Segundo dia
Eu não sei o que deu na Sra. Walker! Mas nós só vamos fazer o trabalho juntos e depois nunca mais quero olhar pra sua cara! – Disse-me a mulher dos meus sonhos enquanto fazia uma careta bem feia.
A irmã mais nova deu uma batidinha em sua mão para fazer um sinal de que estava sendo desnecessariamente rude. O que não ajudou muito, pois ela agora fitava com cara feia a irmã e o namorado.
Parecia que o meu céu azul com sol tinha se transformado em nuvens negras carregadas de chuva. Hoje tinha levantado pensando que nada ia destruir o meu bom humor. Que ironia, eu mal tinha colocado os pés na escola e já queria sair dali correndo.
Meus amigos tentaram me animar, fizemos algumas brincadeiras para descontrair. Até o professor de matemática achou engraçado. Por um momento consegui esquecer o que tinha acontecido.
E logo o intervalo se foi, dando início a mais uma longa aula dupla de biologia. Como a Sra. Walker deixou a aula livre para adiantarmos o trabalho, decidimos ir até o laboratório de informática. Depois de alguma discussão, é claro.
Começamos a pesquisar sobre tomates e vou te contar uma coisa, não sabia que essas frutinhas vermelhas eram anticancerígenas e que possuem grande quantidade de ferro, ajudando até e anemias.
Eu adoro tomates. – Disse Lovina. Era estranho ela tentar puxar assunto assim. Talvez estivesse pensando alto.
Eu também adoro, principalmente em macarrão. – Respondi esperando não ser espancado.
Ai, em macarrão fica delicioso também! Principalmente à bolonhesa. – comentou ela. E foi então que eu vi o sorriso mais bonito da minha vida. Lovina ficava radiante enquanto sorria, ela deveria fazer isso mais vezes.
Depois disso começamos a nos dar bem, apesar de Lovina não querer admitir, provavelmente.
Não perguntei o porquê dela não se dar bem com garotos, era abusar da sorte. E muito.
Por isso, depois de quase terminar o trabalho, faltando poucas coisas para acabá-lo. Fomos juntos até a porta da escola, e por já ser de tarde ambos íamos sozinhos embora.
Meu caminho era contrario do dela, mas tive uma estranha sensação de querer seguí-la. Pode me chamar de stalker se quiser. Era estranho e eu sei, porém fazer o que.
Mantive uma distância segura atrás dela. Quanto estávamos passando perto de um beco, uns caras de uma gangue resolveram mexer com ela.
Olá, gatinha. Já faz um tempinho que a gente não se via, né? – Piscou um deles, tentando parecer charmoso. Era nojento.
Sai de perto de mim AGORA! – Respondeu ela sem rodeios.
Ah, não mesmo gatinha. Dessa vez a gente vai querer mais do que um beijo. – Falou um outro cara. O que parecia ser o líder.
SAI DE PERTO DELA, AGORA! – Gritei enquanto dando um soco bem no nariz do cara que tinha falado por último.
Não sei o que tinha acontecido comigo, consegui praticamente correr cinco metros em 1 segundo. Pelo barulho que tinha feito, acho que o meu adversário tinha ganhado um nariz quebrado cheio de sangue.
Enquanto tocava a mão que tinha batido no cara, outro tentou pular por trás de mim. Consegui virar tão rápido que ele pulou no chão. Consegui aplicar uma rasteira que o cara enfiou o que as pessoas chamam de rosto no chão.
Outro teve mais sucesso em me ferir, com um estilete consegui fazer cortes na minha bochecha e no meu braço. Tirando isso ele foi direto pro chão inconsciente.
Lovina me olhou preocupada pegou na minha mão e me guiou até a casa dela, na qual não era longe. Estava tão embriagado pelo sentimento da mão gelada dela segurando na minha.
A casa tinha paredes de tijolinho a vista e outras pintadas de branco. Dois andares sustentados por várias colunas brancas. Lembrava muito o estilo romano.
Ela abriu a porta e foi me arrastando pelo hall, sala de entrada, escadas a cima, mais um corredor e o quarto dela.
Eu não podia acreditar, ela tinha me arrastado até o quarto dela. Era inacreditável! O quarto era simples e rústico e a decoração lembrava um quarto de campo.
Sentei na cadeira enquanto a garota ia até um armário e voltou carregando vários band-aids, algodão e álcool em gel. Lovina sentou-se na minha frente e começou a cuidar dos meus machucados.
Eu poderia desmaiar ali de felicidade.
