ele acordava, aquilo amedrontava qualquer um, menos Mori.

Haruhi sorriu internamente aos seus pensamentos que vagavam sem rumo, a conversa ao redor dela relativamente calmante e tudo em sua vida voltando a um estado que se assemelhava a 'normal'.

A comida chegou rapidamente e Haruhi pegou seus hashis e comia normalmente, tinha se acostumado a comer às cegas com facilidade. Apesar de ela estar ainda mais desastrada do que o habitual e de tropeçar em tudo e qualquer coisa (incluindo em terreno perfeitamente plano) Haruhi tinha se adaptado bem, a escola era rica o suficiente para comprá-la com um conjunto de livros em braile, bem como um computador portátil com um teclado braile assim ela conseguia acompanhar o trabalho.

"Como estão suas notas, Haruhi?" Kyoya foi o primeiro a começar uma conversa séria com ela desde sua conversa com Mori. Huni estava explicando para os três patetas algo sobre artes marciais, usando Mori como ajudante na demonstração.

"Tudo certo, pego quase tudo." Haruhi colocou outro pedaço de sushi na boca, apreciando o sabor, feliz por ter deixado os outros escolherem o prato.

"Hikaru e Kaoru têm anotado as coisas para você?"

"Não, a escola me forneceu um laptop e estou usando o braile."

"Você pode ler em braile?" Kyoya pareceu genuinamente surpreso.

"Não é muito difícil. Eu sabia um pouco disso por um workshop que fiz no ensino médio, só levou alguns dias para aprender corretamente, mas línguas e coisas assim eu acho que pego facilmente."

"Estou impressionado."

Haruhi apenas encolheu os ombros. Ela ficou surpresa também; Kyouya raramente ficava impressionado, considerando que ele mesmo era tão inteligente. Ela foi roubada de sua conversa por Tamaki praticamente gritando no seu ouvido a importância do aprendizado das artes marciais.

"Não há realmente nenhuma intenção em mim em aprender artes marciais." Haruhi balançou a cabeça.

"Por que não? Isso pode protegê-la de pessoas desagradáveis." Tamaki ainda estava gritando, Haruhi imaginou que os outros clientes do local estavam assustados.

"Eu tenho Takashi." Haruhi sorriu. Sim, Mori era definitivamente a pessoa que a fazia se sentir segura. A pessoa citada pegou na mão dela e apertou um pouco, ela podia sentir sua mão ficando quente e seu coração batendo mais rápido.

"O que isso deveria significar?" Tamaki ainda estava falando alto, tão denso como sempre.

Haruhi apenas riu e comeu algum atum, contando as horas em que ela poderia tirar as bandagens e abrir os olhos.

~.~.~.~

Naquela noite Haruhi fechou os olhos, confiante de que amanhã ia ser um bom dia. Ela sonhou que havia tirado de ataduras e visto as coisas que ela tinha achado que começara a esquecer, como a luz do sol e grama, a cor verde fresco que amava. Uma de suas coisas favoritas era que a forma que a água reflete a luz do sol, brilhando como jóias, mas muito mais preciosa. Foi por isso que o nascer do sol era a sua hora favorita do dia. A grama reluzia com o orvalho e o céu era como um pote de tinta gigante de cores. Ela poderia ainda se lembrar de sua mãe, vendo o sol nascer naquele dia com ela no dia em que morreu. Sua mãe estava na cama do hospital, ela foi para a janela. A Haruhi de cinco anos de idade aconchegou-se a sua mãe morrendo em lençóis finos e viu o Sol lutar seu caminho para o céu.

Então, Haruhi abriu os olhos.

Não havia luz do sol.

Não havia nenhuma grama.

Sem luz refletida de orvalho da manhã.

Nenhuma mãe.

Foi a primeira vez que ela tinha tido um sonho que não era o seu pesadelo habitual, mas este foi o pior. Ela tinha acordado no meio do nada.

A respiração de Haruhi parou e ela tropeçou no quarto, indo ter certeza de que nem tudo se foi, ela bateu em paredes em seu caminho. Onde estava ela? Ela soltou um suspiro profundo quando encontrou a porta familiar e lidou com um pequeno pedaço de corda que tinha sido amarrado ali para ajudá-la a encontrar seu caminho.

A porta se abriu quase que silenciosamente.

"Takashi? Você está aí?" ela sussurrou.

Ela ouviu passos e uma mão foi gentilmente colocada sobre a cabeça. "Hum."

"Eu pensei, eu pensei que tudo tinha ido embora." Haruhi franziu a testa, desorientada. Sua voz parecia pequena e frágil.

"Shh." Takashi acalmou-a e levou-a a sentar-se na cama, isso era uma ocorrência comum e ele nunca iria afastar a pequena menina, onde ela estaria sozinha.

Ele se sentou ao lado dela e puxou-a contra o peito nu, ela relaxou, sua respiração abrandou ligeiramente. Ela aconchegou-se a ele como uma criança pequena. ele podia sentir seu hálito quente em sua pele e ele envolveu um braço protetor sobre ela antes de dormir também.

Como sua mente esmaecido com o sono, ele fez uma promessa silenciosa de que ele estaria lá quando Haruhi precisasse dele, não importa o que, ele poderia protegê-la.

Fim do capítulo 23.

N/T: Eu admito, eu demorei bastante para traduzir depois que esse capítulo foi para o ar, tanto que já tem um novo capítulo para traduzir! Vou guardá-lo para depois que eu fizer mais um capítulo de Migraine, que também atrasou. Espero que me perdoem por isso, mas até mesmo escritores e tradutores têm vida própria, e eu como leitora sou bem paciente...

Obrigada pelos reviews, a fic está perto do fim, vamos curtir bastante essa parte fofinha da história!