Fique, fique, fique
Hermione Jane Granger costumava usar regras definidas por outros de base pra quase todas as suas decisões estava se sentindo hipócrita, selecionando dessa maneira as regras que lhe convinham ou não seguir, fidelidade era uma espécie de regra, mas ela estava ali cheirando a Draco Malfoy.
Não conseguia deixar de comparar-se á Draco, contido, silencioso e ela, completamente descontrolada. E mesmo que não chegassem a ser completos opostos, ela confrontava aquelas duas personalidades distintas desde o instante em que pusera os olhos nele, como se fosse capaz de encaixar cada oposto, como se pudesse ligar-se nele por pólos, cada parte sua em contraste exato com ele, era um tipo de amor difícil de detectar, mas quando finalmente aconteceu, Hermione entendeu que era torto demais pra mostrar aos outros ou admiti-lo pra si mesma.
Hermione tentava não pensar muito a respeito do descontrole geral em que se encontrava sua existência, é uma das belezas da vida adulta, ter tanto a se pensar que cria-se a capacidade de selecionar preocupaçõ a mulher só percebeu que perdera o controle no dia em que fingiu uma dor de cabeça repentina, e ao invés de voltar para a casa confortável que tinha comprado com Ron, foi direto até Draco.
Os passos dele nunca ecoavam, não importava o quão atenta ela estivesse ou quantas horas já estava esperando, jamais o ouvia chegando, uma ou duas vezes se perguntou, "Ele seria tão silencioso se eu o pusesse em um daqueles sapatos de sapateado?", esse pensamento também era a máxima de humor que conseguia produzir em torno de Draco Malfoy mesmo que ridicularizá-lo fosse sua atividade predileta, era difícil encontrar um pouco de verdade no que dizia. Recolheu as pernas para dentro da poltrona, quando o sono já tinha tomado conta Hermione foi acordada, ouviu os sapatos dele voarem pra algum lugar perto da poltrona onde tinha adormecido, levantou os olhos e viu o rapaz tirando a camisa e remexendo nos bolsos da calça, começou a duvidar que ele tivesse notado sua presença.
-Hoje não é sexta-feira.-ele disse assim que percebeu que ela estava ali.
Era surpreendente como o homem conseguia tirá-la do sério com um punhadinho de palavras, talvez um talento natural, sentiu o rosto esquentar e não se deu ao trabalho de conter o monte de impropérios que começou a escorrer por seus lábios. O certo a ser feito era simplesmente levantar e ir, mas a jovem não era assim, mas se mostrassem á Malfoy que ele não era bem-vindo, o que depois da guerra acontecia com freqüência, tudo que ele faria seria se retirar como se não quisesse estar ali desde o inicio, outra parte deles que os fazia opostos, ela nunca sabia a hora de sair.
Juntou suas coisas apressadamente e rumou na direção da porta dizendo uma de suas mentiras recorrentes, que não voltaria ali nunca mais, mas ele a impediu de sair, e no fundo, a jovem tinha certeza de que ele o faria. E mesmo que Draco tivesse atado os braços em volta de sua cintura e a beijado a impressão de quem estava cedendo ali era Hermione. Sabia que se ele não avançasse um passo para impedi-la, ela ficaria, mesmo que o resto de seu orgulho gritasse que hora ou outra ela deveria partir.
Sorriu contra os lábios dele, a pele morna de Draco contrastava com a sua, fria como nunca estivera, já tinha sido jogada na cama, já estava nua quando encarou os olhos dele, eles mudavam de cor conforme a luz, mais escuros, mais claros, assustadores era a definição certa pra eles naquela hora.
Ás vezes era mais fácil parar de cogitar o que o mundo lá fora diria dela se soubesse que alguém como ela se envolvia com alguém como ele, afinal de contas, era o que as pessoas faziam; elas falavam, suspeitavam e se importavam, como se não existisse mais ninguém ocupado com isso.
Encarou o lustre balançando molemente enquanto selecionava preocupações á frente daquela situação, quando estavam transando era facílimo não pensar em nada, mas no pós-sexo a mulher precisava se esforçar um pouco para esquecer que estava ali ao lado dele. Tinha relatórios para terminar, atrasou o trabalho para estar ali, teria que visitar Molly no domingo...Sua lista mental desapareceu quando a mão de Draco descansou cuidadosamente em seu estomago, o peso daquela mão não a deixava pensar.
Seu estomago estava revirando, Draco não costumava verbalizar nada de realmente importante, "pedir" era uma coisa que não parecia ser digna dele, mas talvez dessa vez, com esse gesto, ele estivesse pedindo que ela ficasse. Girou o corpo para encará-lo, ele estava de olhos fechados, mas obviamente tinha sentido que estava sendo observado, abriu os olhos e encarou Hermione, enquanto franzia o cenho, aquela expressão fazia a pele da testa dele criar pequenas rugas, e por algum motivo absurdo aquilo a fazia sentir vontade de rir, não exatamente da cara dele, o que seria muito mais apropriado.
-O que?-ele perguntou meio sonolento.
-Tenho que ir embora.
-Então vai.-sentiu as mãos dele saírem do lugar onde estavam, soltando-a, seu estomago voltou a girar e sentiu que a única coisa que impedia seus olhos de girarem nas órbitas também era a calma que estava tentando manter desde seu último ataque de fúria.
Fez questão de produzir a maior quantidade de barulho que alguém conseguiria usando um punhado de roupas e uma bolsa, ele estava deitado de bruços, aparentemente tentando dormir, ela estava ali, nua e descabelada, na frente dele e tudo que o homem fazia era se revirar e bocejar. Por alguns segundos Hermione pensou no tamanho do estrago que seus saltos conseguiriam produzir caso ela tentasse cravá-los na bunda que o loiro deixava a mostra, reconsiderou, ela realmente gostava da maior parte do que ele deixava a mostra.
Passou pela cama onde ele dormia, "Uma ultima olhada, até a próxima semana". Assustou-se quando ele agarrou seu pulso e arrancou a aliança de noivado que usava no dedo, observou, incrédula, o anel onde o nome de Rony estava gravado sumir entre os dedos de Draco.
-Devolva!
-Devolver o que?- ele sequer olhava pra Hermione, parecia ter encontrado algo muito mais interessante para observar no teto.
-Minha aliança de noivado, devolva agora mesmo!
-E pra que você precisa dela?
A calma dele só fazia a jovem sentir mais raiva, seu o rosto começou a esquentar, tudo que Hermione queria fazer naquele instante era envolver as mãos em volta do pescoço dele e sacudi-lo até que o rapaz cuspisse o anel e quem sabe também algum órgão vital, como se aquele não fosse um pensamento recorrente em sua mente a morena contou até dez, tentou respirar devagar e se acalmar antes de encarar o rapaz, ele tinha se voltado pra ela, um sorriso debochado no rosto e transpirando uma confiança incomum para alguém que estava nu e desarmado diante de uma mulher furiosa.
-Não me obrigue a...-disse a garota esfregando o dedo no rosto bonito do homem.
-O que?Não posso te obrigar a que?- sibilou o rapaz em tom de desafio.
Draco agarrou o pulso da jovem e puxou-a contra ele, sentir o corpo dele debaixo do seu só fez Hermione sentir mais raiva, tentou estapeá-lo várias vezes, até que o homem trocou de posição, estava agora sobre a jovem, sorrindo do jeito diabólico que ela reconhecia de seus tempos de escola.
Os lençóis e travesseiros tornavam aquela situação toda muito mais sufocante do que seria inicialmente se apenas estivesse com ele se apoiando firmemente em seu corpo, tentou se livrar do aperto, mas congelou quando sentiu os dedos deles se infiltrarem entre suas pernas, uma expressão de descrença tomou o rosto da mulher, enquanto ele rebatia tudo aquilo com seu típico torcer de lábios confiante.
-Você ta pelado, essa aliança não pode ter ido muito longe.
-Faz sentido, realmente faz.-ele sorriu e se curvou para beijá-la, era nesses momentos que Hermione fingia não se importar de verdade com nada além dele e aquilo que eles faziam uma ou duas vezes por semana.
