Algumas horas depois todos os alunos estavam de carona no enorme furgão branco da professora. Não demoraram em chegar ao centro da cidade.
Como de costume vários casais e famílias passeavam alegres pelas ruas. Louis, um aluno asiático andava junto ao Draco, com seu braço envolto nos frágeis ombros do loiro.
Por suas roupas largas, camisa estampada e touca frouxa podia se identificar que era um aluno de design gráfico além de artista plástico.
Ele e o loiro chegaram a ficar algumas vezes, mas nunca tiveram algo sério. Na verdade o designer fora a única pessoa com quem Draco teve intimidade. Triste era o fato de que Louis não se interessar por garotos. Na verdade até tinha uma namorada, mas os dois viviam brigando feito cão e gato. Sempre que a garota o expulsava Eléia correndo para os braços do loiro.
- Você está bem?- Louis perguntou com um semblante preocupado.
- Estou sim...
- Soube o que aconteceu hoje de manhã. Eu sinto muito
- Não tem problema. Eles sempre fazem isso...
- Espero que eles levem uma boa lição.
- Eu também...
- Bem... Eu estava pensando se hoje depois do teatro...
- Está afim de transar?
- Hey! Fale mais baixo?
- Sim ou não?
- Não! Claro que não. Quero sair para beber hoje. Me acompanha?
- Você me conhece há dois anos Lou. Sabe muito bem que eu não bebo.
- Só quero que me acompanhe.
- Pode ser.
Após alguns minutos de caminhada a classe chegou ao ¹Shakespeare´s Globe Theatre. Logo que entraram pelos portões, sua professora recebia milhares de cumprimentos.
Sentaram-se em seus respectivos lugares e aguardaram a peça. Como se atrasaram devido ao trânsito, chegaram bem a tempo do início do primeiro ato.
TESEU — Depressa, bela Hipólita, aproxima-se a hora de nossas núpcias. Quatro dias felizes nos trarão uma outra lua. Mas, para mim, como esta lua velha se extingue len ta men te! Ela retarda meus anelos, tal como o faz madrasta ou viúva que retém os bens do herdeiro.
HIPÓLITA — Mergulharão depressa quatro dias na negra noite; quatro noites, presto, farão escoar o tempo como em sonhos. E então a lua que, como arco argênteo. no céu ora se encurva, verá a noite solene do esposório.
TESEU — Vai, Filóstrato, concita os atenienses para a festa, desperta o alegre e buliçoso espírito da alegria, despacha para os ritos fúnebres a tristeza, que essa pálida hóspede não vai bem em nossas pompas. (Sai Filóstrato.) De espada em mão te fiz a corte, Hipólita; o coração te conquistei à custa de violência; mas quero desposar-te com música de tom mais auspicioso, com pompas, com triunfos, com festejos.
Draco estava absorvido pela cena. "Sonho de uma noite de verão" era uma de suas peças favoritas. Sabia até mesmo todas as falas dos personagens.
Quando o ato de Lisandro e Hérmia se iniciou, o loiro mal conseguiu conter a emoção. Seus lábios se moviam, repetindo as palavras proferidas pelos dois personagens:
"Então, minha querida, porque as faces tão pálidas assim? Qual o motivo de murcharem tão rápido essas rosas?"
"Talvez por falta da água que lhes viesse da tempestade de meus próprios olhos"
"Oh Deus! Por tudo quanto tenho lido ou das lendas e histórias escutado, em tempo algum teve um tranqüilo curso o verdadeiro amor. Ou era grande do sangue a diferença..."
"Oh sofrimento! Nascer no alto e aceitar o cativeiro"
"... ou mui disparatadas as idades..."
"Oh dor! Unir-se a mocidade às cãs!"
"... ou tudo os pais, sozinhos, decidiam..."
"Não há maior inferno: estranhos olhos para escolher o amor!"
Todos na platéia, principalmente Draco, aplaudiram ao final do ato. Aquele era um dos ápices da peça. A dor de amar sem poder desfrutar do amor. O loiro sabia muito bem como era se sentir assim.
Com o fim da peça, Abby levou os alunos para conhecer e receber autógrafos dos artistas e logo deixou o local, levando seus alunos já exaustos no furgão.
- Espere aí. Esse não é o caminho da universidade senhorita Abby!- Draco questionou.
- Sei muito bem meu querido. Louis pediu para que eu os deixasse em um pub próximo daqui.
- Oh... Certo.
Chegaram a um dos pubs mais movimentados da cidade sem problema algum. A professora deixou o carro e pediu que os alunos aguardassem.
Quando apareceu pela porta acenou para que os estudantes seguissem em frente.
Draco não estava nem um pouco animado para ir ao pub, muito menos para ter que aguentar as besteiras de Louis toda vez que este ficava bêbado.
Estranhou ao ver todas as luzes apagadas, pois aquele era um bar muito movimentado àquela hora da noite.
Quando estava prestes a chamar por alguém sentiu o coração acelerar e suas mãos tremerem.
- SURPRESA!- Vários alunos e familiares gritaram, jogando confetes e assoprando apitos.
- Oh meu deus... Eu não acredito!
- Feliz aniversário Draquinho!- Louis disse, dando um leve beijo na bochecha corada do loiro.
- Não acredito que vocês se lembraram!
- Mas é claro querido! Não é sempre que nosso príncipe completa 19 aninhos!- disse uma mulher elegante com longos cabelos loiros.
- Mamãe! Até mesmo a senhora? Mas e o seu trabalho?
- Shhh querido. Hoje é dia de festa! Vem cá meu picorruxo!
A mulher se aproximou apertando o filho num forte abraço, espalhando beijos por todo seu rosto e deixando marcas avermelhadas de batom por todos os lados.
- Obrigado por ter vindo mamãe! Onde está o papai?
- Numa convenção de biólogos na Austrália. Sabe como seu pai adora uma aventura!
- Ele adora mesmo!
- Oh... Eu trouxe um presentinho!- a senhora exibiu um pequeno e elegante embrulho vermelho.
- O que é?
- Abra e veja o que é.
Animado, Draco abriu o pacote com cuidado. Quando viu o que era seu presente, suas mãos começaram a tremer ainda mais e seus lábios entreabriram-se.
- M-Mamãe... Eu... Eu não posso acreditar...
- Gostou?
- Oh mamãe... Mas é claro! Oh céus, eu não acredito! Muito, muitíssimo obrigado mamãe!- O loiro abraçou mãe,sentindo seu coração palpitar.
Ganhara uma passagem de ida e volta para a França durante 20 dias e um pequeno dicionário de Inglês- Francês. Aquela era sua viagem dos sonhos que a anos vinha tentando fazer.
Infelizmente com as horas de estágios e os bicos por Londres nunca conseguiu tempo nem dinheiro o suficiente para viajar.
- Fico tão feliz por ter gostado! Sei o quanto queria isso, meu filho.
- Eu estou sem palavras! A senhora é a melhor mãe do mundo! Vocês todos, são os melhores amigos que eu poderia ter! Muito obrigado!
- Não há de que!
Aquela noite seria de festa. Nada de ficar relembrando do que acontecera anteriormente. Junto aos amigos e a família Draco pode esquecer um pouco da tristeza e celebrar a vinda de mais um ano. Mais um ano de vida. Estava grato por ter tido a força de chegar a mais um aniversário. Mais um aniversário que nunca iria esquecer.
CONTINUA...
By Vicky
¹ Teatro popular no centro de Londres. Também possui um museu de história da arte nos fundos.
Ah*-* Draquinho fez aniversário*-* E pelo menos ele teve um momento alegre depois daquele dia horrível ;.;
Será que o Louis é confiável? Vamos ver...
Bye Bye
