NARUTO NÃO ME PERTENCE- E SIM A MASASHI KISHIMOTO
ESTA HISTÓRIA TAMBÉM NÃO- É UMA ADAPTAÇÃO DO LIVRO DE SUZANNE ENOCH!
Uzumaki Naruto não levantou os olhos da mesa. Conseguira chegar ao salão de jogos pela escada dos criados, apesar de não saber ao certo por que se preocupara em se esquivar de Hiroshi Hyuuga. Bem, sabia que, se arruinasse a reputação de Hinata, ela seria afastada para longe de seu alcance.
— Uzumaki!
Com um suspiro, ele olhou por sobre o ombro.
— Sim?
— Você viu minha irmã? — Hiroshi indagou em voz baixa.
— Quem diabos é você?
O irmão de Hinata sentou-se na cadeira ao lado.
— Sabe muito bem quem eu sou — ele resmungou —, e sabe muito bem quem é minha irmã. Fique longe dela, Uzumaki.
O conceito que Uzumaki tinha do homem subiu um pouco. Ameaças diretas requeriam coragem, especialmente se fossem feitas a ele.
— Estou fora — ele informou ao resto dos jogadores, jogando as cartas na mesa e levantando-se. — Vamos? — Fez um gesto para Hiroshi.
— Prefiro não ser visto conversando com você. — Ele franziu o cenho. — Você não é bom para a reputação de ninguém. Apenas deixe a minha família em paz.
— Então pare de mandar sua irmã conversar com minhas amigas... íntimas — Uzumaki retrucou. — Faça você mesmo o serviço sujo, Hyuuga.
Com isso, ele voltou ao salão de baile. Malditos todos os irmãos, maridos e pais! A noite estava sendo bastante agradável até Hiroshi aparecer. Era interessante que ninguém da família de Hinata soubesse de seu trabalho no orfanato. Ele poderia usar isso a seu favor.
Sorriu. Ele parecia estar com todas as cartas boas naquele pequeno jogo.
X
Uzumaki acordou assustado e lançou o objeto mais próximo, sua bota, na pessoa que estava ao pé da cama.
— Ai! Sou eu, milorde. Pemberly!
— Eu sei. — Ele se deitou de novo e cobriu a cabeça. — Vá embora.
— O senhor me instruiu para que o acordasse às sete e meia. São precisamente sete e...
— Pemberly — Uzumaki grunhiu, sentindo uma forte dor de cabeça —, traga-me uma bebida. Agora.
Resmungando, o criado saiu do quarto, evitando a segunda bota arremessada contra ele. Quando a porta se fechou, Uzumaki praguejou e colocou as mãos na cabeça.
Se sete e meia fosse a hora em que as pessoas de bem se levantavam, ele estava feliz por não ser uma delas. Sentou-se devagar e acendeu o lampião que Pemberley deixara ao lado da cama.
Considerando que dormira sozinho pelo décimo terceiro dia consecutivo, Uzumaki concluiu que tinha todos os motivos para estar de mau humor. Em seus trinta e três anos de idade, estabelecera certo padrão de comportamento que a maioria das pessoas considerava decadente e pecador, mas que com certeza invejavam. Ele se divertia com esse tipo de vida. Durante a maior parte do tempo, pelo menos.
Grunhiu, lançando os lençóis e cobertores para o lado e sentando-se na beirada da cama. A matrona do orfanato mostrara a ele o calendário de Hinata para a semana. Aquele era o "dia da pintura" ou alguma bobagem do tipo, e começaria às nove horas da manhã. Obviamente ele não precisava estar lá para observar homens espalhando tinta nas paredes, mas Hinata estaria.
Passando as mãos nos cabelos despenteados, ele gemeu. Em uma longa série de amantes, não se lembrava de nenhuma que tivesse lhe dado tanto trabalho. No entanto, desistir daquela garota estava fora de questão. Se não tivesse Hinata em sua cama logo, ele explodiria.
Começou a vestir a calça quando Pemberly abriu a porta com certa cautela.
— Milorde? Trouxe uísque e café.
— Entre logo. E traga o London Times. Preciso saber que tolices sociais estão acontecendo.
Nas duas últimas semanas, ele comparecera a mais eventos respeitáveis do que no ano anterior inteiro. Ser obrigado a conviver com tantos hipócritas era outra coisa pela qual faria Hinata pagar.
Fechou os olhos, lembrando-se do aroma de limão dos cabelos sedosos e da pele macia sob seus dedos. Era loucura desejar Hinata Hyuuga com tanta intensidade. Ela não sabia como agir nesse tipo de jogo, e ensiná-la levaria tempo. Não seria mais suficiente levantar-lhe as saias e possuí-la contra uma parede. Não, a srta. Hyuuga precisava de uma educação completa.
Sentando-se à penteadeira para se barbear compreendeu que, se quisesse mesmo seduzi-la, precisava começar a dormir melhor. Estava com uma aparência horrível.
Quando Pemberly voltou, trouxe tanto o jornal quanto a correspondência do dia anterior. Uzumaki olhou os vários convites que recebera e os colocou de lado -em vez de jogá-los no lixo, como costumava fazer.
— O que é isso? — A carta, lacrada com o selo oficial do príncipe de Gales, surpreendeu-o. Prinny geralmente levava semanas para decidir qualquer coisa. Três dias era algo extraordinário.
Abriu a carta. Prinny o convidava a ir até Bríghton outra vez, aparentemente porque nada irritava mais a rainha Charlotte do que vê-lo reunido com pessoas de má reputação, como Uzumaki. O próximo parágrafo, porém, fez com que franzisse a testa. O príncipe ordenara um estudo sobre a ampliação do parque, e o debate, com certeza, chegaria ao Parlamento.
— Droga! — Uzumaki resmungou.
Foi até o escritório redigir uma resposta. Não havia tempo a perder. Precisava resolver aquilo antes que a questão fosse levada a um debate público e aos ouvidos de seus colegas curadores. A idéia de que Hinata pudesse descobrir seus planos antes que ele a conquistasse piorou ainda mais seu humor. Escreveu rapidamente, oferecendo ao príncipe uma série de vantagens. Cobriria as despesas para encontrar outro local para os órfãos e transportá-los, para destruir o antigo edifício e implantar o parque.
— Jansen! — chamou, fechando e selando o envelope. O mordomo apareceu imediatamente.
— Sim, milorde?
— Faça com que esta carta chegue o mais depressa possível a Carlton House e com que saibam que sou eu o remetente.
— Sim, milorde.
Seu tempo para se livrar do orfanato estava se esgotando, e uma jovem dama estava pintando salas de aula no maldito lugar. Via apenas uma forma de agir. Precisava fazê-la desistir rapidamente e seduzi-la ao mesmo tempo.
Voltou ao quarto e terminou de se vestir. Talvez pudesse se tornar o próximo projeto de Hinata; ela o curaria do estranho desejo que sentia antes de perceber quais eram seus planos. Certamente tinha tensões que apenas ela poderia aliviar. Educar Hinata seria muito agradável.
X
— Não quero ir para a escola!
— Não é uma escola, Charles, são apenas algumas aulas — Hinata explicou, mantendo um sorriso determinado no rosto. Preparar as salas de aula, comprar livros e contratar instrutores era bom, mas se nenhum aluno participasse, o projeto seria um fracasso.
— Algumas aulas de quê? — um dos garotos mais velhos perguntou.
— De leitura. E de escrita. E de aritmética.
— Mas isso é escola!
— Se alguém contratá-lo para trabalhar e concordar em lhe pagar um salário, não gostaria de saber se está sendo corretamente pago? — ela questionou. — Não gostaria de ser capaz de ler a seção de empregos do jornal? Não gostaria de ler livros sobre piratas, índios e bravos soldados?
Os garotos concordaram com relutância, mas mesmo assim Hinata se animou. Ao contrário das alunas da duquesa de Wycliffe, que eram de classe alta e desejavam aprender, aquelas crianças queriam comida e roupas; portanto, técnicas diferentes eram necessárias.
O que Hinata não podia dizer a eles, mas que começara a compreender logo que os conhecera, era que, mais do que letras e números, as crianças precisavam saber que alguém se importava com elas. E essa era a razão pela qual ela contratara instrutores e deixara as salas de aula limpas e agradáveis.
Tentara explicar suas idéias ao Conselho de Curadores, mas eles pareciam tão dispostos a prestar atenção a ela quanto sua família. Bem, ela oferecera dinheiro, o que os convencera a dizer "sim". O resto cabia a ela.
Ao sentir um inexplicável arrepio na nuca, voltou-se.
O marquês Uzumaki estava encostado ao batente da porta, observando-a. Um calor percorreu sua espinha, aquecendo-a também em deliciosos lugares que ela tinha certeza de que nunca deveria revelar a ele.
Como sempre, ele usava roupas em tom escuro, como se desdenhasse as luzes do dia. A noite parecia convir melhor com suas caçadas, de qualquer maneira. Hinata se levantou, trêmula.
— Bom dia, milorde — cumprimentou, fazendo uma leve mesura.
Uzumaki devolveu o gesto com uma reverência elegante.
— O cheiro de tinta está forte demais aqui — ele disse, fazendo uma careta. — Quero todos no salão. — Uzumaki foi até uma janela e a abriu.
Em um alarido alegre, a garotada subiu a escada, antes que Hinata pudesse protestar.
— Estávamos conversando — ela reclamou. — Agora vou perder outra meia hora para acalmá-los.- Uzumaki lançou-lhe um olhar irônico.
— Tinha algum outro lugar para ir? Um chá ou um recital, talvez?
Se ela não aparecesse no chá de tia Houton naquela tarde, sua família saberia que ela estava envolvida em alguma coisa.
— Não é esse o ponto. Estou tentando ganhar a confiança das crianças. Não devia entrar aqui desse jeito e interromper tudo.
— Caos é o meu forte.
— Eu não tinha reparado — ela ironizou.
— Onde está o seu colar? — ele perguntou, aproximando-se.
Hinata levou a mão ao pescoço.
— Acredito que o senhor ainda esteja com ele. E eu quero devolver este. Não posso aceitá-lo. — Ela enfiou a mão no bolso da capa, pegando o colar com o pingente de brilhante.
Ele ignorou o gesto.
— Não pode ou não quer aceitar?
Uzumaki deslizou o olhar pelo corpo dela, e Hinata subitamente se deu conta de que estavam sozinhos. As crianças estavam no andar de cima, e os criados no de baixo.
— Os dois, milorde. O senhor...
— Me chame de Uzumaki — ele a interrompeu. — Fique com o colar.
— Mas não...
— Jogue-o fora ou venda-o para alimentar os trabalhadores das docas. Não me importo.
— Oh, sim, se importa.
— Na realidade, não. — Ele pegou a jóia de sua mão e colocou-a de volta em seu bolso, mantendo a mão lá dentro, pressionando sua coxa.
— Então... por que o deu para mim?- Uzumaki colocou a outra mão no segundo bolso de Hinata e a puxou para perto. Instintivamente, ela pôs as mãos em seu peito.
— Porque eu quis. Faça outra pergunta.
— Eu... Não tem outras coisas para fazer hoje? Mulheres para seduzir, clubes onde se embriagar?
— O que pensa que estou fazendo agora?
Ele deslizou as mãos para cima e, junto com a capa, o vestido de Hinata também subiu até acima dos joelhos. Uzumaki a beijou, provocando sua boca com os lábios e a língua. Com as pernas trêmulas, ela gemeu e se afastou.
— Pare com isso! — Ela ajeitou o vestido. A frustração tomou conta do olhar de Uzumaki por um momento apenas, como se ele tivesse se esquecido de que a provocava.
— Um dia, muito em breve, Hinata Marie, vai implorar para que eu continue.
— Duvido. — Ela fez uma careta, o que não foi difícil, considerando que estava dividida entre fugir e querer descobrir o que vinha a seguir.
— Hum... — Ele a fitou por um momento antes de seguir para a porta. — Fique aqui, se quiser. Eu vou ao salão.
Uzumaki sumiu no corredor. Com um suspiro frustrado, Hinata olhou ao redor. Precisava ignorá-lo, ou melhor, dizer logo a ele que estava perdendo tempo e que suas seduções não funcionariam com ela.
Exceto pelo fato de estarem funcionando. Esfregou os braços, tentando apagar o impacto provocado pela proximidade dele. Sabia os nomes de pelo menos meia dúzia de ex-amantes de Uzumaki e, no entanto, quando ele a olhava, não conseguia se lembrar de nada além de como era excitante e maravilhoso ser beijada por ele.
Devagar, juntou seus livros e papéis. Soubera do confronto entre seu irmão e Uzumaki na noite anterior, e também que ele fora banido do Almack's e de outros clubes em Mayfair. Mesmo que adorasse viver à margem da sociedade, deveria magoá-lo saber que não podia ir a todo lugar que quisesse. Ninguém podia gostar de ser um pária.
E que os céus o impedissem de encontrar uma mulher de quem realmente gostasse e com quem quisesse se casar. Com aquela reputação, nenhuma dama de família iria querer ser cortejada por ele.
Saiu do dormitório para ir ao andar superior. Uzumaki a esperava no corredor, parecendo composto, como se não tivesse acabado de erguer suas saias e de beijá-la. Talvez ele realmente precisasse receber algumas lições dela, tanto quanto os órfãos. Sim, escolhê-lo para ser seu aluno era uma boa ideia, mesmo que Sakura e Tenten achassem que suas chances fossem nulas. E isso não tinha nada a ver com o tremor que as carícias dele lhe provocavam.
— Depois de você, minha corajosa Hinata — ele disse, indicando-lhe que o precedesse para subir a escada.
Ela se lembrou do aviso de Neji para que não desse as costas ao marquês, mas ficar cara a cara com ele também era perigoso. E se ele ia ter de aprender a se comportar de forma apropriada, alguém precisava dar um exemplo.
A cada degrau que Hinata subia, os sapatos e tornozelos apareciam por baixo do vestido. Uzumaki deixou que ela se distanciasse mais, fascinado com a visão rápida de suas pernas.
Ele devia ter enlouquecido. Essa era a única explicação possível. Quase em desespero, ergueu o olhar, mas a visão dos quadris de Hinata não contribuiu em nada para diminuir sua excitação. Aquilo não fazia sentido. Mesmo amantes experientes não o haviam feito se sentir daquele jeito. Nenhuma delas o excitava daquela forma fazia muito tempo.
— Abrimos as janelas! — um dos garotos gritou do topo da escada. — Eles não estão aqui por nossa causa, estão?
Hinata virou-se para Uzumaki, com a testa franzida.
— O que ele quis dizer?
— Você verá.
— Não tenho certeza de que quero saber — resmungou.
Eles chegaram ao topo da escada, e Uzumaki colocou-se ao lado dela diante da porta do salão. Ao entrar, a atenção de Hinata se voltou para as pessoas que estavam em um canto da sala, com as crianças a sua volta.
— Uma orquestra? — ela murmurou, admirada.
— Achei que pudesse ser um novo desafio — ele disse no tom de voz mais inocente possível. Pelo menos, esperava que parecesse inocente.
— Bem, isso é uma surpresa. Mas como vou conversar com as crianças com a orquestra tocando? O senhor não devia...
— Mande eles tocarem, lorde Uzumaku!- ele disfarçou um sorriso. Quanto mais frustrada Hinata se sentisse, melhor.
— Você escutou o garoto — ele disse, e elevou a voz para ser ouvido. — Toquem uma valsa — ordenou aos músicos.
— Uma valsa? — Hinata arregalou os olhos. — Não pode...
Quando a música teve início, as crianças começaram a pular pela sala. Parecia uma cena do purgatório.
— A música suaviza o lado selvagem, não? — Uzumaki perguntou, observando a frustração e o desapontamento no rosto expressivo de Hinata.
— Eles não são selvagens. São crianças.
— Eu estava me referindo a mim — explicou, observando a confusão no aposento. — Mas tem certeza disso?
— Sim. Agora mande a orquestra parar de tocar, ou eu mandarei.
Ele deu de ombros.
— Como quiser. Vou apenas alertá-la de que vai se tornar bastante impopular.
Para surpresa de Uzumaki, lágrimas surgiram nos olhos de Hinata.
— Muito bem. Tem razão; eles merecem alguma distração. E Deus sabe que dançar é muito mais interessante do que fazer contas.
Maldição! As mulheres usavam lágrimas contra ele o tempo todo, algo que considerava um recurso egoísta e manipulador. Hinata, contudo, estava lutando contra elas e lhe dera as costas para que nem ele nem os órfãos as vissem.
— Talvez possamos ensiná-los a contar até três — ele sugeriu, pegando-a pelo ombro e fazendo com que o encarasse. — Dance comigo.
— O quê? Não! O senhor...
— Vamos, Hinata Marie. Mostre a eles como a aritmética pode ser divertida.
Antes que ela conseguisse esboçar outro protesto, ele levou a mão a sua cintura e começou a valsar. Hinata poderia se afastar, mas ele começara a contar o tempo em voz alta, passando por entre as crianças.
— Um, dois, três — Hinata contava com ele. — Vamos, todos vocês! Unam-se a nós! — O sorriso que ela lhe dirigiu fez o coração de Uzumaki falhar um batimento. — Dance com uma das meninas. Vamos ensinar a todos.
Antes que ele pudesse dizer que pretendia dançar apenas com ela, Hinata já estava com um dos meninos mais novos. Uzumaki viu o garoto pisar no pé de Hina, mas ela apenas riu.
Aquilo tudo estava errado. A orquestra fora chamada para interromper quaisquer planos que ela tivesse para aquele dia, e oferecer a ele outra oportunidade de tê-la em seus braços. E agora, porque as lágrimas dela o haviam perturbado, ele aparentemente a inspirara a ensinar a valsa a dezenas de órfãos.
Hinata rodopiou para perto dele, com um menino em cada braço.
— Venha, milorde, não seja tímido — provocou, rindo. — Escolha sua parceira.
— Já escolhi — ele resmungou. Com um suspiro, pegou uma das meninas e começou a ensinar-lhe a valsar.
X
— Não, a questão, Donald, é que a proposta de qualquer tipo de legislação é inútil se você não conta com votos.
Hiroshi Hyuuga estava sentado em uma carruagem cheia, mantendo no rosto a expressão plácida que praticara por semanas. Sonhara com uma audiência com o príncipe George desde que voltara da índia. Porém, acompanhar o regente junto com cinco outros aspirantes à Casa dos Comuns enquanto Prinny se dirigia a algum compromisso não era o que ele tinha esperado.
— Mas se nós propusermos a legislação, Hiroshi — Donald Tremaine retrucou —, pelo menos deixaremos clara nossa determinação de vê-la ter êxito.
Hiroshi controlou-se para não se abanar. O dia estava quente demais para estar em um veículo fechado, com um príncipe obeso e sua equipe nervosa. De repente, gritos e música foram ouvidos do veículo.
— Cocheiro, pare! — Prinny ordenou, batendo no teto com a bengala. — Será um ato de protesto? — ele perguntou, preocupado.
— Duvido, Vossa Alteza — Hiroshi disse. — Não ouvi falar de nenhuma agitação esta temporada.
— Está vindo dali. — Tremaine apontou para o orfanato. — Todas as janelas estão abertas e parece que está havendo uma festa lá. Posso ver as crianças passeando pela sala.
O príncipe relaxou.
— Oh, nada preocupante, então. Uzumaki deve estar mandando retirar os móveis antes de derrubar o prédio.
— Se me permite a pergunta, Vossa Alteza, por que Uzumaki destruiria o orfanato? — indagou Hiroshi.
— Ele é o presidente do Conselho de Curadores. Ofereceu-me a terra de presente, se eu concordar em deixá-lo derrubar o prédio. Não sei por que ele quer isso, mas ainda vou descobrir. — O príncipe riu. — Vamos seguir nosso caminho?
Hiroshi se acomodou no assento. A informação não chegava a surpreendê-lo, mas ficara feliz por obtê-la. Isso poria fim a qualquer que fosse o joguinho em que Hinata estivesse envolvida, tentando aborrecê-lo ao encorajar a presença de Uzumaki perto dela. Assim que a caridosa irmãzinha descobrisse que o homem estava jogando órfãos na rua, não iria querer mais nada com o marquês. O que, para ele, era bom. Mais do que isso. Era perfeito.
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Apesar da interrupção causada pelo baile improvisado, Hinata concluiu que fizera progressos. Uzumaki acabara contribuindo com sua causa. Diversas garotas tinham pedido que lhes ensinasse a valsa.
Em um primeiro momento, hesitara, pois não conseguia visualizar a utilidade daquilo na vida das meninas.
A chance de serem convidadas para participar de um baile onde houvesse valsas era remota. Mas, apesar de notar o sorriso cínico do marquês, compreendeu que a aula de dança era secundária. O que elas queriam era atenção e graças ao seu projeto, poderiam contar com isso em abundância.
— Então teremos aulas de dança — ela anunciou —, Começando amanhã para todos os que quiserem aprender, meninos ou meninas.
— Por que não hoje? — a pequena Rose perguntou, parecendo desiludida.
Hinata tinha a impressão de que já se demorara demais por ali naquele dia. Precisava comparecer ao chá de tia Houton.
— A srta. Hyuuga tem coisas importantes a fazer — o marquês observou.
— E nós não somos importantes — um dos garotos mais Velhos, Matthew, disse, ecoando o cinismo de Uzumaki quase a perfeição.
— Claro que vocês são importantes. Apenas assumi um compromisso antes e mantenho minhas promessas. Amanhã Rose poderá ser a minha primeira aluna, e Matthew o segundo, se quiserem.
Pelos gritinhos e assobios, Hinata concluiu que conseguira contornar o problema. Rose abraçou suas pernas.
— Obrigada, srta. Hina.
— De nada — ela disse, sorrindo. — E devemos agradecer a lorde Uzumaki também, por ter arranjado tudo isso.
Uzumaki aceitou os agradecimentos com um gesto de cabeça, que as crianças interpretaram como um sinal para descerem até seus dormitórios ou até o pátio. Bem, ela conseguira extrair da situação uma lição para ele, a de que uma dama apreciava um ato generoso, quaisquer que tivessem sido as motivações.
— Isso foi muito gentil de sua parte, milorde — ela disse, pegando os livros e papéis, pronta para sair.
— Um deles roubou o seu broche — ele disse, acompanhando-a até a porta.
Hinata levou a mão à gola.
— Não notei! Tem certeza?
— O menino alto com o cachecol vermelho.
— Nem mesmo sabe o nome dele?
— Você sabe?
— Randall Baker. Por que não o impediu?- Uzumaki deu de ombros.
— Este é o seu joguinho, não o meu. Vou pegá-lo de volta para você.
— Se ele o roubou, precisa da jóia mais do que eu.- Uzumaki franziu a testa.
— Quer se fazer de mártir?
— Não. Eu não preciso do broche.
— Mas quis o seu colar de volta.
— O senhor não precisava dele. E isto não é um jogo para mim. Ainda não entendeu?
— Tenho certeza de que gosta de ser olhada por eles como uma salvadora em musselina verde, Hinata, mas isso não é nada novo.
— O que quer dizer?
Ele a olhou por sobre o ombro enquanto começava a descer a escada.
— Assim que se cansar de ser adorada, também vai embora.
— Não estou aqui para ser adorada.- Uzumaki ignorou o comentário.
— Minha mãe costumava vir aqui visitar as crianças, toda primeira terça-feira do mês.
— Verdade? Deveria se orgulhar do fato de ela pensar nos necessitados...
— Ela e seu círculo de costura contribuíam com os guardanapos para os jantares dos feriados.
— Mesmo assim, ela contribuía com alguma coisa — Hinata observou.
— Sim. Dizem os rumores que dois ou três garotos que viviam aqui pertenciam ao marido dela, o que talvez justifique seu interesse pela instituição. Suponho que isso signifique que meu pai também contribuiu com algo para este maldito lugar.
O rubor tomou conta do rosto de Hinata. Os homens não deveriam conversar sobre assuntos assim com damas distintas.
— Alguns dos internos são seus? — ela perguntou, surpresa com sua ousadia.
Aparentemente, Uzumaki também se espantou, pois virou-se para fitá-la antes de responder:
— Não que eu saiba. Não me disponho a contribuir com minha própria desgraça.
— Então por que está aqui?
— Hoje? Porque eu quero você.
— Estou me referindo ao seu papel como presidente do conselho.
— Ah, eu já lhe disse. O testamento de minha mãe estipulava que duas mil libras ao ano e um membro da família Uzumaki fossem destinados ao orfanato. Eu estava cansado de ver os outros curadores comprando carruagens e mantendo amantes com o dinheiro de minha família. Todos tiram algo daqui. — Ele deu um sorriso cínico. — Papai conseguiu sexo, mamãe podia dizer às amigas como sua vida era caridosa e trágica, e o resto do conselho enchia os bolsos com os fundos destinados ao orfanato.
— E o que você ganha?
— Pago os meus pecados. Estou ajudando órfãos, afinal. Isso não vai me livrar do inferno? E o que está tirando daqui, srta. Hyuuga?
Se lhe dissesse a verdade, ele riria.
— Não se sente... satisfeito ao ver que essas crianças estão sendo alimentadas e vestidas? Elas poderiam estar nas ruas se o senhor não cuidasse para que os recursos fossem bem aplicados.
— A minha satisfação é ver Timothy Rutledge e os outros abutres tentando, semana após semana, criar um esquema lucrativo aqui e serem frustrados por mim. — Uzumaki subiu os degraus que os separavam. — Talvez você pudesse olhar para mim de forma mais amável, Hinata. Pelo menos, eu não roubo dos diabinhos.
— Não acredito em nada do que diz — declarou Hinata com toda a convicção que lhe restava. — Está apenas tentando me chocar e me convencer a ir embora.
— Não. Estou apenas tentando convencê-la de que, se for satisfação o que você quer sentir, existe um modo mais agradável de consegui-la. O seu trabalho aqui não fará diferença alguma. Nunca faz.
— Isso não é verdade!
Uzumaki estendeu a mão e a tocou no rosto.
— Por que não tenta me salvar? — ele murmurou. Se ele soubesse...
— Parece que o modo de recuperar o senhor seria não atender às suas necessidades básicas. Por isso, sinta-se, livre para pensar que estou tentando salvá-lo. — Passou por ele e terminou de descer a escada. — Tenha um bom dia, milorde.- Ele riu.
— Eu beijei você, Hinata Marie. E você me beijou. Não é assim tão distinta quanto pensa ser.
Ela parou ao pé da escada.
— Apesar de não gostar deste lugar, você alimenta essas crianças, Naruto. Então talvez você não seja tão terrível quanto pensa ser.
Uzumaki a observou se afastar. — Tem razão — ele murmurou. — Sou pior.
X
Hinata mal tinha entrado em casa quando ouviu o relógio soar uma hora da tarde. Com a respiração ofegante, trocou o chapéu que usara naquela manhã por um mais apropriado para se usar à tarde. Munida também de sua sombrinha, olhou para a mãe, que descia as escadas.
—- Boa tarde, mamãe — ela cumprimentou Genevieve Hyuuga. — Pronta para o chá político?
— Você passa tempo demais com Sakura — Genevieve reclamou.
— Sei disso. Perdi a noção do tempo e peço desculpas — Evie dirigiu à mãe seu mais brilhante sorriso.
— Bem, agradeça a Deus por Hiroshi não estar em casa. Tremo só de pensar na reação dele se você perdesse outro chá.
— Não se preocupe. Não perderia este chá por nada. Podemos ir?
A mãe parou junto à porta, notando a transpiração no rosto de Hinata.
— Você está vermelha demais, Hina. Tem certeza de que está bem?
— Apenas um pouco sem fôlego por causa da corrida — E um pouco descontrolada depois da última conversa com Saint.
— Espero que seja isso. Não toleraria se você viesse a fazer uma cena durante o chá desmaiando ou coisa assim.
Hinata pegou o braço da mãe para ajudá-la a ir até a carruagem.
— Nenhum desmaio, eu prometo.
— Muito bom. Devemos passar a melhor das impressões hoje, por causa de seu irmão. Você sabe que os chás de tia Houton se tornaram bastante famosos. Muitas carreiras políticas têm sido criadas ou destruídas em meio ao chá e aos biscoitos. E você não deve falar sobre a sua nova teoria de educar os pobres.
— Sim, mamãe. — Não era difícil concordar com aquela exigência em particular. Não precisava falar sobre o assunto, porque já o estava colocando em prática. — Nenhuma discussão sobre nada progressista, a não ser que favoreça Hiroshi.
— Exatamente.
A tarde foi interminável. A maioria das damas lembrava Hinata da descrição que Uzumaki fizera da mãe: caridosa, contanto que isso não lhe demandasse esforço nem causasse qualquer inconveniente. O pensamento levantou outra questão. Se aquela atitude era tão comum, por que parecia aborrecer tanto Uzumaki, especialmente quando ele afirmava não se aborrecer com nada?
X
-Está muito quieta esta tarde. — Kurenai Barnesby, lady Houton, sentou-se no sofá ao lado de Hinata, ajeitando a saia com um gesto gracioso. — Você sempre age assim nestas reuniões, mas nem mesmo a estou vendo gaguejar de indignação.
Hina devolveu o sorriso. — Fico nervosa ao imaginar que minhas idéias possam prejudicar as ambições políticas de Hiroshi.
- Não devia pensar nisso, minha querida. Duvido que consiga arruiná-lo. E eu não permitiria que isso acontecesse em uma de minhas festas, naturalmente.
—Isso me tranqüiliza. Sinto-me um pouco... deslocada aqui, de qualquer forma. — Hinata abaixou a voz. — Creio que ninguém reparou em mim.- A tia aproximou-se dela.
— Isso não é verdade. Eu, por exemplo, gostaria de mencionar que você tem uma mancha na saia. Uma pequena.- Hinata olhou para o ponto que a tia apontava.
— Oh, bem, Saky e eu estávamos passeando esta manhã quando encontramos três adoráveis crianças...
— Você visitou o orfanato outra vez — tia Houton a interrompeu em voz baixa. — Eu a avisei de como isso pode ser perigoso. Eles têm todo o tipo de doenças e, de acordo com seu irmão, a maioria deles é criminosa.
— Não é nada... perigoso, pelo amor de Deus!- A não ser que ela levasse Uzumaki em conta.
— Se você fosse casada, seu marido poderia permitir que contribuísse com alguma quantia para essa instituição. Mas, sendo uma jovem solteira, ficar ao lado de gente comum e fora de Mayfair não é nada adequado, Hina.
Hinata tentou parecer envergonhada, e não aborrecida.
— Eu sei, titia.
— Prometa que não fará isso de novo.
— Prometo — Hinata disse, com os dedos cruzados.
X
Quando Uzumaki entrou no salão principal da Casa dos Lordes, um murmúrio percorreu o recinto. Fazia quase um mês que ele não aparecia, mas todos sabiam que, vez por outra, ele tinha de comparecer; caso contrário, seria declarado morto e suas propriedades seriam confiscadas pela Coroa.
Por um momento, considerou sentar-se em seu lugar habitual, ao lado de Neji e Wycliffe, os menos desagradáveis dentre seus colegas nobres. No entanto, ambos conheciam Hinata, e Neji, inclusive, fora requisitado para ajudar no orfanato. Ficou indeciso. Por outro lado, ambos conheciam Hinata.
— O que eu perdi? — ele perguntou em voz baixa, sentando-se ao lado de Neji.
— Hoje ou no mês passado?
— Fale baixo, seu imprestável — sussurrou o velho conde Danzou.
— Você tem baba no queixo, Danzou — retrucou Uzumaki, sem se abalar. — Ainda lhe resta algum dente na boca?
O rosto do conde ficou rubro.
— Seu bastardo — ele grunhiu, começando a se levantar. Os colegas o forçaram a sentar-se de novo.
— Estamos discutindo novamente as dívidas de Prinny — disse Wycliffe.
Diabos. Nesse caso, ele provavelmente deveria ter se mantido afastado dali. Se Prinny ou um de seus conselheiros tivesse feito fofocas, a situação não seria boa.
— As tolices habituais, então — ele observou, dirigindo-se a Neji.
— Parece que sim. Vou acabar dormindo na cadeira. Mas estou feliz que esteja aqui. Economiza-me o trabalho de precisar procurá-lo.
— Pensei que não quisesse mais qualquer ligação comigo. Com essa história de casamento...
O visconde sorriu.
- A vida doméstica tem seus pontos positivos. — Ele abaixou a voz. — É por isso que estava a sua procura. Queria lhe pedir que parasse de provocar Hinata Hyuuga.
— Esse aviso veio da mesma dama que foi pega o ano passado com a mão dentro de suas calças?
O bom humor de Neji desvaneceu de imediato.
— Tem certeza de que quer entrar nesse jogo comigo?
— Por que não? Eu jogo com todo mundo.
— Está falando de minha esposa, Uzumaki.
— E de minha prima — o duque de Wycliffe resmungou, com a expressão tensa e aborrecida.
— Está bem. — Com fingida indiferença, ele se levantou. Neji e Wycliffe juntos eram adversários difíceis, e ele não queria encrenca ali na Casa dos Lordes. — Por que não perguntam para a srta. Hyuuga se ela quer que eu me afaste dela? Até então, eu desejo aos seus traseiros domesticados um bom dia.
Uzumaki notou que lorde Gladstone estava com o olhar fixo nele. Aliás, muitos maridos pareciam não estar nada felizes ao vê-lo. Enquanto saía, ocorreu-lhe que lady Gladstone estaria em casa naquela hora do dia e que, se ele quisesse aliviar algumas tensões, ela certamente estaria ansiosa para ajudá-lo. Ao mesmo tempo, sabia que não queria nada disso. Estava concentrado em uma presa diferente e muito difícil.
E a mulher que o interessava estava em algum chá ou coisa assim. Um lugar apenas com mulheres, provavelmente velhas e enrugadas. Não muitas jovens concordavam em comparecer a chás políticos.
Uzumaki acabou voltando para casa.
— Jansen — ele entregou o casaco ao mordomo, — eu tenho aqui alguma coisa com que possa me distrair?
— Ah, o senhor se refere a alguma companhia feminina, milorde? Lamento, mas ninguém veio visitá-lo hoje.
— Não estou me referindo a mulheres, mas ao que outros homens se dedicam quando não estão na cama com alguma mulher.
O mordomo pareceu perplexo.
— Bem, o senhor tem uma biblioteca lá em cima e...
— Eu tenho?
— Sim, milorde.
— Com livros?
Jansen entendeu que o patrão caçoava dele, mas aceitou a situação com sua habitual equanimidade.
— Bem, não estou com vontade de ler. Sugere alguma outra coisa?
— Bilhar, talvez?
— Bilhar. Você joga, Jansen?
— Eu... não sei, milorde.
— Pois agora vai jogar. Venha comigo.
— Mas a porta...
— Gibbons ficará em seu lugar.
— Não temos nenhum criado chamado Gibbons, milorde.
Uzumaki parou no meio da escada, disfarçando um sorriso.
— Lembre-me de contratar alguém chamado Gibbons.
— Sim, milorde.
— E não pense que vai se livrar do bilhar. Vamos.
Ele torturou o mordomo por cerca de uma hora, mas acabou ficando com pena de Jansen. Influência de Hinata,sem dúvida. Ela parecia ter a habilidade de amolecer o coração de uma estátua. Bem, ele não era uma estátua, e um beijo ou dois certamente não o transformariam em alguém semelhante a Neji ou Wycliffe. Pelo amor de Deus, eram sete horas da noite e ele estava em casa jogando bilhar com o mordomo! — Mande Wallace selar meu cavalo — ele disse, jogando o taco sobre a mesa. Jansen não escondeu o alívio.
— Sim, milorde. O senhor voltará para o jantar?
— Não.
Uzumaki jantou no clube e se sentou a uma mesa de jogo onde estavam lorde Westgrove e dois cavalheiros. — Parece que esta noite todos estão reunidos no Almack's — um deles disse. — Diabos! Eu sempre quis conhecer o lugar — o outro cavalheiro comentou.
— Por quê? — Uzumaki perguntou, enquanto fazia sua aposta. Tinha se esquecido de que era quarta-feira, a noite da reunião no Almack's. Hinata deveria estar lá. — Todos vão ao Almack's, não é?
— Limonada quente, nenhuma bebida, nenhuma sala de jogo, matronas o observando, e uma valsa a noite inteira. Isso é o Almack's. Você não está perdendo nada.
Lorde Westgrove caiu na risada.
— Não liguem, rapazes. Ele está dizendo isso apenas porque foi banido de lá.
— Banido? Verdade? Por quê?
Uzumaki gostaria que Westgrove tivesse mantido a boca fechada.
— Por ser pego fazendo sexo com Isabel Rygel no armário das vassouras, se me lembro bem.
— No armário... verdade?
— Foi apenas sexo oral.
— Nossa! Quem você disse que era?
— Eu não disse.
— Este, senhores — Westgrove disse —, é o marquês Uzumaki.
— Você é Uzumaki? Dizem que matou um homem em um duelo. É verdade?
— Provavelmente — Uzumaki respondeu, desistindo do jogo. — Mas tenho certeza de que o homem mereceu morrer. Boa noite, cavalheiros.
— Mas...
O ar frio da noite o fez se sentir melhor. A essa hora, a festa no Almack's estaria bem cheia, com provavelmente uns cinqüenta homens esperando na fila para se aproximar de Hinata Marie Hyuuga.
Sem realmente pretender ir até lá, ele virou sua montaria para o norte. Poucos quarteirões depois, parou diante do enorme prédio e olhou em direção às janelas iluminadas.
Ela estava lá. Ele tinha certeza, e isso o frustrava.
Hinata ia a lugares que ele não podia freqüentar. Lugares respeitáveis e tediosos, mas pela primeira vez ele não conseguia se convencer de que gostava que fosse assim, fazia cinco anos que fora banido do Almack's, e até aquela noite isso nunca o aborrecera. Até aquela noite.
X
Hinata abriu um pouco as cortinas para respirar ar fresco.
Um cavalo e um cavaleiro estavam parados no bulevar e, por um momento, o homem lhe pareceu familiar. Antes que pudesse ter certeza, porém, ele foi embora. Ainda assim... estremeceu. Uzumaki não se aproximaria de um lugar como o Almack's. Não havia razão para ele estar parado lá fora.
— Hina, está me ouvindo?- Ela largou a cortina.
— Oh, desculpe-me, Tenten. O que disse?
— Neji me contou que Uzumaki quase se envolveu em uma briga hoje na Casa dos Lordes.
— Oh, por favor, Tenten. Ele está sempre envolvido em alguma coisa. Por que vou me importar com isso?
— Poderia, pelo menos, interessar-se em saber que quase comecei a brigar com o marquês para defender você, Hina. — A voz do visconde Neji soou do outro lado. Tenten olhou para o marido com cara feia.
— Estamos conversando. Vá embora, Neji.
— Certo — ele disse.
— Espere! — Hinata o segurou pelo braço. — Como assim, para me defender?
— Eu... ah... — Neji olhou para a esposa, receoso. — Não foi nada. Eu tenho mesmo um problema mental.
— Por favor, Neji, diga o que aconteceu. Estou tentando trabalhar com ele, e realmente não quero que você torne as coisas mais difíceis.
— Eu apenas sugeri que ele não a aborrecesse mais.
— Agradeço sua preocupação, mas, se eu quiser prosseguir com o meu trabalho, preciso da cooperação dele. Por favor, não saia em minha defesa de novo.
— Está bem. Apenas não reclame depois que não a avisei, Hina. Perto do que ele já fez, eu pareço um anjo.
— Sim, por mais difícil que seja acreditar — Tenten acrescentou, colocando o braço no do marido. — E a culpa foi minha, Hina. Pedi a Neji para falar com ele. Estou preocupada com você.
— Não precisa. Posso tomar conta de mim mesma.
Sem dúvida, ninguém acreditou nela. A orquestra começou uma das poucas valsas da noite e, sem muita dificuldade, ela convenceu Tenten e Neji a se unirem aos outros dançarinos na pista. Sakura não estava na festa, e de repente, Hinata se viu sozinha.
Infelizmente, o momento de paz foi breve.
— Hina — o irmão chamou-a —, você já conhece o duque de Monmouth? Vossa Graça, minha irmã, Hinata.
— Encantado — disse o duque, fazendo uma breve reverência.
— Estava falando com Sua Graça a respeito de como você gosta de jogar xadrez, Hina.
Xadrez? Ela detestava xadrez!
— Sim, é verdade, apesar de eu não ter habilidade no jogo.
O duque assentiu.
— Dizem que o xadrez está além da capacidade mental das mulheres. Fico feliz era saber que pelo menos uma de vocês compreenda isso.
Hinata forçou um sorriso.
— Quanta gentileza de sua parte! Presumo então que seja um jogador exímio.
— Sou o campeão de Dorsetshire.
— Esplêndido!
— Sua Graça especificamente pediu para ser apresentado a você, Hina —- Hiroshi disse com um sorriso indulgente. — Sugiro que deem uma volta pelo salão, uma vez que nenhum de vocês gosta de valsar.
Hinata suspirou. Xadrez e nada de valsa. Aparentemente, o duque era muito aborrecido.
— Seria um prazer, Vossa Graça.
Pelo menos, não teria de se preocupar em falar, já que o duque começara a fazer uma interminável explanação sobre xadrez. Ela apenas balançava a cabeça, concordando e sorrindo nas horas certas, enquanto amaldiçoava em silêncio o irmão. Ele já fizera isso antes: encontrava alguém que poderia apoiá-lo politicamente, descobria seu passatempo favorito, e então o tornava o dela. Hinata sempre odiara isso, mas detestava ainda mais agora que tinha coisas mais importantes para fazer.
Estava tão ocupada em concordar e sorrir que demorou um pouco para perceber que ele estava se despedindo.
— Obrigada por essa conversa tão interessante, Vossa Graça — ela disse com um último sorriso e uma reverência. Logo que o duque sumiu no meio da multidão, ela foi encontrar Hiroshi.
— Muito bem, Hina — ele disse.
— Você poderia pelo menos ter me avisado. Não sei nada sobre xadrez.
— Eu teria lhe ensinado, se achasse que você conseguiria dedicar a isso pelo menos um mínimo de atenção.
Hinata estava tolerando aquilo por um motivo. Quem sabe, se tentasse convencer o irmão...
— Hiroshi, andei fazendo algumas pesquisas. Tem ideia de quantas crianças órfãs vivem em Londres? E se você...
— Não. Estou em campanha, e não reformando as coisas. E você deveria estar me ajudando.
— Mas é isso o que estou tentando fazer.
— Então pare de falar com Uzumaki, e pare com essas suas pequenas pesquisas. Se estiver interessada em crianças, case-se e gere algumas.
— Isso é maldade sua.
— Não estou aqui esta noite para agradá-la. E, por sinal, você não deve ficar com essa cara feia. Sua popularidade reflete em mim.
— Mas achei que eu não gostasse de valsa — ela retrucou.
— Você não gosta de valsa quando Manmouth estiver presente. Nem quando Uzumaki estiver por perto.
— Hum... Pelo menos Uzumaki não vive mentindo por aí para conseguir influenciar as pessoas.
Ela compreendeu de imediato que dissera a coisa errada, mas já era tarde. Hiroshi segurou-a pelo braço e levou-a para um dos cantos da sala.
— Tenho sido paciente no que se refere a você e Uzumaki — ele murmurou. — Você se acha muito esperta e independente, mas, como seu irmão, devo informá-la de que apenas está parecendo ser uma hipócrita e uma tola.
Lágrimas de frustração encheram seus olhos, mas Hinata as conteve. Não daria a Hiroshi a satisfação de saber que podia fazê-la chorar.
— Você sempre me achou uma idiota, mas não sou nem tola, nem hipócrita.
— Ah, então desistiu de entrar em contato com os de classe baixa, os órfãos e os mendigos de Londres?
— Não. Nunca vou desistir.- Hiroshi sorriu maldosamente.
— Então deve saber que o patife que você anda defendendo está em negociação com o príncipe George para derrubar o orfanato e colocar um parque no lugar.
Incapaz de respirar direito, Hinata o encarou. Hiroshi estava mentindo. Aquilo tinha de ter uma explicação.
— Isso não é verdade.
— É claro que é. Ouvi do próprio príncipe essa informação. O orfanato Coração da Esperança, ou algo assim. Sem dúvida, Uzumaki quer tirar algum lucro desse acordo também. Ele não é conhecido por seu altruísmo.
Hinata libertou o braço que o irmão segurava e quê agora doía. Mas aquela dor não era nada se comparada com a que sentia no peito. Por que Uzumaki faria uma coisa dessas? No momento, ele até parecia uma pessoa agradável. E aquelas crianças estavam sob sua proteção. Se ele pretendia derrubar o prédio, por que permitira que ela tirasse tudo dos depósitos? E...
Hinata mordeu o lábio. Claro, ele a deixara esvaziar todas as salas. Isso pouparia o tempo dele mais tarde. Quanto à pintura das paredes, bem, era apenas uma inconveniência menor, e não representara despesa alguma para ele, além de mantê-lo longe de qualquer suspeita por parte dela e das crianças.
— Talvez a partir de agora você me escute quando eu tentar avisá-la de alguma coisa — disse Hiroshi. — Preocupo-me com você. Pare de ficar aí de boca aberta e vá dançar com alguém. Saiu-se bem esta noite. Vá se divertir.
Ela fechou a boca. Maldito! Ele não ia destruir sua única esperança em contribuir com algo que valesse a pena. Não permitiria que ele fizesse isso.
X
Hinata chegou cedo ao orfanato, indo direto à sala de refeições justamente quando as crianças estavam terminando o desjejum.
— Srta. Hina! — Rose exclamou. Ela e Penny correram para abraçá-la. — Fiz um desenho para a senhorita.
— Verdade? Mal posso esperar para vê-lo.
— Desenhei todos nós dançando. Eu estou usando um vestido verde, porque é minha cor favorita.
Hinata anotou mentalmente que deveria providenciar um vestido verde para Rose. Todos eles precisavam de roupas, algo além do que o orfanato fornecia. Infelizmente, ela já usara sua mesada na pintura e com os instrutores. Talvez pudesse convencer Hiroshi de que ela o ajudaria melhor se tivesse um ou dois novos vestidos; assim, ele lhe adiantaria um pouco de dinheiro.
— Vamos dançar de novo hoje? — Penny perguntou.
Mesmo Molly, a mais cínica das meninas, não conseguia esconder um sorriso. Hinata lutou contra contra o desejo de chorar. As crianças começavam a confiar nela, e o marquês Uzumaki queria arruinar tudo.
— Não temos uma orquestra, mas vou lhes ensinar alguns passos. Todos os que quiserem aprender a dançar serão bem-vindos no salão.
— Isso inclui a mim? — Uzumaki estava parado junto à porta.
Ela estremeceu. No dia anterior achara o marquês enigmático e atraente. Hoje, gostaria de não tê-lo conhecido.
— Bom dia, milorde — ela disse, rangendo os dentes, sem ceder à vontade de olhá-lo. — Digam bom-dia, crianças.
— Bom dia, lorde Uzumaki — o coro soou.
— Bom dia. Por que não seguem todos à nossa frente para o salão? A srta. Hyuuga e eu nos reuniremos a vocês em alguns instantes.
— Bobagem — ela retrucou com uma risada forçada. ― Vamos todos juntos.
Para ter certeza de que Uzumaki não a interceptaria, ela deu as mãos para Rose e Penny. Precisava, e queria, confrontá-lo sobre a traição e a duplicidade, mas não até que decidisse o que dizer; e não até que pudesse fazer isso sem cair no choro ou, por mais satisfatório que fosse, dar um soco naquele belo rosto.
Uzumaki seguiu os órfãos e a querida srta. Hina deles até o terceiro andar. Aparentemente todos queriam aprender a dançar.
Ficaria apenas observando. Considerando os sonhos eróticos que tinham perturbado o seu sono nas poucas horas em que conseguira fechar os olhos, o cumprimento de Hinata naquela manhã fora uma espécie de banho de água fria.
Ela provavelmente soubera a respeito da discussão que ele tivera com Neji e Wycliffe no Parlamento e estava tentando puni-lo pelo mau comportamento.
Hinata parou a sua frente, e Uzumaki piscou. O vestido de seda cor-de-rosa de alguma forma salientava o tom cinza dos olhos. Tudo de que ela precisava era um par de asas para completar a aparência angelical. Ele, querendo ir para a cama com um anjo! Era só o que lhe faltava...
— O senhor pode fazer par com Molly? — ela perguntou, com o olhar fixo em seu ombro.
— Qual delas é Molly?
Seus olhares se encontraram por um breve momento.
— Não sabe nenhum dos nomes?
Considerando o humor dela, seria mais sábio não mencionar que passara mais tempo no orfanato nas duas últimas semanas do que em todo o ano anterior.
— Sei o seu.
— Mas não sou uma moradora de um estabelecimento sob a sua supervisão. Molly é a menina de olhos verdes e cabelo vermelho bem curto. Ela fica tímida ao lado dos rapazes. Portanto, seja gentil.
Hinata teria se afastado se Uzumaki não lhe segurasse o braço.
— Não me dê ordens, Hinata. Estou aqui porque escolhi estar.
Ela se soltou.
— As crianças não.
O senso de humor dele, já abalado com muito uísque e pouco sono, piorou bastante.
— E acha que dar-lhes umas poucas aulas de dança vai melhorar a vida delas?
Uma lágrima deslizou pelo rosto de Hinata. Ela a enxugou com um gesto impaciente.
— E acha que derrubar o lar delas vai fazer isso? Não ouse impor seus inexistentes valores morais para mim.
Maldição!
— Quem lhe contou?
— O que isso importa? É um homem desprezível. Sua presença me faz sentir mal.
Uzumaki a fitou. Sentiu a raiva tomando conta dele; raiva e frustração, porque agora ele nunca a teria. E, se não pudesse ter o que desejava, ela também não poderia.
— Saia daqui!
— O quê?
— Você me ouviu, Hinata. Não é mais bem-vinda aqui.
Outra lágrima deslizou pelo rosto dela.
— Posso pelo menos me despedir?
As lágrimas ainda o aborreciam. O que havia de errado com ele ultimamente era culpa dela, decidiu, mas vê-la chorar o perturbava, mesmo que estivesse bravo o suficiente para estrangulá-la.
— Tem quinze minutos. Vou esperar lá embaixo.
— Muito bem.
— E lembre-se, independentemente do que diga a eles, nada mudará. Assim eu sugiro que leve em conta os sentimentos de seus queridinhos e mantenha sua boca fechada.
— Bastardo — ela resmungou quando ele lhe deu as costas.
Hinata viu-o descer as escadas sem olhar para trás. Quando ela se virou, percebeu que as crianças a fitavam. Fosse lá o que soubessem, elas não tinham poder para mudar nada, assim como ela.
— O que há de errado, srta. Hina? - Ela secou os olhos rapidamente.
— Lamento, mas terei de ir embora. — Foi a frase mais difícil que já dissera na vida.
— Está bem — Penny disse, pegando sua mão. — Podemos dançar amanhã.
— Não, Penny, não podemos. Eu... eu não posso vir aqui de novo.
— Uzumaki não a quer aqui, não é? — Randail Baker grunhiu.
— Não, não é isso... — Hinata parou. Estava cansada de defender as pessoas quando elas obviamente não mereciam. Não mentiria para as crianças, muito menos para favorecer Uzumaki — Não, ele não quer.
— Por que não? — Rose agora estava com os olhos cheios de lágrimas.
— Porque a senhorita não deixou o bastardo levantar a sua saia, não é? — Matthew Radley tirou um cigarro do bolso.
Ela ruborizou.
— Não deveria dizer essas coisas, Matthew.
— Todos nós sabemos, srta. Hina. — Molly se aproximou. — O marquês nunca passou tanto tempo aqui como desde que a senhorita apareceu. — Os lábios da menina tremiam. — E agora ele está obrigando a senhorita a ir embora.
— Deveríamos trancar Uzumaki na masmorra com os ratos.
A sugestão de Matthew foi recebida com aplausos das crianças. Hinata compreendia o sentimento, mas planos de vingança somente serviriam para diminuir o pouco tempo que ela tinha para as despedidas. E ela sabia que Uzumaki viria buscá-la, caso se demorasse.
— Infelizmente, Matthew, vocês são crianças, eu sou uma mulher, e ele é um marquês. E não temos uma masmorra. Penny, por que não pega um livro, e eu lerei uma última história para vocês?
— Nós temos uma masmorra — Thomas Kinnett afirmou. — Com algemas e tudo o mais. E temos ratos, também.
— Do que estão falando?
Penny a puxou em direção às escadas que levavam ao porão.
— Venha. Vamos lhe mostrar.- O que quer que eles pensavam ter visto, o fato é que parecia importante para eles. E se Uzumaki e outros membros do conselho tivessem montado uma terrível câmara de horrores, ela poderia alertar as autoridades e talvez impedir a demolição do lugar. Mesmo sendo notoriamente mau, não parecia fazer o estilo do marquês manter masmorras, mas no momento ela estava com tanta raiva que poderia até acreditar que ele seria capaz disso.
O porão estava cheio de velhas camas e suprimentos, como sacos de farinha, barris com maçãs e coisas do tipo.
No meio da umidade, sem janelas, aquilo de fato parecia uma masmorra.
— Sim, é bastante assustador — ela concordou, para não ferir os sentimentos das crianças.
— Não é aqui, srta. Hina — Randall disse com um sorriso de superioridade. — É mais adiante.
Juntos, ele, Matthew e Adam Henson, outro dos garotos mais velhos, afastaram uma das camas. Logo que a poeira assentou, ela viu uma porta na parede que antes estivera encoberta. Randall a abriu enquanto Molly providenciava numa vela. Dentro, um novo lance de escada levava a outra porta.
— Randall, deixe-me ir à frente — disse ela, erguendo a vela.
— Mas tem aranhas — disse Rose. Aranhas!
— Certo, mas tome cuidado — advertiu, permitindo que Randall a precedesse.
Rindo, ele abriu a pesada porta. Logo que entrou, percebeu que o lugar era minúsculo.
— Uma cela para soldados, imagino — murmurou Hinata.
Algemas e correntes estavam penduradas em uma das paredes. Um banco pequeno e um balde eram a única mobília, além de um par de castiçais de cada lado da porta.
— Viu? — Thomas perguntou. — Podemos trancar lorde Uzumaki aqui e ninguém nunca saberá.
— É um pensamento bastante agradável, meus queridos, e eu o aprecio, mas sequestrar um nobre não é uma boa ideia.
— Mas se nós fizermos com que ele fique aqui, a senhorita pode continuar nos visitando todos os dias. — Uma lágrima escorreu pelo rosto de Penny.
O irmão dela, Willy, colocou o bracinho magro em volta de seu ombro.
— Não chore, Penny.
— Mas eu quero aprender a ler.
— Sim, eu também — disse Randall. — E eu ouvi o marquês dizer para a sra. Natham que ele queria derrubar este lugar e acabar com a gente.
— E ele não pode derrubar o prédio se estiver trancado aqui embaixo, não é? — indagou Matthew.
Hinata olhou para os meninos. Eles estavam apenas repetindo um comentário. Não tinham ideia de que o marquês pretendia mesmo demolir o prédio.
— Está tentada, não é, srta. Hina? — Randall perguntou em voz baixa. — Podemos fazer um acordo. Prometa retornar aqui dentro de alguns dias, e nós prometemos que não terá de se preocupar mais com Uzumaki.
O coração de Hinata disparou. Uzumaki a alertara de que alguns dos órfãos já eram pequenos bandidos, mas nem ele tinha ideia de como alguns reagiriam caso se sentissem ameaçados. Mesmo que ela tentasse tirar-lhes a ideia da cabeça, uma vez que fosse embora, nada impediria que tentassem trancar o marquês ali. Alguém poderia sair ferido, ou pior. E se conseguissem prender Uzumaki, não poderiam deixá-lo sair. Sequestrar um nobre, mesmo um com uma reputação como a de Uzumaki, era um crime punido com a forca.
Por outro lado, se Uzumaki fosse forçado a ter um contato mais próximo com as crianças, se visse como precisavam de alguém que cuidasse delas, como tinham necessidade de fazer parte da família que constituíam ali no orfanato, talvez mudasse de ideia. E talvez aprendesse o que era ser um cavalheiro, um homem, no melhor sentido da palavra. Oh, aquilo era insano! Se virasse as costas ou tentasse alertar Uzumaki, as crianças se encontrariam em uma situação ainda pior do que antes de sua chegada ao orfanato. Porém, se mantivesse o controle da situação, fizesse as regras e conduzisse a trama, talvez, apenas talvez, pudesse salvar a todos. E até mesmo fazer alguma diferença.
— Está bem — disse, sentando-se no banquinho. — Todos vão ter de concordar com isso. E todos têm de concordar que eu estou no comando. O que eu disser, será feito. De acordo?
— Sim, capitã! — respondeu Matthew.
- Certo. Precisamos agir com rapidez.
