Capitulo 1: Como tudo começou
Aquele dia seria de muita tensão em todo campus da faculdade onde Melissa estudava. Havia policia para todo lado, pegando depoimento de todos os alunos, professores, funcionários da faculdade. Um pouco mais distante daquele tumulto estavam Stacy, Liz, Bruce, Marlon, David e Raquel, que tentavam entender a morte brutal da noite anterior.
- Eu queria ficar de frente com o desgraçado que fez isso com ela! – Bruce era o mais inconformado. Já havia mais de dois meses que estavam saindo juntos.
- Eu só queria saber o por quê? – retruca Raquel.
- Não existe por que... é a realidade! Simples e cruel... – falou David sem pensar nas conseqüências.
Liz permanecia em silêncio. Somente escutando toda aquela conversa, enquanto em sua cabeça passava cenas de seu passado que mais parecia um filme de terror.
- Qual foi a sensação quando você a encontrou morta, Stacy? – pergunta Marlon.
A expressão dela demonstra o quão difícil esta sendo esquecer àquela cena.
- Você é um idiota! – Liz indaga dando um tapa nas costas de Marlon.
As meninas vão embora.
- O que foi? – Marlon finge não entender.
- Ainda pergunta? – Bruce desaprova com a cabeça. – Você é um cretino! – coloca a mão na cabeça.
Nesta hora, Dewey interrompe.
- Desculpe interromper, mas preciso falar com você Bruce! – a expressão de Dewey demonstrava que não seria uma conversa fácil.
Bruce acompanha Dewey até a sala da coordenação, onde estavam dois homens.
- Este aqui é o xerife Burkson e, este outro é o detetive Carlson! – apresentou-os à Bruce.
- Olá... precisamos que responda algumas perguntas! – responde o xerife Burkson.
- Sem problemas... – fala Bruce, demonstrando que não tinha intenção de dificultar o trabalho da policia.
- O que você era de Melissa? – pergunta Dewey.
- Éramos amigos... – responde Bruce sem pensar.
- Vocês tinham se falado ultimamente? – tenta conseguir mais informações.
- Sim... falamos-nos ontem de manhã... aqui na faculdade! – responde.
- E como ela estava? – pergunta enquanto anota alguma coisa em seu caderno.
- Estava muito bem... – Bruce fica sem entender o por que de tanta pergunta.
- Como era a relação dela aqui na faculdade? – pergunta o detetive Carlson.
- Como assim? – pergunta Bruce desentendido.
- Ela tinha muitos amigos? – interrompe Dewey.
- Onde você está querendo chegar? – Bruce começa a desconfiar.
- Só responda a pergunta... – Dewey tenta prosseguir.
- Desculpe... eu ainda não consigo acreditar... – Bruce abaixa a cabeça.
- Tudo bem... pedimos desculpas que tenha que passar por isso, mas é necessário... isso pode nos ser útil para pegarmos o assassino! – lamenta e indaga o xerife Burkson.
- Só quero que peguem este desgraçado o mais rápido possível! – grita Bruce tentando aliviar a raiva.
- Ela tinha muitos amigos? – pergunta Dewey novamente.
- Podemos dizer que um número razoável... – Bruce responde um pouco mais calmo.
- Ela tinha namorado? – tenta Carlson.
Bruce pensa um pouco, pairando o silêncio.
- Na verdade, estávamos saindo... – Bruce confessa.
- Como assim? Vocês estavam namorando? – pergunta Dewey confuso.
- Não... estávamos saindo... não éramos namorados! – Bruce tenta consertar.
- Como se fossem namorados? – argumenta o detetive.
- Se assim acharem melhor... – Bruce fica indiferente.
Dewey, Burkson e Carlson se entreolham.
- Ok... obrigado! Tenha cuidado... – agradece Dewey.
Mas antes de Bruce sair.
- Só mais uma coisa... – Dewey o chama novamente.
- O que? – Bruce olha para trás.
- Você sabe onde está Liz? – Dewey vai direto ao assunto.
- Eu não sei... acho que foi para casa! Por quê? – responde.
- Por nada... obrigado! – Dewey é o último a falar.
Liz havia chegado à escola próxima a faculdade. Depois de muito andar, finalmente entra no teatro e vê de longe a silhueta de uma pessoa. Caminha em direção à ela e, quando mais chega perto mais consegue enxergar de quem se trata.
- Até que enfim te achei... – da um longo suspiro.
Havia mais ou menos dois meses que Sidney estava trabalhando na escola. Nunca se imaginou sendo professora de teatro, mas estava dando certo.
- Olá... – se abraçaram amigavelmente.
- Como você está? – pergunta Sidney preocupada com a amiga.
- Não sei... estou me sentindo péssima! – Liz confessa.
- Não fique assim... vai dar tudo certo! – Sidney tenta confortá-la.
- Parece que o passado está querendo voltar pra me assombrar... – Liz quase se esqueceu que o passado de Sidney era tão ruim quanto o dela.
- Me desculpe... eu não queria... – Liz tenta consertar.
- Tudo bem... não se preocupe! – Sidney tenta se controlar.
Sidney e Liz eram amigas à aproximadamente um ano e meio, quando se conheceram na faculdade. O passado de Liz era bastante obscuro, mas se sabia que não era nenhum conto de fadas.
- Estou com medo! – reclama Liz trêmula.
- Não precisa ter medo... vamos ficar juntas! Vamos lidar com isso juntas, ok? – Sidney fala com determinação.
A admiração que Liz sentia por Sidney era evidente. E a cada dia que passava a confiança que Liz depositava em sua amiga, era reconfortantemente aumentada por cada palavra que Sidney trocava com ela. Sabia que Sidney havia passado por isso quatro vezes e havia superado.
- Queria ser como você! – os olhos de Liz brilharam.
Sidney sorri e a abraça.
- Vamos... vamos pra casa!
Era a quinta vez que Gale sentia aqueles enjôos, não agüentava mais ir ao banheiro.
- Droga... logo agora eu vou ficar doente! – reclamou.
- Olá... como está se sentindo? – Dewey pergunta preocupado.
- Olha pra mim... eu pareço bem? – retruca Gale.
- Desculpe... só estou preocupado! – Dewey fala.
- Pode estar preocupado com tudo, menos comigo! – Gale argumenta.
- O que está havendo com você? – Dewey a desconhece.
Porém, outro enjôo a faz correr para o banheiro.
- Isso responde a sua pergunta? – reclama Gale.
Dewey arquea a sobrancelha.
- Você já foi ao médico? – Dewey indaga curioso.
- Ah... sim... já fui... e ele falou que estes enjôos é devido por causa de alguém que não se preocupa comigo! – alfineta Gale.
- Não precisa ficar brava... ta bom... vai se arrumar... eu te levo agora mesmo no médico! – Dewey afirma.
Gale nem ousou responder. Trocou de roupa, pegou sua bolsa e foi acompanhada de Dewey.
Pelo caminho, ficaram em silêncio por alguns minutos.
- Você descobriu alguma coisa sobre a morte de Melissa? – Gale pergunta quebrando o gelo.
- Só que Bruce estava saindo com ela... – Dewey responde sem ao menos olhar para ela.
- O que? – Gale pergunta intrigada.
- O Bruce estava saindo... – nem termina de falar.
- Eu ouvi... por que será que ele escondeu isso? – Gale se interessa.
- Não sei... parece que não estavam namorando! – Dewey argumenta.
- Estranho... e os amigos dele sabem disso? – Gale pergunta cada vez mais interessada.
- Não tive a oportunidade de conversar com mais ninguém... – Dewey fala chateado.
- Você chegou a ver a Sidney? – Gale olha para Dewey.
- Não... mas não é ela que me preocupa! – Dewey confessa.
- Como assim? – Gale pergunta curiosa.
- Estou um pouco preocupado com Liz... – Dewey olha para Gale.
Gale permanece calada, como se estivesse pensando em algo.
- O que está pensando? – Dewey pergunta.
- Estou pensando que você não está prestando atenção, já que está indo para outro local que não é o hospital... – Gale da um longo suspiro.
Dewey percebe que Gale está certa. Estava tão distraído que já havia passado do hospital há muito tempo e nem se deu conta disso.
- Droga... – bufa de raiva.
Gale apenas sorri da expressão de Dewey.
Já no hospital, era a terceira vez que Gale ia ao banheiro. Aqueles enjôos estavam fazendo muito mal a ela. Já havia uma hora que estavam ali esperando serem chamados.
- Dewey faça alguma coisa... pelo amor de Deus! – Gale suplica.
- Pode deixar... já volto! – Dewey tenta. – Fique aqui! Qualquer coisa me chama! – Dewey preocupado.
Dewey vai até a recepção reclamar da demora no atendimento. Enquanto isso, o telefone de Gale toca.
- Alo... quem fala? – Gale fala inocentemente.
- Não sabia que uns enjôos te derrubariam, Gale! – fala uma voz rouca.
- Quem é você? – Gale se assusta.
- Alguém que mataria para saber onde está Elizabeth Taylor... – indaga a voz.
- Eu não conheço nenhuma Elizabeth Taylor! – responde amedrontada.
- Resposta errada... – fala a voz.
- Quem é você? – altera um pouco a voz.
- Ninguém pode salvá-la... você já está morta, Gale Weathers! – fala e desliga o telefone.
Gale estava apavorada, chorava muito. Dewey a abraça tentando confortá-la, ao mesmo tempo em que tenta saber o que aconteceu. Neste momento, ouve-se o nome de Gale sendo pronunciado no telão.
- Vem... está na hora! – Dewey a segura, levando para dentro do consultório médico.
Meia hora depois, saem do hospital. Haviam até se esquecido dos problemas que estavam passando.
- Não acredito... eu sou o homem mais feliz do mundo! – Dewey grita para que todos escutem.
Gale ri e tenta fazer com que ele pare.
- Seu bobo... não é nada demais... – Gale fala com sua simplicidade.
- O que? Você não está falando sério, está? – Pergunta Dewey abismado.
- Vou ser pai e, você me diz que não é nada demais! – Dewey não se contenta de tanta felicidade.
Gale tenta fazê-lo voltar para a realidade.
- Não sei se está lembrando, estamos passando por dificuldades... – Gale chama-lhe a atenção.
- Vamos superar juntos, meu amor! – Dewey não quer nem saber.
- Ele me ligou... – Gale confessa.
- Quem? – Dewey pergunta sem saber de quem Gale estava se referindo.
- O assassino! – Gale vai direto ao assunto.
- Quando? – Dewey tinha se esquecido. – O que foi que ele disse?
- Ele está procurando alguém chamada Elizabeth Taylor... – Gale afirma.
Dewey pensa um pouco e balança negativamente a cabeça.
- Não conheço... – responde e olha para a Gale esperando alguma coisa vinda de Gale.
- O que? – Gale argumenta.
- Você conhece? – pergunta Dewey coçando a cabeça.
- Claro que não... ou você se esqueceu que não sou mais aquela repórter de antigamente! – Gale fala meio descontente.
- O que mais ele falou? – Dewey pergunta curioso.
- O papo de sempre... você vai morrer... – Gale responde.
Dewey da um beijo em Gale e chegam ao local onde o carro está e vão embora.
Raquel já havia preparado o almoço e assistia um seriado na TV, quando o telefone toca.
- Alô... – fala sorrindo.
- Vejo que está feliz... – uma voz rouca saiu do outro lado da linha.
- Quem está falando? – Raquel pergunta curiosa.
- Me responde você! – argumenta.
- Com quem você quer falar? – Raquel começa a se assustar.
- Com você! – responde com a voz mais rouca.
- Quem é você? – Raquel tenta novamente.
- O que está fazendo? – a voz pergunta.
- O que? – Raquel faz de desentendida.
- Você gosta de filmes? – a voz pergunta avidamente.
- Não... não assisto essas porcarias! – Raquel vai direto ao assunto.
- Por que você acha que são porcarias? – argumenta a voz.
- Aquelas atrizes cheio de plásticas e silicones, lotadas de maquiagem... parecendo bonecas com a ajuda do photoshop... eu odeio... sem originalidade... – responde com sinceridade.
- E se você fosse a personagem principal de um filme? – pergunta curioso.
- Você só pode estar brincando... eu nunca seria mesmo por que eu não ia querer! – mostra irritação.
- Você daria uma ótima protagonista, apesar de que está mais para coadjuvante... daquelas que morre logo no início... – fala com determinação.
Raquel sentiu um frio subir pela espinha e ficou toda arrepiada.
- Do que está falando? – pergunta assustada.
- Você quer participar de um filme? – pergunta.
- Que filme? – estava trêmula.
- O meu filme! – ouve-se um riso medonho.
Nesta hora, Raquel larga o telefone assustada. Percebe que a televisão está desligada. Pega uma faca na cozinha e caminha vagarosamente até a sala. Não havia ninguém lá. Volta para o corredor e pega o telefone e se assusta quando ele toca novamente.
- Calma Raquel... – falou tentando se tranqüilizar.
Alguns minutos se passaram e aquela musiquinha continuava a tocar insistentemente.
- Alô... – falou com cautela.
- Você não respondeu se quer ou não participar do meu filme! – aquela voz rouca novamente.
- Me deixa em paz... – grita.
- Sabe o que mais gosto em um filme de terror? – continua.
- Não quero saber... – desliga o telefone.
- Sabemos das regras, mas não as usamos! – fala enquanto corre na direção da moça, que apavorada tenta se esquivar de qualquer jeito.
Corre batendo as portas, tentando atrasar o assassino que corre logo atrás dela com uma faca na mão. Grita, chora apavorada tentando se livrar das mãos desse psicopata, mas em vão. Ele pula em direção à ela, derrubando-a e a esfaqueando. Ela ainda tenta sair dele, mas se sente muito fraca e antes de desmaiar.
- Você não vai se safar dessa! – foi a última coisa que falou. Levou mais algumas facadas e sua respiração não pôde ser mais ouvida.
No outro dia pela manhã, uma multidão de curiosos se espremiam tentando ver o que havia acontecido naquela casa. Porém, vários rumores já indicavam que se tratava de outra morte.
Continua...
