Capitulo 6: Na escuridão
- Acalme-se... estamos juntas e vamos continuar juntas! – Sidney tenta confortá-la.
Nesta hora as luzes da casa se apagam, aumentando o desespero de todos.
- Dewey? – Gale gritava sem parar preocupada.
Outro objeto foi lançado para dentro do quarto de Liz, porém este estava provido de um bilhete.
Com muita cautela, Liz se aproximou do objeto e se abaixou no intuito de pegá-lo. Dewey entrou no quarto apressado assustando as três. Liz colocou a mão no peito, esboçando segurar seu coração que lhe pareceu sair-lhe do peito.
- Desculpa se eu as assustei... não era minha intenção! – tenta se desculpar todo sem graça.
- Tudo bem... mas, então, descobriu alguma coisa? – Sidney pergunta esperançosa.
Dewey somente balançou negativamente a cabeça, arqueando a sobrancelha.
Liz ficou estática assim que acabou de ler o bilhete. Tentou falar algo, mas sua voz não saiu.
- O que foi? O que o bilhete diz? – Gale perguntava sem parar, percebendo a reação de Liz.
- Liz... você está bem? – Sidney pergunta preocupada.
Liz simplesmente estende a mão entregando o bilhete para Sidney, que o pega e lê, ficando no mesmo estado de Liz.
Gale e Dewey estavam preocupados, mas ao mesmo tempo curiosos para saber o que há de tão ruim para Liz e Sidney ficarem daquele jeito.
Logo após, Gale e Dewey pegam o bilhete e lêem, tendo a mesma reação das duas.
Ficaram assim por alguns minutos, até ouvirem um enorme barulho vindo da cozinha.
- Ahhh... – gritaram todos ao mesmo tempo.
- Ele está lá embaixo! – Liz fala com um fio de voz.
- Temos que sair daqui! – Dewey indaga olhando tudo ao seu redor, procurando uma saída.
Sidney e Gale fazem o mesmo e, Liz preocupada com os amigos sai do quarto sem ser notada e caminha até a cozinha.
- Se sou eu que ele quer... ele vai ter... só que não do jeito que ele espera! – pensa Liz decidida.
Parou na porta da cozinha, segurava firme o bastão de madeira que havia pegado na sala. E, antes de entrar, olhou para uma foto de seus pais e pensou: "Por vocês!".
A cozinha estava toda revirada, mas não havia ninguém lá. Liz caminhava vagarosamente e atenta a qualquer coisa, por meio da bagunça, quando foi brutalmente surpreendida pelo mascarado que se jogou em cima dela. A luta foi toda corporal, já que ambos haviam perdido suas armas.
Liz conseguiu se esquivar, dando um chute nos "países baixos" do mascarado, que urrou de dor, porém logo se recuperou recuperando sua faca e indo atrás da garota que correu em direção a sala.
Assim que entrou na sala foi atingido por diversos objetos que voavam em sua direção. O que ele pôde fazer foi tentar se esquivar, porém os seus reflexos eram terríveis, sendo assim, teve dificuldades e uma baita dor de cabeça, já que um vaso de vidro acertou-o bem na cabeça, fazendo-o cair no chão desacordado.
Apesar disso, Liz ainda tremia, não sabia o que vinha a seguir. Neste momento, Sidney a gritou.
- Liz? O que está acontecendo? – estava bastante preocupada.
Mas, o que Sidney pode ver foi somente o mascarado se levantando e indo com tudo para cima de Liz, que sem esperar foi surpreendida por ele indo diretamente ao chão e sentindo uma dor muito forte no abdômen.
Dewey apareceu na hora e começou a atirar, fazendo com que o mascarado fugisse.
Liz permaneceu imóvel, uma pequena poça de sangue começou a se formar e, por mais que tentasse colocar pressão, estava sem forças. Sidney correu até ela, colocando suas mãos sobre o ferimento que não parava de sangrar, enquanto Gale chamava por ajuda e Dewey voltava da cozinha, aonde tinha ido atrás do assassino.
- Por que você fez isso? – Sidney perguntou chorando.
Liz apenas sorriu.
Liz apenas sorriu. Um sorriso meio tímido e dolorido.
- Você tem que ficar acordada! – Sidney se desespera. – Dewey faça alguma coisa! – suplica.
Por mais que tentasse permanecer acordada, seus olhos teimavam em fechar-se. Suas lembranças aos poucos foram sendo repassadas diante de seus olhos. Parou em certo momento, quando sua mãe lhe falara algo, que havia se esquecido.
(OFF – Pensamento de Liz)
- Filha... quero que me prometa uma coisa! – sua mãe falava com a sua suave e embargada voz.
- Não, mãe... você não vai morrer! Por favor... agüente firme! – Liz chorava sem parar, enquanto passava suas mãos nos cabelos de sua mãe.
- Sinto muito por tudo que aconteceu... não era pra ser assim! Mas eu preciso que me prometa... – uma lágrima rolou em sua face.
Liz não podia acreditar no que estava acontecendo. Segurava sua mãe tão forte como se ela fosse fugir e, naquela hora era realmente o que estava acontecendo. Não conseguia conter o choro e o desespero de vivenciar esta cena terrível.
- Eu prometo... seja lá o que for... eu prometo! – Liz se deu por vencida.
- Promete que vai continuar sua vida, independente do que aconteceu aqui hoje... promete também que vai ser feliz... muito feliz... e, a última e principal coisa: Seja o que for pra acontecer, não tenha medo... enfrente e, não desista! – sua mãe deu um último suspiro e se foi.
(Fim do OFF – pensamento de Liz)
Liz estava totalmente fora de si, porém manteve firme a sua promessa, pelo menos estava tentando até aquele momento.
A primeira coisa que viu foi o teto do quarto onde ela estava não sabia ao certo onde era e, logo após viu Sidney dormindo encostada em uma cadeira ao lado de sua cama e de outros aparelhos. Foi ai que se deu conta de que estava no hospital.
Sentia uma dor e uma fisgada de leve em sua barriga, porém tinha um curativo enorme e, aos poucos foi se recordando o que havia acontecido.
De repente, a porta se abriu com força e fez aquele barulho assuntando Liz e, principalmente Sidney, que quase caiu da cadeira.
- Vim assim que soube! – David e Bruce entram no quarto, sendo seguidos por Stacy e o médico.
- Como você está? – pergunta Bruce demonstrando preocupação.
- Vou ficar bem... acho! – Liz fala meio tímida.
- Você deu muito trabalho hein mocinha! – brinca o médico.
Ela abafa um sorriso.
O médico a examina.
- E ai doutor, como ela está? – pergunta Sidney.
- Vai sobreviver... tem que ficar de repouso! – responde obsoleto.
- Pode ficar tranqüilo... se for contar conosco ela não vai fazer nada! – David fala.
O médico riu e se retirou.
- Preciso ir... outros pacientes me esperam! – falou e fechou a porta atrás de si.
- O que houve com vocês? – Liz estranhou os diversos machucados de ambos os garotos.
- Não foi nada... é mais uma brincadeira do David que não acabou tão bem quanto esperávamos! – Bruce mente para não preocupá-la ainda mais.
Liz fingiu que acreditou e deu um pequeno sorriso.
-E, onde estão Gale e Dewey? – pergunta Liz preocupada.
- Estão em casa! Precisamos descansar de vez em quando né? – Sidney passou sua mão na cabeça de Liz.
Liz arqueou a sobrancelha.
- Não se preocupe... afinal Dewey está com Gale e, não vai deixar nada de ruim acontecer a ela! – Stacy a conforta.
- Stacy está certa! – concorda Sidney. – É melhor você descansar um pouco, lembre-se do que o médico disse! – indagou.
- Precisamos de você bem! – completou David.
Liz balançou afirmativamente a cabeça, já fechando os olhos.
Enquanto isso, na delegacia o xerife Burkson e o detetive Carlson continuavam suas investigações sobre o psicopata que vem aterrorizando a pequena cidade, mas até então não havia nenhuma pista a respeito de quem poderia ser ou mesmo de onde ele estaria.
E, na casa de Gale e de Dewey estava tudo tranqüilo, acabaram de receber a ligação de Sidney dando noticias de Liz.
- Que bom que ela está bem! – Dewey falou.
- Ela é forte... muito mais do que parece! – afirma Gale.
- Sim, mas e você? – pergunta.
- O que tem eu? – Gale estranha a pergunta de Dewey.
- Como você está? – arquea a sobrancelha esperando a resposta.
- Você está querendo saber como eu estou ou como o nosso bebê está? – indaga Gale.
Dewey esboça um sorriso tímido e sem graça.
- Os dois, se assim achar melhor! – responde.
- Vou fingir que acredito... seu bobo! Estamos ótimos... ou melhor, o nosso bebê está ótimo, porém eu... – parou repentinamente.
- O que tem você? – pergunta Dewey preocupado, enquanto a observa de cima a baixo procurando algum ferimento.
- Não é isso... fico com raiva de tudo o que está havendo... tenho dó da Liz, que infelizmente tenha que passar por isso... sabe, queria que terminasse logo! – desabafou Gale.
Dewey a puxa e da um longo e forte abraço.
- Queria poder sumir daqui com você e só voltar depois que isso tiver fim! – retruca Dewey.
- Mas, você sabe que não podemos... temos que ficar junto com Liz... – rebate Gale se desfazendo do abraço.
- Eu sei... ajudá-la a acabar com esse desgraçado! – Dewey termina.
Gale da um selinho no marido que sorri timidamente.
- É por isso que eu te amo! – declara Gale.
- Por eu ajudar a Liz? – Dewey fica confuso.
- Não seu bobo... por você ser essa pessoa maravilhosa que és... sempre querendo ajudar a todos! – Gale confessa.
- Mas, Liz é minha amiga... é meu dever ajudá-la e, além do mais, sou policial... tenho a obrigação de proteger qualquer um que esteja em perigo! – Dewey passa a mão sobre a barriga de Gale e a beija suavemente. – Papai vai proteger você e a mamãe, ok? – fala baixinho como se estivesse falando com o filho ou filha que ainda está dentro da barriga de Gale. Gale observa o carinho e o jeito com que Dewey está lidando com essa nova situação e, aquilo a emocionou muito e deu-lhe a certeza de que ambos estavam prontos para esta nova etapa de suas vidas, ou seja, a maternidade.
Assim que David, Bruce e Stacy foram embora, Liz voltou-se para Sidney.
- Os adoro... apesar de tudo! – fala rindo.
- Como assim "apesar de tudo"? – pergunta Sidney confusa.
- Você não percebeu? – retrucou Liz espantada.
- Percebi o que? – a expressão de Sidney estava cada vez mais confusa.
- Eles até que mentem bem, mas, de longe não conseguem me enganar! – Liz afirma com veemência.
- Estamos falando da mesma coisa? Pois acho que estou boiando! – Sidney indaga cada vez mais confusa.
- Os machucados! – explica.
- Agora sim... mas, o que tem os machucados? – Sidney novamente se faz de desentendida.
- Eu sei que foi ele... – entristece Liz.
- Olha não se culpe por isso... – Sidney começa a falar, porém é interrompida por Liz.
- Não me culpar?Como é isso? Ele está atrás de mim! E todos que estão ao meu redor morrem, por quê? Por que é assim que tem que ser? Não... eu respondo... elas morrem por serem meus amigos ou próximos de mim! – uma lágrima brota tímida em seu olho.
Sidney não sabia mais o que falar ou o que fazer para tentar ajudar a sua amiga, que a cada dia que passa está pior com tudo o que está acontecendo.
- Eu não sei mais o que fazer! – confessou Sidney abaixando a cabeça.
Liz, então percebeu que estava sendo muito dura com a amiga e, principalmente consigo mesma.
- Não precisa... você já está fazendo tudo o que pode! – Liz tenta animá-la.
Sidney olha assustada para Liz.
- Muito obrigada por não me abandonar! – Liz vai direto ao ponto.
Lágrimas rolam pela face de ambas as garotas que se abraçam, demonstrando todo o carinho que uma sente pela outra e vice versa.
Já no outro dia, Liz estava bem melhor, apesar de não ter conseguido dormir bem a noite, mas isso ela não contou para ninguém. Havia sonhado. Sim... um sonho lindo e maravilhoso! Por um momento lembrara-se do sonho e se imaginara dentro daquele lugar lindo e tranqüilo, mas a realidade era muito diferente, muito mais bruta e cruel.
Depois de alguns minutos no paraíso, foi trazida de volta por uma noticia que estava passando na TV.
- O que houve? – perguntou sem entender o que se passara, já que havia perdido a maior parte da noticia.
Sidney com as mãos na boca demonstrava que o que quer que fosse, era terrível e Liz percebeu que tinha de ser forte, que ainda não havia acabado.
Sidney por um momento perdeu a voz, não queria ser a portadora de uma noticia assim tão terrível, mas não tinha outro jeito, ambas estavam sozinhas no quarto.
- O que houve? – Liz pergunta novamente, já esperando pela resposta. – Eu estou preparada, vamos... o que aconteceu? – grita desesperada para a amiga, que por sua vez, limpa as lágrimas que caem pelo seu rosto, tentando arrumar um jeito menos doloroso para contar.
- É que... – dá uma pequena pausa, da um longo suspiro e continua. – Bem... ontem à noite invadiram a delegacia... – fala com um fio de voz.
- Meu Deus... mas o que isso tem haver comigo? – Liz pergunta confusa.
- Bom, ainda não sabem, mas quem quer que seja, procurava documentos referentes a você! – Sidney fala olhando diretamente para a amiga.
- À mim? Que documentos? – pergunta Liz assustada, sem saber de quais documentos Sidney estava falando.
- Eu não sei ao certo... – indaga Sidney.
- O que mais aconteceu? – Liz pergunta.
Sidney tentava evitar que a amiga soubesse da última parte da noticia, mas sabia que era impossível, cedo ou tarde ela acabaria descobrindo.
- Encontraram algumas pessoas mortas... – a expressão de Liz era de muita dor e desespero. – Inclusive o xerife Burkson! – Sidney pôde ver o tamanho da dor que a amiga sentia ao ouvir esta última parte e, na intenção de confortá-la, abraçou-a fortemente sem dizer uma palavra.
Continua...
