Capítulo 24

Mori virou-se na cama, acordando imediatamente quando seu olhar se fixou no espaço vazio ao lado. Ele sentou rapidamente em reflexo e balançou a cabeça para tirar um pouco da confusão de sono.

Ele pode ver Haruhi sentada de costas para ele, encarando as grandes janelas que davam para os jardins internos da propriedade.

"Bom dia. Desculpe, te acordei com a luminosidade? Está um dia bonito, ensolarado."

"Sim." Ele levantou se espreguiçando, os raios de sol da manhã aquecendo sua pele nua, quando ele parou. "Ensolarado?" Repetiu.

Haruhi se virou. "Eu posso ver." Ela o encarou, sorrindo e segurando o curativo que cobriu seus olhos nas últimas semanas. "Eu posso ver a cor, onde estou indo e..." Ela levantou a mão e apontou. "Eu posso ver você."

Mori a suspendeu e abraçou. Haruhi sorriu.

"Eu não sabia que eu sentia falta de ver as cosias tanto até que eu pude ver de novo." Ela o abraçou de volta, era estranho ser abraçada, isso a lembrava o seu pai. Um sentimento triste veio até ela, mas ela sorriu, lembrando seu cheiro, seu sorriso. Ela estava grata que ela não precisava enxergar para vê-lo. Ele estava seguro na mente dela, junto com a mãe.

Haruhi se inclinou em seu ombro, respirando profundamente. Ela achou seu cheiro estranhamente reconfortante, embora não do mesmo modo que era com seu pai. Então ela se inclinou para trás e puderam olhar um ao outro nos olhos. Ela só ficou encarando, agora ela podia ver a cor em seus olhos acinzentados como carvão. Havia um toque de azul e mancha verde ímpar através deles.

Tudo o que ela podia fazer era olhar, até Mori a beijou. Seus lábios eram incrivelmente macios para alguém tão forte. O coração de Haruhi se agitou, e em seguida, o pensamento de que eles eram, por adoção, tecnicamente irmão e irmã passou pela sua mente.

Você sabe o que? Eu não me importo, estou feliz.

Depois houve um clique macio, um grito e um baque.

Haruhi abriu os olhos, relutantemente separando os seus lábios dos de Mori, eles compartilharam um olhar confuse e ele a colocou gentilmente no chão, os dois viraram-se para olhar na direção da porta. A cabeça de Huni apareceu na fresta da porta.

"Oh, desculpa, voltamos depois." Havia o som de passos arrastados e outra voz, Haruhi a reconheceu como sendo de Kaoru.

"Sentimos muito por interromper." Então, houve uma espécie de resmungo, provavelmente Hikaru. Ela pegou a mão de Mori e ambos se apressaram para a porta.

"Esperem! Tudo bem." Mori não estava tão certo se ele concordava. "Por que Tamaki está inconsciente?"

Os gêmeos estava arrastando Tamaki pela perna, enquanto ele se debatia no chão.

"Oh, você o conhece, exagerando como sempre." Huni resmungou casaualmente, abraçando o coelho de pelúcia. "Continuando, Kyo-chan ainda está na cama de qualquer forma, voltamos quando ele estiver acordado."

"Sim." Mori puxou a mão de Haruhi. Ela corou e olhou para ele.

"Eu posso ver." Ela disse a eles, não conseguindo manter o sorriso estúpido fora de seu rosto. Huni virou-se, obviamente, só vendo agora que o curativo foi removido de seus olhos. Ele gritou e pulou nela que tropeçou para trás no peito Mori.

"Isso é ótimo!" Ambos os gêmeos sorriram para ela, embora Hikaru, poucos momentos depois, virou-se para Mori. "Você não deveria ir colocar uma camisa ou algo assim?" Mori saiu então, murmurando a palavra banho. Haruhi encarou as costas dela, perguntando se ele tinha intencionalmente deixado nas mãos de gêmeos e cia.

Naquele momento, ela estava sendo esmagada pelo abraço de Tamaki.

"O grande e mau Mori estava maltratando você, minha querida Haruhi?" Apertou-a em suas garras, "Você quer que eu vá bater nele? Huh? Você quer?"

"Credo, ele não estava me maltratando, eu estava na verdade bem feliz até que alguém interrompeu." Ela o encarou acusadoramente. "Além disso, você nunca teria batido nele, Takashi teria chutado seu traseiro."

"Duas vezes." Kaoru acrescentou.

"Eu diria três veses." Hikaru gargalhou quando Tamaki amuou. Haruhi estava aliviada de não ser mais interrogada.

Graças pela falta de atenção de Tamaki.

"Gostariam de tomar chá?" Haruhi perguntou, como ela teria feito a apenas alguns meses. Houve um coro de acenos positivos. "Certo, vão indo para a sala de jantar. Eu vou me trocar e já voltou com o chá."

É uma coisa boa essa família acordar cedo. Haruhi pensou enquanto Huni mostrou aos outros para a sala de jantar, eles poderiam muito bem estar batendo uns nos outros pela quantidade de barulho que eles faziam. Haruhi entrou em seu quarto, cama intocada desde a noite passada, quando ela acordou. Ela abriu o armário de madeira e olhou para as roupas com descrença.

"Eu estive usando esse tipo de coisa pelas últimas três semanas?" Ela vasculhou as roupas exóticas, tendo trabalho apenas por procura de um par de calças. Finalmente, resolveu usar calça capri branca e uma blusa de alças cheia de babados no decote. "Por que tão pouco prático?" ela murmurou para si mesma. Ela não tinha certeza se ela deve estar feliz que ela não podia ver o que a mãe de Mori tinha escolhido para vesti-la. Todos disseram que ela parecia bonito, mas se ele era o "bonito" de Tamaki ela estava apavorada.

Ela suspirou, tentando em vão suavizar as babados depois saiu para fazer o chá. Ela passou por um limpo e vestido Mori no corredor, deu-lhe o sorriso natural e, em seguida, desapareceu na cozinha. Mori não precisou dizer que esperaria o chá com os outros. Ele realmente não entendia o porquê de ela não deixar as empregadas domésticas fazerem isso, mas ele sabia que o chá era melhor quando Haruhi fazia, e ela gostava de fazer assim, não havia razão em reclamar.

"Então." Haruhi trazia uma grande bandeja de xícaras de chá, em silêncio, feliz por ela ter podido realizar uma normal tarefa doméstica. "Como são todos vocês esta manhã? Bom dia, Kyoya-senpai." Ela acenou para seu veterano, que tinha feito uma aparição dez minutos após ela se retirar. Kyoya assentiu com a cabeça educadamente para trás e tomou um gole do chá que ela lhe entregou.

"Nós viemos para ver como você estava Haru-chan, e porque esperamos o melhor, nós preparamos uma surpresa para você!" Huni disse inquieto em sua cadeira, como se um segredo fosse explodir fora dele.

Haruhi apenas piscou, tentando não se preocupar com a extravagância de sua inevitável surpresa.

"Você lembra que fomos à praia com os clientes?"

"Como eu poderia esquecer?" Haruhi atirou a Kyoya uma rápida olhada. Ele tossiu e virou quase imperceptível, para não encará-la.

"Sim, bem, isso não vai acontecer novamente." Kaoru tranquilizou-a com um tapinha nas costas.

"Não depois de espancá-los.", Hikaru sorriu maldosamente referindo-se aos rapazes mal encarados e ao calvário que Kyoya tinha passado para conseguir reparar tudo.

Tamaki estava ficando incrivelmente impaciente, primeiro porque não tinham chegado à parte da surpresa ainda, e segundo, ele não tinha feito a sua contribuição para a conversa. "Vamos sair de férias!" Ele gritou entusiasmado. Ele se contorcia de alegria tanto quanto Huni em seu assento.

Haruhi sorriu, uma folga não parecia má idéia. Na verdade, uma viagem de qualquer forma teria sido uma bênção.

"Legal, quando?"

"Amanhã." Mori fez cafuné em sua cabeça, feliz que ela tinha gostado.

"Não há escola, feriado nacional, então eles estão pintando todas as salas de aula." Kyoya aliviou sua única preocupação. Ela ainda estava um pouco assustado pela forma como ele parecia orgulhoso, como se ele tivesse planejado a reforma, bem, ele provavelmente tinha.

"Então, vamos dar-lhe alguma privacidade e nos vemos amanhã, às nove." Huni de alguma forma conseguiu agarrar os três rapazes, levando-os pra fora da sala e da casa. Kyoya olhou calmamente para trás.

"Bem..." Haruhi virou o rosto para olhar Mori. "Eu acho que devemos começar arrumar malas."

~.~.~.~

"Por que eu um dia achei que essa poderia ser uma boa idéia?" Haruhi murmurou para si mesma, escondida atrás de seu livro, como se fosse bloquear o som de Tamaki, Huni, Hikaru e Kaoru cantando 'um milhão de garrafas verdes de pé sobre um muro'.

Mori ofereceu-lhe um par de fones de ouvido de seu iPod, Haruhi aceitou com um sorriso muito agradecido, satisfeita com a música que bloqueava o canto incessante. Ela descansou a cabeça sobre o braço e fechou os olhos, que estavam doendo um pouco.

"Haru-chan, Takashi! É hora de acordar, estamos aqui." Huni balançou Haruhi suavemente. Ela resmungou e franziu a testa, golpeando-o e afastando-o rabugenta. Huni teve um ataque de fofura ao vê-la assim e Tamaki juntou-se a ele.

Takashi piscou acordado e colocou um dedo sobre os lábios, ambos se calaram. Ele pegou a mão dela delicadamente Haruhi se encolheu sobre ele, suspirando feliz. Takashi a acordaria mais tarde, quando eles estivessem indo para a praia.

"Estaremos indo para a praia assim que acharmos os nossos quartos." Tamaki ordenou. "Kyoya! Leve-me ao meu quarto."

Kyoya suspirou. "É no mesmo lugar que foi da outra vez, Tamaki." Mas ele ainda teve que conduzir o amigo idiota até um dos corredores.

Mori ficou no corredor com Huni e Haruhi, os gêmeos sabia onde estava seu quarto e ele podia ouvir os gritos e que soava como o lançamento de mobiliário.

"Você se lembra onde o quarto da Haru-chan?" Huni olhou para seu primo e içou sua mochila nos ombros. Mori deu-lhe um aceno afirmativo. "Ok, então, eu vou vê-lo em poucos minutos." Huni lhe deu um grande sorriso e correu por outro corredor.

"O que está acontecendo?" resmungou sonolenta Haruhi em seu ombro.

"Praia."

"Ok." Ela escorregou de seu ombro e tropeçou meio dormindo até seu quarto. Takashi ouviu o baque de sua queda para a cama e farfalhar dos lençóis cheios de babados até que ela se contorceu em uma posição confortável. Ela acordou poucos minutos depois, ela sempre foi boa em acordar, mas pelo menos não estava com a insônia que costumava ter. Ela não precisaria realmente acordar considerando que em primeiro lugar ela não tinha ido dormir.

Takashi apenas colocou a mala dentro da porta antes de sair para seu próprio quarto, em frente ao dela. Ele a ouviu agradecer antes de fechar a porta. Ele esperou por alguns momentos de sua porta, ouvindo-a sair da cama e atravessas o quarto até a bolsa, abrindo. Houve mais alguns sons misturados em seguida, um suspiro, sim, ela havia encontrado o traje de natação.

"Por quê?" Ela disse para si mesma, Takashi moviam-se silenciosamente para longe da porta, rindo inaudível.

Alguns minutos depois todos estavam reunidos no corredor.

"Haruhi, por que você não está usando o biquíni?" Os gêmeos choramingaram.

"Eu estou usando, só que por debaixo dessa camisa"

"De quem é essa camisa?"

"Takashi." Ela disse, dando-lhe um sorriso agradecido.

"Partilham uma casa, tem que e compartilhar roupas agora?" Os gêmeos continuaram. "Isso não é justo, deveríamos ser nós nessa posição, você é muito afortunado Mori-senpai!"

"Eu sei."

Fim do capítulo 24.

Oi pessoas? *aparece atrás de um escudo* Finalmente postando o penúltimo capítulo. Desculpem por fazê-los passar por essa espera miserável! Espero que estejam gostando dos últimos aspectos da história. Só falta um pouquinho para acabar! Beijos a todos e obrigada pelos reviews! ^_^