Queridos leitores,

É a primeira vez que arrisco a "criar" uma fic, e para ficar bem esclarecido, desde já, não se trata de um romance escrito por mim! A autora é Kim Lawrence - têm mais informações sobre a autora no meu perfil.

Não tenho pertensões nenhumas de virar escritora, muito pelo contrário... sei que não tenho essa capacidade de imaginação, por isso deixo essa tarefa para os capazes e que gostam de escrever!:)

Apenas lhes queria dar a conhecer um romance de que gosto muito!:) É de fácil leitora, romântico (quanto cliché!lol), simpático, divertido (em algumas partes) e tem um pouco de drama (sem ser exagerado).

Espero que gostem, tanto ou mais do que eu!:)

Os créditos são todos da autora fantástica: Kim Lawrence!:)

AH! A capa e a banda sonora (e tudo o mais que eu fizer ao longo da fic sobre a mesma) encontram-se no meu perfil!:) Não se acanhem e espreitem!:)

Se gostarem, não se esqueçam de comentar! Eu vou adorar saber as vossas opiniões e compartilhar as minhas com vcs também!:)

Obrigada pela atenção!:)

Divirtam-se com o primeiro capítulo - Acidente Inesperado!:)

Natalocas


Capítulo I

Acidente Inesperado

Bella introduziu a chave na fechadura com muito cuidado. No interior só se ouvia o barulho do relógio de parede. Felizmente, não havia ninguém acordado. Apoiou-se na porta e suspirou aliviada: "Felizmente!"

Não acendeu a luz, mas descalçou os sapatos, agarrou neles e aproximou-se da mesa que estava no centro da sala. Estava a pensar que tinha vontade de tomar um duche quente, quando alguém acendeu de repente a luz.

- São precisos todos esses subterfúgios? – inquiriu Edward, sentando-se à mesa com um copo de whisky na mão.

A vaga de ironia da sua voz era evidente.

- O que foi que aconteceu? – acrescentou.

A última coisa que Bella queria fazer era falar da hora passada e a última pessoa com quem queria fazê-lo era com Edward.

Levou a mão inconscientemente à blusa aberta, mas aquele gesto fez com que ele reparasse nisso. O que é que tinha estado a fazer sentado na escuridão? Fez uma careta e baixou a vista.

A desagradável luz eléctrica revelou que estava pior do que pensara. Tinha as pernas sujas com lama e as meias estragadas, a saia de veludo estava rota, tal como a blusa de seda.

- Parece pior do que realmente é – comentou.

Mas sabia que não era verdade. Os arranhões da sua face estavam a começar a doer-lhe.

Com um gesto de impaciência, Edward rebelou-se contra o gesto dela de o apaziguar.

- Tiveste um acidente de viação?

- Não exactamente.

A verdade é que não se podia dizer que saltar de um carro que ia a cinquenta quilómetros por hora fosse um acidente. Sabia muito bem que Edward diria que tinha sido uma loucura, mas ele não estivera lá.

Edward esticou o braço e tocou nela.

- Meu Deus, estás gelada!

Levantou-se, despiu o roupão e colocou-o nos ombros dela antes de acrescentar:

- Senta-te, antes que caias no chão.

Então, fê-la sentar-se no sofá.

- Vais apanhar frio – protestou ela.

Debaixo do roupão, Edward trazia apenas as calças do pijama. Tinham levado as crianças para o sul de França em Junho e ela reparou que ele ainda estava bronzeado.

- Bebe isto – ordenou ele, obrigando-a a beber um gole de whisky. – E, agora conta-me o que foi que aconteceu.

- Quero tomar um duche.

Mas ele colocou uma mão no ombro dela para impedir que se levantasse.

- Depois de me explicares. Pensei que tivesses ido jantar com os teus colegas da escola nocturna.

O tom de voz que utilizou reflectia que ele achava que aquilo era mentira.

Porque é que ela precisaria de lhe mentir? Pensaria que ela tinha uma vida dupla?

- Foi… o que fiz. Angela e Ben vieram buscar-me. Depois Mike Newton, que começou as aulas recentemente, ofereceu-se para me trazer a casa. Disse que ficava a caminho e que assim pouparia a Bem um desvio, mas foi ele quem se desviou e, quando eu lhe disse isso, ele…

- O que é que fez?

Edward inquiriu calmamente, mas o seu sobrolho franzira-se.

- Riu-se.

Ela teve vontade de vomitar só de se lembrar da expressão de Mike. Já lhe tinham incomodado alguns comentários que fizera, mas tinha sido o seu sorriso que a alarmara.

- Riu-se?

Não era isso que Edward esperara ouvir.

- Tu não estavas lá! Ele tinha estado a dizer… umas coisas.

- Magoou-te?

Edward parecia agora muito mais assustador do que Mike. Ela sentiu-se culpada por fazer aquela comparação. Edward tinha as suas falhas, mas era um homem decente e razoável, apesar da maneira como a estava interrogar naquele momento. Normalmente, ele não se metia na sua vida.

- Não. Isto aconteceu-me quando saltei do carro.

Algo da violência dos rasgos dele desapareceu e foi substituído por surpresa. Edward Cullen não era um homem a quem se pudesse surpreender facilmente. As suas grandes mãos pararam de se cerrar em punhos.

- O carro estava parado?

Ela negou com a cabeça e olhou desesperada para ele. Normalmente, Edward não era tão lento.

- Tive sorte de ele não ter posto o trinco na porta.

- Estou a ver que podes agradecer a tua boa sorte – comentou, ironicamente.

- Aterrei sobre uns arbustos espinhosos e estraguei a roupa ao tentar desembaraçar-me deles. Escondi-me na beira da estrada, para o caso dele decidir voltar para trás para me procurar, e depois vim a pé pelo campo.

- Onde é que isso aconteceu?

- No cruzamento ao pé de Tinkersdale Road.

- Isso fica a dez quilómetros daqui.

- Pareceram-me mais de dez, mas podes ser que tenhas razão. Não te preocupes que ninguém me viu.

Disse aquilo para o sossegar. O facto de verem a esposa de Edward Cullen a caminhar pelo campo naquele estado não era algo que ele aprovasse. Edward preocupava-se com o que as outras pessoas pensavam.

- Não te lembraste de telefonar para mim ou para a polícia?

- Deixei a mala no carro quando saltei e não tinha dinheiro. A polícia não se interessa por delitos que não foram cometidos. A verdade é que ele não me tocou.

- E tens a certeza que o ia fazer?

- Foi uma daquelas situações em que é melhor prevenir do que remediar – declarou ela, zangada. – Não costumo deixar que a imaginação me domine, Edward.

Não podia discutir aquilo. Isabella Swan era uma mulher mais prática e plácida que ele conhecera nos trinta e seis anos da sua vida. Franziu a testa. Depois de um ano de casamento, ainda pensava nela como Isabella Swan e não Cullen. Se alguém lhe tivesse dito naquela manhã que ela era capaz de saltar de um carro em movimento, ele teria rido por considerar a ideia absurda.

Bella não era exactamente tímida, mas a sua maneira de ser reservada fazia com que algumas pessoas pensassem que o era. Mas também não era do género de pessoa que se pusesse a caminhar pelo campo depois de sair de uma situação perigosa. Pelo menos, ele não teria pensado que o fosse. Ter-lhe-ia contado tudo aquilo se não o tivesse encontrado ali? Teria aparecido à hora do pequeno-almoço como se nada tivesse acontecido?

- Temos que telefonar à polícia.

- Para quê? Não aconteceu nada. Imagino que iriam pensar que sou mais uma neurótica, mas gostaria que ele me devolvesse a mala, pois tinha a minha carteira lá dentro.

- Não queres ver esse porco preso? – rosnou ele, incredulamente.

Era difícil compreender as pessoas que não queriam represálias.

- Se gostaria de o ver preso? O que gostaria era de o ver sofrer o que eu sofri, a impotência, o terror… Raramente temos o que gostaríamos Edward. – Declarou ela, contendo a fúria.

- É uma filosofia muito deprimente.

A profundidade da paixão dela surpreendeu-o. Que sentisse paixão, surpreendia-o! Fazia-o sentir-se incomodado. Que outras surpresas esconderia sob aquele plácido exterior?

- É só uma observação. Agora, se não te importas, gostaria de me ir deitar.

Ele agarrou-a pelo braço, como se esperasse que ela fosse cair a qualquer momento. Na porta do seu quarto, ela despiu o roupão.

- Obrigada. Desculpa se tenho estado um pouco resmungona. Boa noite, Edward.

Aquela despedida, educada mas firme, pareceu fazer com que ele mudasse de opinião sobre o que ia dizer. Ela sorriu-lhe vagamente e depois entrou no seu quarto. Segundos mais tarde, ela ouviu a porta do quarto de Edward também a fechar-se.

Enquanto se despia fez uma careta de desgosto; embora tivesse conseguido salvar-se, teria que deitar sua roupa no lixo.

Olhou-se ao espelho de corpo inteiro e surpreendeu-se. Trazia o cabelo castanho despenteado e salpicado de lama. Os arranhões na face eram muito notórios e os restos de maquilhagem davam-lhe o aspecto de um panda assustado. A quantidade de pele que se via através dos buracos da blusa era indecente e não estranhava que Edward tivesse ficado tão surpreendido.

Foi um alívio ficar debaixo do duche quente e deixar que a água levasse algo da tensão que sentia, mas por muito que se esfregasse, pensar em Mike fazia-a sentir-se suja. Como poderia um homem que parecia tão normal actuar daquela maneira? Ter-lhe-ia ela dado a impressão de que acederia às suas pretensões? Afastou aquele pensamento horrível da sua cabeça. Não, a culpa não fora dela.

Na sua inocência, imaginara que trazendo uma aliança no dedo teria automaticamente uma protecção contra as atenções não desejadas de um homem. Olhou automaticamente para o dedo e pareceu-lhe estranho sem a aliança. Colocou-se de joelhos no chão e começou a procurar no fundo da banheira. Não estava lá e um pânico desmesurado apoderou-se dela.

Saiu do duche, tapou-se com uma toalha e dirigiu-se para o quarto. A aliança não estava em nenhum lugar.

- Bati à porta – declarou Edward, quando apareceu na porta de comunicação entre os dois quartos.

Era a primeira vez que a utilizava e, embora soubesse que era ridículo, sentia-se um estranho na sua própria casa. No inicio não viu Bella, mas depois viu-a de cócoras ao pé da mesa, com as lágrimas a caírem-lhe pelo rosto. A conclusão a que chegou foi que ela não tinha contado tudo o que acontecera.

Quando pensou no pior, o seu rosto escureceu.

- Perdi o meu anel! – gemeu ela.

- Que anel?

- A minha aliança.

Ele sentiu-se aliviado.

- É só isso?

Bella pareceu não o ouvir.

- Pode ser que esteja na cozinha ou nas escadas. Tenho que ir ver – disse, e levantou-se apressadamente.

- Não vais fazer nada disso – replicou ele, agarrando-a pelos braços e impedindo-a de cair.

Depois, agarrou-a ao colo. Era incrivelmente leve. Seria assim por natureza ou teria problemas alimentícios? Nada o surpreenderia depois daquela noite!

- A aliança não importa, posso comprar outra.

Quando ele a deixou na cama, Bella disse para si que não deveria estranhar a falta de emoção dele. Porque é que ela teria reagido daquela maneira? Porque é que um anel que simbolizava um casamento de conveniência era tão importante para ela? Deveria ter mais cuidado. Provavelmente, ele devia estar a pensar que se casara com uma louca.

- Desculpe – murmurou.

- Tiveste uma má experiência.

As lágrimas dela faziam-no sentir-se incómodo. Pensou que nunca vira tanto da sua esposa, pois mesmo na praia ela sempre usara uma t-shirt larga sobre o fato-de-banho e nem sequer as crianças tinham conseguido que ela entrasse na água.

A toalha que a cobria chegava até à curva dos seus pequenos seios e acabava… nas suas pernas, que eram muito compridas em relação à sua pequena estatura. Então, o seu olhar encontrou-se com um par de olhos castanho chocolate que o observavam e ele afastou-se imediatamente do olhar.

- Trouxe-te isto para os arranhões – informou, mostrando-lhe um tubo de pomada anti-séptica.

- És muito amável, Edward.

- Tens as costas muito arranhadas.

- Não consigo ver.

- Nem tocar. Imagino que vais senti-lo amanhã. Alguns dos arranhões são muito feios. Estás vacinada contra o tétano?

- Acho que sim.

- Isso não chega. Amanhã tens que ir ao centro de saúde. Agora vira-te, que vou pôr-te a pomada nas costas.

O seu contacto era impessoal, firme, mas delicado. Ela sentiu-se descontraída pela primeira vez desde que saltara do carro, a salvo.

- Vais ter que descer um pouco isto – pediu ele, puxando pela toalha.

A sensação de calor que a tinha invadido foi substituída por uma ansiedade irracional.

- Não, está bem assim.

- Provavelmente, serei capaz de me conter ao ver um pouco da tua pele nua.

- Não acho que…

Ela sabia que ele não a considerava atraente, mas mesmo assim as suas palavras magoaram-na.

- Estás demasiado magra.

- Já sei.

Quando era uma adolescente, tinha fantasiado que uma manhã acordaria e veria que os rasgos angulosos do seu corpo tinham desaparecido e se tinham transformado em bonitas curvas, mas agora sabia que isso nunca iria acontecer.

- Estás a alimentar-te como deve ser?

- Sabes que sim.

Mas a verdade era que normalmente não comiam juntos, só quando jantavam fora de casa ou quando tinham convidados. Ela costumava comer com as crianças e Edward comia sozinho, mais tarde, pois ele estava sempre muito ocupado com os seus negócios.

Normalmente, ela não se preocupava pelas suas ausências, já que se sentia melhor quando ele não estava. Não era que achasse que a sua companhia fosse opressiva, mas sempre que estava com ele ficava consciente das duas próprias deficiências. Quando ele olhava para ela, ela achava que estava a compará-la desfavoravelmente com a sua primeira esposa. Como sempre que pensava em Tânia, estremeceu.

- A senhora Sue pode confirmar-te que como muito bem.

Não quis que as crianças fossem testemunhas, já que não seriam imparciais, mas ele deveria fiar-se da governanta.

- Bom, eu só te vi brincar com a comida – declarou ele, levantando-lhe a ponta da toalha. – Já está. Os arranhões não são muito profundos, por isso, não devem ficar cicatrizes.

Deveria dizer-lhe que, normalmente, quando estava com ele, ficava tão nervosa que o seu estômago se negava a aceitar qualquer comida? Decidiu que era melhor não dizer nada.

- Acho que dadas as circunstâncias, as aulas de francês não são uma boa ideia – murmurou ele.

Aquelas palavras provocaram nela um princípio de rebeldia.

- Mas na quinta-feira é a minha noite de folga, Edward.

- A tua noite de folga? Já não és a ama. És a minha esposa.

- Mas continuo a trabalhar para ti, Edward. Agora chamo-te assim e não "Sr. Cullen". O contrato é mais permanente e menos flexível, é só isso.

Ele não podia ter ficado mais surpreendido. Ficou tenso e olhou fixamente para ela.

- Não precisas de pensar dessa maneira sobre ti mesma – comentou, irritado.

- Então, como tua esposa, não preciso de aceitar o teu conselho.

"Conselho" era uma palavra mais suave do que "ordem".

- Talvez devesses pensar um pouco nas tuas últimas decisões antes de me atirares à cara o meu conselho.

- Referes-te a alguma decisão em particular?

- Talvez a de entrares no carro de um perfeito desconhecido? Só uma idiota faria algo tão irresponsável. Nessie, com os seus sete anos, teria mais bom senso do que tu.

Tinha sido uma parva por imaginar que poderia ganhar uma discussão com Edward.

- Não dirias isso se eu fosse um homem.

Edward pestanejou. Ela estava a fazer caretas! Bella! A visão dos seus lábios rosados teve um efeito inesperado no seu corpo.

- Bom, mas não és um homem. E, tal como estás agora, isso é mais do que evidente.

Bella ruborizou-se e, depois de olhar para o seu corpo, começou a ajustar a toalha, mas não conseguiu.

- Desculpa se o meu corpo magro te ofende a vista, mas eu não te convidei a entrar no meu quarto.

- Terei isso em conta no futuro.

- Não foi isso que quis dizer… Olha, as aulas de francês são importantes para mim.

- Já tinha percebido isso.

- Preciso me sentir eu mesma.

- Isso quer dizer tirares habitualmente a aliança do dedo?

Bella olhou para ele, surpreendida. Não podia acreditar que…

- Perdi-a.

Ficara-lhe sempre grande. Se não lhe desagradasse tanto pedir-lhe algo, ter-lhe, ia dito.

- Pareces muito atraída por essas aulas nocturnas.

- Para ti é só isso, uma aula! – gritou ela. – Mas tu tens imensos amigos. Sais todos os dias e conheces muitas pessoas. Eu só vejo as crianças.

E por muito que gostasse de Nessie e de Seth, isso não era suficiente.

- Temos uma vida social muito activa. Os meus amigos…

- Os teus amigos desprezam-me. Só me suportam por ser um apêndice teu e eu também não gosto nada deles, pelo menos, não de todos.

- Então, porque é que não mo disseste anteriormente?

- Não pensei que fosse relevante. Estou disposta a aceitar tanto o bom como o mau.

Mas não estava disposta a deixar as aulas de francês. Não foi preciso dizê-lo, dado que Edward não era parvo.

- Isso é muito generoso da tua parte. Consideras que houve mais de mau do que de bom durante este ano passado?

- O que vais dizer a seguir é que eu estava muito por baixo quando me conheceste – replicou ela, impacientemente. – Podes esperar a minha lealdade, mas não a minha gratidão servil, Edward. Se bem te lembras, avisei-te de que não seria a melhor anfitriã, mas sou uma boa mãe.

- Mãe substituta.

Ao dizer aquilo, a expressão dele indicou que se arrependia de ter dito aquelas palavras desagradáveis e acrescentou:

- As crianças gostam muito de ti. E tu, achas que sou um marido pouco generoso?

- Não foi isso que disse.

- Não, não foi, mas é evidente que estás descontente e eu não sabia disso.

- Como poderias saber?

As palavras fugiram-lhe antes dela o poder evitar. Mas havia dias em que nem sequer falavam.

- Não estou descontente, só estou cansada – declarou.

A solidão da posição em que se encontrava foi evidente mais uma vez e aquilo era mais do que poderia suportar por uma noite. Desejou que ele se fosse embora e a deixasse em paz.

Como se tivesse lido o seu pensamento, Edward virou-se repentinamente e disse:

- Amanhã acabamos a conversa.

Bella pensou que agora tinha algo em que pensar. A porta fechou-se e ela ficou ali. Nos seus sonhos mais secretos, imaginara que ele entrava por aquela porta, mas a verdade é que ele sempre fora imune aos seus encantos e, em nenhum daqueles sonhos, ela tinha tido tantos arranhões, nem os olhos vermelhos de chorar.

Apaixonar-se por Edward Cullen tinha sido a única coisa realmente espontânea que se lembrava de ter feito na sua vida. Não precisava de acreditar no amor à primeira vista para que isso acontecesse. E ela era a prova disso, a sua alma prosaica rendera-se desde a primeira vez que o vira. Ele era alto, com um corpo atlético e uns olhos brilhantes que indicavam que o seu cérebro estava à altura dos seus músculos. Ela, que nunca antes se deixara impressionar pela beleza superficial, vira-se inexplicavelmente atraída por ele, mas felizmente ele nunca percebera isso durante as primeiras entrevistas. Caso contrário, não teria conseguido o emprego.

Felizmente, também não era preciso vê-lo muitas vezes e como ele estava contente com o seu trabalho com as crianças, o seu interesse por ela tinha sido mínimo.

Mas quando ele começou a mostrar algum interesse pela sua amizade com Jacob Black, um professor da escola local, ela tinha-se permitido pensar que ele poderia estar a olhar para ela como se fosse uma pessoa e não como um móvel.

Depois percebeu que ele só tinha medo de que a história se repetisse. Nessie e Seth tinham tido três amas de ela chegar. Seth tinha um ano e respondia a qualquer um que lhe oferecesse carinho, mas sua irmã era outra coisa… quando Bella chegara a casa, ela tinha cinco anos e tinha tido que lutar para ganhar a confiança da menina. A sua curta vida ensinara a Nessie que era doloroso amar alguém que depois desaparecia, mas lentamente ganhara a confiança da menina, até que se transformara numa parte integrante da vida das crianças.

Foi naquela altura que Edward pensou nas possibilidades de que Bella seguisse o exemplo das duas amas anteriores e fizesse algo inconveniente como apaixonar-se ou ficar grávida. Na realidade, ele não queria uma esposa e, no caso de ela ter tido alguma dúvida sobre isso, ele explicara-lhe claramente.

Quando lhe oferecera um lar e segurança económica, já conhecia a sua história. Não havia dúvida de que ele achava que a sua oferta de casamento era irresistível para uma mulher que estava totalmente só no mundo. Assim, ela não teria que se preocupar com o dinheiro e teria a família com que sempre sonhara.

O problema era que ele nunca a vira como nada mais do que uma empregada. O acordo pré-nupcial que tinham assinado só servia para realçar aquele facto.

Provavelmente, ele tinha-se congratulado pela subtil, mas inteligente apresentação da oferta, quando ela aparecera na manhã seguinte, mais pálida do que o habitual, e dera o passo mais importante da sua vida.

Edward não teria parecido tão feliz se tivesse suspeitado de que sem se importar com a sua oferta tentadora, tinha sido o amor que a fizera concordar com aquilo. O amor tinha-a feito ignorar a parte lógica do seu cérebro, que lhe dizia que semelhante união só poderia acabar em mágoa.

Fim do Capítulo I