Gina sentiu algo ser transmitido para ela. Começou a se acalmar, sua energia foi se fortalecendo, e ela parecia em sintonia com as vibrações ao redor. A força vinha das mãos de Harry, entrava em seu corpo e a preenchia totalmente.

Ele possuía um poder que desconhecia, que estava vivo em seu sangue e que, de alguma forma, lhe incutia coragem. Quando fechou os olhos, ele começou a afastar as mãos, mas ela as segurou e as manteve em seus ombros, querendo que a energia continuasse a fluir. Sabia que os poderes da Mãe Terra e do Pai Céu, e também os da Lua, aumentavam a in tensidade de sua mágica. Mas nunca sentira antes a essência de outro ser humano...

Começou a examinar a tia, movendo a mão bem deva gar, sentindo sua aura, procurando o invasor que a estava deixando tão doente. E o encontrou. Um ponto no tornozelo esquerdo. Rapidamente, puxou a barra da calça para cima e aproximou o olhar.

— Gina? — Harry chamou.

— Picada de cobra — ela murmurou, identificando as marcas minúsculas e o vermelhão em torno delas.

— Mas... não temos cobras venenosas por aqui. Tem cer teza de que é...

— Temos cascavéis. Não muitas, mas de vez em quando uma aparece. — Seu senso lhe dizia que estava certa. — Tia Merri — chamou bem alto, e sua tia apareceu imediatamen te, segurando o telefone. — Está falando com o hospital? Mande que arranjem Antivenin. Foi uma picada de cascavel. E diga que chegaremos lá em minutos. — Enquanto falava, tirou uma fita de seda da cabeça de Flora e a amarrou na perna, acima da picada.

— Pegue o carro, Harry — pediu suavemente. — Você, dirige.

Harry não acreditava no que havia dito. Mas dissera... Diabos, ele não sabia por que agira assim. Mas tivera de fazer alguma coisa rapidamente porque Gina estava tomada pelo pânico. Assim, pudera dar-lhe alguma força, aquela da qual ela precisava naquele momento.

E estranhamente, tinha funcionado. Quando ele atendera ao telefone depois que Gina saíra tempestuosamente de seu apartamento, ouvira a voz; assustada de sua tia e tinha sentido que precisava ajudá-las. Era como se algo o estivesse chamando. Como se Gina... precisasse dele. Isso era estú pido. Ridículo, na verdade.

Mas quando a tocara nos ombros, tinha sido como se ela houvesse precisado mesmo dele. Como se a tivesse ajudado de alguma forma. Como se ela tivesse drenado algo dele.

Meneou a cabeça e retomou a caminhada pela sala de espera. Dirigira como um louco para chegar ali enquanto Gina procurava evitar que o veneno da cobra se espalhas se pelo corpo da tia. Em certo momento, havia parado em um farol vermelho.

— Não pare! — ela gritara.

— Mas o farol está vermelho, Gina. Eu tenho de...

Ela olhara acima do ombro dele, balançara a mão e o se máforo tinha ficado verde.

— Apenas dirija.

E eles não haviam encontrado nenhum outro farol fecha do pela frente, porque, quando iam passar, a luz mudava do vermelho para o verde.

Ele pensava em como aquilo tinha sido estranho quando Merri e Fauna entraram correndo na sala de espera, os olhos cheios de perguntas. Estava prestes a dizer que ainda não sabia de nada, quando as portas se abriram, e Gina surgiu. Ela olhou um por um até finalmente sorrir, um sorriso can sado, mas que indicava que Flora estava bem.

— Ela vai ficar boa — anunciou. — Vocês podem voltar para casa e...

Não terminou a frase porque as tias passaram por ela e correram para ver a irmã.

Ele deu um passo em direção a ela.

— E quanto a você? Vai ficar bem?

Ela sorriu, fez sinal que sim, e imediatamente suas per nas fraquejaram. Teria caído caso ele não a tivesse segurado. Encostou-se nele e, aos poucos, foi voltando ao normal.

— Estou bem. Realmente estou...

— Está nada. — Ele a fez sentar-se e recostar-se em al gumas almofadas. — Apenas se encoste por um minuto e me conte o que aconteceu.

Gina obedeceu, fechou os olhos, e uma lágrima rolou por seu rosto.

— Quase perdi a minha querida tia. Harry, eu quase a perdi.

Começou a soluçar, e Harry se emocionou, abraçando-a com força.

— Mas isso não aconteceu. Ela está bem, Gina. Você salvou a vida dela. Nunca vi nada como o que você fez hoje.

Gina envolveu-o com os braços.

— Mas se... se eu não tivesse sabido o que havia de erra do...

— Mas você soube — ele disse suavemente. — Não sei como, mas soube. E ela agora vai ficar bem.

— Sei disso. Sei disso, mas...

Ele começou a se afastar, porém Gina o puxou para mais perto.

— Abrace-me, Harry. Preciso de você.

Ele abraçou-a. Não conseguia acreditar no que ela acaba ra de dizer, mas tinha escutado muito bem. Gina precisava dele. Ela era suave, e estava tão vulnerável e atormentada naquele momento.

Tudo o que queria era que ela se sentisse melhor graças à ajuda dele.

Oh, e ele que pensara não gostar de Gina Weasley. Não conseguia imaginar o que seria melhor do que enlaçá-la da quela forma.

Eu preciso de você.

— Estou do seu lado — disse, acariciando-a nos cabelos. — Apenas me diga do que precisa, e eu farei para você.

Ela suspirou, procurou endireitar o corpo, secou os olhos e fitou-o.

— Espero que esteja sendo sincero.

Sorrindo, ele passou a mão levemente no rosto ainda mo lhado pelas lágrimas.

— Diabos, Gina, isso pode surpreender até a mim mes mo, mas estou sendo sincero.

— Mas nem gosta de mim.

Harry deu de ombros.

— Você também nunca foi minha fã número um, se me lembro bem. Que tal se esquecêssemos as bobagens todas que fizemos?

Ela o olhou, cheia de dúvidas.

— Será que podemos fazer isso? Podemos realmente es quecer tudo?

— Ora, Gina, creio que já fizemos isso. Eu lhe digo uma verdade inegável: gosto de você agora.

Ela fechou os olhos, quase como se estivesse se sentindo culpada.

— Você salvou a vida de tia Flora — murmurou suave mente.

— Tudo o que fiz foi dirigir. Você é quem...

— Não. — Ela encarou-o. — Foi você, Harry. Eu estava lá, desmoronada, e você... você me ajudou. Você sentiu a sua energia, não é? E o efeito que teve sobre mim?

Harry se arrepiou.

— De fato senti... alguma coisa. Mas não sei o que era.

Gina decidiu não se aprofundar naquilo. Endireitou o corpo e ajeitou a roupa.

— Vou ver como tia Flora está, conversar com...

— Quero ver você, Ginaa! — ele exclamou. — Quero ver você esta noite.

Ela mordeu o lábio inferior.

— Não sei, não...

— Porque ainda não gosta de mim? — indagou, tentando fazer a pergunta ganhar um ar de brincadeira.

— Não — Gina murmurou, e estendeu a mão, tocando com suavidade o rosto dele. — É porque, agora, eu gosto.

(...)