Adorados leitores,
Espero que gostem de mais um capítulo do romance fantástico!;)
As coisas começam a aquecer entre o Ed e a Bella...hihihi
Boa leitura,
Natalocas
Capítulo II
A Visita
Seth acordava normalmente Bella ao meter-se na sua cama, às vezes, antes das seis da manhã, mas naquela manhã, quando ela acordou, estava sozinha. Saltou da cama e foi ver as crianças, mas não estavam no seu quarto.
- Porque é que não me acordaram? – inquiriu, ansiosa, quando entrou a correr na cozinha e encontrou Edward.
- Fui eu quem lhes disse para não o fazerem – replicou ele.
Ela ficou consciente do contacto íntimo dos seus corpos durante o breve momento que demorou em se equilibrar e afastar-se. Aquele breve contacto foi o suficiente para acelerar o seu pulso.
- O que estás a fazer aqui?
Bella desejou não ter dito nada. O breve intervalo de intimidade e de contacto pessoal da noite anterior já tinha acabado e Edward, com certeza, desejava voltar ao seu comportamento habitual.
Ele arqueou uma sobrancelha.
- Eu moro aqui, lembras-te?
O tom seco da sua voz fê-la corar.
- Não deverias estar a trabalhar?
Enquanto falavam, Bella percebeu que não estavam sozinhos; apesar das aparências, pelo menos, um par de ouvidos estava a ouvir cada uma das suas palavras. A governanta nunca fizera nenhum comentário sobre a curiosa escolha de esposa por parte do seu patrão, mas não seria humana se a situação não a intrigasse.
Bella perguntava-se o que é que diria ao seu marido quando ia para casa. Já trabalhava naquela casa desde a época da primeira esposa de Edward e Bella esperara que mantivesse a distância como a maioria dos amigos de Edward fizera, mas para seu alívio não o fizera. A senhora Sue parecia muito contente com a situação.
Edward não participava normalmente nas actividades matinais da família, já que saía antes de tomar o pequeno-almoço.
- Esta manhã não, Bella. Deus do céu! – exclamou, quando viu a mancha de doce que tinha na manga do casaco. – Como se arranja Seth para salpicar tão longe?
Enquanto falava, olhou fascinado para o seu filho, que lhe devolveu o sorriso inocente desde a sua cadeira alta.
- Quero descer! – gritou a criança, batendo na mesa com a colher.
- Já vai, Seth – replicou Bella, automaticamente, enquanto continuava a perguntar-se o que é que Edward estava a fazer ali. – Deverias ter-me acordado. Vou chegar tarde à escola de Nessie.
- É o pai que me vai levar, mamã.
Aquilo de lhe chamarem "mamã" era recente e Bella sentia prazer ao ouvi-lo. Edward não comentara nada ao ouvi-lo, mas ela tinha a certeza de que ele não gostava.
- Vais levá-la? – inquiriu, incapaz de esconder a surpresa.
- Achas que é demasiado complicado para mim?
- Sente-se que lhe vou arranjar uma chávena de chá. O senhor Cullen contou-me sobre o seu desagradável acidente. O que precisa é de descanso – declarou a governanta.
Bella olhou para Edward e levou a mão automaticamente ao seu rosto.
- Oh, estou bem, senhora Sue.
- Quero descer, já! – gritou Seth.
Bella desamarrou-o e pegou-lhe ao colo. O esforço fê-la sentir algumas dores de costas, que não notara na noite anterior, e fez um gesto de dor.
- Dá-mo a mim – pediu Edward, estendendo os braços para a criança.
- Estou bem.
- O martírio é uma virtude fora de moda e muito aborrecida.
Bella cedeu, levemente desconcertada, já que ele não costumava desempenhar o papel de pai preocupado.
Talvez Edward se arrependesse quando reparasse que o beijo que o seu filho lhe dera lhe deixara uma mancha no rosto. Um impulso malévolo fez com que ela não o avisasse.
- Penteias-me? – pediu Nessie, passando-lhe uma escova e umas fitas para o cabelo.
Quando acabou, Edward agarrou na sua filha pela mão e declarou:
- Já volto.
- E o trabalho?
- Cancelei os meus encontros desta manhã. Eric Yorkie poderá atender-te às dez. Eu vou levar-te ao centro de saúde, para a injecção de tétano.
- Pois é, é preciso ter cuidado – interveio a governanta. – Seth ficará bem comigo. Eu vou dar-lhe banho, não é, querido? Dá um beijinho à mamã.
Quando Bella se soltou do braço da criança, Edward já se tinha ido embora. Aquele novo interesse no seu bem-estar baseava-se, evidentemente, na sua opinião de que não era capaz de tomar conta de si própria. Era frustrante perceber que não tinha ninguém a quem deitar a culpa sobre aquela situação a não ser ela mesma. Se não a tivesse apanhado na noite interior… tinha sido um momento muito pouco oportuno para descobrir que o homem com quem se casara sofria de insónia ou era um bêbado secreto. Aquela ideia fê-la sorrir. Não conseguia imaginar Edward com nenhuma fraqueza.
Tinha de lhe mostrar que era mais do que capaz de tomar conta de si própria. Ir sozinha à consulta do médico era o primeiro passo. Ele ficaria contente de não ter que se incomodar.
Mas mudou rapidamente de opinião quando saiu do consultório e encontrou Edward ao lado do seu carro. Parecia estar a resmungar sozinho em voz baixa. Levantou-se quando ouviu os seus passos e olhou para ela com a testa franzida.
- A que é que estás a brincar?
Apesar da sua atitude com ela, sempre fora bem-educado, Bella não se lembrava de nenhuma outra ocasião em que tivesse sido tão brusco. O reflexo de ira que via no seu olhar era muito claro e desconcertou-a. O que é que ela fizera de mal?
- Não estou a brincar a nada, Edward.
- Não olhes para mim com esse olhar inocente, Bella Swan, não te vai servir de nada.
- É Bella Cullen.
Ele passou uma mão pelo cabelo escuro.
- Eras menos problemática quando eras Swan. Ofereci-me para te trazer porque não parecia que estivesses em condições de guiar. O que é que estás a tentar fazer? Magoar o que não ficou magoado ontem?
- Isso é ridículo! – protestou ela. – E não penses que és o único a estar arrependido deste casamento.
A expressão dele endureceu mais enquanto olhava para ela. Sob seu escrutínio, ela viu-se obrigada a endireitar-se mais, apesar da dor que sentia nas costelas.
- Para mim o casamento é uma dessas decisões com as quais tens que aprender a viver.
- Poupa as intimidações para o júri – replicou ela, surpreendentemente fria.
- Eu nunca cometeria esse erro de usar tácticas de força com alguém que parece tão vulnerável e frágil como tu pareces agora e que me faria perder a simpatia do júri.
- Não quis magoar o teu orgulho profissional.
- Felizmente, não estamos perante um júri, por isso, vou continuar a comportar-me como um animal, dado que pareces muito confortável com essa imagem minha. Já viste como estás? É evidente que te dói só de andar.
Ela fez uma careta. Isso era o que o médico lhe dissera antes de a examinar.
- Tenho as costelas magoadas, mas não estão partidas e Eric deu-me uma receita para tomar uns analgésicos.
- Bom, da próxima vez que pensares em meter-te num carro com um maníaco, tenta lembrar-te de que és uma mãe e não uma actriz de cinema!
Qualquer um diria que ela tinha feito aquilo de propósito para o incomodar! Às vezes, Edward podia ser muito egoísta.
- Não te preocupes, não preciso de uma enfermeira. Não tens que perder o teu tempo em casa por minha causa.
- Uma enfermeira! Estou a pensar que o que precisas é de um psiquiatra. E sobre ficar em casa, tenho um julgamento esta tarde. Sasha ficou de ir buscar Nessie à escola.
Bella não teve tempo de esconder a sua desaprovação.
- Acho que deverias fazer um esforço pare te dares melhor com Sasha. É a avó das crianças – acrescentou ele.
Que ela se esforçasse? Bella cerrou os dentes. Sasha Denali ficara horrorizada quando soubera que a ama ia tomar o lugar da sua filha. O facto de qualquer outra mulher o fazer já era bastante duro, mas a ama! Aquilo era inaceitável para a anciã.
No inicio, Bella pensou que lhe passaria se visse como as crianças eram felizes com ela, mas quanto melhor se dava com as crianças, menos a avó a suportava. Nunca perdia a oportunidade de se meter com ela diante de Edward. E de uma maneira tão subtil como o ácido sulfúrico. Bella ansiava que Edward ficasse do seu lado contra ela, pelo menos uma vez, mas ele nunca o fizera. Estava por cima daquelas coisas.
- É muito amável da sua parte – declarou ela, sem expressão. – Não lhe contaste o que aconteceu, pois não?
Sasha adoraria ter aquela informação.
- Isso importa?
Bella agarrou-o pelo pulso.
- Sim, importa.
- Disse-lhe que tiveste um acidente de viação.
Bella suspirou, aliviada.
- Obrigada.
Reparando que estava a cravar as unhas no pulso dele, soltou-o.
- A verdade não é algo que me apeteça divulgar por aí.
- Estás a dizer que ao meter-me no carro estava a convidar a que…?
- Não sejas assim! – explodiu ele. – Não estou a dizer nada disso. Talvez tenhas aprendido algo com essa experiência, mas pode ser que seja pedir demasiado.
Ele nunca cometeria um erro?
- Aprendi a não esperar nenhuma compreensão da tua parte.
- Não quando actuas como uma parva. Entra no carro. Não, no meu – acrescentou, quando Bella tirou as suas chaves. – Não as guardes. Fecha bem o carro, ou costumas deixar o carro aberto para os ladrões?
- Pensei que o tinha fechado. Faço-o sempre – replicou ela.
Quando estiveram dentro do carro, Edward não se dirigiu para casa. Parou o carro e pediu que esperasse por ele uns minutos. Não lhe disse aonde ia, mas como nunca o fazia, ela não estranhou. De qualquer forma, parecia muito zangado.
Dez minutos mais tarde, ele abriu a porta e atirou para dentro do carro a mala dela.
- Pensei que gostarias de recuperar isto. Será melhor que vejas se está tudo lá dentro.
- De onde é que a tiraste? – inquiriu ela, surpreendida.
Edward ligou o motor.
- De onde é que tu achas?
- Como é que sabes onde é que ele mora? O que é que…?
- Na universidade foram muito amáveis quando expliquei que o meu velho amigo Mike tinha deixado a carteira o meu carro.
- O que foi que ele te disse?
- Demasiado.
- Sobre mim? – inquiriu ela, sentindo-se mal.
Só podia imaginar que tipo de história sórdida poderia aquele homem ter contado para justificar a sua actuação. Sentiu vontade de vomitar só de pensar que Edward poderia ter acreditado. Não conseguiu olhar para ele.
- Não te preocupes, no fim, admitiu a verdade.
- No fim?
Ela olhou para o rosto sério dele. Edward não era do tipo de homem que se deixava intimidar pelas pessoas, mas ele poderia ser bastante ameaçador se pensava que a situação o requeria. As suas palavras seguintes confirmaram as suas suspeitas.
- Mike agora tem medo. Era isso que tu querias, não era? Não sabia o quanto tinhas sofrido, mas pensei que talvez fosse melhor a qualidade do que a quantidade.
O breve sorriso dele fê-la estremecer. Aquele não era o pai indulgente daquela manhã, era um homem perigoso. Nunca antes percebera como Edward poderia ser ameaçador.
- Não lhe bateste, pois não?
- Não fiz nada de tão desagradável. Só lhe disse o que faria se voltasse a tocar em ti ou em qualquer outra mulher.
- E isso assustou-o?
- Deverias ter estado presente – comentou ele, a sorrir selvaticamente.
Bella pensou que não conhecia o homem com quem se casara.
- Os advogados podem comportar-se dessa maneira?
- Não entrei lá com a toga vestida, Bella. Fui como teu marido. Não lhe toquei. Claro que se ele tivesse tentado… mas não o fez. Já vi muitos sujeitos como ele.
Ela afastou o olhar e fez menção de olhar para dentro da mala.
- Está tudo aqui – declarou, sem reparar no que tinha diante dos seus olhos.
O que ele dissera sobre que tinha entrado lá como seu marido soava na sua cabeça. O calor que lhe produzira era ridículo, ela sabia que aquilo não queria dizer nada, mas mesmo assim…
- Não vens almoçar? – inquiriu ela, tentando parecer como se não lhe importasse.
Tinha muita experiência nisso e podia ouvir o seu tom de voz, que soava com uma autêntica falta de interesse.
- Vou ter com Gianna, que me vai ajudar no julgamento desta tarde.
Gianna era a nova aquisição do escritório de advogados de Edward e era tudo o que Bella teria gostado de ser. Não só era bonita como também era inteligente. Conseguira fazer-se respeitar num mundo dominado por homens.
Muitas vezes, perguntava-se se Gianna era a razão pela qual Edward voltava tão tarde para casa. Não era razoável supor que ele permanecia celibatário. Era um homem viril e muito atraente, embora continuasse muito apaixonado por Tanya, era humano.
Sabia que sempre seria discreto e que as suas aventuras não seriam conhecidas. Mas arrepiava-se só de pensar nele com a bonita loira.
- Está bem.
- Sim?
- Não sei – replicou ela, desesperada. – Só estava a tentar ser educada.
- Agora sei porque é que me casei contigo, pela tua boa educação.
- Não, casaste comigo porque querias uma esposa barata e que se metesse pouco na tua vida!
- Bom, não diria nada disso de ti, depois destas últimas vinte e quatro horas.
- Se não me tivesses visto não saberias de nada do que aconteceu ontem. A culpa foi tua por teres insónias!
- Não teria sabido? Agora que penso nisso, quantos outros segredos terás?
- Segredos, eu? Olha, se te contasse tudo o que faço durante o dia, morrerias de aborrecimento.
- Então a tua vida é aborrecida, não é?
- Luxuosamente aborrecida – replicou ela, sarcasticamente. – Que mais pode pedir uma rapariga?
Ele olhou para ela com uma expressão curiosa. E fez com que Bella humedecesse nervosamente os lábios.
Inesperadamente, ele agarrou o seu queixo com a mão.
- O que foi que te aconteceu? Não és a mesma pessoa.
Até agora tinha corrido tudo muito bem. Porque é que ela teria começado a actuar como uma mulher assim tão de repente?
- Talvez tenhas confundido o silêncio com a falta de sentimentos, Edward.
- E o que é que desperta as tuas paixões?
- As coisas.
- Como a aula de francês?
- Como a aula de francês.
- Talvez fosse mais seguro para ti procurar mais perto de casa para satisfazer as tuas paixões – declarou ele, acariciando o seu queixo.
- Tu falas francês?
- Não foi a procura de um estímulo intelectual que te fez fazer algo tão perigoso como meter-te naquele carro ontem à noite. O sujeito demonstrou ser um idiota, mas se tivesse sido mais subtil? Teria sido inaceitável para ti um beijo furtivo na escuridão? Era isso que querias em segredo?
Ela afastou o rosto.
- A única pessoa que eu gostaria menos que me tocasse do que esse Mike és tu – replicou ela, muito ofendida.
Ironicamente, a única atenção masculina que queria era a de Edward.
- Palavras muito corajosas.
Mais tarde, a lógica poderia dizer-lhe que magoara o seu ego masculino, mas naquele momento a lógica não a ajudou.
O beijo dele não teve nada a ver com os que imaginara. A imaginação não tem textura, calor, nem sabor. Foi como se se dissolvesse e os seus lábios abriram-se imediatamente. O seu sabor chegou aos seus sentidos.
Quando o beijo parou, a sua desorientação foi total. Estava completamente tonta, levou a mão aos lábios e olhou para Edward com os olhos ainda escurecidos. Produziu-lhe uma certa satisfação ver que ele também parecia atordoado pelo que fizera.
- Foi infantil da minha parte – declarou ele, friamente.
- Eu não acho que tenha sido precisamente infantil.
A verdade é que agora sentia-se muito adulta.
- Suponho que estás à espera que me desculpe.
- Porquê? Gostei.
- Deus do céu! – exclamou ele, ficando rígido quando descobriu que ela estava a percorrer os seus lábios ansiosamente com o olhar.
Essa exclamação fez com que ela descesse à Terra e se ruborizasse.
- Estou a referir-me a que um beijo é só…
- Um beijo?
- Exactamente, não acho que devemos dar-lhe mais…
- Então, gostaste?
Bella franziu a testa.
- Gostei que perdesses o controlo.
- Isso é muito generoso da tua parte.
Quando a campainha da porta tocou naquela tarde, Bella preparou-se para mais uma nova confrontação com Sasha. Olhou para o relógio e pensou que era cedo. Estava sentada no tapete a brincar com Seth e colocou a criança ao colo como se fosse uma espécie de escudo contra a quantidade de críticas que estavam para lhe cair em cima.
- Senhora Cullen, é o senhor James.
- James! – exclamou Bella, contente ao ver quem estava por trás da senhora Sue.
- Bella, desculpa se te incomodo.
- Não é nenhum incómodo, entra. Queres um café?
- Café, por favor.
- Importava-se, senhora Sue? – pediu, a sorrir, para a governanta. – Senta-te, por favor.
Não imaginava o que poderia o seu professor de francês estar a fazer ali, mas como estava à espera de Sasha, ficou encantada com a presença dele.
James sentou-se no sofá e olhou à sua volta.
- Tens uma casa encantadora – declarou, ajustando os óculos.
Os óculos eram a única coisa intelectual que tinha, já que parecia mais um atleta, ou um modelo, do que um professor.
- A casa é da família do meu marido desde há muito tempo.
Edward tinha herdado a casa do seu pai há uns anos atrás e apesar de sua mãe ter ficado um tempo a morar lá, depois do primeiro casamento de Edward, tinha saído de casa. Bella conhecera Esme Cullen brevemente, quando se casara, e a mulher não se incomodara em esconder o seu desgosto pelo casamento do seu filho. Inclusive, ouvira como repreendera o seu filho por se ter casado com ela.
- E a criança é linda – declarou James, a rir, quando Seth lhe atirou um elefante de pelúcia à cabeça.
- Obrigada.
- Estarás a perguntar-te porque é que estou aqui, não é?
- Fico muito contente por te ver.
- És uma boa aluna. Algumas pessoas têm um talento especial para as línguas… e tu és uma dessas pessoas.
Bella ruborizou-se. A verdade é que gostava das suas aulas, mas não pensara que fosse nada de especial.
- Tenho um bom professor.
- É por isso que gostaria que reconsiderasses a tua decisão de abandonar o curso. Eu sei que tens muitas pressões por teres uma família… e esse acidente infeliz.
- Espera um pouco – pediu ela, levantando uma mão. Seth atirou-se sobre James e tirou-lhe os óculos. – O que é que te faz pensar que vou deixar o curso? E como é que soubeste que tive um acidente?
- O teu marido veio falar comigo.
- Foi falar contigo?
- Eu disse-lhe o muito que lamentaria se deixasses de ir às aulas. Sei que são para principiantes, mas esperava que progredisses mais.
- Que progredisse mais? – inquiriu ela, surpreendida.
- Já pensaste numa licenciatura?
- Eu? Não o poderia fazer. Deixei de estudar aos dezasseis anos.
Naquela idade, o Estado deixara de ser responsável por ela e tivera que abandonar os estudos para ir trabalhar.
- A tua família não se importou?
- Não tinha família. Depois estudei para ama.
- Sei que és muito nova, Bella.
- Vinte e três anos.
- Podes entrar na faculdade. Normalmente, são flexíveis com os candidatos adequados.
- E tu achas que sou uma candidata adequada?
James sorriu.
- És a candidata perfeita. Alguns estudantes mais velhos têm problemas para pagar os estudos, mas tu… - declarou, mostrando a casa com um gesto da mão.
- Não sei o que dizer.
Poderia fazê-lo? Edward nunca estaria de acordo. Seja como for, a ideia pareceu-lhe muito atraente. Conhecia muitas pessoas menos capazes do que ela que tinham ido à universidade e acabado os seus estudos. Algo que ela sempre pensara estar fora do seu alcance.
- Diz que sim, chérie.
Seth escondera-lhe os óculos, e James acrescentou:
- Bom, e agora onde estão os meus óculos? Se não os encontrar, vais ter que me levar pela mão, Bella. Sem eles não vejo nada.
Bella riu, procurou os óculos e ajoelhou-se diante do sofá de James para lhos entregar.
Naquele momento, a porta abriu-se e a governanta entrou com uma bandeja com o café e uns bolos.
- Fiz muitos bolos. Sei como Nessie costuma chegar a casa cheia de fome.
- Posso lanchar já? – perguntou Nessie, entrando na sala com a sua avó.
A mulher olhou para Bella, com um ar de triunfo malicioso.
- Vai trocar de roupa primeiro – replicou Bella. – Olá Sasha. Foste muito amável em ir buscar a Nessie à escola.
- Bella, que deliciosa surpresa. Esperava que estivesses na cama, pelo que Edward me contou. Mas estás com um bom aspecto, querida. Não me vais apresentar ao teu amigo?
Decidida a não se deixar aniquilar, Bella limitou-se a fazer um gesto com a cabeça para James.
- Este é James, o meu professor de francês. James, esta é Sasha.
James levantou-se e levou a mãe de Sasha aos lábios.
- Madame. Não, Bella, não te levantes. Estás com a tua família. Vais pensar no que eu te disse?
Bella levantou-se na mesma. Como continuava dorida e notava-se, James ajudou-a, agarrando-a pelo braço.
- Obrigada – disse ela. – Gostei muito que me viesses visitar. Adeus.
- Au revoir.
- Edward sabe que tu andas com homens enquanto ele está a trabalhar? – inquiriu Sasha, sentando-se no sofá que James deixara livre.
Era uma mulher muito atraente, com muito boa figura, mas as rugas de amargura que tinha à volta da boca estragavam o rosto que poderia ter sido muito belo.
- Não fales no plural. Tenho a certeza de que tu mesma lhe vais dizer.
Estava consciente de que a Edward nem lhe passaria pela cabeça que um homem como James a pudesse achar atraente. Em parte era por isso que se casara com ela.
Sasha pareceu um pouco surpreendida pela sua calma.
- Espero que não dês importância a uns quantos arranhões. Tanya nunca deixava que coisas como essas a impedissem de fazer o que queria. Não tinha medo de nada.
E era por isso que quando Seth só tinha um mês de idade, ela decidira montar um cavalo conhecido pelo seu temperamento indomável e morrera.
- Eu não sou a Tanya.
Sasha riu amargamente.
- E tenho a certeza de que Edward se lembra da sua perda cada vez que olha para ti.
Quando o pequeno Seth agarrou numa porcelana da estante, acrescentou secamente:
- Seth, deixa isso!
- Dá à mãe, Seth – pediu Bella, calmamente, para não o assustar. – Bonito menino!
Deixou a porcelana no seu lugar e pensou que as palavras de Sasha não lhe tinham doído tanto se não soubesse que eram verdadeiras.
- Era uma das figurinhas favoritas de Tanya.
- Bom, já está a salvo.
- Não sei porque é que deixas que as crianças venham para a sala, estragam tudo.
Bella suspirou. Já tinha passado por aquilo anteriormente.
- Isto é um lar familiar, Sasha. Não uma montra de exposição.
A verdade é que a casa toda parecia uma espécie de mausoléu. Tinha fotografias e troféus por todos os lados. Não só ela tinha sido uma amazona magnífica como também navegava e escalava. Evidentemente, tinha sido uma dessas pessoas que, para além acharem o perigo atraente, eram aditas a ele. O seu talento não se limitava ao aspecto desportivo, pois também tinha uma loja de roupa de desporto.
- Esta sala parece definitivamente em mau estado. Já sei que Edward não gosta de ter visitas agora que Tanya não está, mas… - comentou Sasha, a franzir o nariz.
Aquilo não era verdade, uma vez que todos os quartos principais tinham sido redecorados há um mês atrás.
A entrada de Nessie interrompeu a conversa.
Bella sabia que Sasha sentia por ela mais do que repulsa. Às vezes, pensava que aquela mulher fazia dela o foco de toda a sua dor e ira pela morte da sua filha.
Fim do Capítulo II
