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Gina andava de um lado para outro, apertando as mãos. A coisa toda seria bem mais fácil se continuasse odian do Harry. Mas agora...
Agora, gostava dele. Ou talvez sempre tivesse gostado. Ou talvez fosse um pouco mais do que gostar o que ela sentia por Harry, e sentira isso a vida toda.
E agora estava prestes a usá-lo. Dormir com ele com o úni co propósito de manter seus poderes. Sentia-se muito mal.
Mas que outra escolha tinha? Se, por uma questão de prin cípios, se recusasse a usar Harry, perderia seus poderes. E se viesse a acontecer algum outro acidente como o daquele dia, e uma das tias adoecesse e ela não conseguisse identificar ime diatamente o problema? E seus pacientes? Talvez nem tives sem chance de ser acudidos.
O que fazer?
Não conseguia comer. Flora passaria a noite no hospital, apenas por precaução, e as duas irmãs haviam se recusado a sair de lá. Não precisava se preocupar. Naquele exato mo mento, as três deviam estar organizando uma festa e pedin do uma pizza.
E aquela era a Noite das Bruxas. À meia-noite, ela com pletaria vinte e sete anos. Precisava tomar rapidamente sua decisão. Olhou para o céu e fez um pedido desesperado.
— Preciso de ajuda. Não sei o que fazer.
E o murmurar da brisa pareceu lhe dar uma resposta. Vocêsabe o que deve fazer.
— Sim — ela murmurou. — Eu sei.
Uma hora mais tarde, estava no jardim à luz do luar. Posicionou-se no centro do canteiro de flores, o chão sagra do. As tias tinham preparado e usado aquele lugar em seus rituais. Havia flores de todos os tipos: girassóis, margaridas e outras mais. No centro do círculo, uma pedra enorme de granito escuro.
Gina acendeu as velas sobre a pedra, depois o incenso. E então se ergueu e levantou os braços, com a cabeça abaixada. Depois, cruzou-os sobre o peito. Ficou assim por mais um mo mento, sentindo as energias se unirem para começar o ritual. Abriu as palmas das mãos e visualizou uma esfera de luz. Era a esfera da pureza, da bondade e do poder. Uma esfera que continha apenas forças positivas, e onde o tempo e o espaço não existiam. Um lugar de encontro entre os mundos. Quando sentiu toda essa energia, ela a deixou cair no chão e houve uma explosão. Uma luz branca envolveu o jardim, rodeando-a completamente: acima e abaixo, por toda a parte, criando um, lugar de mágica.
Feito isso, ela se sentou.
— E agora — murmurou. — Seres do Passado e Seres de Luz, digam-me o que devo fazer.
Harry bateu à porta da frente, mas ninguém atendeu.
Como era tarde, não tinha muita esperança de encontrar Gina acordada. Não conseguira dormir, pois continuava preocupado. Não com Flora, já que a excêntrica senhora estava bem. Ele deixara o hospital apenas quando haviam lhe assegurado que a paciente não corria nenhum risco. Preocupava-se com Gina, pois ela praticamente desabara em seus braços, um comportamento nada habitual. E mais do que isso: se oferecera para fazer amor com ele.
E ele não conseguia tirar isso da cabeça.
Na verdade, estava obcecado com essa possibilidade.
Como ninguém atendeu à porta, virou-se para ir embora, mas se deteve ao sentir um aroma delicioso que vinha do jar dim. Procurou localizá-lo, ousando ir mais adiante naquele mundo de flores e arbustos.
Parou nos fundos da casa. Havia uma luz em um círculo formado de flores. Uma luz que parecia dançar, como se fos sem chamas de velas... ou alguma coisa mais.
Aproximou-se vagarosamente e, por alguma razão inex plicável, seguiu o caminho que o assustara na infância, que rendo chegar ao centro do círculo perfeito. Ficou imóvel ao se deparar com Gina usando um roupão preto e acetinado. Ela estava sentada quando a viu, mas agora se levantara e se movia graciosamente, quase como se estivesse dançando. O luar a banhava por inteiro. A luz, porém, era mais do que isso. Parecia apenas rodeá-la, e não toda a área. Seria de fato o luar ou algo que vinha de dentro de Gina?
Subitamente, ela interrompeu os movimentos, como se ti vesse escutado alguma coisa. Ou a aproximação de alguém. E então se voltou e o viu.
Ele não conseguiu deixar de se perder naquele olhar ne gro. Podia jurar que uma força estranha parecia empurrá-lo para frente, aproximando-o mais do círculo e de Gina. Deu alguns passos, sem saber bem se o que acontecia era real ou fruto de sua imaginação.
Gina sorriu suavemente, como se aprovasse algo que ele tivesse feito. Não disse uma palavra, apenas se ajoelhou e indicou que ele fizesse o mesmo.
Harry sentiu-se um pouco temeroso. Engoliu em seco, sem saber o que exatamente estava acontecendo com ele.
Gina parecia tranqüila. Levantou-se, aproximou-se e moveu os braços. Ele sentiu imediatamente a luz que o ba nhava, em um círculo diferente do restante do jardim. E ele se sentia diferente. Mais quente. Estranho. Como se a ener gia viesse de dentro, e não de fora.
— Tire os sapatos, Harry — ela murmurou, e sua voz soou suave e profunda. — Este é um solo sagrado.
Solo sagrado. Certo. De qualquer forma, tirou os sapatos e as meias.
Gina voltou a se mover, o que captou toda sua atenção. Especialmente quando ela deixou o roupão de cetim deslizar até o solo. Não estava usando nada por baixo, a não ser uma corrente com um pingente místico e o par de brincos de esme raldas.
Aquele que ele lhe dera? Olhando em direção à pedra, viu um pedaço de papel ladeado de velas. Nele, o desenho do ros to de um homem. Muito parecido com o dele.
— Gina... — murmurou.
— Preciso de você, Harry — ela disse com suavidade. — Então eu o trouxe até aqui.
Ele a observou por um momento.
— Você me trouxe até aqui — repetiu.
— Com um tipo de mágica que normalmente não uso. Manipulativa — explicou calmamente, como se cada palavra fizesse sentido, o que, obviamente, não era verdade. — Mas me assegurei de que isso não iria interferir no seu livre arbí trio — ela continuou. — Eu disse: "Se ele me deseja, permita que venha até aqui nesse momento".
— Entendo. — Na verdade, ele não entendia. Tudo o que via eram os seios perfeitos, arredondados e firmes. E uma cintura que se ajustava às mãos dele. E o triângulo de pêlos entre as pernas, que eram de um negro brilhante como seus cabelos.
— E você veio — Gina murmurou.
(...)
Prévia do 8
Liberado. Forte. Poderoso. Másculo.
— Agora — ele disse, segurando-a pelos ombros —, isto. — Puxou-a para mais perto e inclinou-se para beijá-la com avidez, alimentando-se daquela boca tentadora. Sabia que aquilo era o certo. Era perfeito. Ele a adorava. Não sabia a razão ou quando começara ou o que o fazia compreender o sentimento naquele momento.
— Eu amo você, Gina. Eu amo você.
— Não importa — ele disse, apertando-a em seus braços. — Já é mais de meia-noite. Feliz aniversário, Gina.
