Capitulo 10: Procura desesperada

- Olá, desculpa se estou a incomodando, mas preciso trocar umas palavrinhas com você! – fala e depois olha para Liz e pisca o olho.

Sidney fica toda atrapalhada, sem saber o que dizer ou o que fazer.

- Pode ir... eu estou bem... afinal, estou num hospital... que pode acontecer dentro de um hospital? – termina de falar pra ela, já que Sidney e John já não estão mais ali.

- O que está fazendo aqui? – Sidney pergunta assustada. – Pelo que me lembre pedi para não me procurar mais! – revela.

- Desculpa... mas não dá... eu te amo Sidney! Não posso ficar mais longe de você! Quer te proteger... – John se declara.

Sidney fica boquiaberta, também sentia uma forte atração por ele, ou melhor, o que ela sentia era uma paixão arrebatadora misturada com admiração. John tem se mostrado um homem bastante decidido, sempre a tratava como uma rainha, a respeitava, ou seja, era um homem que toda mulher gostaria de ter a seu lado.

- Mas... mas... – tentou argumentar, mas as palavras não saíram da boca de Sidney.

- Não precisa falar nada... eu sei que havia me pedido e peço mil desculpas por não tem cumprido com minha palavra, mas é que não da mais... não posso mais viver sem o seu amor! – indagou olhando diretamente no olhar de Sidney.

- Eu também gosto muito de você e, é por isso que pedi para você se afastar de mim... pois estou vivendo uma situação ruim, não quero que aconteça nada com você! – confessou Sidney.

- Eu agradeço por toda essa preocupação, mas da mesma forma que está nisso para ajudar a sua amiga... também sou livre para decidir o que vou fazer ou não... e, nesse momento quero estar junto de você... mesmo que isso me custe a vida! – esbravejou John determinado.

Sidney não podia obrigá-lo a fazer o que ele não queria, então resolveu aceitar a ajuda, mesmo porque qualquer ajuda é bem vinda nesta situação.

- Tudo bem... mas, depois não vem choramingando pra mim viu? – Sidney tentou se preservar.

Ele apenas sorriu.

John era um homem do estilo conservador, ou seja, em questão de paquera tinha um caráter inabalado, desta forma, tratava as mulheres de forma Cortez e como se as mesmas fossem rainhas. Desde pequeno foi assim, aprendeu com seu pai e resolveu colocar em prática tudo que aprendera com ele.

Era grande amigo de Liz, ou melhor, seu pai era grande amigo do pai de Liz e, por isso, John e Liz cresceram juntos, sempre unidos e sempre um querendo proteger o outro.

Liz tinha total confiança em John e, por isso ajudava o seu grande amigo, ou melhor irmão, a conquistar Sidney, pois já havia mais de ano que John nutria um sentimento por ela.

- Sidney, aceita namorar comigo? – perguntou receoso. – Lhe prometo te tratar como uma rainha, assim como tenho feito todo este tempo e, ainda, prometo te fazer muito feliz e te proteger sempre! – realmente gostava muito dela.

Sidney não sabia o que falar, ficou um pouco sem graça. Gostava dele, sabia que nem precisava prometer nada daquilo, que mesmo assim o faria, mas não era assim que havia imaginado, pois estava vivenciando uma etapa de sua vida bastante conturbada e, um namoro agora poderia atrapalhar ou poderia também ajudar, afinal, Sidney sabia da grande amizade que John tinha com Liz, sabia também que ele não deixaria nada de ruim acontecer com ela.

- Eu não sei... não sei se esse é o momento apropriado para termos esse tipo de conversa... não sei se reparou, a Liz esta no quarto ao lado se recuperando... – tentou ganhar um pouco de tempo.

- Me desculpa... você está certa! Acho que esse não é momento... mas posso te pedir uma coisa? – John pergunta.

- Claro... – tentando melhorar um pouco as coisas.

- Não quero te pressionar a nada, mas pensa no meu pedido e quando achar que está pronta... eu vou entender, seja qual for a sua resposta... – John argumenta.

Sidney balançou positivamente a cabeça.

- Você se importaria se eu desse umas palavrinhas com a Liz? – perguntou um pouco desconcertado.

- Não... de jeito nenhum! Afinal, vocês são amigos... – Sidney responde um pouco sem graça e um pouco nervosa.

John entra no quarto de Liz, mas não a encontra, se preocupa ao ver a janela do quarto aberta e um pouco de sangue no chão.

- Sidney? – grita apavorado.

Sidney entra no quarto e se depara com a mesma cena de John.

- Cadê a Liz? – pergunta preocupada.

- Não sei... quando entrei ela já não estava aqui... e a janela estava aberta e havia um pouco de sangue no chão! – John fala para Sidney, Gale e Dewey, que nessa altura já estava no quarto de Liz.

- Com certeza, teve briga... este sangue é prova viva disso... mas por qual razão Liz parou de brigar e se deixou levar? – Dewey pergunta confuso.

- As vezes, por que ela estava desacordada! – responde Gale.

Sidney e os outros se entreolham assustados.

- Sabia que não podia ter deixado ela sozinha... foi minha culpa! – Sidney reclama.

John percebe o quanto fez mal a Sidney e, principalmente à Liz.

- A culpa é minha... não devia ter aparecido por aqui! – John abaixa a cabeça como se estivesse tentando pensar em alguma coisa.

- Não adianta ficarmos aqui querendo saber de quem é ou não a culpa... temos que tentar pensar onde será o esconderijo do assassino... ou onde Liz poderia estar! – Gale interrompeu.

- Gale está certa... não vamos chegar a lugar algum com toda essa discussão! – Dewey concordou e reforçou.

- Por onde começamos? – Sidney pergunta afoita.

- Quem mais sabe que Liz estava aqui? – John pergunta deixando a todos espantados.

- Mas por que a pergunta? – Dewey pergunta sem entender.

- Simples... como uma pessoa pode raptar a outra sem saber onde ela esta? – indaga John.

Sidney olha para Dewey e arquea a sobrancelha.

- Não sei ao certo... mas quem veio aqui foi o Detetive e o Bruce... – Gale responde incerta.

- Então, temos que falar com eles! – John vai direto ao ponto.

Dewey, Gale e Sidney acompanham John até a casa de Bruce. Porém, não encontram ninguém em casa. Logo após, vão em direção a delegacia ao encontro do detetive.

- Quero falar com o detetive Carlson? – fala John para um rapaz na portaria da delegacia.

- Desculpa, ele não se encontra... – responde prontamente o rapaz.

- Como assim não está? – Dewey pergunta surpreso.

- Acho que viajou... – responde todo ingênuo o rapaz, que acabara de começar a trabalhar na delegacia.

- Como é que é? – Gale altera um pouco a voz, deixando o rapaz um pouco assustado.

- O que ela ta querendo dizer é que como numa situação dessas o detetive viaja! – John tenta argumentar.

O rapaz se desenrola todo e, não sabe nem o que responder.

Depois de tentar falar com algum policial ou mesmo alguém lá de dentro da delegacia, resolvem ir embora, sem qualquer informação de onde o detetive está.

- Muito estranho... – Gale revela.

- Aposto que tem dedo dele nesse rapto de Liz! – John fala com convicção.

- Você acha? – Dewey pergunta.

- Eu tenho certeza... – Sidney indaga.

- Mas também tem o Bruce... por que ele não atendeu a porta? – Dewey argumenta.

John por um minuto fica pensativo.

- Tudo é muito estranho... Liz tem mais amigos? – pergunta curioso.

- Pelo que eu saiba, tem a Stacy... pelo menos a única que continua viva. – revela Sidney.

- Você ta achando que pode ter sido ela? – Dewey pergunta, enquanto Gale reforça com o olhar.

- Todos são suspeitos... não podemos descartar ninguém! – John confessa.

- Mas foi ela que nos avisou sobre a morte de Melissa... – Dewey fala.

- E se isso for apenas um pretexto para não desconfiarem dela? – pergunta John.

Os três se entreolham sem saber o que responder.

- Mas agora o importante é acharmos a Liz! – fala.

Sidney olha para o céu como se estivesse implorando para que as estrelas lhe dissessem onde Liz está. Às vezes sentia uma raiva tão grande, que se o assassino resolvesse aparecer para ela, a mesma o mataria em questão de segundos. Tudo que ela queria agora era abraçar Liz e cuidar dela, como sempre cuidou, desde que se conheceram.

Gale e Dewey bem sabiam da grande amizade e do imenso carinho que Sidney depositava em Liz, pois os mesmos também sentiam um carinho muito especial por ela também e queriam sempre protegê-la.

- Vamos encontrá-la... – Gale tenta animar Sidney.

- Vou acabar com esse cretino... – continua Dewey.

Em outro local, escuro e vazio, Liz aos poucos fora recobrando seus sentidos, mas sua visão ficou turva quando viu onde estava.

Percebeu que estava amarrada e, muito bem amarrada, já que as cordas chegavam a lhe machucar os pulsos. Uma pontada na cabeça demonstrava que o que fizera adormecer foi uma pancada muito forte na cabeça.

Mas, percebeu que estava sozinha. Tentou ver melhor o local, mas estava bastante escuro, quase não dava para enxergar nada. Um vento gélido a fazia tremer de frio, já que estava sem qualquer tipo de casaco ou algo que pudesse a esquentar.

Muitas coisas passavam em sua cabeça, turbilhões de sentimentos transbordavam em seu coração, não sabia o que fazer, nem ao menos como sair dali.

Sua vida começou a passar diante de seus olhos, recordou-se de quando era criança e, de como era feliz com seus pais. Recordou-se também da sua época de escola, acordar cedo, lembrou-se de como sua mãe a acordava todos os dias, de como era bom caminhar até o colégio e, depois das aulas, esperar por algumas horas sua mãe retornar para te buscar. Lágrimas brotaram em sua face, era como se tudo aquilo a fizesse lembrar-se de uma coisa: De como era forte!

Recordava, também dos tombos e como a sua mãe, com todo carinho, fazia com que a dor sumisse; "nãoseicomovocêfaziaisso,devesercoisademãe...", ria.

Recordava-se das notas baixas, de como ela fazia para adiar o momento de contar para seus pais que tinha ido mal naquela prova e, ao contrário, de como ela ansiava de contar para eles sobre uma nota boa. Lembrou-se que nunca fora popular no colégio, mas não se importava com isso. Tinha bons amigos e uma família perfeita, tudo que alguém pode sonhar, porém, cenas tristes também pairavam em sua mente.

Recordava-se do dia em que perdera seus pais, do desespero de se salvar e a dor de vê-los inertes no chão. Não podia se esquecer de quando recebeu a noticia de que sua mãe estava grávida, lembrava-se de como ficara feliz com a noticia, pena que não dera tempo nem de saber o sexo da criança. Aquilo tudo fazia com que Liz pudesse ter apenas uma certeza: De como seus pais a amavam!

Recordou-se do dia em que conheceu Sidney. Aquele dia fora especial para ela, pois além de ganhar uma amiga, ganhou uma grande e verdadeira irmã, que sempre a protegia.

Recordava-se de todas as pessoas que passara pela sua vida. Dewey, Gale, Bruce, David, Raquel, o delegado Burkson e tantos outros. Como queria ver o bebê de Gale e Dewey crescer, mas naquele momento era como se não existisse mais nada além da escuridão.

Sentia seu corpo dormente, já não tinha mais lágrimas para chorar, além de estar fraca devido aos ferimentos de alguns dias atrás e de ficar doente. Sentia sua vida esvair do seu corpo aos poucos, era como se tivesse um buraquinho por onde a vida ia saindo.

Fechou os olhos e tentou pensar em outro coisa, em coisas boas, mas tudo que via era escuridão, mas podia-se ouvir gritos histéricos, não se sabia de onde ou quem estava o fazendo, mas o que quer que seja, gritava para ela.

"Suatola...suavidavaletãopoucoassim?Porquevocênãoresiste?Porqueaindataaiparadacomoumposte?Andalogo...lute...façaalgumacoisa!"

Num instante, a voz de Liz teimou em sair, mas depois de um longo suspiro finalmente conseguiu falar: "Quemévocê?Nãotemnadaqueeupossafazer..." – afirmou abaixando a cabeça.

"Nãotemamínimaimportânciadequemeuseja.Vocêtemcerteza?" – perguntou como se a desafiasse.

- "Oquequerqueeufaça?parecia que estava dentro de um filme, daqueles bem estranhos, fora da realidade.

"Nãosei...masseeutivesseemseulugar,fariadetudoparacontinuarviva!" – falou incentivando-a.

- "Esenãotivessenenhummotivoparaisso...oumelhor,setodososmotivosnãoexistissem?" – o desanimo de Liz era perceptivo.

"Emminhaopinião,nãoéprecisomotivosparasecontinuarvivo...digo,motivoséquenãoiammefaltar...aliás,temummotivosim!" – indagou sorrindo.

Liz arqueou a sobrancelha. "Equalseriaessemotivo?" – perguntou curiosa.

"Vocêtemqueentenderquenadanavidaéfácil...masentendaqueapesardetudovaleapenaviver!Alémdomais,vocêtemseusamigos...vocêtemasuavida!" - falou tentando convencê-la.

"Grandescoisas...VIDA?Quevida?Umavidadesofrimento,detristezas?" – Liz demonstrava que estava bastante descontente com tudo o que estava passando.

"Sim...umavida...sofrimento?Tristezas?Nóséquefazemosonossocaminho...cabeanósescolhermosoquevamoscolheremnossajornada!" – falou rispidamente.

"Falaréfácil...nãoévocêquepassouoqueeupassei!" – falou prontamente.

"Passadoépassado...todosfazemescolhasLiz...nãosepodequerertudo...arrependimentosnãosãoválidosagora!Elesfizeramasescolhasdeles...nãosepodevoltaratrás...acabou!Oquesepodefazeragoraéseguiremfrente..." – foi um pouco mais além – "Seiquesentefaltadeles,maslembre-sequeelessempreestãocomvocê...edigomais, 'Amaisperigosadetodasasfraquezaséomedodeseparecerfraco'...vocênãoéfracaLiz...pelocontrário,vocêémaisfortedoqueimagina,bastaafastaresseseumedoouoquequerqueestejateatrapalhando,quevocêveráagrandezabrilharemvocê!" – sorriu.

"Nãoconsigo...écomosemeupassadotivesseamarradoemmim...tudoqueeufaçomerecordodele!" – respondeu com lágrimas nos olhos.

"Euseiporquevocênãoconsegue...naverdade,éporquenuncatentou...mas,lembre-sequeoquepassounãovoltamais... "Ficarpresoaopassadonãovaifazercomqueotempovolteparatrás,porissosigaemfrenteeaproveitaavida"...nãopodemosmudaronossopassado,maspodemosviveropresenteefazerdonossofuturomelhor!" – revelou.

Liz estava emocionada com tudo o que ouvia, era como se aquela voz, soubesse de tudo o que se passava em seu coração.

"Averdadeirafacedeumhomem,estáemseucoração...epossoverqueoseucoraçãoestácheiodeescuridão..." – aquela voz a cada palavra demonstrava que quem quer que seja, estava muito além de um ser humano.

Liz ficou um pouco assustada com que ouviu. "Escuridão?Nãoentendo..." – confessou.

"Tudoqueoserhumanofaztemconseqüências...atéosprópriospensamentos!Nãoquealgumcastigo...mas,issoprejudicaaprópriapessoa...tudoquefazemosoupensamosvaiparaocoração...ouseja,sevocêfazcoisasboasetempensamentosfelizes,seucoraçãoprovavelmentevaiseencherdebrilho...mas,semesmofazendocoisasboas,seuspensamentosforemobscuros,digo,pensaremcoisasruins,desdeoquevocêgostariadefazeroumesmorecordaçõesruinsdopassado,seucoraçãovaiseencherdeescuridão...evaiaconteceroqueestásepassandocomvocê!Julgasermelhoramortedoqueenfrentaravida!" – foi direto ao assunto.

"Tadizendoquesoucovarde?" – Liz se assusta.

"Seassimacharmelhor...mas,nãopensequeissoéruim...lembre-sequeoserhumanonãoéperfeito...voltandoaoassunto,nemsemprepodemosenxergaroqueseriaseacontecesseissoouaquilo,nãoéverdade?Seriamuitomaisfácil,seantesdefazermosalgopudéssemosveroqueaconteceriadepois...masinfelizmentenãoestáemnossasmãos...oquequerodizeréqueexistemmilhõesdemotivosparavocêcontinuarvivendo...deveesquecer-sedopassadoelutarparaumfuturomelhor!E,mais,semprelembrar-sedaspessoasecoisasquefazemquesuavidavalhaapenaservivida!" – apenas sorriu.

O mundo de Liz mudou. Antes, onde era somente escuridão, pode-se ver luz e, aquela luz ofuscou qualquer coisa ruim que quisesse chegar perto dela. Por um instante sentiu uma força tão grande, mas tão grande, que sabia que não estava mais sozinha.

Sorriu. Mas o momento foi cortado por uma voz, só que desta vez, uma voz rouca e agressiva.

- Então, enfim sós... – gritou a voz.

Liz abriu seus olhos e pode ver aquela máscara horrenda bem à sua frente, tentou correr, porém percebeu que estava amarrada e, muito bem amarrada.

- Demorou muito tempo para nós encontrarmos novamente, não é? – perguntou.

- O que você quer? Quem é você? – Liz tentava descobrir alguma coisa, enquanto tentava se desamarrar.

- Minha querida Liz... como é ingênua... já te falei que tudo tem o seu tempo! – falou dando um passo em direção a garota.

- Eu vou acabar com você! – Liz falou, quase conseguindo sair dali.

- Você acha que pode tudo... você sempre achou isso, não foi? Sempre a boazinha... você me da nojo! – retrucou.

- Por que? – Liz perguntou.

- O que? Por que o que? – perguntou sem entender.

- Porque você está fazendo isso? – tentava ganhar mais tempo.

- Não sei se preciso de motivos... afinal, em que mundo você vive? – pergunta.

- Tudo precisa de um motivo! – indaga Liz.

- Estamos no século XXI... você não assisti televisão? – continua, chegando cada vez mais perto de Liz.

- Onde está querendo chegar? – retruca Liz.

- Dinheiro... tudo gira em torno disso... ou melhor, de quem tem muito dinheiro! – revela.

- Não estou entendendo... o que isso tem a ver com dinheiro? – Liz estava totalmente confusa.

- Tudo... podemos ficar ricas e famosas de uma hora pra outra, basta algumas desgraças acontecerem com a gente... – fala e ainda continua. – Sidney te lembra alguma coisa? – pergunta.

- Você é louco... – Liz grita.

- Cala essa boca... – pede.

- Um psicopata, que não tem nada pra fazer e fica pensando merda vendo esses filminhos de quinta categoria... – Liz nem termina de falar quando é interrompida por um ataque do psicopata, porém a mesma se esquiva, mostrando que havia se soltado das amarras e, ainda, o repele com um chute na canela e outro na cara e corre para qualquer lugar, tentando se esconder.

- Você não sabe nem da metade... Kkkkkkkk... – continua o ataque.

Liz conseguiu se esconder e permaneceu bem quietinha, tentando conter o choro. Tudo começa a fazer um pouco mais de sentido, aquelas palavras e o jeito com que falava. Liz sabia quem estava atrás daquela fantasia escrota.

- Eu sei... mas, como foi capaz... – não deu tempo de terminar e teve que segurar a faca que já descia em direção a seu peito.

- Por que está fazendo isso, Stacy? – Liz perguntou, ainda segurando a faca, tentando se esquivar.

Por um momento, o psicopata parou.

- Quem é Stacy? – falou com aquela voz rouca.

Liz ficou perplexa, não podia estar errada. Tinha certeza de que era Stacy atrás daquela máscara.

Neste momento, Liz deu um chute empurrando o psicopata para longe dela e começou a correr para qualquer lugar, tentando fugir daquelas mãos inescrupulosas.

- Não adianta se esconder... eu vou te achar... e, vou te matar! – gritou histérica.

Passou alguns minutos, mas para Liz era como se estivesse ali por horas.

- Liz... cadê você? – berrou com raiva.

Algo lhe chamou atenção. A voz havia mudado e, isso a fazia tremer, relembrando de seus pais.

- Liz, acho melhor você aparecer logo... – falou sem paciência. – Ou será que quer repetir o que aconteceu aos seus pais! – gritou sorrindo.

Aquelas palavras fizeram com que Liz tremesse e sentiu um forte calafrio passar pelo seu corpo. Mas, permaneceu inerte.

- As vezes você quer continuar se sentindo assim... CULPADA! – mas a voz estava diferente.

Liz arregalou os olhos. "Do que ele está falando?" – pensou.

- Talvez seja assim que tem que ser... então diga adeus a seus amiguinhos! – aquilo fez com que Liz despertasse e percebesse que não era da vida dela que ele estava falando.

Liz fechou os olhos e tentou acordar, como se estivesse dentro de um pesadelo. Mas pode ouvir claramente seus amigos gritando.

- Liz corre... foge! – gritavam todos ao mesmo tempo.

Liz engoliu a seco, deu um longo e forte suspiro e caminhou até onde eles estavam.

- Ora... ora... ora... se não é a garotinha do papai... ou seria da mamãe... tanto faz, os dois já estão mortos mesmo! – falou sorrindo.

As lágrimas não paravam de rolar pelo rosto de Liz, que se via na mesma situação de alguns anos atrás.

- Já ouviu falar de "deja vu"? – perguntou.

- Solta eles... sou eu que você quer! – Liz grita desesperada.

- Ah... não sabia que você era corajosa... pelo que eu saiba, seus pais morreram por sua covardia! – indagou.

Liz abaixou a cabeça e pensou nas palavras que sua mãe sempre lhe dizia: "Filha,navidatemosolivrearbítrioparapoderescolheroquequeremos,maslembre-sequesomosobrigadosacolheraquiloqueplantamos...nósteamamosesemprevamosteamar,mesmoquenãoestejamosaiparatelembrardisso!".

- Não... – Liz falou convincente deixando a todos surpresos.

Continua...