Capitulo 9: Quando nem tudo é um mar de rosas
Gale rapidamente pega o telefone das mãos de Liz e fala com raiva.
- Olha aqui seu desgraçado, ve se deixa a gente em paz... – Gale estava realmente nervosa.
- Quem está falando? – o assassino fala sem saber de quem é aquela voz.
- Alguém que vai acabar com você! – fala e logo após desliga o telefone.
Liz continua chorando desesperada com as palavras que acabara de escutar. Gale vira-se para ela e segura sua mão.
- O que quer que seja que ele te falou, não acredite... ele só está querendo te fazer sofrer... – Gale fala tentando confortar Liz.
- Mas ele está certo... sou uma covarde! – Liz indaga.
- Não... você não é... ele está fazendo isso pra você acreditar nisso... mas não caia na armadilha dele Liz! – Sidney retruca.
- Você é mais forte do que isso! – continua Dewey.
- Você é a pessoa mais forte que eu conheço... – revela Gale.
Liz olha pra eles ali tentando ajudá-la e percebe que falam a verdade. Percebe que o assassino está conseguindo o que quer e, então decidi mudar.
- Vocês estão certos... – deu uma pequena pausa relembrando das palavras de sua mãe. – Não posso ficar aqui parada me fazendo de vitima... porque é isso que ele quer e, eu não vou dar esse gostinho pra ele! – Liz fala determinada.
- É isso ai... você sabe que pode contar conosco sempre! – Sidney fala sorrindo.
- E, além do mais, por mais que seja dolorido relembrar do passado... aconteceu o que tinha que acontecer! – Liz se entristece um pouco.
- Se quer saber... a morte de seus pais não foi sua culpa... – Dewey confessa.
Liz olha para ele com os olhos marejados.
- Qualquer mãe e qualquer pai fariam isso por qualquer filho! – Gale tenta animá-la.
- Eu sei... agora eu entendo! Sei que eles fizeram o que acharam ser o certo a fazer naquele momento... eles fizeram suas escolhas... – uma lágrima brota nos olhos da garota.
- E, eles escolheram te salvar... então, não deixe que sua vida acabe em vão! – Sidney a abraça.
- Não deixarei... lutarei até o fim! – Liz confessa determinada e decidida a fazer o que for preciso para continuar viva e acabar com o desgraçado que está destruindo sua vida.
Todos se abraçaram selando a verdadeira amizade que existe entre eles.
A noite chegou mansa e pacifica, nenhum incidente depois do telefonema e daquela conversa entre eles. Liz teve um pouco de dificuldade para dormir, mas finalmente, depois de virar de um lado para o outro na cama por longas duas horas, adormeceu. Sidney havia colocado um colchão ao lado da cama de Liz, onde já dormia há horas. E Gale e Dewey estavam no quarto ao lado.
Pela manhã, o cheirinho do café quente despertou Liz, que ao abrir os olhos percebeu que Sidney já não estava mais na cama ao lado. Sorriu, enquanto abria as cortinas, fazendo com que o sol iluminasse aquele quarto.
Depois de se arrumar, desceu até a cozinha e viu Gale e Dewey conversando alguma coisa e Sidney preparando algumas panquecas.
- Bom dia... acho que dormi mais do que a cama! Por que não me acordaram? – Liz pergunta.
- Bom dia... você estava dormindo tão gostoso que não quisemos atrapalhar! – Sidney indaga rindo.
Liz arquea a sobrancelha e ri.
- Estou faminta! – indaga Liz passando a língua na boca enquanto sente o cheirinho das panquecas.
- Calma... já estão quase prontas! – fala Sidney rindo da atitude de Liz.
Liz senta-se na mesa, juntando-se com Gale e Dewey, que não paravam de sussurrar um para o outro.
- Que vocês tanto conversam hein? Quero saber! – fala Liz curiosa.
Gale e Dewey se entreolham.
- Não é nada... – Dewey revela.
- Como não é nada? Desde que cheguei aqui vocês estão sussurrando um para o outro! Já sei... é algum segredo e, não quer nos contar... – Liz retruca.
- Não adianta... já tentei fazer com que eles me falassem o que é, mas nem sequer me ouviram... – Sidney confessa um pouco desconfiada.
- Desculpem... mas vocês vão saber na hora certa ok? – Gale fala tentando amenizar as coisas.
Liz balança positivamente a cabeça mostrando chateação e Sidney finalmente coloca as panquecas prontas à mesa e senta-se logo em seguida.
Todos começam a tomar o delicioso café da manhã preparado por Sidney e, Liz vendo aquilo tudo se lembrou de sua mãe. Estava feliz. Por um momento, pareceu que estava dentro de um seio familiar, tendo Gale e Dewey como seus pais e Sidney como sua irmã. Como se sentiu amada novamente naquele momento, queria que não terminasse nunca, mas sabia que todos tinham compromissos e não podiam ficar ali com ela.
- O que foi? Você está bem? – Sidney pergunta para Liz.
Liz se perdeu em seus pensamentos que até se esqueceu que não estava sozinha.
- O que? – ficou um pouco confusa. – Estou bem... só estava pensando em umas coisas! – responde.
- Umas coisas? –pergunta Gale. – E o que seriam? – pergunta.
- Nada demais... – Liz sorri.
A manhã passou tranqüila, sem nenhum incidente, ou melhor, quase sem incidentes, somente uma janela quebrada devido ao susto que as garotas levaram com uma brincadeira de Dewey.
- Não pensei que vocês fariam isso... – Dewey continua rindo da reação das garotas com a brincadeira.
- O que? – Sidney fica sem entender.
- Ele está falando da brincadeira de mais cedo! – Gale revela mostrando irritação.
- Que engraçado... – Liz indaga sem nenhuma vontade de tocar nesse assunto. – Não teve nada de engraçado e, aliás, quem vai pagar o estrago da janela? – pergunta Liz olhando diretamente para Dewey.
Dewey olha para Gale e depois para Sidney.
- Não olhe para mim... – Sidney retruca.
- Não tivemos culpa... acho que se você não tivesse brincado daquele jeito nada disso teria acontecido... – Gale xinga o marido e olha com aquele olhar furioso.
- Acho que devia ter pensado melhor... hehe... – Dewey fala um pouco sem graça. – Eu vou pagar! – fala Dewey procurando por Liz, que nesta altura já estava longe dali.
- O que será que deu nela? – Sidney pergunta.
- Espero que ela não tenha ficado chateada com tudo isso! – Dewey se sentiu um pouco culpado.
- Acho que não tem nada haver com isso... – Gale indaga pensativa.
Sidney fez menção de ir até lá, mas foi interrompida por Gale.
- O que foi? – Sidney pergunta assustada.
- Talvez ela queira ficar um pouco sozinha! – Gale fala sorrindo.
Sidney concorda com a cabeça.
- Tá certo... então vou fazer umas coisinhas... tomem conta dela viu? – Sidney avisa e pede aos amigos, antes de sair.
No quarto, Liz não estava se sentindo muito bem. Um pouco de desconforto e uma tonteira de vez em quando a estava derrubando.
- Não pode ser... logo agora vou ficar doente! – pensa falando pra si mesma.
De vez em quando sentia fortes calafrios e era como se um turbilhão de sentimentos estivesse passando pelo seu corpo. Suas mãos começaram a suar, mas não sentia calor, pelo contrário, estava sentindo como se fosse congelar de frio. Algo estava errado com ela, porém não queria que seus amigos preocupassem mais com ela.
- O que vou fazer? – resmunga Liz. – Ninguém pode ficar sabendo que estou doente! – queria se resguardar e, não levar mais problemas para seus amigos.
Ficara ali por alguns minutos e parecia que sua situação só estava piorando. Deitada na cama, debaixo de grossas cobertas, mas a sensação de frio não terminava, apesar de estar suando. Com certeza estava com febre, tinha que fazer alguma coisa, tinha que tomar algum medicamento para tentar conter todo o mal que estava sentindo. Mas, estava muito fraca para levantar da cama, então, ali permaneceu por mais algumas horas. Abria os olhos e via o quarto todo rodando, era como se estivesse num brinquedo carrossel ou mesmo tivesse bebido todas (como diziam seus amigos quando estavam bêbados).
Sidney já havia retornado e, estranhou a falta de Liz, que ainda permanecia no quarto.
- Liz ainda está no quarto? – perguntou preocupada.
Dewey e Gale afirmaram com a cabeça.
- Ela deve estar dormindo... – Dewey fala.
- Mas, o que foi fazer? – Gale pergunta curiosa.
- Nada demais... só alimentar meus bichinhos, que com tudo isso até me esqueci deles! – Sidney indaga.
Sidney senta ao lado deles e, começam a assistir televisão.
Liz já não agüentava mais o que estava se passando com ela. Sentia que ia morrer, levantou-se com cuidado e caminhou em direção a porta do quarto. Tinha que falar com seus amigos sobre a sua situação ou mesmo tomar um remédio. A porta do quarto nunca pareceu tão longe, suas pernas estavam bambas e aquela suadeira continuava, sem contar da tontura que sentia toda vez que abria os olhos.
Ao chegar ao vão da escada, tentou gritar pelos amigos, clamando por ajuda, mas era tarde demais, Liz caiu escada abaixo ao tentar descer o primeiro degrau. Sidney foi a primeira a vê-la despencar escada abaixo e correu tentando ajudá-la, mas não conseguira e, acabou vendo sua amiga cair escada abaixo.
Ao encostar em Liz, Sidney percebeu o quanto ela estava febril.
- Ela está ardendo em febre! – indagou Sidney preocupada com a saúde de sua amiga.
- Vamos levá-la imediatamente ao hospital! – fala Dewey já a pegando no colo e se encaminhando para a saída, em direção ao carro, tendo Sidney e Gale logo atrás desesperadas.
Alguns minutos depois Liz já estava no quarto do hospital e, os médicos a estava examinando cautelosamente.
- O que ela tem doutor? – Sidney estava bastante preocupada, chorava muito.
Para melhor trabalho dos médicos, Sidney, Gale e Dewey foram para outra sala ao lado.
- Acalmem-se... ela vai ficar bem! – Dewey tentava animá-las.
- E, por que nos tirou de lá? – Sidney não se conformava de ter saído de perto de Liz.
- Os médicos precisam trabalhar... não precisam que alguém fique lá os incomodando! – Dewey retrucou.
Gale olhou para Dewey o fuzilando e o repreendendo.
- Olha... eu não fiz por mal... eles sabem o que fazer... eu também estou muito preocupado com ela! – Dewey muda de tática.
Gale olha para Sidney e depois para Dewey.
- E, além do mais, ela já passou por coisas piores e sobreviveu... ela vai ficar bem! – Dewey falou veemente acreditando em suas palavras.
Sidney olha para Dewey e da um leve sorriso. Gale faz o mesmo.
- Temos que ser fortes... por ela! – Dewey finaliza.
Sidney balança positivamente a cabeça.
Meia hora depois os médicos aparecem onde Sidney, Gale e Dewey estão aguardando por noticias.
- Como ela está? – Sidney pergunta prontamente.
- Vai ter que ficar de repouso... não é grave, mas se não cuidar pode piorar! – respondeu sorrindo.
- Não falei... – Dewey fica se gabando, enquanto caminha atrás de Sidney e Gale em direção ao quarto onde Liz está.
- Ela está dormindo... lembrem-se... ela precisa de muito repouso e descanso! – lembrou o médico. – Qualquer coisa me chamem ok? –falou antes de ir embora.
Balançaram positivamente a cabeça.
- Obrigada. – agradeceu Gale olhando para Liz, que adormecia serena e tranqüila.
Sidney pegou na mão dela.
- Você tem que melhorar logo... – afirmou como se estivesse conversando com ela.
Ficaram assim por mais ou menos uma hora, até que Liz começou a despertar ainda meio tonta e confusa.
- Ai... o que houve? – perguntou meio sonolenta.
- Bom dia bela adormecida! – brincou Sidney e ambas riram.
- Onde estou? – Liz continua confusa.
- Você passou mal e te trouxemos para o hospital... – Gale respondeu chegando para perto da cama de Liz.
Liz arqueou a sobrancelha tentando relembrar.
- Ah sim... estou me recordando! – Liz revelou.
- Como você se sente? – Dewey perguntou.
- Ainda um pouco fraca... desculpem-me... e obrigada! – Liz fala.
Os três sorriem contagiando Liz.
A noite, Sidney permanecia ao lado de Liz, que adormecia tranqüila.
O telefone do quarto começa a tocar e permanece insistentemente, fazendo com que Sidney um pouco irritada vá atendê-lo.
- Alô... – fala inocentemente.
- Espero que Liz tenha melhorado... – aquela voz rouca novamente.
- O que você quer? – alterou um pouco a voz, mas logo abaixou o tom da voz. Não queria que Liz acordasse.
- Você sabe o que eu quero... – responde o assassino.
- Eu não vou deixar você encostar um só dedo nela, ouviu? – Sidney ameaça.
- Você não está na posição de fazer ameaças... – indaga.
- Então, por que não vem aqui me pegar! – Sidney já estava muito brava com todo esse jogo.
- Ah Sidney... Sidney... Sidney... você acha que o mundo gira em torno de você... mas, deixa eu te contar uma coisa... você está enganada... o mundo não gira em torno de você... você já era Sidney... será que não percebe? – retruca o psicopata sorrindo.
- O que? Do que está falando? – Sidney por um momento fraquejou e ficou sem entender onde ele estava querendo chegar.
- Você sempre querendo ser a estrela, não é? Mas, você não é Sidney... você deixou de ser a muito tempo... e logo não vai nem existir! – explica contando vitória.
Sidney fica boquiaberta e pasma com tudo o que ouvira e, por um momento sua voz não a mais obedecia.
- Olha... e quem disse que eu quero ser a estrela? – Sidney fala e engole a seco.
- Você pode enganar a todos, inclusive até você mesmo... mas, você nunca me engana, sabe por quê? – revela o assassino.
- Por quê? – sua voz quase nem saiu. Era como se ele estivesse lendo seus pensamentos e já a conhecesse a muito tempo.
Neste momento, Liz acordara e vira sua amiga parada com o telefone no ouvido. Sidney parecia estar em choque.
- O que houve? – Liz perguntou preocupada, mas não teve resposta, sendo assim, levantou-se e foi até Sidney. Ainda estava fraca, mas não podia deixar sua amiga naquele estado.
- Por que eu te conheço... e te conheço muito bem! – revelou.
- Ele me conhece! – Sidney pensou um pouco assustada.
- É ele? Sidney? Fala comigo? – Liz tentava trazer Sidney para a realidade.
Liz num momento súbito de raiva tomou o telefone da mão de Sidney e colocou-o no ouvido.
- Quem está ai? – vai direto ao assunto.
- Ora se não é a minha querida Liz... espero que esteja bem... – falou como se estivesse realmente preocupado com ela.
- Eu estou muito bem... – falou tentando fazer com que fosse verdade.
- Ah é... – nesta hora a porta se abriu. – Então, quero ter a certeza de que está bem como fala! – e o assassino saiu de trás da porta correndo em direção a Liz e a Sidney, que permanecia parada.
-Droga... – falou enquanto empurrou Sidney para o lado esquerdo e segurando o braço do assassino antes que a faca pudesse acertá-la.
- Sidney? – tentava chamar a atenção da amiga, mas em vão.
- Desista... ela não vai te ajudar... você está sozinha! – falou ríspido.
- Eu vou acabar com você, seu desgraçado! – mas, Liz ainda se sentia fraca depois de tudo o que passou.
- E, como você vai fazer isso? – perguntou curioso.
- Assim... – falou e deu um chute na canela do assassino e depois um soco em seu rosto e saiu correndo, chamando a atenção do assassino.
- Sua vadia... – o assassino falou, se recompondo e correndo atrás dela.
Enquanto Liz corria, pensava em seu passado, em sua mãe e, principalmente em todas as palavras que ela havia lhe falado. Sidney estava em estado de choque, era como se o assassino estivesse a golpeado sem sequer tocado nela.
Gale e Dewey se assustaram ao entrar no quarto, vendo tudo revirado.
- O que aconteceu aqui? – Dewey se perguntava enquanto Gale tentava fazer com que Sidney voltasse para a realidade.
- O que? – Sidney estava toda confusa, não sabia o que havia acontecido. – Onde estou? – pergunta tentando se recompor.
- Onde está a Liz? – Dewey pergunta preocupado.
Sidney se recorda do telefonema do assassino.
- Ai meu Deus... o assassino... – indaga assustada.
- O que tem ele? – Gale pergunta.
- Estava falando com ele, quando eu apaguei... – Sidney responde.
- Será que... – Dewey engole a seco.
- Não... Liz não morreu se é isso que quer saber! – Sidney retruca totalmente recuperada.
- Como você apagou? – Gale estava bastante curiosa.
- Eu não sei... é como se tivesse alguma coisa no ar... – Sidney fala.
- Ou no telefone! – Dewey revela com o telefone na mão.
- O que quer dizer com isso? – Gale pergunta.
- O assassino colocou um produto que fez com que Sidney apagasse daquela forma! – Dewey confessa.
- Que produto é esse? – Gale pergunta curiosa.
Sidney ficou alguns minutos pensativa.
- Perai... agora eu entendi... não era pra mim! – Sidney fala.
- O que? – ambos perguntam em uníssono.
- Era pra ser a Liz... era pra Liz atender ao telefone... não eu! – Sidney retruca. – Assim seria mais fácil para o assassino matá-la! – continua.
- Mas, onde será que ela está? – Gale pergunta.
- Eu não sei... mas, espero que esteja bem! – Sidney resmunga.
Neste momento, Liz entra no quarto. Estava exausta e fraca, com alguns arranhões nos braços, mas nada de muito grave.
- Liz? – grita Sidney ao ver a amiga. – O que aconteceu? – pergunta.
Liz quase caiu, sendo amparada por Sidney e logo em seguida sendo levada para a cama.
Gale aproveitou e chamou por um médico, apesar da afirmação de Liz que a mesma estava bem, queriam ter certeza.
- Doutor, ela está bem? – Sidney pergunta pela décima vez.
- Ela vai ficar bem... só está cansada! Mas, afinal, o que aconteceu? Pelo que me lembre, recomendei que ela fizesse repouso absoluto! – zangou-se o médico.
- É que... bom... ahn... – todos estavam bastante atrapalhados e não sabiam o que dizer.
- Desculpe doutor... foi minha a culpa... eu só queria ver a lua e, acabei caindo... sentia-me melhor e, achei que já podia andar! – Liz fala tentando ajudar os seus amigos.
- Você tem muita sorte... mas, de agora em diante, só saia quando eu falar que pode sair ok? – recomendou o médico.
Liz balançou positivamente a cabeça, olhando para os amigos, que fizeram a mesma coisa, apesar de não entenderem o motivo pelo qual Liz escondeu a verdade.
- Por que você mentiu? – Sidney perguntou assim que o médico saiu do quarto.
- O que vocês queriam que eu fizesse? – Liz retruca.
Eles se entreolham confusos com a atitude da amiga.
- Por mais que eu quero que tudo isso acabe, temos que ser realista... qual a probabilidade dele acreditar que fomos atacadas por um psicopata doente ontem a noite hein? – pergunta histérica.
Os três não sabiam o que responder, permaneceram em completo silêncio.
- Pois bem... se não temos como provar, é melhor que menos pessoas saibam disso... para o bem delas e para o nosso também! – Liz sorri.
Sidney afirmou com a cabeça.
O resto do dia passou tranqüilo, Liz dormiu o dia todo, estava totalmente exausta devido ao acontecimento da noite.
Quando já estava anoitecendo, o detetive Carlson entra no quarto onde está Liz.
- Olá... como você está? – pergunta se fazendo de preocupado.
- Ah... é você... estou bem melhor... obrigada! – Liz respondeu um pouco sem graça.
- Desculpa se eu estou a incomodando, mas é que eu soube que você estava no hospital e... fiquei preocupado! – fala sorrindo.
- Muito obrigada pela sua preocupação, mas eu estou bem... meus amigos estão aqui comigo! – da um leve sorriso.
- Seus amigos? – pergunta um pouco desentendido.
Neste momento, Sidney, Gale e Dewey entram e se assustam com a presença do detetive.
- Olá... – cumprimenta o detetive.
- Oi... – Sidney desconfia um pouco dele.
- Oi detetive... o que te traz aqui? – pergunta Dewey.
- É só que fiquei sabendo que Liz estava aqui e resolvi passar pra ver como ela está... mas, já estou de saída... tenho que trabalhar, afinal, a delegacia não trabalha sozinha... hehe... – deu um sorriso e virou-se para Liz.
- Espero que melhore logo! Até mais... – falou antes de sair do quarto.
Um forte calafrio passou pelo corpo de Liz, que sentiu uma leve vertigem.
- Você está bem? – pergunta Dewey preocupado.
- É muito estranho, não acham? – Liz pergunta.
- O que? – Gale estava confusa.
- Por um acaso algum de vocês contou a ele que eu estava aqui? – Liz pergunta olhando pra os amigos.
- Eu não contei nada e, alias nem me passou na cabeça avisá-lo! – responde avidamente Sidney.
- Também não falei nada... – Gale fala já virando para Dewey.
- Não olhem para mim... ultimamente eu só tenho ficado com vocês! – Dewey vai direto ao assunto.
- Então se não foram vocês... quem foi? – o medo começou a tomar conta de Liz, que não sabia o que pensar, nem o que fazer.
Apesar desse incidente, tudo voltou a normalidade assim que a enfermeira deu um calmante para Liz, que ficou bastante inquieta depois disso tudo e, a noite passou rapidamente.
Nos primeiros raios de sol, Liz já estava desperta e via o nascer do sol pela janela, tentando aproveitar cada segundo dessa maravilha que Deus criou.
Algo a tirou a atenção, fazendo-a virar para a porta.
- Posso entrar? – Bruce pergunta meio tímido.
- Claro... mas o que veio fazer aqui? – Liz pergunta já sabendo a resposta.
- Me deixa pensar... sabe que eu não sei... diga-me você! – brincou Bruce.
Ambos riram.
- Desculpa... que pergunta a minha... é claro que veio me ver! – Liz ainda sorria, achando graça.
Bruce da um longo e apertado abraço na amiga.
- Vejo que já está bem... – indaga Bruce.
- Sim... estou bem melhor... não vejo a hora de sair desse hospital! – falou Liz um pouco entediada.
- Tenha calma... daqui a pouco você já vai estar em casa... – tentou animá-la.
- Você pulou da cama hoje hein? – Liz estranhou, já que o amigo costumava acordar sempre tarde.
- As coisas mudam... resolvi mudar meus horários... – tenta convencê-la.
- Fala sério... você não conseguiria mentir nem para se salvar... – Liz fala rindo.
- Ta bom... é que comecei a trabalhar... pego um pouco mais tarde, mas hoje resolvi acordar mais cedo pra dar uma passada aqui... queria muito te ver... – deu um longo suspiro e depois esboçou um sorriso.
- Que bom... – Liz sorriu.
- Apesar de que o detetive me falou que você estava bem... – foi interrompido por Liz.
- Peraí... o detetive? – perguntou achando tudo aquilo estranho.
- Sim... é que eu avisei pra ele que você havia passado mal e, bom ele me disse que deu uma passada aqui ontem pra te ver... – Bruce arqueou a sobrancelha tentando entender qual motivo de tanta indagação por parte de Liz.
- Você avisou? – Liz pergunta curiosa.
- É uma longa história... desculpe, mas tenho que ir... trabalhar! – Bruce abraçou-a novamente e se despediu, saindo logo em seguida.
Liz ficou um pouco pensativa: "Então foi ele que avisou... mas mesmo assim, é estranho...". Um leve e gélido calafrio passou por sua espinha lhe fazendo arrepiar.
Sidney entrou no quarto sorrindo.
- Vejo que alguém veio lhe visitar... – falou ainda com um sorriso no rosto.
- Ah... nada demais... amigos são para estas coisas não são? – Liz fala um pouco sem graça.
- Sim... ainda mais quando não queremos somente amizade com eles, não é? – retrucou Sidney arqueando a sobrancelha.
- Olha... ta bom... eu gosto dele! Qual problema? – confessa Liz.
- Nenhum problema... é so que... se você gosta dele porque você não se declara? – pergunta Sidney.
- Me diga você! – Liz lança aquele olhar estilo "Eu sei que você também gosta de alguém... por que você não faz o que está me falando?".
Sidney arregala os olhos e fica sem entender, ou melhor, finge não entender.
- O que? Não sei do que está falando? – Sidney se faz de desentendida.
- Qual é o nome dele mesmo? – Liz tenta se lembrar.
- Você está inventando coisas... não tem nada disso! – Sidney tenta argumentar.
- Ah, me lembrei... o nome dele é John... John alguma coisa... mas não precisa fingir que não sabe do que estou falando, pois vi muito bem vocês dois juntinhos no restaurante! – Liz revela.
Sidney se engasga com a própria saliva.
- O que? Que restaurante? Você só pode ter sonhado com isso! – fala Sidney. – Já sei... deve estar delirando por causa dos remédios! – tenta mudar de assunto.
Neste momento, um homem forte e musculoso entra no quarto.
- Pois é... mas o meu delírio acabou de entrar no quarto! – Liz fala já rindo.
Sidney vira-se para trás e ver John parado na porta do quarto.
Continua...
