Feitiço de Amor – Patty Black Potter

Outubro de 1997

Harry Potter admirou os lindos olhos azuis de Elsie Kincaid, que adquiriam um brilho especial sob a luz da vela colocada sobre a mesa do restaurante. A iluminação também conferia aos seus cabelos um tom dourado. Porém, o que mais o empolgava não era a beleza da moça, e sim o fato de que ambos queriam a mesma coisa para depois do jantar.

E o que ele queria era levar Elsie para a cama. Sentiu um arrepio na espinha. Será que dessa vez não apareceriam im previstos? Ele vinha se frustrando por cerca de uma década pelo menos.

Empurrou o prato para o lado, inclinou-se e pegou nas suas as mãos de Elsie.

— Está pronta para a sobremesa? — perguntou suave mente.

— Oh, Har, acho que você sabe o que eu gostaria de sobre mesa.

Ele forçou um sorriso porque ela o chamara de Har, um apelido que detestava. Mas não era possível ficar irritado por tão pouco, especialmente porque sentia naquele momento o pé de Elsie acariciando sua perna por baixo da mesa, aumen tando o calor de seu corpo.

— Posso, então, levá-la para a minha... — Ele mordeu o lábio. — Para a sua casa? — Não queria levar uma mulher para a sua própria casa, já que começava a acreditar que o lugar estava assombrado. Acontecera de o aquecedor soltar fumaça preta, isso quando ele pretendia passar a noite com aquela loira de olhos azuis, Suzanne. E houvera ainda aque la outra vez com Rebecca, também loira e com olhos azuis, quando o ar-condicionado pegara fogo. E não podia se esque cer da outra loira de olhos azuis, Anne Marie, quando a equi pe da Swat invadira sua casa, enganando-se de endereço.

Nada disso. Não com... Elsie. Sim. Elsie. A jovem com seios fartos, Harry pensou.

Meu Deus, ele só pensava em sexo!

— Claro. Minha casa é o lugar perfeito — ela disse, levantando-se.

Harry pegou a carteira e jogou algumas notas sobre a mesa. Estava pronto para segui-la até o fim do mundo. Porém, sentia-se nervoso o tempo todo. Olhava em torno, imaginando o que poderia dar errado dessa vez.

Elsie sentou-se ao volante do carro dele, um Jaguar no qual gastara uma pequena fortuna, uma vez que nenhum homem podia dirigir um Jaguar e não desfrutar toneladas de sexo selvagem, certo?

Errado, já que a realidade tinha provado que isso era per feitamente possível.

— Posso dirigir Har, queridinho? — Elsie pediu com voz adocicada. — Ficarei tão feliz...

— Oh, sim — ele respondeu, estendendo-lhe a chave. Quando ela deu a partida, Harry ouviu o ruído familiar do motor, sorriu e virou-se para ir até o banco do passageiro.

Ao perceber uma alteração estranha no roncar do motor, virou-se, surpreso, imediatamente antes de ser atingido na virilha pelo espelho lateral do carro.

Elsie gritou antes que ele chegasse ao chão. Harry ainda escutou o barulho do freio sendo acionado, os passos apressados, a justificativa de que o pé tinha escorregado, e chegou até mes mo a identificar o rosto dela sobre o seu. Concluiu que aquilo era o mais perto que chegaria de uma mulher. Morreria virgem.

Então, perdeu os sentidos.

— Ops! — Fauna exclamou.

Ela e as irmãs estavam olhando para a bola de cristal.

— Oh... De... Deus... — Flora balbuciou. — Será que nós o matamos?

— Não, mas podemos ter danificado alguma parte vital — Fauna resmungou. — Você viu onde aquela idiota o atingiu?

— Ele vai ficar bem. — Merri afirmou. — Gina está de plantão no pronto-socorro esta noite. Agora que ela finalmen te voltou para casa, já era hora de unir os dois.

— Sim, já era hora. Estou exausta. — Fauna se acomodou em uma cadeira. — Nunca vi um homem tão determinado a fazer...

— Fauna! — A voz chocada de Flora e o rubor de seu rosto impediram a irmã de continuar.

Merri apenas balançou a cabeça.

— Está exagerando, Fauna. Qualquer homem agiria exa tamente desse jeito.

— Mas Harry tenta toda noite!

— E toda noite nós provocamos um desastre, e algo cai na cabeça dele. Achou que ele desistiria depois de algum tem po, não é? — Flora perguntou, parecendo verdadeiramente pesarosa por tudo o que estavam forçando o pobre Harry Potter a passar.

— Ele não está pensando com a cabeça, irmãs — Fauna observou, sorrindo.

— Harry não percebeu ainda que a mulher certa para ele é Gina. Mas uma vez que tome consciência disso... — Flora colocou as mãos no rosto. — Oh, só quero estar por perto para ver quando a flecha de Cupido atingir os dois em seus corações.

— Admito que seria bom ver o homem ser atingido por al guma coisa além de seu próprio carro! — Ela e Flora caíram na risada, e Merri dirigiu às irmãs seu olhar de indignação por aquela irreverência toda. No fundo, escondia um sorriso.

— Dra. Weasley, comparecer ao pronto-socorro. — Uma voz soou no sistema de alto-falante do hospital.

Gina se apressou a engolir seu chá de ervas e interrom peu a primeira pausa que fazia aquela noite. Dirigiu-se para a emergência, os sentidos em alerta, dando-lhe as informa ções necessárias.

O caso que iria atender não era grave, mas provocava muita dor no paciente. Ela sempre sabia o que encontraria em seguida. O dom que herdara de seus ancestrais era algo bom, pois lhe dava tempo para se preparar e, com muita fre qüência, ajudar seus pacientes a se recuperar.

Tinha os poderes por tanto tempo que já não mais os con siderava estranhos. Aquilo era apenas algo herdado, como os cabelos ruivos e os olhos negros. Claro que procurava não se identificar como bruxa. Enquanto trabalhava, mantinha seu pentagrama sob o avental branco. Mas isso não importava. Todos na cidade sabiam das estranhezas das mulheres que moravam na velha casa da colina.

Gina tinha achado que as pessoas se esqueceriam daqui lo no período em que estivera fora, o que não acontecera. Por alguma razão, porém, os mexericos e rumores não mais a per turbavam. Talvez porque agora fosse uma mulher adulta, que sabia bem quem era e o que era. E que se orgulhava disso.

Alguns moradores do lugar a olhavam ressabiados; outros pareciam nervosos ao seu lado e simplesmente a evitavam. Havia quem lhe pedisse poções do amor e números para jo gar na loteria, mas a maioria dos que moravam havia muito tempo na cidade não dava importância às estranhezas de sua família. Afinal, tivera gerações para se acostumar.

Entrou na sala de atendimento e rapidamente leu a ficha que uma enfermeira lhe passou.

— Boa noite, Sr... — Seu olhar encontrou o nome na ficha. — Potter?

Ergueu os olhos e viu o homem sentado na cama.

Os olhos dele estavam fechados. Mas, definitivamente, era Harry Potter. E Gina sentiu algo estranho, como um estremecimento. Engoliu em seco e procurou se concen trar apenas no trabalho.

— Pode me chamar de Harry — ele disse, rangendo os dentes. Voltou à cabeça em direção a Gina, abriu os olhos e se deparou com a frente do avental branco. Correu os olhos pelas belas pernas com interesse. — Oh, pode me chamar como quiser, para falar a verdade.

— Harry Potter! Você continua o mesmo, pelo que vejo.

Seus olhares se encontraram, e Gina notou quando ele a reconheceu. Harry leu, então, seu nome no crachá.

— Dra. Weasley. Meu Deus, a bruxa está de volta!

— Isso mesmo. — Gina forçou um sorriso. Se a opinião das pessoas não a perturbava mais, então por que sentia aque la pontada no coração com a observação de Harry? — Sou aquela menina que você vivia atormentando. Deve se lembrar, não é? Você me disse que eu era uma peste, que minhas tias eram doidas e que eu, provavelmente, teria verrugas no nariz. Elas ainda não apareceram.

Harry empalideceu.

— Você... tem uma memória muito boa, Gina. — Forçou um sorriso. — Não me diga que guardou mágoa de mim por tanto tempo.

— Claro que não! — ela exclamou, deu seu sorriso mais doce e então se voltou para a bandeja com os instrumentos. Pegou um bem longo e pontudo e experimentou a ponta no dedo. — Enfermeira, traga-me a broca de perfurar o crânio, por favor.

— Epa, espere um minuto...

Gina olhou para o paciente e sorriu. A enfermeira, Meg, sua amiga, caiu na risada enquanto Harry olhava de uma para a outra.

— Ah, vocês, moças, são muito cruéis.

— Não mais do que você foi dez anos atrás — Gina retru cou. Estendeu o bisturi para Meg. — Esterilize este, sim?

Meg pegou o instrumento e saiu da sala. Gina conse guiu parar de sorrir e inclinou-se sobre a cama.

— Acho que já está machucado o suficiente sem que eu precise acrescentar algum outro ferimento.

— Dá para perceber? E eu aqui tentando impressioná-la com a minha coragem de enfrentar a dor.

— Não pode esconder nada de mim. Por isso, não precisa perder tempo se esforçando.

— Oh, sim, eu tinha me esquecido. Você é uma bruxa.

— E uma médica — ela observou.

— Uma médica bruxa? Deus me ajude!

— Cuidado, Harry, ou logo estará sentado em um pe queno lago comendo moscas.

— Engraçado. Agora quer me transformar em sapo. — Ele se encostou ao travesseiro e a encarou. — Está brincan do, não é?

Gina apenas sorriu.

— Bem, vamos ver se entendo o que aconteceu com você. A sua namorada o atingiu na virilha com o seu Jaguar, foi isso? — Ela se inclinou um pouco e levantou a camisa, expon do a barriga de seu paciente.

Harry começou a ficar nervoso.

— Calma. Relaxe por um segundo — ela pediu.

Ele tentou. Gina logo localizou onde doía, notou os feri mentos, mas percebeu que não era nada sério. Confirmaria seu diagnóstico de forma mais científica, naturalmente. Mas sempre se sentia melhor quando descobria rapidamente do que se tratava.

— Você bateu a cabeça quando caiu?

Harry assentiu.

Gina afastou para o lado os cabelos dele e examinou o calombo que havia surgido. Sentiu-se aliviada ao perceber que não era nada grave. Uma concussão pequena. Ela tam bém confirmaria isso com um raio-X, por precaução.

— Vai se sentir melhor sabendo que não é nada sério. Fará alguns exames porque não quero que venha a me pro cessar por diagnóstico errado. — Pôs luvas, estendeu os de dos e começou a abrir o zíper do jeans dele.

— Ei, espere aí!

Ela não afastou a mão.

— Algum problema?

— Sim, há um problema. O que pensa que está fazendo?

Gina sorriu.

— Sempre ouvi dizer que os homens que dirigem um Jaguar têm genitais pequenos — disse suavemente. — Apenas quero checar se é verdade. — Ao perceber o olhar dele, decidiu falar a sério. — Vou apenas examiná-lo. Sou uma médica, Harry. O que pensa que estou fazendo?

— Gostaria de um médico menos sarcástico e com um pouco mais de testosterona. Um médico homem, se não se im portar.

— Verdade? E sobre os genitais pequenos...

— Diabos, Gina, arranje um médico ou vou embora da qui agora.

— Você continua um idiota, Potter — ela retrucou. — E desejo que os seus testículos inchem e caiam.

— O que aconteceu com aquela sua filosofia de nunca ma chucar alguém?

— Eu não disse que vou provocar isso, apenas que gostaria que acontecesse. Antes de sair, vou lhe adiantar o diagnóstico do Dr. Stewart, depois de um exame minucioso e de centenas de dólares gastos em raio-X. Você sofreu uma concussão nada grave, provavelmente devido à sua cabeça tão dura. Suas jóias de família vão estar doloridas por um dia ou dois, mas não há nenhum problema com elas. E sofreu uma batida no ombro direito. Este machucado é o que vai doer mais do que tudo, cada vez que virar o braço. — Gina começou a deixar a sala. — Mais uma coisa, e isso o Dr. Stewart não vai lhe dizer. Você ainda é virgem.

Harry engasgou. Olhou para Gina como se ela fosse um ser do outro mundo.

— Lembre-se disso da próxima vez que duvidar de minhas habilidades como médica ou como bruxa, Harry Potter.

O Dr. Stewart examinou-o minuciosamente e mandou-o fazer uma série completa de raios-X. Quando os exames fi caram prontos, disse que ele tinha uma concussão leve. Que sua virilha ficaria dolorida, mas que não era nada grave. E que a batida no ombro direito é que doeria mais. O médico apenas não dissera a Harry que ele ainda era virgem...

Mas Gina sabia. Como era possível explicar isso? Como ela podia saber de uma coisa que ele nunca tinha contado a ninguém?

Diabos!

Harry sentiu sua intimidade invadida. Ficou embaraça do. Como se tivesse de se explicar e se defender com Gina.

Feria seu orgulho o fato de ela saber que nunca tinha feito sexo. Ela ainda devia estar rindo. Mas, afinal, o que lhe im portava o que ela pudesse estar pensando? Além do mais, não era como se tivesse escolhido ser um celibatário. Acontecia sempre um desastre quando tentava chegar perto de alguma mulher. Isso vinha acontecendo desde o tempo de escola, e agora ele começava a acreditar que continuaria pelo resto de sua vida.

Droga, talvez devesse seguir a vida religiosa.

Era como se tivesse sido amaldiçoado.

Amaldiçoado?

E se... Gina sempre o detestara. Supondo que ela...

Não!

Suspirou e recostou-se ao travesseiro, antes de assinar os papéis que o Dr. Stewart lhe entregara.

— Diga-me uma coisa, doutor, o senhor acredita em mal dições?

O Dr. Stewart sorriu.

— Sei que o deixou louco da vida, mas Gina Weasley nunca colocaria um feitiço em ninguém. Não machucaria nem uma mosca. Não dê ouvido a fofocas.

— É fácil para o senhor dizer isso. — Harry falou. O que estava pensando era de fato uma bobagem porque ele não acreditava em bruxarias.

— Se alguém colocou uma maldição em você, não foi Gina. Aposto meu último dólar nisso.

Harry engoliu em seco.

— Está me dizendo que acredita nessa história de bruxa? O Dr. Stewart respirou fundo antes de responder. Por fim, sentou-se ao lado da cama e cruzou as pernas.

— Ontem, Gina e eu estávamos sentados na sala de café. De repente, sem nenhuma razão, ela derrubou a xícara no chão — o médico contou. — Esparramou café por toda parte. Ela levantou-se e correu, como se a cadeira estivesse pegando fogo. Eu a segui e a vi parar diante da porta de um dos quartos... e um segundo depois o paciente lá dentro en trava em choque.

Harry observou atentamente a expressão no rosto do médico.

— E o senhor perguntou a ela a razão da correria?

— Gina me disse que tinha ouvido soar o alarme do monitor do paciente. Mas não havia nenhum alarme. Descobrimos mais tarde que uma das enfermeiras o deixara desligado. E essa não foi a primeira vez que alguma coisa desse tipo aconteceu — o Dr. Stewart acrescentou.

— Então, o senhor acredita em algum tipo de bruxaria.

— Vêm acontecendo coisas estranhas por aqui, isso eu pos so lhe dizer.

O homem não parecia estar brincando. E Harry come çou a pensar sobre as coisas estranhas que vira Gina fazer. Com o falcão, por exemplo.

— Então... se houver alguma maldição sobre mim...

— Ou mesmo se estiver com azar — o Dr. Stewart conti nuou —, Gina é a pessoa certa com quem deve conversar. Tenho certeza disso.

— Claro, a não ser que ela me odeie. Ou tenha sido ela a me enfeitiçar. — A possibilidade não parecia tão absurda agora.

O Dr. Stewart riu e saiu do quarto.

Bem, Harry pensou, não tinha nada a perder. Se não descobrisse logo a razão de o destino estar conspirando para mantê-lo longe de qualquer experiência sexual, ficaria louco. E a parte pior era que completara vinte e nove anos. Gina já sabia que ele era virgem. Assim, talvez devesse tentar conven cê-la a ajudá-lo.

Ou talvez apenas devesse furar os próprios olhos. Mas primeiro tinha de decidir o que seria menos desagradável.

Gina parou debaixo dos sinos de vento pendurados na varanda da casa. O lugar parecia uma geleira e os sininhos soavam sem parar.

Entrou bem depressa e encontrou tia Flora entretida em lidar com duas velas cor-de-rosa com corações encravados em suas bases e pétalas de rosas à sua volta.

— Oh, desculpe — murmurou, diminuindo o passo. — Estou interrompendo um ritual?

— Não — Flora disse bem depressa. Quase como se esti vesse escondendo alguma coisa.

— Ora, tia, isso parece um feitiço de amor. Não está tentan do me arranjar algum príncipe que venha me roubar do gosto so convívio que tenho com as senhoras nesta casa, não é?

— Claro que não, querida! Ora, eu nunca faria uma coisa dessas. Absolutamente não. — Ela pigarreou e fingiu estar ocupada com as velas.

Gina teve um pressentimento. Algo lhe dizia que as tias estavam escondendo alguma coisa. Mas antes que pudesse fazer uma pergunta para tia Flora, tia Fauna entrou pela porta dos fundos, trazendo no braço uma cesta cheia de ervas frescas e várias raízes.

— Oh, Gina, você está em casa! — exclamou. — Merri, ela está em casa.

Tia Merri apareceu no topo da escada.

— Espere até ver o que lhe comprei hoje, Gina! — Ela exibiu uma pequena caixa e desceu as escadas balançando o corpo inteiro. — Quando meus olhos deram com isto, vi que tinha de ser seu.

— Oh, espere para vê-lo! — Fauna exclamou largando as velas.

— Não vai querer tirá-lo — observou Flora.

Definitivamente, as tias estavam agindo de maneira sus peita naquela noite. Gina ficou alerta. Claro que ela ama va as três com todas as células de seu corpo, e sabia que jamais sonhariam em fazer algo que a magoasse. Mas que havia alguma coisa, havia...

— Obrigada, tia Merri. — Pegou a caixa e a abriu. — Oh, que lindo! — Tirou uma corrente de ouro com um pingente de pedra em forma de rosa, a runa do amor. — Mas, tia Merri, por que esta pedra em particular?

— Algo me disse que deveria ser essa — Merri justificou. — Pareceu-me a combinação perfeita, sabia? Bem, um da queles meus impulsos consumistas.

— A senhora nunca se deixa levar por impulsos consu mistas, tia Merri. Por que não me contam logo o que está acontecendo?

Todas as tias menearam a cabeça em uma negativa, evi tando, porém, que seus olhares se encontrassem. A descon fiança de Gina aumentou.

— Conte-nos como foi o seu dia, queridinha.

— Oh, sim, faça isso! Encontrou alguém interessante hoje?

— Alguém novo?

Gina fez um gesto negando, sabendo que as tias es tavam querendo mudar de assunto. Decidiu deixar de lado suas suspeitas. Por ora.

— O único paciente novo não era de fato novo. Era aquele diabinho que costumava me atormentar quando eu era pe quena. Agora é um diabo enorme, um porco machista.

— Ora, a quem está se referindo? — Flora perguntou.

— Certamente não ao doce garoto Potter! — Fauna ex clamou, e Merri lhe deu uma cotovelada.

— Como é que a senhora soube...

— Ora, pelas cartas, querida. Pelas cartas.

— Não sabia que no seu baralho havia uma carta com Harry Potter, tia Fauna. A não ser que esteja se referindo ao Bobo.

— Oh, querida — disse Fauna. — Então você viu mesmo o garoto Potter hoje!

— Só o tempo suficiente para desejar que não o tivesse visto. Juro que nunca conheci um idiota maior em toda a minha vida. Imagine que ele exigiu um médico homem. Ora, como teve a coragem de...

— Talvez ele estivesse simplesmente embaraçado, Gina — Merri observou.

— Ou é tímido — Flora sugeriu.

— Ou nervoso — Fauna acrescentou.

— Ou um idiota — declarou Gina. — E se eu voltar a vê-lo, eu... O quê? Por que estão me olhando desse jeito?

— De que jeito, querida?

— Como se tivessem feito algo que vou odiar.

— Bem... bem, você vai nos entender, tínhamos a impres são de que...— Fauna começou.

— De que você e Harry Potter eram velhos amigos — Flora concluiu pela irmã.

— Então, quando o pai dele nos telefonou para dizer que ouvira contar que você tinha voltado para a cidade, e para perguntar como você estava... — A voz de Merri falseou.

— A senhora fez o quê?

Merri engoliu em seco, ergueu o queixo e falou com firmeza:

— Eu o convidei para jantar.

— Convidou Harry e o pai dele, ela quer dizer — Fauna acrescentou bem depressa. — Você conhece o pai de Harry, Tiago, um homem tão bondoso conosco... Sempre providen cia as ervas que encomendamos, mesmo as desconhecidas e difíceis de serem encontradas, e nunca nos perguntou o que fazemos com elas.

— Ele se aposentou agora, sabia? Passou a cadeia de lojas para Harry — Flora foi dizendo.

— Cadeia de lojas? — Quando Gina tinha deixado a cida de para estudar, eram apenas algumas drogarias pequenas.

— Agora ele possui uma cadeia de farmácias enormes, querida — Merri esclareceu. — Harry é quem as adminis tra. O rapaz tem jeito para os negócios. E você não precisa se aborrecer por causa do jantar. Apenas pensamos que seria agradável...

— Quando?

— Ora, amanhã à noite, querida.

— Muito bem. Simplesmente não vou estar aqui. Farei um passeio e...

— Oh, não pode fazer isso — Merri disse, sua voz soando dura e desaprovadora. — Isso seria uma indelicadeza enor me e não a criamos para ser uma pessoa rude.

Gina colocou as mãos na cabeça e fechou os olhos.

— Está bem. Sofrerei durante todo o jantar com esse idio ta. Mas se esperam que eu me divirta, estão enganadas.

— Oh, querida, assim está melhor. E claro que vai se di vertir. Tenho certeza de que Harry se tornou um homem maravilhoso. — Merri sorriu triunfante.

— Ninguém está nos melhores dias ao ir parar numa sala de emergência — Flora observou bondosamente.

— Você pode se surpreender, querida. — Fauna sorriu, satisfeita.

— Eu me surpreenderei se ele tiver a coragem de aparecer aqui — Gina retrucou, e então subiu ao seu quarto para se sentar e pensar em como sua vida tão certinha e agradável era perturbada agora pelo aparecimento de alguém desagra dável como Harry Potter.

(...)

Mais um ai hoho

Obrigado pelos comentários :D

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