No prédio do FBI, Booth e Sweets pegam o elevador.

Sweets tem pistas interessantes, mas o pensamento de Booth está longe:

- O instrutor de ioga foi noivo da Janet entre 2007 e 2009, até ele descobrir a traição. Eles ficaram quase dois anos sem se falar, mas retomaram o contato depois que ela entrou na reabilitação. Não tem nada que indique que ele era o pai do filho que ela esperava.

- Você acha que eu exagerei?

- O que?

- Digo, eu quero protegê-la, não quero que se machuque.

- Ah, você fala sobre a discussão com a Dra. Brennan.

- É meu dever cuidar dela e do bebê, afinal eu sou o pai e eu a amo! É meu dever.

- Claro...

- Mas eu posso ter exagerado um pouco, você não acha?

- Você não prefere ligar para a Dra. Brennan, agente Booth?

- Vamos ate o Jeffersonian! Você não esta com pressa, não é mesmo?

- Eu? De maneira nenhuma! – Demorou, mas parece que Brennan finalmente
vai voltar a campo.

No parque, antes de saírem do carro, Booth orienta:

- Bones, fica perto de mim!

- Booth... – ela tenta argumentar.

- Por favor, Bones! Fica perto de mim.

- Estamos num parque, um local aberto. Vamos conversar com um instrutor de ioga, o que pode acontecer?

- Eu não sei, mas...

- Tudo bem, eu vou ficar perto de você!

- O cara deve ser aquele ali. – indica Sweets, apontando para um rapaz esguio, cercado por um grupo de mulheres com roupa de ginástica. Todos saem do carro e vão em direção ao instrutor. Booth se aproxima:

- Jason Kane?

- Isso mesmo!

- Agente Especial Seeley Booth, FBI! Eu tenho umas perguntas sobre Janet O'Donnel.

- Ah, sim, vocês estão investigando a morte da Janet.

- Como soube da morte dela? - pergunta Brennan.

- A mãe dela me contou.

- Você é próximo dos pais dela? - pergunta Sweets.

- Só da mãe. O pai da Janet é um sujeito estranho.

- Estranho, como? - Booth indaga.

- Ele abandonou a família quando a Janet ainda era muito pequena. Ela me contou que ele bebia e era violento. Ha alguns anos ele fez contato com ela, eles se entenderam por um tempo, mas depois cortaram relações de vez.

- Ha quanto tempo foi isso?

- Eles se reencontraram um ano antes de ficarmos noivos e brigaram um pouco antes de terminarmos. - O telefone de Brennan toca: Angela tem uns resultados.

- Oi, Angela!

- Eu consegui escanear os ferimentos...

- Desculpe, não estou conseguindo te ouvir. - Brennan se afasta procurando melhorar o sinal do celular. Booth a acompanha com os olhos. Ela sinaliza que esta procurando sinal para o celular e ele relaxa. Precisa prestar atenção às informações dadas por Jason.

- Você acha o rompimento com o pai teve alguma relação com o comportamento dela? – Sweets se aprofunda.

- Segundo ela, sim! Depois que eu descobri que ela me traiu e rompemos o noivado, passamos quase 2 anos sem nos falar. Um dia ela me procurou, dizendo que queria conversar comigo. Disse que estava na terapia e que parte do processo de cura era pedir perdão para as pessoas que ela magoou.

- Como no AA? – pergunta Booth.

- Isso! Ela me disse que a relação com o pai era a razão do seu desequilíbrio, mas que estava trabalhando para melhorar. Ela disse que, um dia, me contaria tudo que aconteceu.

- Você sabia que ela estava grávida? – pergunta Sweets.

- Sim! Já estava bastante evidente. Era um menino. Mas ela não parecia muito feliz com a gravidez.

- Porque diz isso?

- Eu não sei, acho que o jeito que ela lidava com tudo. – eles seguem conversando.

Brennan esta ao telefone e não nota o rapaz que se aproxima de uma senhora. Rapidamente, ele puxa a bolsa do ombro da senhora e corre. Durante a fuga, para desviar de duas crianças, o rapaz pula um canteiro e não consegue evitar o esbarrão em Brennan.

De longe, Booth ainda conversa com o ex- noivo da vitima, quando escuta gritos. Rapidamente ele entende o ocorrido e identifica o suspeito, que, inocentemente, corre em sua direção.

Com um único golpe, Booth derruba o homem no chão. Sweets não tem tempo de registrar tudo que aconteceu.

- Wow, essa foi rápida!

- Assaltar senhoras, na presença de agentes federais não é muito inteligente. - diz, algemando o homem.

O pensamento Booth se volta para Brennan. Há 2 min. ela tinha se afastado para atender o telefonema de Angela. Ele olha em volta, buscando o olhar dela. Ate mesmo com uma ponta de orgulho por ter impedido o furto. O coração dele quase para ao avistá-la chão. Sem pensar ele larga o rapaz nas mãos do professor de ioga e corre para socorrê-la.

- Oh, meu Deus! Bones, fala comigo! O que aconteceu?

- Eu não sei. Eu estava falando com a Angela, eu não vi o que bateu em mim. – ela tenta se levantar. - Ai!

- O que foi?

- Eu caí de frente e bati minha barriga no chão. Estou com cólicas.

- Oh, meu Deus! Ok, não se mexa! Eu estou com você! Não se mexa! – Booth tenta não transparecer o nervosismo. - Sweets vá buscar o carro.

No centro medico do Jeffersonian, a obstetra de Brennan tenta tranqüilizar Booth.

Por vídeo conferencia a médica conversa com o casal:

- Sem sinal de abrupção. Tirando um leve hematoma na barriga e as escoriações das mãos, está tudo bem!

- A senhora tem certeza, Dra. Banno?

- Booth, por favor.

- De acordo com o ultrasom que o médico que a atendeu fez, o bebê está bem.

- Mas ela sentiu cólica...

- Ela foi medicada, o bebê está se mexendo, não há sangramento e as cólicas passaram... Está tudo bem.

- Viu, Booth!

- Não seria melhor levá-la para o hospital?

- Na verdade, quanto menos Temperence se locomover, melhor. Ela precisa de repouso, só isso. Mas repouso absoluto, Dra. Brennan! Pelo menos por hoje, para descartarmos qualquer risco de um parto prematuro.

- Obrigada, Dra. Banno. - eles desligam a vídeo conferencia. Booth senta ao lado de Brennan e acaricia sua barriga:

- Tem certeza que está bem? As cólicas passaram?

- Eu estou bem, Booth, de verdade!

- Foi minha culpa! Eu sabia que não devia ter te levado a campo.

- Booth, não, por favor!

- Se tivesse acontecido alguma coisa com vocês...

- Não. - ela o cala. - Nós estamos bem, de verdade. Eu te amo! - finalmente ele relaxa.

- Eu também te amo, Bones! Vem, vou te deixar na sua sala. - ele faz menção de pega-la no colo.

- O que esta fazendo?

- Levando você pra sua sala.

- Eu posso andar!

- Não, não, não! A Dra. Banno disse que você não pode se locomover.

- Isso é ridículo.

- Repouso absoluto, Bones!

- Booth...

- Você escolhe: colo ou cadeira de rodas!

- Ok, tudo bem! Mas você vai machucar suas costas. Eu estou muito pesada.

- Bobagem! Eu sou um agente do FBI, eu posso carregar minha mulher... - Brennan o olhou surpresa. Era a primeira vez que Booth colocava um rótulo na relação deles. Uma repentina felicidade inundou seu coração. Booth sabia que ela não tinha a intenção de se casar, mas mesmo assim ela era sua mulher. Ele sabia disso. E ela também...

- É, você pode sim!

No laboratório, Angela avista Booth chegando com Brennan no colo.

Ela corre:

- Brennan! O que houve?

- Um pequeno acidente. Um sujeito me derrubou no chão.

- Você esta bem?

- Agora está! Mas, na queda, ela bateu a barriga no chão e teve cólica.

- Oh, meu Deus!

- Não se preocupe, nós estamos bem.

- Mas ela precisa ficar de repouso hoje. - Booth a coloca no sofá. – Eu preciso ir, tenho que localizar o pai da vitima. Você vai ficar bem?

- Sim, não se preocupe!

- Ok, tchau! Angela, olho nela.

- Pode deixar!

Sweets aguarda Booth no café:

- Ei, desculpe a demora!

- Imagina! Como esta a Dra. Brennan?

- Ela esta bem, obrigada!

- Que bom!

- Então, o que achou?

- Harvey O'Donnell. Ele tem uma ficha extensa: desordem, direção perigosa, fraude, ameaça, agressão, tentativa de assassinato...

- É, Jason tinha razão, esse cara é mesmo estranho.

- Oh-oh! – exclamou Sweets.

- O que?

- Existem sete queixas de agressão doméstica. Mãe e filha já deram entrada em diversos hospitais com fraturas, escoriações, queimaduras... – Sweets hesita e Booth percebe.

- O que?

- Margareth O'Donnell deu entrada na emergência após, supostamente, cair da escada do prédio. Ela estava grávida de 30 semanas, o bebê não sobreviveu. Depois disso, ela sofreu mais três abortos causados por "acidentes".

Booth sentiu o sangue gelar. Era impossível não traçar um paralelo. Era impossível não sentir ódio. Era impossível não querer espancar esse homem. Era impossível não pensar em Brennan, em seu bebê.

- Agente Booth? – Sweets notou que o pensamente de Booth estava longe. – É normal se identificar...

- Eu não me identifico com esse cara, Sweets!

- Não com ele, Agente Booth, mas com a situação. É normal achar que ficou pessoal agora que descobrimos o que ele fez com a esposa, enquanto ela estava grávida. O fato de Janet também estar grávida pode não significar nada. Não podemos nos precipitar.

- Ok! – ele respira fundo. – Vamos falar com ele.

Eles partem à procura de - Harvey O'Donnell!

No Jeffersonian, Brennan e Angela estão na sala, quando Cam entra.

Ela acaba de receber informações de Sweets:

- Eles localizaram o pai da Janet pela ficha criminal que o Sweets conseguiu. Estão indo falar com ele.

- Ok!

- Você deveria ligar para o Booth, Dra. Brennan. – sugere Cam.

- Por quê?

- Harvey O'Donnell pode ter causado quatro abortos na esposa em dois anos. Um deles com 30 semanas de gestação.

- Oh, Deus! – Angela está horrorizada.

- Isso pode estar sendo difícil pra ele.

- Booth é um agente extremamente profissional e...

- Querida! – Angela interrompe. – Liga pra ele.

Brennan consente com a cabeça.

- Vou continuar trabalhando nas evidencias. Ligue para o Booth e tente descansar um pouco.

- Ok. – Angela e Cam deixam Brennan sozinha com seus pensamentos.

Mesmo confiando no profissionalismo de Booth, ela não conseguiu evitar se colocar em seu lugar. Realmente deve estar sendo difícil para ele se manter calmo. Brennan pega o celular e liga para Booth. Após alguns toques, a ligação cai. Ela tenta mais duas vezes e nada. Brennan fica pensativa.