Era o Dia das Bruxas, e Harry decidiu tirar o dia de fol ga. Merecia um descanso depois da humilhação que pas sara na noite anterior. Sem mencionar que seu ombro ainda doía. O resto do corpo estava bem. Não que isso importasse. As partes que estavam melhor eram as que provavelmente nunca usaria.
Gostaria de estrangular Ginevra Weasley. Era uma mu lher fria e malvada como uma cobra.
Ia preparar seu desjejum quando a campainha do aparta mento tocou. Achou que talvez fosse o pai, mas, quando abriu a porta, viu-se diante de Gina.
Os olhos negros exibiam uma expressão de incerteza e os cabelos emolduravam-lhe o rosto.
Harry começou a fechar a porta.
— Espere! Trouxe uma oferta de paz. — Ela exibiu uma enorme caixa, e ele sentiu o cheiro de rosquinhas frescas. Com recheio de amora, se não se enganava. Seus favoritos. Tentou se lembrar se alguma vez dera essa informação a Gina. Bobagem, ela devia ter lido sua mente.
Diabos, não! Se pudesse ler a mente dele, não estaria ali sem um guarda-costas. Abriu a porta de novo.
— Do que se trata Gina? O que veio fazer aqui?
Vendo que ele usava apenas a cueca, ela recuou.
— Talvez tenha sido uma má idéia.
Harry a pegou pelo braço, sem ter certeza de por que fazia isso, e ela pareceu um pouco alarmada.
— Entre, Gina. Não precisa se preocupar porque, se eu tiver a mínima idéia de tentar alguma coisa com você, com certeza meu apartamento vai pegar fogo. Você está perfeita mente segura na minha companhia.
Ela abaixou o olhar rapidamente. Um olhar de culpa. Por que seria? Suspirou, resignada, antes de entrar. Harry fe chou a porta.
— Tem café fresco na cozinha — ele disse ao vê-la nova mente com os olhos baixos. — Suponho que devo me vestir. Você com certeza não veio aqui para me ver nu.
Quando ia se virar, Gina resmungou alguma coisa.
— O que foi?
— Nada — ela disse. — Pode ir. Vá se vestir.
Havia algo de diferente em Gina, e ele queria saber o que era. Além do fato de parecer nervosa e menos hostil do que de hábito. E então descobriu do que se tratava. Ela esta va usando maquiagem. Era leve, mas os olhos estavam mais delineados. O perfume exótico se misturava com o aroma do café e das rosquinhas. Usava uma saia preta bem curta e uma blusa combinando. Ele podia ver o sutiã escuro por bai xo do tecido. As meias de seda também eram pretas. E os sapatos, abertos na frente, revelavam suas unhas. Isso sem contar os saltos altíssimos.
O que ela fora fazer ali, vestida daquele jeito?
Harry deu um passo em sua direção. A fantasia de estran gulá-la dava lugar a algumas outras, bem mais agradáveis.
— Pensei que ia se vestir — ela murmurou.
Ele parou as fantasias destruídas. Quem ele estava que rendo enganar? Aquilo não aconteceria nunca. E, por mais que desejasse fazer sexo com alguém, certamente não queria que fosse com ela. Sacudiu a cabeça e foi se vestir.
Quando voltou, encontrou-a sentada à mesa da cozinha, diante da caixa de rosquinhas que permanecia fechada. Serviu-se de café e sentou-se diante dela.
— Você não fez a barba — ela disse, encarando-o.
— Não pensei que fosse necessário. Nunca me barbeio nos meus dias de folga.
— Oh.
Droga. Algumas mulheres achavam atraente aquela apa rência. Ou... ao menos pensava que fosse assim. Gina pa recia apenas nervosa.
— Então, vai me dizer o que veio fazer aqui vestida desse jeito ou deverei adivinhar a razão?
— O que há de errado com o jeito de me vestir? — pergun tou, franzindo a testa.
— Nada.
— Então por que...
— O que está fazendo na minha cozinha, Gina?
Ela umedeceu os lábios e respirou fundo.
— Queria pedir desculpas. Pelo que fiz a noite passada.
Gina estava pedindo desculpas? Para ele?
— Não devia ter rido de você. Eu apenas... Não percebi que estava falando sério. Você vive me provocando. Assim, pensei que estivesse brincando e esperando pela minha res posta para caçoar mais ainda.
Harry não disse nada. Apenas ficou parado ali, observando-a, esperando-a prosseguir.
— Eu não estava rindo de você, Harry. Estava rindo com você. Pensei que estivesse fazendo uma piada sobre a tal maldição. Pensei que tivesse sido celibatário todo esse tempo por qualquer outra razão. Isto é, olhe para você. Qualquer mulher iria querer...
Harry sorriu. Então ela o achava atraente sem se barbear.
— Não é esse o meu problema. — Ele tomou um grande gole de café, e então abaixou a xícara. — As mulheres querem ir para a cama comigo. Mas alguma coisa sempre acontece. Como no último episódio com... bem, não me lembro do nome dela. — Parou de falar. — Por que diabos estou discutindo isso com você?
— Porque posso ajudá-lo. — Ela estendeu a mão e pegou uma rosquinha, apesar de não ter vontade alguma de comê-la.
— Duvido. — Observou-a com atenção. — Nem sei por que me passou pela cabeça lhe pedir ajuda. Você sabe melhor do que ninguém que não acredito nessa bobagem de mágica.
Os olhos dela se estreitaram e seu rosto ficou vermelho de raiva. Parecia prestes a dar uma resposta agressiva. Porém, respirou fundo e fechou a boca, conseguindo se controlar.
— Por que, pelo menos, não me deixa tentar?
Harry recostou-se à cadeira. Aquilo estava se tornando interessante. Desde quando ela tinha perdido uma oportuni dade de repreendê-lo?
— A mulher que estava com você... e de quem nem se lembra o nome...
— O que tem ela? — Harry pegou de novo a xícara de café e tomou um gole.
— Com todas as mulheres foi assim? Mulheres que você mal conhecia, com quem apenas queria dormir?
— Bem, de fato, sim.
Gina deu de ombros.
— Então, talvez esse seja o problema. Talvez inconscien temente você esteja sabotando a si mesmo porque não quer de fato dormir com uma estranha.
— Ora, ora, está parecendo mais uma psiquiatra do que uma bruxa.
Mais uma vez Gina evitou uma resposta agressiva.
— Talvez fosse melhor se a sua primeira vez fosse com alguém... conhecido. Alguém... que você conhecesse há bas tante tempo.
— Certo. Quem, por exemplo? — Harry tomou um gran de gole de café. Amargo e forte, como ele gostava.
— Eu.
Ele cuspiu o café, que atingiu a mesa, as rosquinhas e a parte da frente da blusa sexy que ela usava. A xícara caiu no chão, e ele inclinou-se sobre a mesa, engasgando. Gina se levantou e procurou bater em suas costas.
Quando ele conseguiu se refazer e, por fim, se sentou, er gueu a cabeça e olhou-a. Ela devia estar brincando.
Gina lhe devolveu um olhar sério.
— Você não está brincando, está?
— Eu... eu estava tentando ajudar. Se parece tão absurdo para você, então esqueça. — Virou-se e se dirigiu à porta.
Harry se levantou rapidamente.
— Espere um minuto! — Aquilo tudo era muito estranho.
Quando ela o encarou, prosseguiu:
— Você me pegou de sur presa, só isso. Se estiver disposta... Eu seria louco se recu sasse.
Harry percebeu que Gina enrijeceu o corpo e endireitou as costas. Ela mais parecia Joana d'Arc indo para a fogueira.
— Então está bem.
— Está bem?
Assentindo, ela levou os dedos aos botões da blusa, abrin do o primeiro, depois o segundo.
— Vamos acabar logo com isso.
Harry fitou-a, sentindo como se ela tivesse jogado um bal de de água fria nele.
— Posso notar que você mal pode esperar por isso.
— Não fique aí tendo idéias, Harry. Isso não é nada pes soal. — Abriu outro botão. Tirou a blusa e ficou apenas com o sutiã e a saia curtinha, parecendo à mulher das fantasias eróticas de qualquer homem.
— Então você não me deseja realmente — ele disse.
— Claro que não.
— Está fazendo isso apenas como um favor.
— Naturalmente. — Abriu o zíper da saia e a retirou. As meias pretas estavam presas por ligas, e a calcinha era vermelha. O ventre era macio, e os seios, arredondados e fir mes sob o sutiã. Harry desejou gostar dela pelo menos um pouquinho. Engoliu em seco. Ela viera ali apenas para ir para a cama com ele, e aquilo o deixava extremamente nervoso.
— E o que você ganha com isso?
Gina deu de ombros.
— Nada que precise saber. Vai ficar aí parado ou se despir?
Boa pergunta. Harry não tinha certeza de querer uma mulher que não o desejava. Mas... e se ela o desejasse?
— Venha aqui, Gina.
Notou um sinal de alarme nos olhos dela, seguido de resig nação e resolução estóicas. Ela se aproximou lentamente, como a virgem de um vilarejo caminhando até a cratera do vulcão.
Passou as mãos pela cintura dela e a puxou para junto de seu corpo. Ela estava quente, tremendo ligeiramente. Quando se inclinou para beijá-la, ela ofegou e tentou recuar.
— Ora, vamos, Gina. Se tem medo até de me beijar, co mo espera fazer qualquer outra coisa?
— Não... n-não estou com medo.
— Não? Então prove. Beije-me como se quisesse fazer isso. Mesmo que finja estar gostando. — Sem dar-lhe tempo para responder, beijou-a de novo.
A reação de Gina foi lenta. Os lábios foram relaxando e se entreabriram, e os braços o envolveram. Harry tocou-a com a língua, traçando a forma dos lábios com delicadeza, experimentando a boca macia, fazendo-a estremecer. Uma doce reação de prazer, que o afetou.
Puxou-a mais para junto de si, intensificando o beijo. E, para sua surpresa, Gina começou a corresponder, acari ciando seus cabelos, pressionando seu corpo contra o dele. Inclinou a cabeça para trás, recebendo-o completamente em sua boca, explorando-o também com a língua.
Harry ergueu a cabeça e a fitou.
— Você me deseja. Sempre me desejou.
— Só nos seus sonhos — Gina sussurrou em um tom sensual.
Ele deixou os braços caírem e se afastou.
— Mentirosa.
— Eu... — Seguiu-o com os olhos ao vê-lo recolher sua roupa do chão e estendê-la para ela. — O que...
— Vista-se, Gina. Não aceito sexo por piedade. Então, se é isso, pode esquecer. — Ele sabia muito bem que não era. Porém, não iria para a cama com ela, a não ser que ela reco nhecesse aquilo.
— Mas...
— Nada de mas. Sei que me deseja. Se fosse honesta con sigo mesma, saberia disso também. Assim, por que não volta quando estiver preparada para admitir isso, e então veremos?
Gina arregalou os olhos, que brilhavam com raiva e tal vez com um pouco da humilhação que ele sentira na noite anterior quando ela rira dele. Bom.
— Seu arrogante, egocêntrico e estúpido!
— Sim, sim.
Ela agarrou a blusa com movimentos raivosos e a saia do mesmo jeito.
— Vai se arrepender disso, Harry Potter!
Com essas palavras, deixou o apartamento como um fu racão.
— Diabos, Gina — ele sussurrou depois que ela saiu. — Eu já me arrependi.
Comenteem ;**
