Capitulo 5: Reviravolta

- Não fique assim... você não tem culpa de nada! – Sidney tenta confortá-la.

- É claro que tenho culpa... pessoas estão morrendo por minha causa! – o choro agora era ouvido por toda a casa.

- Não... você está errada! – Sidney indaga.

Liz olhou para ela e depois olhou para Dewey e para Gale, que estavam em silêncio.

- Vocês quase morreram ontem... e eu não fiz nada! – Liz retruca.

- Estamos aqui... e vamos ficar aqui! – Sidney fala com determinação.

- Como pode ter tanta certeza? – Liz pergunta duvidosa.

- Vamos pegar este desgraçado! – Sidney fala e olha esperando apoio dos amigos.

- É isso ai... vamos acabar com ele! – Dewey fala.

Gale somente sorri olhando para Liz.

- Obrigada! – Liz agradece o carinho que está recebendo de seus amigos.

- Eu não vou agüentar se alguma coisa ruim acontecer a vocês! – todos ficam surpresos ao ouvir isso.

Sidney a abraça novamente.

- Não vai acontecer nada com ninguém! – Sidney da um breve sorriso.

Queria acreditar nisso tão quanto Liz acredita, mas sabia que muitas vezes o destino não está em nossas mãos.

Não tinham nada para fazer. As aulas foram suspensas por causa desses assassinatos e, muitas pessoas estavam com medo de ir trabalhar ou mesmo sair de casa.

Na delegacia, as investigações estavam a todo vapor, mas ainda tinham somente pistas e nenhum suspeito.

Um pouco mais distante dali, estavam Stacy, David e Bruce estavam sentados no banco da praça. Já estava escurecendo, mas nem faziam menção em ir embora.

- Alguém tem noticia da Liz? – Stacy quebra o silêncio.

- Ela está sendo forte... – Bruce responde meio sem saber o que dizer.

- Ela tem que ser... eu fico um pouco mais aliviado por saber que ela não está sozinha! – David fala.

Os outros dois sorriem.

- Acho melhor irmos embora... já está escurecendo... – Stacy fala com medo.

- Fique calma... não vamos deixar nada acontecer com você! – David ri. – Não é Bruce?

Bruce balança positivamente a cabeça e a abraça por um instante.

- Tá bom... mas quem vai proteger vocês? – indaga arqueando a sobrancelha.

David e Bruce se entreolham.

- Tem razão... melhor irmos embora! – David fala apressado.

Bruce não diz nada, mas também não reclama e acompanha os dois saindo do parque, indo em direção a casa de Stacy.

Em seguida, seguem cada um em uma direção, atentos a qualquer movimento suspeito.

Liz, Sidney e Gale tentavam pensar em alguma coisa para fazer, estavam totalmente entediadas. Dewey foi para delegacia e lá ficou.

- Não tem nada para fazer! – exclamou Liz entediada.

- Não olhe para mim! – Sidney retruca.

- Também não sei o que podemos fazer! – Gale reclama.

Liz com cara de poucos amigos levanta-se e vai em direção ao seu quarto.

- Aonde você vai? – Sidney pergunta.

- Vou para meu quarto... – Liz responde sem olhar para trás.

Sidney e Gale se entreolham sem entender o que se passa na cabeça de Liz.

No seu quarto, Liz se joga na cama e fecha os olhos tentando esquecer-se de todos os problemas que está se passando perto de ti, mas é quase impossível. Cenas passam em sua cabeça, cenas que ela preferiria apagar de sua mente. Chora de dor, desespero, medo e fica assim até cair no sono.

Sidney e Gale ficam em completo silêncio por longas horas, cada uma pensando no que fazer até que Gale quebra o silêncio.

- Não sei não... parece-me que ela está muito perto de dar um ataque! – Gale exclama.

Sidney coça a cabeça pensando em alguma coisa.

- E se sairmos daqui? – propõe Sidney.

- Como assim? –Gale indaga assustada.

- Sei lá... irmos pra um lugar que esse psicopata não possa achá-la! – fala.

- Pra onde? – Liz responde e assusta Gale e Sidney, que não esperava por ela tão cedo.

- Você está bem? – Sidney pergunta.

- Sim... mas, você não respondeu a minha pergunta! Pra onde? – Liz pergunta novamente, esperando uma resposta.

- Eu só pensei que... – Sidney tentou argumentar.

- Eu sei que estão preocupadas comigo e, eu agradeço por isso! Mas, vocês não entendem... – Liz deu uma pequena pausa.

- O que tem pra entender? – Gale interrompe.

- Não adianta... eu posso ir pro outro lado do mundo, mas de alguma forma ele vai me encontrar e, o pior... – Liz suspirou fundo. – Ele vai matar todos por minha causa! – Liz abaixa a cabeça, porém desta vez não chora.

Sidney olhou para Gale sem saber o que falar. Liz apenas sorriu, um sorriso amarelado, meio forçado.

Na casa de Bruce estava tudo muito calmo. Já havia tomado seu banho e assistia desenho na televisão. Uma musiquinha irritante começou a tocar incessantemente.

- Mas, o que é isso? – Bruce pergunta pra si mesmo.

Alguns segundos depois lembrou-se de seu celular.

- Droga... meu celular... onde é que eu coloquei! – xinga enquanto vasculha a casa procurando seu celular que não parava de tocar aquela musiquinha chata que David havia colocado como toque.

- Eu vou matar o David quando encontrá-lo! – resmunga.

Depois de alguns minutos, finalmente encontra o aparelho.

-Não me lembro de tê-lo deixado aqui! – pensa tentando lembrar.

- Alô... – fala tentando escutar alguém do outro lado da linha.

- Bruce, preciso que venha pra cá imediatamente! – quase não se escutava, de tão baixo que estava falando.

- Quem está falando? – Bruce pergunta preocupado.

- Droga Bruce... ele está aqui! – fala desesperado.

- Quem é? E quem está ai? – Bruce tenta novamente. Estava totalmente confuso.

- Sou eu o David... – responde.

Bruce por um momento pensou.

- E se você estiver blefando e querendo que eu vou ai só pra me matar! – Bruce argumenta.

- Sou eu... tem que acreditar em mim! Olha o número... – David fala ainda mais desesperado.

- Seu idiota... você acha que eu iria ligar pra você se não fosse nada? – David indaga.

Algo dentro de Bruce falava que David estava falando a verdade. E mais do que depressa correu até a casa do amigo que ficava a dois quarteirões de sua casa. Porém, antes de sair de casa pegou um bastão de baiseball para se defender de algum possível ataque.

- Devo estar ficando louco de ir até lá... – pensou.

Parou na porta, criando coragem para abri-la.

- Agora se isso for uma brincadeira dele... – mas nem terminou de falar e ouviu gritos.

Abriu a porta com tudo preocupado com o amigo, nem sequer lembrou-se que também corria perigo estando ali.

A casa estava revirada, mas não havia ninguém ali.

- David? – gritava meio abafado com medo de que o assassino o escutasse e aparecesse bem a sua frente.

Estava atento a qualquer movimento ou a qualquer barulho. O medo tomava conta de seu ser. Caminhava lentamente pelos cômodos da casa procurando pelo seu amigo.

- Cadê você... droga! – gritou.

Nesta hora, David pulou em sua frente, fazendo com que Bruce soltasse um grito e levasse um tombo pelo susto.

- Estou aqui... e meu nome não é Droga! – falou rindo da expressão de Bruce.

- Você é um idiota mesmo sabia! – Bruce comenta indiferente.

David continuou rindo, enquanto caminhava até a cozinha.

- O que você tem nessa sua cabeça, hein? Titica de galinha? – Bruce indaga furioso.

- Calma velho... é só uma brincadeira! Não gosta de brincadeiras? – David tenta acalmá-lo.

Bruce somente bufa de raiva.

- Eu ainda não sei por que continuo falando com você! – reclama.

- Vai dizer que não gostou? Bastante original! – David argumenta.

- Original vai ser quando você realmente precisar e não tiver ninguém para te ajudar... – Bruce tenta abrir os olhos de seu amigo.

- O que foi? Está com medo? – David pergunta.

- E não era pra estar? Estamos numa situação difícil... ou será que ainda não percebeu? – Bruce retruca.

- Você tem que deixar de levar as coisas tão a sério! Viva a vida! – filosofa.

- Estou tentando... mas eu não quero ser estraga prazeres... mas se você não sabe tem um assassino a solto por ai... ele pode estar em qualquer lugar! – Bruce tenta trazê-lo para a realidade.

- O seu maior problema é preocupar demais com as coisas... – fala indiferente.

- Não estou te entendendo... pessoas estão morrendo! – Bruce grita.

- Ah... pessoas morrem todos os dias! – David ri.

- Você nem está se importando com os nossos amigos que morreram, não é? – Bruce arquea a sobrancelha.

- Desde que não seja eu! – David nem sequer olha para Bruce.

- E o que você me diz da Liz? – Bruce pergunta.

Nesta hora, David olha para Bruce sem entender.

- O que tem ela? – David pergunta afoito.

- Tudo! Ou também você não está enxergando isso? – Bruce fala.

- Eu não sou cego... o que eu to querendo dizer é que... o que Liz tem haver com isso? – David bebe o suco em uma golada.

- To vendo que to conversando com um asno! – Bruce reclama e da um leve suspiro, tentando ter um pouco de paciência.

David somente abafa um risinho, enquanto pega um pouco mais de suco, oferecendo um pouco ao amigo.

- A Liz é a causa disso tudo! – Bruce vai direto ao assunto.

David fita o amigo por alguns segundos tentando digerir tudo aquilo.

- Como assim? – David pergunta.

- O assassino está atrás dela! Vai dizer que não sabia? – Bruce responde e pergunta em seguida.

David balançou negativamente a cabeça.

- Por quê? – David ficou de costas para Bruce.

Bruce começa a desconfiar das atitudes de seu amigo.

- Em que mundo que você está vivendo? – pergunta Bruce, porém é interrompido por uma facada na barriga.

David olha para Bruce e ri maldoso.

- Então... é você? – Bruce mal consegue falar.

E, assim, recebe outra facada nas costas.

- Sabe... cansei-me de ser o palhaço da turma! – fala e sorri.

- Não precisava fazer isso! – Bruce repreende.

- Não? Você sempre foi o melhor... eu é que fazia tudo, mas era você que as meninas gostavam... eu sempre era a sua sombra! Ficava sempre com as sobras... – esbravejou antes de dar mais uma facada em Bruce, que caiu no chão tentando ficar vivo, porém fechou os olhos e ali permaneceu inerte.

David por um momento não sabia o que fazer. Coçou a cabeça e começou a andar de um lado para o outro. Alguns minutos depois, carros de policia pararam na frente da casa e entraram sem pestanejar.

Dewey foi surpreendido por David, que chorava e estava desesperado.

- Ele matou o Bruce... não pude fazer nada! – David revelou ainda chorando.

Dewey tentou acalmá-lo e levou-o até a delegacia.

Nesta hora, David começou a despertar, sem entender o que se passara.

- Ei... acorda! – Bruce tentava acordá-lo de qualquer jeito.

David levou a mão à cabeça assim que acordou.

- Minha cabeça... o que aconteceu? – ficou branco de susto quando viu Bruce ao seu lado.

- Eu é que te pergunto... – Bruce argumenta sorrindo.

- Mas... mas... como você está vivo? – pergunta totalmente assustado.

- Do que está falando? – indaga Bruce.

A expressão de David estava totalmente confusa. Ainda sentia uma pequena pontada na cabeça.

- O que houve? – Bruce pergunta preocupado.

David pensa tentando buscar na memória suas últimas lembranças.

- Você me ligou dizendo que o assassino estava aqui... – Bruce nem terminou de falar, David foi relembrando o que aconteceu.

- Sim... estou me recordando... ele me atacou! – David fala.

- E onde ele está agora? – Bruce pergunta atento.

- Eu não sei... cai da escada e a partir daí não me lembro de nada... nem sei por que ele não me matou! – David retruca.

- Talvez seja por que eu cheguei e o assustei... – Bruce fala sorrindo para o amigo.

Conversaram mais alguns minutos e chegaram à conclusão de que seria melhor os dois ficarem juntos, então foram para a casa de Bruce. Pelo caminho David contou para o amigo o seu pesadelo.

- Então quer dizer que você me matou? – Bruce pergunta com a pulga atrás da orelha.

- Foi só um pesadelo... você é meu melhor amigo... eu nunca iria fazer isso com você! Fique tranqüilo... – aquilo o tranqüilizou um pouco, mas mesmo assim ficou atento as atitudes de David.

- E alias... eu não tenho coragem nem de matar uma formiga! – David quebra o silêncio.

- O que? – Bruce pergunta sorrindo.

- Mas isso será o nosso segredo ok? – David olha para o amigo.

Continuam caminhando até a casa de Bruce.

Liz revirava de um lado ao outro na cama, não conseguia dormir. Lembranças iam e viam em sua mente. Ficou assim por longas horas até finalmente cair no sono. Pesadelos atrás de pesadelos a perseguiam e, nisso ela suava e se revirava na cama, tentando escapar do mal que a assolava em seus sonhos, ou melhor, pesadelos.

Sidney e Gale compartilhavam o quarto ao lado e Dewey outro quarto mais afastado. Decidiram ficar por lá, fazendo companhia para Liz e, quem sabe protegê-la do assassino.

A noite foi bastante tumultuada, principalmente para Liz e Bruce, que também lutava com alguém em seus pesadelos.

A noite que parecia tranqüila foi perturbada por um grito que ecoou em toda a casa, assustando a todos que ali estavam e dormiam.

No quarto de Liz, tudo parecia normal, ao não ser o desespero da garota, que estava sentada em sua cama, com os olhos arregalados, a respiração ofegante e o coração completamente acelerado.

- O que foi? – Sidney e Gale foram as primeiras a chegar. Sidney deu um longo e forte abraço na amiga que se pôs a chorar incessantemente.

Dewey chegou logo após com a arma na mão, esperando alguma surpresa desagradável e, Gale pediu que ele pegasse um pouco d'água para Liz, que continuava assustada e tremendo.

- Foi só um pesadelo! – Sidney tentava acalmá-la.

Dewey chega com um copo d'água e oferece-o à ela, que quase o derruba de tanto que tremia.

Neste momento, alguma coisa é jogada quebrando a janela e assustando a todos. Liz que bebia a água se assustou tanto que apertou o copo tão forte em sua mão que ele quebrou a cortando. Dewey com sua arma aproximou-se da janela com cautela e constatou que não havia ninguém lá fora e, fez o mesmo na casa toda, enquanto Sidney e Gale faziam o curativo na mão de Liz, que não parava de sangrar devido ao corte.

- Não é pesadelo... é real! Ele está aqui... e vai me matar... vai matar a todos nós! – a voz de Liz quase nem saia de tanto medo que sentia.

Continua...