Capitulo 3: Uma luz no fim do túnel
Sidney pôs-se a correr desesperadamente sendo seguida por ele, que tentava loucamente alcançá-la. Os gritos dela ecoavam por todo o prédio da faculdade, porém não havia ninguém por perto para ajudá-la.
Tentava abrir as portas, porém estavam todas trancadas.
- Droga... – Sidney apavorada continua correndo e, ao olhar para trás para verificar se ele continuava atrás dela, cai escada abaixo. Seus olhos custam a abrir, tentou se levantar apoiando com os braços, porém sentiu uma dor terrível em seu braço direito.
- Ai... mas essa agora... – nem termina de falar e vê o mascarado novamente indo a sua direção apressadamente.
Levanta-se esquecendo um pouco da dor e começa a correr novamente em direção à saída. Antes de abrir a porta olha para trás e vê que o assassino havia desaparecido. Sidney sai do prédio apavorada e segurando o braço.
- O que houve? – pergunta o vigia que acabara de chegar.
- O assassino... ele me atacou... – Sidney fala.
- O que? – pergunta abismado.
O vigia abre a porta, acende as luzes, mas não vê nada nem ninguém. Vira-se para Sidney.
- Você está bem? – preocupado.
- Eu vou ficar bem... – responde diretamente.
- O que está fazendo aqui? – pergunta curioso.
- Estava procurando uma pessoa... – responde Sidney.
- Você a achou? – continua.
- Não... – a expressão de Sidney não era nada amigável.
Sidney começou a caminhar em direção ao carro que estava estacionado um pouco à frente da faculdade.
Parou a poucos metros do carro, onde viu uma flor deixada por alguém em cima do mesmo.
- Mas, que diabos é isso? – Sidney estava totalmente confusa. Seu braço ainda doía muito, mas não tinha tempo. Tinha que achar Liz e o mais rápido possível.
Pensou um pouco e descobriu onde Liz poderia estar. Entrou no carro e seguiu para o local apressadamente.
- Eu queria tanto que vocês estivessem aqui comigo! – Liz chora em frente ao túmulo de seus pais.
Abaixa a cabeça e chora ainda mais.
- É tudo minha culpa... eu não voltei... é tudo minha culpa! – começara a relembrar de seu passado e a se lamentar das más escolhas que tinha feito.
Olhava atentamente para o túmulo de sua mãe e chorava, relembrando dos momentos que estavam juntas e felizes. O mesmo fez com o seu pai.
- O que será que aconteceria se eu tivesse voltado? – Liz pergunta.
- Nunca saberemos o que teria acontecido... – Sidney responde.
Liz olha para ela assustada com os olhos marejados e seu rosto molhado pelas lágrimas que teimavam em cair.
Sidney a abraçou e permaneceram por alguns minutos unidas pelo abraço.
- Estava preocupada com você! – Sidney argumenta.
- Desculpa... estava com medo... e, pensei que vindo aqui me sentiria melhor! – Liz retruca.
Sidney geme um pouco de dor, tentando não chamar atenção de Liz, mas em vão.
- O que aconteceu? – Pergunta assustada e preocupada.
- Nada demais... – tenta não fazê-la sofrer mais.
- Seu braço... foi ele não foi? – Liz olha diretamente para Sidney, que tenta disfarçar.
- Droga... eu não agüento mais! – Liz indaga com raiva.
Liz se levanta.
- Aonde você vai? – Sidney curiosa.
- Você tem que olhar este braço! – fala.
- Está tudo bem... – Sidney tenta confortá-la.
- Não... não está tudo bem! – Liz continua. – Mas vai ficar... assim que eu pegar este desgraçado! – Liz fala com determinação.
- O que pensa em fazer? – Sidney se assusta.
- Eu não penso em fazer... vou te levar no hospital! – Liz disfarça.
E as duas entram no carro e seguem para o hospital. Ainda no carro, Sidney liga para Dewey e avisa que encontrou Liz e que estão indo para o hospital.
Dewey e Gale já estão lá quando as duas chegam.
- O que houve? – Dewey pergunta preocupado.
- A Sidney esta machucada... – Liz vai direto ao assunto.
- Quando foi isso?– Gale se intromete.
- Fui procurar Liz na faculdade... ele me atacou! – Sidney responde.
- Você está bem? – pergunta Dewey.
- É só o meu braço... – balbucia.
Depois de meia hora se retiram do recinto, Sidney foi amparada pelo médico, que colocou uma bela de uma tala em seu braço.
- Eu não vou ficar com isso aqui não! – Sidney indaga se sentindo incomodada com aquilo em seu braço.
- Vai sim... nem que eu tenha que te amarrar... – Liz fala zangada.
Por um instante, os problemas são totalmente esquecidos e, eles brincam e riem juntos. Mas a realidade insiste em trazê-los de volta.
- Queria que fosse eu usando essa tala... não você! – argumenta Liz.
Sidney abafa um risinho e a abraça.
- Não se preocupe... é por pouco tempo! – Sidney afirma tentando convencê-la.
- Você melhorou Gale? – pergunta Liz curiosa lembrando-se da delegacia.
- Como assim? – pergunta Gale confusa.
- Você não estava passando mal? – refresca Liz.
- Ah... sim... não é nada demais! Não se preocupe... eu estou bem! – Gale fala, rezando para que fosse verdade.
Depois foram para a casa de Liz, onde conversaram sobre um monte de coisa, comeram alguma coisa e Dewey e Gale foram embora. Sidney achou melhor ficar com a amiga. Sendo assim, brincaram bastante com uma guerrinha de travesseiro que começou sem nenhum motivo e durou alguns minutos. Neste momento, Liz havia se esquecido do seu passado e dos problemas que a afligiam, assim como, Sidney pode lhe proporcionar um pouco mais de esperança e alegria. Eram duas crianças que não ligavam ou não se importavam com as conseqüências de suas brincadeiras, mas naquele momento era o que mais necessitavam: Uma da outra!
Logo pela manhã, o sol acordou radiante iluminando o quarto onde as duas ainda dormiam profundamente. Já eram nove e meia da manhã, mas nada de sinal de que iriam acordar. Estavam bastante cansadas, as noites anteriores não foram nada fáceis para as duas, tinham que aproveitar momentos como esse para descansarem.
Dewey e Gale estavam ficando preocupados com as duas que não atendiam o celular, nem o telefone de casa. Havia, mais ou menos uma hora que eles estavam tentando falar com as duas, mas não conseguiam.
No final, Dewey muito preocupado vai juntamente com Gale até a casa de Liz. Porém, para na porta e pensa se deve mesmo bater.
- O que está esperando? – Gale pergunta.
- Não sei... mas, se aconteceu alguma coisa? – Dewey começa a ficar aflito.
- Não aconteceu nada... – Gale fala invicta.
- Como você pode ter certeza? – Dewey pergunta desconfiado.
- Pois se tivesse acontecido, com certeza elas ligariam... – Gale responde.
Tocam a campainha, mas somente na quarta vez é que Liz desce toda desarrumada e abre a porta.
- O que houve com você? – Gale pergunta espantada ao vê-la naquele estado.
- Nada... é só que acabei de acordar! – Liz responde esfregando o olho.
Gale olha furiosa para Dewey.
- Como eu ia saber? – fala inocentemente.
- Vocês acordam cedo, hein! – Liz fala sem se dar conta de que horas são.
- Não é cedo... – Dewey fala.
- Já são onze horas da manhã! – interrompe Gale.
Liz arregala os olhos.
-Nossa... nunca dormi tanto na minha vida! – ela ri.
Sidney desce logo em seguida, mas antes de aparecer na cozinha.
- Sidney... temos visitas! – Liz grita para a amiga.
Sidney retorna para o quarto, onde troca de roupa e se arruma um pouco,
- Qual problema? – Dewey pergunta.
- Todos... – Liz olha para Dewey e Gale, que riem.
- Desculpe... – fala Dewey sem graça.
Alguns minutos, Sidney desce e se junta com Liz e os outros que tomam um café preparado por Liz.
- Bom dia... – Sidney cumprimenta.
- Você quer dizer boa tarde né? – Liz ri.
- Que horas são? – pergunta Sidney totalmente fora de si.
- Já passam das 12h... – Dewey responde.
Sidney faz aquela cara de tanto faz.
- E você Gale... como está? – pergunta curiosa.
- Vocês andam muito preocupadas comigo ultimamente... – Gale argumenta rindo.
- Pensei que ficaria feliz por isso! – Liz indaga.
Gale ri tomando mais um gole de café.
- O café ta maravilhoso! – tenta mudar de assunto.
- Obrigada... – agradece Liz.
Estava tudo a mil maravilhas, até que Liz já em seu quarto recebe uma mensagem no celular.
"Ainda não acabou... na verdade ainda nem começou... vai chegar a hora... e vou adorar vê-la sofrer... aproveite enquanto pode, pois seus dias estão contados... As: Você sabe quem."
Liz largou o celular assim que acabou de ler a mensagem. Parece que o seu conto de fada acabara de se tornar um pesadelo. Trocou de roupa e foi em direção a sala, parou antes de descer e ficou observando seus amigos.
- Eu não posso deixar ninguém morrer... principalmente meus amigos! – pensou.
Sentia-se totalmente vulnerável e frágil, mas não podia mais ficar só olhando as pessoas em sua volta morrer, por que um psicopata está a sua procura.
Voltou-se ao seu quarto, tentando pensar em alguma solução.
- Acho que tem uma arma por aqui! – lembrou.
Começou a procurar em todos os lugares, até ver uma caixa vermelha.
- Mas, o que é isso? – não sabia ou havia se esquecido daquela caixa.
Ao abri-la, viu se tratar das coisas de sua mãe. Cartas, mensagens deixadas por ela.
Os olhos de Liz brilharam e ela sorriu ao se lembrar de sua mãe. Sentia-se protegida quando pensava nela.
"Querida filha,
Quero lhe dizer que você é mais forte do que imagina. Cada um tem o seu propósito. Queria estar ai com você, mas minha missão já acabou faz tempo, mas a sua ainda não. Não deixe que algumas pessoas destruam o que tem de mais importante: A esperança! Não tenha medo de enfrentar seus inimigos, use o que eles nunca imaginariam. E lembre-se sempre estarei com você. Busque em nós refugio para os seus medos! As. Sua mãe que te ama mais do que tudo nesta vida! Ah... mais uma coisa: Lembre-se que você nunca está sozinha!"
Aquelas palavras tocaram fundo em Liz. Era como se sua mãe soubesse o que estava por vir. Ao mesmo tempo, sentiu-se mais forte e mais decidida. Iria acabar com o cretino que estava fazendo-a sofrer. Mas não ia sozinha. Como sua mãe disse, não estava sozinha e iria precisar de toda ajuda possível.
A sua confiança estava intacta, desceu as escadas.
Sidney notou algo diferente em Liz, principalmente o jeito de ela olhar e pelo modo com que pronunciava as palavras.
- Você está bem? – pergunta Sidney desconfiada.
- Sim... – responde resoluta.
- Você está diferente? – continua Sidney.
- Eu me sinto diferente... – Liz sorri.
Enquanto conversavam, Dewey recebe um telefonema da delegacia.
- O que aconteceu? – Gale pergunta eufórica.
Sidney e Liz ficam em silêncio e viram-se para Dewey, que estava pálido igual a um fantasma.
- O que houve? – Sidney pergunta assustada.
- O assassino atacou novamente?- Liz pergunta, quase já sabendo a resposta.
Dewey somente balançou positivamente a cabeça.
- Quem? – Liz pergunta.
- Encontraram o corpo dentro da faculdade... tinha marcas de facadas... – Dewey nem terminou de falar.
- Quem? – grita Liz.
- O estudante de medicina Marlon Shutz! – mais uma vez, o assassino foi em um dos amigos de Liz.
Uma lágrima brotou em seus olhos e, ela não consegue conter o quanto estava sofrendo com aquilo tudo.
Sidney tenta confortar a amiga, mas não consegue falar nada, somente a abraça.
Gale sente mais um enjôo e corre ao banheiro e, não consegue segurar as lágrimas que teimam em cair.
- Eu vou até a delegacia... – Dewey interrompe.
Sidney consente com a cabeça.
- Tomem cuidado... por favor cuidem da Gale! – Dewey suplica.
Sidney e Liz não entendem muito, mas consentem e procura por Gale.
- Gale? Onde você está? – Sidney chama por ela.
Gale tenta limpar um pouco das lágrimas que escorrem pelo seu rosto, mas não antes de ser vista por Liz.
- Você está bem? Está chorando! – indaga.
- Não é nada... – Gale tenta disfarçar.
- Não faz mal chorar... e, alias, chorar faz bem! – Liz tenta consolá-la.
- Eu não sei o que está havendo comigo! – Gale confusa.
- Eu sei como é... quando se está desse jeito, ficamos mais sensíveis! – Liz explica.
- Como assim? Desse jeito como? – Gale fica ainda mais confusa.
- Eu sei que você está grávida Gale! Não precisa esconder... – Liz revela.
Gale se engasga com a própria saliva.
- Mas... mas... como você sabe disso? – Gale fica atônita.
Liz sorri.
- Foi o Dewey, não foi? – pergunta Gale. – Eu falei com ele para não contar... – Gale não termina de falar e é interrompida por Liz.
- Não... não foi ele! – revela.
- Então... como você sabe? – pergunta Gale curiosa.
- Estes enjôos que você vem sentindo... a sensibilidade a flor da pele... seu cabelo está diferente assim como sua pele! – Liz abafa um risinho.
Gale estava boquiaberta. Ficava se perguntando como Liz sabia daquilo tudo.
- Como você sabe disso tudo? – pergunta uma Gale curiosa.
Liz se entristece ao se lembrar de sua mãe. Ninguém sabia que ela estava grávida quando morreu. Apenas seu pai e ela, estavam super felizes com a noticia. Finalmente Liz teria um irmãozinho ou uma irmãzinha, mas aconteceu tudo aquilo e, ela, além de não ter um irmãozinho ou irmãzinha, perdeu sua mãe e seu pai.
- Tudo bem? – pergunta Gale preocupada.
- Sim... – disfarça Liz.
Nesta hora, Sidney chega e interrompe as duas.
- Vocês precisam ver isso! – chama.
Gale acompanha Sidney e logo atrás Liz as acompanha.
No noticiário informava que os policiais prenderam o assassino mascarado. Sidney e Gale vibraram de alegria. Liz também queria vibrar, mas algo dentro dela falava que ainda não havia acabado.
Foi até seu quarto, pegou um retrato de sua mãe e seu pai juntos e tentou buscar inspiração e força.
Continua...
