NARUTO NÃO ME PERTENCE- E SIM A MASASHI KISHIMOTO

ESTA HISTÓRIA TAMBÉM NÃO- É UMA ADAPTAÇÃO DO LIVRO DE SUZANNE ENOCH!

— Srta. Hina! — Rose gritou, pendurando-se nas saias de Hinata quando ela entrou no orfanato. — Pensamos que tivesse sido enforcada.

— Ou guilhotinada! — Thomas Kinnett acrescentou, com os olhos arregalados.

— Estou bem, e muito feliz em ver vocês! — ela exclamou, abraçando Penny.

— Ele escapou, ou a senhorita o deixou ir? — quis saber Randall.

Ela se lembrou do aviso de Uzumaki para tomar cuidado com os meninos mais velhos, mas ele era cínico demais. Os garotos tinham se arriscado ao ajudá-la, afinal.

— Ele escapou. Mas me deu sua palavra de que terei outras quatro semanas para convencê-lo a poupar o orfanato.

— Se não convenceu o marquês quando ele estava algemado, por que acha que conseguirá agora?

— Ele concordou com essas quatro semanas sem argumentar. Acho que é um bom sinal.

— Devemos devolver a ele os retratos? — Rose perguntou, finalmente levantando o rosto das dobras do vestido de Hinata.

— Que retratos?

— Os que ele desenhou. — Molly foi até sua cama e pegou um maço de papéis embaixo do colchão. — Nós escondemos para que ninguém soubesse.

Ela vira Uzumaki desenhando, e ele lhe pedira papel duas vezes, mas achara que fosse para passar o tempo ou escrever cartas para seus advogados, contando que fora feito prisioneiro.

— A senhorita está muito bonita — disse Rose, dispondo os retratos em cima da cama.

Eram páginas e mais páginas com os rostos das crianças, e havia caricaturas de Uzumaki se transformando em um esqueleto na cela, mas a maioria dos desenhos eram dela, cobrindo cada pedacinho livre do papel, de alto a baixo.

— Meu Deus... — murmurou, ruborizando.

Uzumaki captara seus olhos, o sorriso, as caretas, as mãos, as lágrimas, tudo com bastante talento. Olhando os esboços, ela sentiu como se o marquês conhecesse todos os seus segredos.

— Tem certeza, srta. Hina, de que não o deixou ir embora? — Randall insistiu, tirando a faca que deixara enterrada na coluna de madeira da cama. — Porque parece que a senhorita posou para esses retratos.

— Não posei — ela retrucou, percebendo a acusação na voz do garoto. Depois de ver os desenhos, não podia culpá-lo. — Ele deve ter me desenhado de memória. E veja, ele desejou todos vocês também. Isso significa que estava prestando atenção, e pensando em vocês.

— Então o marquês vai nos deixar ficar aqui? — Penny perguntou. — Porque não quero ter de viver na rua e comer ratos.

— Oh, Penny! — Hinata abraçou-a. — Isso nunca vai acontecer, eu prometo.

— Espero que esteja certa, srta. Hina — Randall grunhiu — porque existem outros modos de fazer com que isso não aconteça.

— Randall, prometa-me que não vai fazer nenhuma bobagem — pediu Hinata, sentindo um frio na espinha. — E deve me consultar primeiro.

— Não se preocupe, srta. Hina. Não vou esquecer que a senhorita faz parte daqui, agora. Nenhum de nós fará nada contra o marquês.

Após deixar a tensa atmosfera do orfanato, o chá da tia pareceu monótono demais. Hinata ajudou a criar alguns tolos slogans políticos com os nomes dos candidatos, mas seus pensamentos estavam nos desenhos que ela enrolara e prendera em sua liga.

— Seu irmão mandou um bilhete — avisou tia Houton, sentando-se a seu lado. — Ele está satisfeitíssimo porque Wellington finalmente concordou em jantar conosco na sexta-feira.

— Meu Deus! — Hinata exclamou, fingindo espanto. — Apenas nós e Wellington?

— Não exatamente. Também os Alvington e... o marquês Uzumaki estarão presentes.

— Interessante. Não pensei que o marquês se interessasse por política.

— Tampouco eu. Hiroshi atribui esse súbito interesse a algum tipo de conspiração para arruinar a carreira dele, mas...

— Bobagem!

— Mas ele está disposto a correr o risco para se encontrar outra vez com Wellington. Sabe por que o marquês de repente começou a se interessar pela carreira de seu irmão?

Ela ia mesmo para o inferno, e tudo por culpa de Uzumaki!

— Ele me convidou para um piquenique, mas posso lhe assegurar que não mencionou nada disso. Não tenho ideia de suas razões, mas com certeza não se trata de nenhuma conspiração entre mim e Uzumaki.

— Uzumaki? — a tia repetiu, arqueando a sobrancelha.

— Uzumaki. Ele me pediu para chamá-lo de Uzumaki. — Ele também pedira que o chamasse de Naruto, mas aparentemente ninguém fazia isso, e ela não ia confessar para a tia em quais circunstâncias o pedido fora feito.

— Bem, se ele estiver interessado em você, procure desencorajá-lo. O marquês Uzumaki é um homem perigoso, e não alguém de quem você precise em sua vida. Especialmente agora.

As palavras chamaram a atenção de Hinata, mas antes que ela pudesse pedir à tia que as esclarecesse, lady Harrington e lady Doveston começaram uma discussão sobre a rima mais adequada para o nome Hyuuga.

Hinata mexeu-se na cadeira, e os desenhos pressionaram sua perna. Aquela reunião era um total desperdício de tempo, quando ela deveria estar planejando o passo seguinte para transformar Naruto Uzumaki em um perfeito cavalheiro. Lembrando-se dos desenhos, imaginou que talvez já tivesse feito mais progressos nesse sentido do que pensara. E, dado o modo como a desenhara, começava a acreditar que ele a procuraria de novo muito em breve.

X

— Você alugou um camarote inteiro apenas para nós três? — Hinata perguntou quando o irmão lhe ofereceu uma das duas cadeiras da frente, enquanto sua mãe escolhia uma das de trás. A extravagância de um camarote enorme a surpreendera.

— Não exatamente. Convidei alguns amigos para se unir a nós — Hiroshi respondeu, acomodando-se.

Hinata olhou desconfiada para a cadeira vazia a seu lado.

— Que amigos?

— Ah, boa noite, Hyuuga — saudou lorde Alvington. — Quanta gentileza sua ter nos convidado para assistir à peça em seu camarote. O teatro está cheio, e eu já tinha emprestado o meu para minha sobrinha e sua família.

— Isso foi generoso de sua parte. — Hiroshi apertou a mão do visconde.

— Lady Alvington! — a mãe de Hinata exclamou, levantando-se para beijar a viscondessa. — Já lhe contaram que Wellington vai jantar conosco na sexta-feira?

— Sim, já soube da novidade. Que excelente cavalheiro ele é!

Hinata se levantou também, apesar de todos a ignorarem até Shino Alvington entrar no camarote. Escondendo a repulsa atrás de um sorriso, ela fez uma pequena reverência quando Shino lhe beijou a mão enluvada.

— A senhorita é uma visão de beleza esta noite, srta. Hyuuga — ele declarou.

— Realmente — reforçou lady Alvington. —- De onde veio esse colar, minha querida? É maravilhoso.

Tocando de leve o coração de prata com o diamante, Hinata ficou tentada a contar exatamente de onde viera o colar.

— Oh, é uma velha jóia de família. — Olhou para a mãe. — Uma que foi de vovó, não é?

—- Sim, creio que sim. — Mal lançando um olhar para o colar, Genevieve Hyuuga sentou-se de novo. — Mas conte-nos, sr. Alvington, como tem ocupado os seus dias?

— Oh, sra. Hyuuga, comecei recentemente a inventar um novo estilo de colarinhos. — Shino levantou o queixo, revelando a gravata amarrada de uma forma complicadíssima. — Estão vendo? Eu o chamo de nó Mercury.

Enquanto todos olhavam para o colarinho do visconde, Hinata virou-se para ver algo mais interessante nos outros camarotes. Perto do palco, lorde e lady Uchiha estavam sentados junto com duas tias do Uchiha e os irmãos dele. Do outro lado do palco, Sakura encontrava-se com o pai, o general Haruno, e alguns de seus amigos políticos e militares.

As luzes foram diminuindo. Quando as cortinas se ergueram, o brilho de um par de binóculos de teatro chamou sua atenção, e Hinata olhou em direção aos camarotes mais luxuosos para ver quem a observava. Nesse momento, os binóculos foram abaixados, e ela viu o marquês Uzumaki.

Sua respiração pareceu falhar. Fazia décadas que a família dele possuía aquele camarote, mas, pelo que sabia, Uzumaki jamais aparecera naquele teatro. Mas lá estava ele, e bem acompanhado, de uma loira com seios fartos, que pareciam estar roçando no braço de Uzumaki.

Hinata sentiu vontade de chorar. Apesar de suas demonstrações de interesse por ele, Uzumaki não a considerava diferente de nenhuma das outras conquistas, apenas uma mulher para se levar para a cama e depois esquecer. Ótimo. Ela estivera apenas curiosa para descobrir como era estar com ele, certo?

— Que peça é essa? — Shino sussurrou alguns momentos mais tarde, inclinando-se sobre ela e fazendo-a sentir o aroma de uma colônia bem forte.

— Como Gostais —- ela respondeu, mais acidamente do que pretendera.

— Ah, de Shakespeare.

— Sim.

Alguém bateu de leve atrás de sua cadeira. Hiroshi, provavelmente, querendo que ela se comportasse direito. Ela olhou Uzumaki por cima do enorme colarinho de Shino. Se ele podia estar contente na companhia daquelas pessoas, e se ostentava a mulher com seios fartos diante dela, então não aprendera nada. Hinata franziu o cenho. Ou era ela quem não queria reconhecer que Uzumaki era um caso perdido?

— Pare de fazer cara feia — Hiroshi sussurrou em seu ouvido.

Oh, ela precisava sair dali por um momento, afastar-se de onde todos no teatro podiam ver a expressão de seu rosto e as lágrimas em seus olhos.

— Meu estômago está doendo — ela retrucou. — Preciso tomar água.

— Então vá, mas volte logo.

Com murmúrios de desculpas, Hinata se levantou e saiu do camarote. Queria encontrar algum canto onde pudesse chorar, mas criados caminhavam de um camarote a outro no corredor, entregando bebidas e binóculos aos que ocasionalmente pediam. Por fim, encontrou uma alcova atrás de uma cortina, onde entrou exatamente quando a primeira lágrima rolava por seu rosto.

X

Uzumaki empertigou-se na cadeira, tentando colocar uma distância maior entre ele e os seios de Deliah. Não devia ter convidado ninguém naquela noite, mas iria parecer um idiota, sentado sozinho em um camarote para seis pessoas.

Olhou para Hinata de novo, o que parecia estar fazendo a cada dois minutos, e viu a cadeira dela vazia. Levantou-se e seguiu em direção ao camarote da família Hyuuga, mas não viu nenhum sinal de Hinata. Foi quando ouviu um choro vindo detrás de uma cortina.

— Hinata? — sussurrou.

— Vá embora.

— O que está fazendo aí?

— Nada.

Ele puxou a cortina e a viu olhando para a parede, com as mãos no rosto.

— Se estiver se escondendo, não vai funcionar. Posso ver você muito bem.

— Eu também o vi. Divertindo-se?

— Para ser franco, não. Fico esperando que Deliah se incline um pouco mais e caia lá de cima, mas isso ainda não aconteceu.

Abaixando as mãos, ela o encarou.

— Por que está aqui?

Dando uma olhada no corredor, ele entrou na alcova e fechou as cortinas.

— Por que você acha? — ele perguntou e cobriu os lábios de Hinata com os seus. Pressionou-a no canto, beijando-a, sentindo o sabor dela outra vez.

Hinata correspondeu ao beijo e puxou-o para mais perto de si.

— Alguém pode nos ver — murmurou, sentindo-o acariciar seus seios.

— Shhh...

Beijá-la daquela forma ardente aumentava ainda mais seu desejo. Nenhuma mulher jamais o excitara assim. Relutante em soltá-la, mas ciente de que tinham pouco tempo, ele parou de afagar os seios de Hinata e levou as mãos dela para dentro de sua calça.

— Aqui? — ela sussurrou.

— Quero você. — Pressionou os dedos delicados em sua ereção e depois levantou o vestido dela. — Você sente o quanto desejo você, Hinata Marie? Você também me quer?

Se ela dissesse que não, ele morreria naquele instante, mas felizmente Hinata abriu sua calça com dedos trêmulos e ansiosos.

— Depressa, Naruto — ela sussurrou.

Uzumaki a ergueu, fazendo-a enlaçar seus quadris com as pernas. Com um grunhido, ele a penetrou. Sentiu-se envolver pelo calor do corpo feminino e pressionou-a contra a parede enquanto se movia. Era perfeito. Estar dentro de Hinata, aquela união, os dois se tornando um só.

Quando ela atingiu o clímax, Uzumaki capturou na boca o doce gemido e acompanhou-a no êxtase, apertando-a com tanta força que temeu deixá-la sem ar.

Respirando fundo, ele a segurou; ela tinha os braços em volta de seu pescoço e as pernas em volta de seus quadris. Mesmo agora, ainda dentro dela, sentindo o aroma dos cabelos sedosos e o corpo quente em seus braços, ele a desejava, e não queria deixá-la ir.

— Uzumaki... — Hinata murmurou, beijando-o no queixo.

— Hum?

— Qual é o seu nome do meio?

Ele levantou o rosto, que estava apoiado no ombro dela, para fitá-la.

— Edward.- Hinata sorriu.

— Naruto Edward Uzumaki... — Deslizou os dedos pelo rosto dele. — Sempre é assim? Tão... bom?

— Não, não é. — Beijou-a de novo, bem devagar.

— Hina? — A voz da mãe dela soou no corredor. — Onde você está?

— Oh, não, não, não — ela sussurrou. — Deixe-me ir!- Obviamente aquele não era um bom momento para discutir. Uzumaki a colocou no chão e ajeitou seu vestido.

— Estou aqui, mamãe — ela disse em voz baixa. — Vou sair já. Estou enjoada.

— Então se apresse. Seu irmão está furioso. Ele acha que você está tentando evitar o sr. Alvington.

Uzumaki abotoou a calça enquanto Hinata fazia o possível para se recompor. Respirando fundo, ela começou a abrir as cortinas. Antes que pudesse escapar, ele a segurou pelo braço, fazendo-a olhar para ele. Sacudindo a cabeça para que ela soubesse que não a deixaria escapar completamente, deslizou um dedo por seu pescoço, inclinou-se e beijou-a mais uma vez.

— Hina!

— Já estou indo. — Colocou a mão no peito dele para afastá-lo. Abriu apenas metade das cortinas, mantendo-o nas sombras, e entrou no corredor.

Uzumaki permaneceu ali, pensando no que a sra. Hyuuga dissera. Algo sobre Hinata não dever evitar Shino Alvington. Então era esse o esquema de Hiroshi. Lorde Alvington tinha pouco dinheiro, mas muitas propriedades e, portanto, muita influência nos votos de West Sussex. Isso tornava o cálculo simples: em troca de garantir um assento no Parlamento para Hiroshi, a família Alvington iria adquirir Hinata e seu dote.

Uzumaki espiou o corredor antes de sair da alcova. imaginou se Evelyn sabia que estava sendo vendida. E se agora ela achava difícil dedicar tempo e dinheiro aos órfãos, assim que sua renda pertencesse a Shino Alvington, qualquer caridade seria impossível. Todos os vencimentos seriam destinados a roupas, corridas de cavalos e apostas.

Claro que Uzumaki já não teria mais nada com ela quando isso acontecesse. E não se importaria se aquele idiota tivesse acesso ao doce corpo de Hinata todas as noites.

Voltou para o camarote e ficou olhando para o palco pela próxima hora, mas não conseguiu escutar nada. Com Wellington capturado para o jantar, Hiroshi Hyuuga lhe devia mais um passeio com Hinata. Ela provavelmente tentaria fazer mais algumas visitas ao orfanato, e ele a encontraria lá. Considerando que lhe dera apenas quatro semanas para convencê-lo a não derrubar o orfanato, suas chances de vê-la em particular logo terminariam.

Olhou em direção ao camarote dos Hyuuga. O cretino estava murmurando alguma coisa no ouvido de Hinata, que claramente procurava ignorá-lo. Enquanto Uzumaki a observava, seus olhares se encontraram, mas ela logo desviou o seu.

Aquilo era intolerável! Desejá-la a ponto de não conseguir dormir, e mal poder olhar na direção dela, enquanto o tempo todo alguém tentava tirá-la de seu alcance. Conhecendo Hinata, ela jamais continuaria sendo sua amante depois que se casasse, por mais infeliz que se sentisse.

Então ele precisava livrá-la de Shino Alvington. Isso significava que teria de assegurar um assento no Parlamento ou no gabinete para Hiroshi. Precisava também ver o príncipe regente e retardar a destruição do orfanato, pois, uma vez que fosse derrubado, Hinata jamais o olharia de novo.

— Uzumaki?

— O que foi, Deliah?

— Intervalo.

As luzes tinham sido acesas, e ele olhou o palco enquanto os camarotes se esvaziavam. Levantou-se.

— Ótimo. Vou indo.

Ela também se levantou, ajeitando o vestido para exibir um pouco mais os seios.

— Achei que você gostaria de saborear alguma coisa — ela murmurou, passando a língua pelos lábios.

— Eu já jantei. Boa noite.

X

Oh, não! Ela se tornara uma daquelas mulheres fáceis sobre quem havia rumores, daquelas que faziam sexo com Uzumaki em armários de vassouras, em terraços, em cadeiras, enquanto seus maridos estavam por perto.

Hinata cobriu os olhos, protegendo-os quando raios de sol invadiram a pequena carruagem dos Haruno. E o que era pior, estava gostando de ser uma dessas mulheres, de ser amante de Uzumaki. Ele era tão... direto! Todos sabiam que tomava aquilo que queria. Ser o objeto das atenções do marquês era tão incrivelmente excitante que ela mal conseguia aguentar de desejo quando estavam separados. Talvez pudesse parar no orfanato aquela tarde. Ele poderia estar lá.

— Bem, eu nunca pensei que isso aconteceria — disse Sakura, e Hinata percebeu que, distraída, não sabia sobre o que a amiga falara.

— Desculpe, Lucinda, mas do que você está falando?

— De seu aparente sucesso com o marquês Uzumaki. No piquenique, você me contou que ele se comportou como um verdadeiro cavalheiro, e ontem à noite assistiu à metade da peça. Não encontro outra explicação, a não ser suas lições sobre civilidade e decência.

Sim, ela e Uzumaki tinham mesmo se comportado com civilidade e decência quando tinham desaparecido para fazer sexo em pé atrás de uma cortina.

— Tendo a acreditar que seja apenas coincidência.

— Ele continua a dizer coisas chocantes para você?

— A cada momento — Hinata respondeu, aliviada ao poder falar a verdade pelo menos uma vez.

— Não roubou mais nada seu?

Apenas a virgindade.

— Não, nada que eu tenha percebido.- Sakura suspirou.

— Hina, o que há de errado? Você sempre me contou tudo.

— Eu sei. — Hinata não se sentia preparada para revelar toda a verdade. — Ele me deu quatro semanas para convencê-lo a não destruir o orfanato. Já tentei de tudo. Não sei o que dizer para que ele mude de ideia agora.

Sakura franziu a testa.

— Mas Hina...

Hinata sentiu um frio no coração.

— Mas o quê?

— Não tenho certeza absoluta, mas ouvi dizer que o Parlamento aprovou ontem a expansão do parque, atendendo ao pedido do príncipe George.

Hinata olhou estarrecida para a amiga. Ele não podia ter feito isso. Dera-lhe quatro semanas. E quando o encontrara na noite anterior, tão cheia de desejo quanto ele, Uzumaki não dissera nada.

Riu amargamente. Claro que ele não dissera nada. Se tivesse dito, ela nunca o deixaria tocá-la de novo.

— Sakura, você me faria um enorme favor? — indagou, percebendo que lágrimas escorriam pelo seu rosto.

— Claro. O quê?

— Precisa ir comigo até a casa de Uzumaki. Agora.

— Uzuma... Tem certeza?

— Oh, sim. Absoluta.

Sakura evidentemente acreditou nela, porque concordou de imediato.

— Griffin, temos uma mudança de planos. Por favor, leve-nos até a casa de lorde Uzumaki.

X

— Jansen, chegou alguma mensagem de Carlton House? — Uzumaki indagou.

— Ainda não, milorde. Eu lhe asseguro de que o informarei imediatamente quando chegar.

— Imediatamente — Uzumaki repetiu, entrando no escritório. Aguardava permissão para visitar o príncipe regente. Salvar o orfanato era o que ele precisava fazer naquele momento, enquanto tentava encontrar um modo de superar Alvington e assegurar um assento para Hyuuga. Felizmente, o príncipe não podia fazer nada sem o Parlamento, o dinheiro de alguém e milhares de conselheiros. E sem um bom vinho clarete. Ele foi até a porta. — Jansen, preciso de uma caixa do meu melhor clarete.

— Sim, milorde.

Manter o orfanato aberto seria ficar preso àquele maldito lugar. Não era para sempre, lembrou a si mesmo, praguejando. Apenas até que decidisse o que fazer com Hinata. Outra oportunidade apareceria, ou talvez ele pudesse retomar o projeto do parque nos próximos meses.

Jansen bateu na porta.

— Achou o meu clarete?

— Ah, não, milorde. O senhor tem visitas.

— Não estou para ninguém.

— São damas.

— Então definitivamente não estou em casa. E procure esse maldito vinho. Vou até Carlton House tão logo receba permissão para uma visita.

— Sim, milorde.

Precisava encontrar um modo de superar Alvington. A influência pessoal que tinha em West Sussex era insignificante. Não possuía propriedades na área e nenhum conhecido por lá. Nem se lembrava de ter conhecimento de alguma informação comprometedora a respeito de alguém do local, que pudesse ser usada para que atingisse seus objetivos.

— Milorde?

— Chegou a permissão do príncipe?

— Não, milorde.

— O que é, então, pelo amor de Deus?

— As mulheres não querem ir embora. Uma delas diz que tem urgência em falar com o senhor.

Uzumaki suspirou. Ter problemas com mulheres era o que ele menos precisava no momento.

— Quem são elas?

— Não disseram seus nomes, e não me lembro de terem estado aqui antes, milorde, se isso estreita o campo das possibilidades de alguma forma.

— Está bem. Eu lhes darei dois minutos. E você...

— Eu o notifico imediatamente se chegar a permissão do príncipe.

Vestindo o casaco, Uzumaki saiu do escritório. No vestíbulo, avistou um chapéu e a ponta de um sapato. Se fosse uma daquelas damas de caridade em busca de donativos para os pobres, ele as faria correr dali.

— Senhoras — ele disse —, lamento estar muito ocupado esta manhã... — Interrompeu-se quando elas se voltaram em sua direção. — Hinata?

Ela andou na direção do marquês, com o coração disparado e um milhão de pensamentos desconexos passando por sua cabeça. Uzumaki abriu os braços para ela, e Hinata o esmurrou no peito.

— Seu bastardo mentiroso!

Mais surpreso do que ferido, ele agarrou as mãos dela para impedir que o acertasse de novo.

— De que diabos você está falando?

Ela tentou libertar as mãos, mas ele não a soltou. — Você mentiu para mim. Largue-me!

— Pare de me bater. — Voltou-se para Sakura. — Srta. Haruno, o que Hinata está...

Ela o chutou na canela.

— Ai!

— Você disse que eu tinha quatro semanas! Não esperou nem quatro dias!

Uzumaki a sacudiu.

— Se me atingir de novo, eu a jogo no chão — ele resmungou, massageando a canela. — Agora, presumo que estamos falando sobre... — Olhou de novo para a srta. Haruno.

— Ela sabe sobre o orfanato. Não minta para mim, Uzumaki. Não ouse mentir para mim.

— Não sei o que a está aborrecendo. E, se quer saber, estou esperando a permissão do príncipe para uma visita a Carlton House. Pretendo retirar a oferta de lhe transmitir a propriedade do orfanato.

Uma lágrima deslizou pelo rosto pálido de Hinata.

— Como pode fazer isso se o Parlamento já aprovou a expansão do parque?

Uzumaki arregalou os olhos. Ou aquilo era um engano, ou havia alguma coisa terrivelmente errada acontecendo.

— O quê?

— Não finja estar surpreso. Queria fazer uma coisa importante na vida, e você transformou isso em uma piada.

— Hinata, você tem certeza?- A pergunta dele a fez hesitar.

— Sakura ouviu o pai dela falando sobre isso ontem.

— Eu juro que não tinha ideia — Uzumaki afirmou, sabendo que ela não tinha motivos para acreditar nele.

— Queria que soubesse que eu já descobri, e que gostaria de nunca ter conhecido você. E a pessoa mais horrível de quem já... ouvi falar.

Já escutara coisas semelhantes de outras mulheres, mas vindo de Hinata, aquilo pareceu atingi-lo como um soco.

— Eu não sabia — ele disse duramente —, mas pretendo descobrir o que aconteceu. Alguém andou fazendo as coisas sem me consultar. Nunca menti para você, Hinata. — Aproximou-se dela, mas Hinata recuou. — Passei uns dias... fora, mas se alguma coisa aconteceu, eu vou descobrir o que foi. Darei um jeito de revertê-la.

Hinata meneou a cabeça, caminhando até a porta.

— Não faça nada por mim. Não vai fazer diferença.- Uzumaki estreitou os olhos. Não perderia Hinata apenas porque alguém fizera aquilo enquanto ele admirava o lindo rosto dela.

— Hinata.

— Agora tenho de ir encontrar algum outro lugar para as crianças viverem. Adeus, Uzumaki. Espero nunca mais vê-lo.

Ele a deixou ir. Obviamente, ela não o escutaria naquele momento. Praguejando, foi até o estábulo e ordenou que selassem Cassius. O relacionamento entre eles não estava acabado. Ele não estava pronto para isso. Tudo o que precisava fazer era falar com o príncipe, sendo ou não sendo bem-vindo.

X

—- Não gostei da interrupção — o príncipe George disse quando Uzumaki entrou em sua sala de visitas. — Vou me reunir com o embaixador da Espanha, e ainda tenho um jantar em Brighton este fim de semana.

— Vossa Alteza apresentou o projeto de expansão do parque para o Parlamento — falou Uzumaki secamente. Estava tentando ser civilizado, já que gritar provocaria um desmaio no príncipe, apesar de não conseguir se lembrar de um momento em que estivera mais furioso na vida.

— Segui os caminhos certos — o regente retrucou. — Sabe disso. Aqueles malditos políticos insistem em controlar os meus gastos de tal forma que não tive escapatória. É intolerável, realmente, mas...

— Eu estava... fora da cidade. Por que apressar o assunto enquanto eu não me encontrava aqui para expor o meu desejo de pagar pela coisa toda?

—- Contei com o apoio do tolo conselho desse seu orfanato, e todos concordaram que os fundos do governo economizados com a destruição do lugar seriam mais bem utilizados de outra forma. Você conseguiu o que queria. Portanto, pare de me olhar com essa cara.

Uzumaki sacudiu a cabeça, usando todo o seu autocontrole para não dar um murro no príncipe.

— Mudei de idéia. O orfanato era um lugar muito... querido para minha mãe, e desejo mantê-lo de pé.

Prinny caiu na risada.

— Quem é ela?

— Do que está falando?

— Quem é a mulher que conseguiu agarrar você?Muito querido para minha mãe. Certo. Você colocou uma mulher lá no orfanato, e agora ela o está ameaçando com um escândalo? Ninguém vai se importar. Você é o depravado marquês Uzumaki. isso já é esperado.

Uzumaki olhou por um longo momento para o regente. Ninguém nunca acreditaria que ele faria qualquer coisa sem um motivo. Nem mesmo Hinata, que tentara convencê-lo de seu potencial para agir com decência e bondade, duvidara de que ele fora capaz de fazer algo daquele tipo. E todos tinham razão.

— Aquelas crianças —- disse ele — consideram o velho prédio como seu lar. Eu... arranjei alguns professores, e recentemente começamos vários programas de educação e reforma. Acho que estamos fazendo diferença em suas vidas, Vossa Alteza. Peço que mantenha o orfanato de pé.

— Uzumaki, isso já foi votado. E mais importante, está nos jornais. Você vai ficar com cara de idiota.

— Não me importo.

— Mas eu vou ficar com cara de idiota, curvando-me à vontade de um patife como você. E eu me importo. Sofro pressão demais. Lamento, mas o orfanato vai para o chão.

— E as crianças?

— Você disse que acharia um novo lar para elas. Sugiro que faça isso. Sem demora. — Prinny levantou-se. — E apareça em Brighton no sábado. O cônsul turco vai levar mulheres que fazem a dança do ventre.

O príncipe saiu da sala, e um criado fechou a porta. Uzumaki caminhou até a janela e observou os jardins. Obviamente, Prinny não faria nada agora que os jornais tinham publicado a história, e o Conselho de Curadores encontrara um motivo plausível para a destruição, que não provocaria a ira da opinião pública.

E, claro, os conselheiros tinham ficado sabendo de tudo aquilo depois que Prinny conversara com seus assessores. Diante da possibilidade de conquistar a gratidão do príncipe, apoiando um de seus adorados projetos, e com a chance de ver os fundos governamentais do orfanato direcionados para eles, claro que tinham aproveitado a situação.

Uzumaki afastou-se da janela. Fora passado para trás pela primeira vez na vida. E o custo, agora compreendia, era muito maior do que orgulho ou dinheiro. Suspirou. Sentia um aperto no peito desde que Hinata lhe dissera adeus.

Ela dissera também que procuraria um lugar para as crianças morarem. Uzumaki seguiu para a porta e pegou o chapéu, decidido a falar com seus advogados. Talvez pudesse ajudá-la nessa empreitada.

X

—- Hina, nós não deveríamos estar fazendo isso — Sakura murmurou. — Alguns desses lugares são...

— Horríveis. Eu sei. Mas preciso ver todos eles, antes que Uzumaki tente levar as crianças para algum buraco.

A porta do escritório se abriu, e um homem bastante gordo as recebeu.

— Minha secretária disse que estão procurando um lugar para colocar uma criança — ele falou, a voz macia provocando arrepios em Hinata. — Somos bem discretos aqui, se recebermos uma quantia razoável para a alimentação e vestuário da criança. Posso perguntar qual das duas adoráveis damas vai... fazer o depósito?

— Deus meu — Sakura gemeu, levantando-se. — Esta é a coisa mais horrível que já ouvi.

Evie segurou a mão da amiga.

— Houve um mal-entendido aqui, senhor.

— Claro. Sempre há um.

— Não estamos falando de uma criança — ela explicou com a voz estridente demais, imaginando por que se preocupava em continuar quando já sabia que não entregaria nenhum dos órfãos para aquele homem. — Estamos falando de cinquenta e três crianças, todas em vias de ser despejadas. Queria encontrar um lugar para que elas vivessem.

— Ah, entendo. Está se referindo ao Orfanato Coração da Esperança, não é? Ouvi dizer que os benfeitores vão derrubá-lo. Isso não vai acontecer nunca com este estabelecimento. É totalmente custeado pelo governo.

— E por donativos também — Sakura disse acidamente.

— A senhorita precisa entender que, quando acontece de uma criança ter parentes eminentes, eles costumam exigir um tratamento... especial.

Como os meios-irmãos e meias-irmãs de Uzumaki, Hinata pensou, imaginando onde eles estariam agora. Pelo menos, não tinham sido deixados naquele lugar.

— Acho que já sabemos tudo o que queríamos — disse ela, levantando-se. — Obrigada por nos ter atendido.

O homem se levantou.

— Tenho espaço para acomodar meia dúzia dessas crianças com menos de sete anos de idade.

— Por que os pequenos? — ela perguntou, começando a se sentir mal.

— Elas são mais leves. Nós a colocamos para fazer tijolos. As mais velhas são muito pesadas e quebram o cimento todo, a senhorita sabe.

— Oh, claro. — Ela seguiu Sakura até a porta. — Obrigada.

— Foi um prazer, senhoritas.

Nenhuma das duas disse qualquer coisa enquanto voltavam para a carruagem de Sakura e seguiam pelas ruas de Londres.

— Oh, meu Deus! — Sakura explodiu, por fim. — Que revoltante!

— Estou começando a pensar que Uzumaki não é assim tão horrível — Hinata murmurou. — Pelo menos, não faz as crianças trabalharem, e as mantém alimentadas e vestidas, sem pedir dinheiro de suas famílias.

— Uzumaki pareceu realmente surpreso com o que você lhe disse — Sakura observou.

— Isso não importa agora. Hoje, ou daqui a quatro semanas, aquele lugar — ela apontou para o prédio sombrio de onde haviam acabado de sair — será para onde as crianças acabarão indo.

Naruto Edward Uzumaki traíra sua confiança e magoara seu coração.

Sakura lhe ofereceu um sorriso.

— Gostaria de conhecer aquelas crianças. Elas cativaram o seu coração.

Hinata estivera esperando ter alguma boa notícia ao voltar para o orfanato. Porém, cada estabelecimento que ela e Sakura tinham visitado parecia pior do que o anterior.

— Vou levar você lá — ela disse, e deu o endereço ao cocheiro.

Nos últimos tempos, eram as crianças que vinham abrir a porta. Hinata ficou surpresa ao ver a sra. Natham descer a escada apressadamente para encontrá-las. A governanta não disfarçou sua preocupação.

— Srta. Hyuuga, é mesmo verdade? Aquele marquês malvado vai derrubar o orfanato?

— Temo que sim. As crianças já sabem disso?

— Algumas delas, eu acho. Oh, eu sabia que deveria ter jogado fora a chave no minuto em que o vi lá.

Hinata olhou para Sakura, que não compreendeu ao que a mulher se referia. Se ela tivesse contado às amigas que raptara Uzumaki, elas não aprovariam seu ato. A sra. Natham evidentemente sabia o que acontecera com ele, mas parecia não desaprovar o rapto.

— Sim, eu sei como a senhora gosta das crianças. Elas estão agora em aula?

— Sim, srta. Hyuuga. Mas o que vamos fazer?

— Não sei ainda. Mas estou aberta a sugestões.

A governanta se afastou, meneando a cabeça. Esperando que Sakura não lhe fizesse nenhuma pergunta sobre chaves e sobre quem estivera trancado sabe-se lá onde, Hinata pegou a amiga pela mão e a levou até as salas de aula.

— O que vai dizer a elas?

— Serei direta. Elas merecem saber a verdade. — Hinata respirou fundo. — Eu daria tudo para não ter de lhes contar, mas isso seria injusto e covarde.

Hinata entrou em cada classe e pediu aos professores que mandassem as crianças até o salão assim que as aulas tivessem terminado. Sakura ficou a seu lado, silenciosa, e Hinata sentiu-se grata pelo apoio da amiga.

— Srta. Hina! — Penny exclamou, correndo ao encontro de Hinata, com Rose em seus calcanhares.

Ela acolheu as meninas em seus braços, sentindo que não merecia todo aquele carinho. Falhara novamente. E dessa vez não tinha solução alguma à vista.

X

Uzumaki estava esgotado. Nos últimos três dias, mal dormira por mais de cinco horas e, mesmo assim, não conseguira descansar.

— Milorde, o sr. Wiggins trouxe os papéis que o senhor pediu.

Uzumaki colocou de lado o documento que estava examinando.

— Vamos ver esses papéis — ele disse.

Jansen e o outro criado entraram, carregando duas maletas.

— O sr. Wiggins também deseja que eu lhe informe que o dono da propriedade que o senhor quer visitar estará amanhã em Londres.

Uzumaki balançou a cabeça.

— Essa é uma boa notícia. Obrigado.

O criado saiu, mas o mordomo continuou hesitante junto à porta.

— Milorde?

— Sim?

— Eu tomei a liberdade de mandar a sra. Dooley preparar sopa esta noite. O senhor vai jantar aqui?

Alguma coisa passou pela mente de Uzumaki.

— Deus meu, que dia é hoje?

— Sexta-feira, milorde.

— Sexta-feira. — Uzumaki consultou o relógio de bolso. Oito e quinze. — Maldição. Estou atrasado. Mande Pemberly subir. — Ele se levantou e apressou-se até o quarto para trocar de roupa.

Ao bater à porta da casa de lorde e lady Houton, já eram quase nove horas da noite. Estava ansioso para ver Hinata, mas sabia que ela não ficaria satisfeita com a sua chegada. Isso o deixava nervoso, pois, só para irritá-lo, ela talvez se aliasse a Shino Alvington, e ela precisava concordar em se encontrar com ele no dia seguinte.

— Lorde Uzumaki — o marquês de Houton se levantou para cumprimentá-lo —, espero que não se importe que tenhamos começado sem o senhor.

Uzumaki deliberadamente manteve o olhar distante de Hinata. Precisava se concentrar por alguns momentos, e não conseguiria fazer isso se ela o encarasse.

— Houton. É muita gentileza sua me receber hoje aqui. Peço desculpas pelo atraso. Tive um compromisso de última hora com o meu advogado.

— Oh, sim, ouvimos dizer que o príncipe George está fechando uma transação para o novo parque — disse Hiroshi Hyuuga, levantando-se também.

— Sim. São muitos os prédios em Londres, mas poucos os parques.

— Isso é verdade. — Wellington estendeu a mão a Uzumaki. — Obrigado de novo por aquela esplêndida garrafa de licor, Uzumaki. Nunca tomei nada tão bom.

— Foi um prazer. — Uzumaki sentou-se entre lady Alvington e a sra. Hyuuga, notando que isso o colocava exatamente diante de Hinata. Seria difícil não fitá-la, em especial quando cada fibra do seu ser desejava arrastá-la para fora do aposento e fazê-la compreender o que tinha acontecido. Contrição. Outro novo sentimento para ele. — Mas diga-me, Vossa Graça, o senhor e o sr. Hyuuga descobriram conhecidos comuns na índia?

Aquilo deu início a uma nova conversa e serviu para lembrar Hiroshi de que devia a ele sua conversa com Wellington. Respirando fundo, Uzumaki colocou o guardanapo no colo e ergueu os olhos.

Hinata conversava com Shino Alvington, aparentemente achando muito bonito o alfinete de pérola que havia na gravata do idiota, um item sem qualquer interesse.

Estava sendo charmosa, sem dúvida pensando nos interesses do irmão, mas Uzumaki ficou imaginando se ela sabia por que Hiroshi continuava aproximando-a de Alvington. Ele percebera de imediato, e não gostara nada daquilo.

— Shino, não o tenho visto no clube ultimamente — disse ele, enquanto começando a jantar.

— Ando muito ocupado escrevendo poesia. — Shino dirigiu um olhar sugestivo a Hinata.

Uzumaki queria estrangular o bastardo.

— Um poema?

— Mais especificamente, um soneto.

Ele e Shino tinham pouco em comum, e frequentavam círculos sociais diferentes. Pelo modo como o cretino usava a gravata, considerou mínimas as chances de ele ter algum talento para a poesia. Como um jogador de longa data, resolveu arriscar.

— Por que não nos alegra recitando o seu soneto? — ele sugeriu.

O idiota enrubesceu.

— Não está pronto ainda.

— Mas você está entre amigos — Uzumaki insistiu, exibindo seu melhor sorriso. — E poesia sempre me fascina.

— Não precisa recitá-la se não quiser, sr. Alvington. — disse Hinata em voz baixa, lançando um rápido olhar na direção de Uzumaki.

—Oh, Shino é tão talentoso! — lady Alvington exclamou, rindo. — Enquanto estudava fora, ele nos mandava uma composição todas as semanas.

— Admirável —- falou Uzumaki, balançando a cabeça de forma aprovadora. Se era assim que as pessoas educadas passavam as noites, ele estava feliz em ser considerado um patife.

— Muito bem — Shino concordou, levantando-se.

— Como eu disse, é ainda um trabalho inacabado, mas gostaria de ouvir a opinião de todos a respeito dele.

— Bom Deus — lorde Alvington resmungou baixinho, mas Uzumaki fingiu não ouvir.

— "Em uma clara manhã de verão em uma rua de Londres" — Shino começou — "Eu, por acaso, tive uma visão de meus sonhos e suspiros. Delirantes e felizes pensamentos me tiraram do banco de minha carruagem para olhar de mais perto o anjo sob um disfarce humano."

Um rubor tomou conta do rosto de Hinata. Ela lançou outro olhar crítico para Uzumaki, que o devolveu, querendo que ela percebesse por que Shino Alvington começara a escrever poesia para anjos sob disfarce humano.

— "Eu falei com a jovem e perguntei o seu nome, mas ela me respondeu com um rubor doce e suave, tão puro quanto o orvalho que o sol tenta apagar. Silenciosa, e ainda assim capaz de fazer o meu coração disparar."

— Que lindo! Você rimou "apagar" com "disparar"! — lady Alvington exclamou. — Continue.

— "Oh, Hinata, Hinata, minha alma delira"... Oh, veja, usei "delirar" duas vezes, assim preciso fazer uma rima diferente aqui... "Vejo-te em cada estrela da noite, e quando o dia traz consigo a claridade, eu ainda te vejo sob a luz do sol."

Enquanto todos aplaudiam, Uzumaki observava Hinata.

— Isso foi adorável, sr. Alvington — ela disse, tomando um grande gole de vinho. — Eu...

— Eu pensei que um soneto tivesse catorze linhas — Uzumaki comentou, enquanto Hinata o olhava como se estivesse a ponto de gritar. — Mas eu contei doze.

— É verdade, eu mudei um pouco a forma, mas acho que essas últimas quatro linhas compõem uma sensação de completa serenidade.

— De fato — Uzumaki concordou, levantando o copo em direção a Alvington. —Uma composição surpreendente.

— Obrigado, marquês. Tenho de admitir que não esperava encontrar em você um admirador das belas artes.

— Bem, eu estou com um pouco de dor de cabeça — disse Hinata, levantando-se. — Se me derem licença...

Uzumaki fitou-a por um momento. Ele a separara de Shino, mas obviamente não ganhara crédito algum com isso. E no dia seguinte ela ainda o odiaria, mas o maldito pseudo-soneto teria sido esquecido. Conseguir um dia a mais do ódio de Hinata não era exatamente o que ele queria, nem o que tinha em mente.

— Diga-me, Vossa Graça — ele disse, quebrando o silêncio —, decidiu apoiar alguém para o Parlamento esta temporada?