Capitulo 4: Esperança
- Eu ouvi falar que pegaram o assassino, mas ainda estou com dúvidas sobre isso! Por favor, me ajudem... eu preciso de vocês mais do que tudo agora! – sempre quando Liz se sentia só buscava refúgio nas lembranças de seus pais.
Ela se abraça com o porta - retrato e permanece assim por alguns minutos, até que um bip a traz de volta para a realidade. Uma mensagem no celular.
"Como é fácil enganar a todos... mas vejo que você, de alguma forma, sabe que não acabou... você é esperta... festejem enquanto podem... seus pais não podem te ajudar agora... sabe por que ? Por que esles estão mortos... eu os matei! Assim como eu vou acabar com você, Liz...".
Aquilo deixou Liz em estado de choque, mas teve que disfarçar logo que Gale e Sidney entraram em seu quarto.
- Você está bem? – pergunta Sidney mostrando preocupação.
- Sim... falou enquanto apagava aquela mensagem.
- Acabou... finalmente acabou! – Gale falou sorrindo.
Liz tentou sorrir.
Já havia se passado dois dias desde aquela noticia da prisão do suposto assassino, mas Liz sabia que ele ainda estava solto e só esperando o momento certo para atacar. Somente Liz, Dewey e a própria Gale sabiam da nova pessoinha que estava se formando dentro de Gale. A vontade de Liz era também contar para Sidney, mas não podia, havia prometido a Gale que não ia fazê-lo.
- Eu não entendo... por que você esta escondendo isso de todos hein? – Liz pergunta sem entender.
- Eu só quero esperar o momento certo... – retruca Gale.
- Só não demore muito... daqui a pouco sua barriga vai começar a aparecer! – Liz argumenta.
Gale sorriu e assentiu com a cabeça. Liz permaneceu pensativa olhando para Gale, que passava suavemente sua mão sobre a barriga.
A noite, Sidney e Gale foram até o supermercado, pois faltavam muita coisa na casa de Liz.
- Graças a Deus isso acabou... – Gale começa.
- Eu ainda tenho minhas dúvidas! – Sidney confessa.
- O que está querendo dizer com isso? – Gale olha para Sidney,
- Nada... é só um pressentimento! – Sidney tenta acalmá-la.
- Como assim? - Gale continua. - Está querendo dizer que ainda pode ter mais mortes?
- Eu não falando isso... é só que eu não acho que tenha acabado! – Sidney fala e da um longo suspiro.
- Por que acha isso? – Gale pergunta enquanto pega um produto e coloca no carrinho.
- Acho que isso é uma distração... ele só está esperando a poeira baixar para atacar novamente! – Sidney vai direto ao ponto.
- Você acha que aquela noticia da prisão era falsa? – busca mais informações.
- Eu não falei isso... mas, cá entre nós, você não acha que foi fácil demais? – Sidney pergunta esperando resposta, porém Gale fica sem palavras.
- Se formos pensar assim... então pode ser que Liz ainda corre perigo! – Gale indaga arqueando a sobrancelha.
- E se ela corre perigo, conseqüentemente nós também! – revela Sidney.
Permanecem um tempo em silêncio. Ambas pensavam em alguma coisa, mas foi Sidney que quebrou o silêncio.
- Será que Liz já percebeu isso? – pergunta preocupada.
- Aquele dia ela estava muito estranha... era como se ela escondesse alguma coisa! – Gale relembra.
Sidney olha para Gale.
Nesta hora, o celular de Sidney toca, assustando-as.
- Alô... é você Dewey? – tenta.
- Oi Sidney... aqui não é o Dewey... responde sinceramente.
- O que você quer? – pergunta histérica.
- Eu não quero você... você sabe quem eu quero... – responde aquela voz rouca.
- Deixa a gente em paz, cretino! – grita.
Gale tenta ligar para Liz, sem sucesso.
- Se você encostar um dedo nela... – ameaça Sidney com raiva.
- Você não está em posição de fazer ameaças... – retruca.
- Eu vou te pegar... e vou adorar acabar com você! – Sidney da uma risada sinistra.
- Não se eu te pegar primeiro... – e desliga o telefone.
A esta altura, Gale estava desesperada tentando ligar para Liz ou para Dewey, mas ambos não respondiam ao seu telefonema.
- O que ele queria? - pergunta Gale curiosa tentando se acalmar.
- Vamos... temos que ir embora! – Sidney fala já puxando Gale pelo braço.
Liz tentava fazer um almoço. Muitas lembranças vagavam pelo seu mente. Lembrava-se de sua mãe e a forma que chamava para almoçar, do cheirinho da comida que invadia toda a cozinha e como ela brigava quando alguma comida era jogada no lixo. "Menina,nãopodejogarfora.Sabequantagentenãotemoquecomer?" Aquilo a fez sorrir brevemente.
O celular dela não parava de lhe chamar, aquele toquinho infernal fez com que ela voltasse a realidade. Pegou o telefone e viu que era Sidney.
- Olá... – falou sorrateiramente.
- Você está bem? – pergunta do outro lado da linha.
- O que aconteceu? – Liz começa a se preocupar.
- Liga pro Dewey e pede pra ele ir até ai... – Sidney pede.
- O que? Pra que? – Liz esta totalmente confusa.
Nesta hora Liz escuta um grande barulho do outro lado da linha e tenta continuar conversando com Sidney.
- Sidney? O que está acontecendo ai? – grita.
Liz escuta gritos e depois o silêncio.
- Ai meu Deus! Sidney? – tenta novamente.
Liz desliga o telefone e liga para Dewey desesperadamente.
- Dewey, por favor, vem pra cá... – falou quando ele atendeu ao telefone.
- O que está havendo? – tenta saber.
- Aconteceu alguma coisa... vem pra cá rápido! – Liz fala chorando.
Alguns minutos se passaram sem ter nenhuma noticia de Sidney ou Gale. O celular das duas estava desligado e Liz já estava impaciente pela demora de Dewey.
Aquele porta - retrato era a única companhia de Liz naquele momento e, ela se abraçou nele tentando buscar forças. Sua respiração ofegante e seu coração acelerado eram os únicos sons que podiam ser ouvidos naquele recinto.
Liz rezava, não sabia mais o que fazer. Estava de mãos atadas e para piorar, estava sozinha.
O telefone começou a tocar. Liz por um instante ficou com receio de atender, mas lembrou-se de que podia ser Sidney, Gale ou Dewey.
Pegou o telefone e, depois de alguns segundos atendeu.
- Alô... – sua voz quase não saiu.
- Alô... – Ela ouviu sua voz do outro lado da linha.
- Quem fala? – perguntou.
- Quem fala? – repetiu-se.
- Sidney é você? – tentou.
- Não! – respondeu uma voz grossa.
Seu corpo ficou trêmulo, e o telefone quase caiu de sua mão.
- O que você quer? – pergunta apavorada.
- Adivinha? – brinca.
- Quem é você? – começa a chorar desesperada.
- Não está conhecendo minha voz? – argumenta.
Liz da uma olhada na bina e verifica o número. Da um longo suspiro de alivio.
- Você pode ser preso por essa brincadeira, David! – responde.
- Droga... – grita chateado.
- Eu não acredito que fez isso... – Liz resmunga.
- Desculpa... é só que não tem nada pra se fazer nesta cidade! – David reclama.
- Duvido! Vai procurar algo pra fazer, mas longe de mim viu? – avisou Liz, com uma voz de que não estava de brincadeira.
- Credo... você está bem? – preocupa-se David.
- Vou ficar se parar de ficar me importunando! – indaga.
- Ta bom... vou te deixar em paz! Acho que vou assistir a um filme... me sugere algum? – pergunta.
- Que tal Branca de Neve e os sete anões? – Liz sorri. – Tchau... – e se despede antes de desligar o telefone.
Nesta hora, a campainha toca. Era Dewey.
- Oi... o que está acontecendo? – pergunta um pouco preocupado.
- Eu não sei... não consigo falar nem com Sidney e nem com Gale! – confessa Liz.
- Quando você falou com elas? – Dewey pergunta.
- Sei lá... a mais ou menos uma hora atrás! – falou Liz na dúvida.
- E onde elas estavam? – estava realmente preocupado.
- Elas estavam vindo pra cá! – responde e continua. – Mas...
- Mas o que? – Dewey se assusta.
- Eu ouvi um barulho e depois não ouvi mais nada! – Liz revela.
Dewey coça a cabeça e sua expressão muda drasticamente para preocupado. Tenta ligar para Gale, mas seu telefone está desligado.
Liz já estava aflita, sabia que tinha um assassino solto lá fora e suas duas amigas estavam incomunicáveis e desaparecidas.
Liz lembrou-se de David.
- Será que ele sabe de alguma coisa? – pensou alto.
Já foi saindo, sendo seguida por Dewey.
- Aonde vai? – pergunta curioso.
- Vou à casa do David e depois da Stacy e do Bruce... talvez eles saibam de algo... se não, pelo menos eles podem nos ajudar! – fala Liz entrando no carro.
Dewey a acompanha e partem rumo a casa de David, que a esta hora assisti a um filme todo animado. Na melhor parte do filme, a campainha toca.
- Droga... é sempre na melhor parte! – reclama enquanto se levanta e vai até a porta.
-Olá... – fala sem jeito.
- Pensei que não queria me ver! – David arquea a sobrancelha.
- Estamos com problemas... – Dewey indaga.
David olha para os dois e percebe a aflição em que se encontram.
- Sidney e Gale sumiram... não conseguimos falar com elas! – Liz vai direto ao ponto.
- Você tem alguma noticia? – Dewey pergunta esperançoso.
A expressão de David muda, a seriedade toma conta de sua face, ao mesmo tempo em que, um gélido calafrio passa por sua espinha.
- Como assim sumiram? – pergunta receoso.
- Não conseguimos falar com elas! – Dewey fala desesperado.
Liz então conta como e quando foi a última vez que se falaram, deixando o garoto cada vez mais preocupado. Não que Sidney ou Gale fosse suas melhores amigas, mas tinha um apreço por elas, por causa de Liz. David guardava um sentimento dentro de seu coração em relação a ela, nunca havia falado com ninguém.
- Calma... vamos encontrá-las... – tentava.
- Não podemos perder as esperanças! – continuava tentando levantar o astral deles.
Liz somente o abraçou e aquilo o pegou de surpresa. Apesar disso, ele retribuiu o abraço e naquele momento pensou o quanto queria ficar junto dela. Mas o tocar da campainha os despertou novamente.
Eles se entreolharam meio sem graça.
- A campainha... – Liz também sentia uma atração muito forte por ele. Talvez seja por que ele foi o seu primeiro amigo e o que a recepcionou naquela cidade. Ele sempre foi muito gentil e muito carinhoso com ela. Sempre prestativo e alegre, sempre tentando animar a galera. Era considerado o mais animado do grupo e, não era pra menos, já que sempre inventava festas e comemorações sem nenhuma data especial.
Dewey apenas sorriu pra ela, quando David saiu para atender a porta. Poucos minutos depois ele volta sendo seguido por Stacy e Bruce.
Todos se cumprimentam e, então os visitantes são informados do desaparecimento de Sidney e de Gale.
- Ai meu Deus! – Stacy coloca a mão sobre a boca mostrando surpresa.
- Não acredito... vocês têm certeza disso? – Bruce pergunta não querendo entender.
Liz então novamente conta como foi a sua última conversa com Sidney.
Ficam em silêncio e assim permanecem por alguns minutos, só se escutando a respiração de cada um.
O telefone toca e todos se entreolham assustados. Ninguém queria atender ao telefone, temiam ser o assassino.
- Alô... – fala Liz assim que atende ao telefone.
Não há resposta.
- Quem é? – tenta chamar atenção.
Mas o telefone estava mudo.
- Quem é? – todos perguntavam ao mesmo tempo.
- O telefone está mudo! – revela Liz.
As luzes se apagam, deixando todos cada vez mais assustados.
- O que está acontecendo? – Stacy pergunta quase gritando.
David vai até uma gaveta no armário da cozinha e pega uma lanterna e tenta verificar o que está acontecendo.
- Onde fica o relógio central? – pergunta Bruce.
- Acho que fica do lado de fora da casa! – responde sem saber ao certo.
Bruce vai em direção a porta.
- O que está fazendo? – Liz pergunta.
- Vou ver se o relógio está funcionando... – fala Bruce virando-se para a porta novamente.
- Você é doido! Não sabe que é nesta hora que o assassino ataca... – fala Stacy roendo as unhas.
Bruce para com a mão na maçaneta, pronto para girá-la, mas é impedido pelo medo que lhe invade depois das palavras de Stacy. Pensa um pouco e volta para perto dos outros.
- E o que fazemos agora? Sentamos e cantamos uma musiquinha bem animada? – David brinca.
- Isso não é hora de brincadeira! – repreende Dewey.
Ficaram ali, um olhando para o outro sem saber qual o próximo passo a seguir. Liz não agüentando mais aquele suspense, resolve ir até a porta.
E antes que alguém pudesse falar algo, ela já havia aberto. Todos se assustaram com o susto que a Liz levou ao ver Gale e Sidney paradas na entrada da casa.
- Sidney? Gale? – fala surpresa.
- Vocês estão bem? – pergunta enquanto as ajudam a entrar na casa.
Estavam sujas e exaustas. Dewey foi até Gale e a abraçou forte, chorando de alivio.
- Graças a Deus... vocês estão bem! – fala Dewey suspirando.
Liz da um forte abraço em Sidney que retribui.
- Onde estavam? – pergunta Bruce curioso.
- Estávamos preocupados com vocês! – Stacy confessa.
Então, Sidney conta o que elas haviam passado, desde o ataque do ghostface, passando pelo acidente e depois acabando nas horas de angústia que tiveram que passar para se esconderem do assassino.
Liz sofria com cada palavra que Sidney pronunciava. Pensava na dor e no desespero delas para tentar fugir do mascarado psicopata. Lembrava de Gale e logo vinha em sua mente a maternidade e sofria ainda mais com isso. E mais que depressa seus pensamentos iam mais além: Em sua mãe. O quanto ela fazia falta e, naquele momento abraçá-la era o que ela mais queria.
No outro dia, Sidney e Gale já estavam recuperadas do dia anterior e tomavam café calmamente junto com Dewey e Liz, que permanecia em silêncio com a cabeça baixa.
- Você está bem? – Sidney pergunta preocupada, percebendo o quanto Liz estava diferente.
Liz somente balançou positivamente a cabeça.
- Se for por causa de ontem... – Gale tenta.
Uma lágrima cai sorrateiramente na mesa, mostrando que Liz estava sofrendo muito com tudo isso. Sidney foi até ela e a abraçou.
Continua...
