Na saída do prédio, Sweets se preocupa:

- Você está bem, Agente Booth?

- Estou ótimo.

- A sua reação a conversa não foi nem de longe a esperada.

- Eu já disse que estou bem! – o telefone de Sweets toca: Hodgins do outro lado da linha.

- Dr. Sweets!

- Hey, Sweets, é o Hodgins! O Booth está com você?

- Está! – Sweets se afasta um pouco. Booth abre a porta do carro e nota que deixou o celular no banco. Ele vê as chamadas perdidas de Brennan e Angela. Sweets desliga o telefone e se aproxima de Booth:

- Agente Booth...

- Acho que descobriram mais alguma coisa, tem umas 10 chamadas perdidas no meu celular.

- Agente Booth. – Sweets muda o tom da voz.

- Não vamos perder tempo falando sobre sentimentos, quando temos um assassinato para resolver.

- Agente...

- O que diabos você quer de mim, Sweets? - ele bate a porta com violência.

- Booth! - Sweets e firme, mas mantendo um olhar consternado. Booth nota
a expressão do psicólogo.

- O que foi?

- E a Dra. Brennan... - ele não precisa dizer mais nada. Booth mergulha na pior sensação do mundo. Como se o chão faltasse, como se seu coração parasse. Ele mal consegue respirar. Em um piscar de olhos eles estão no carro, costurando o transito, contando os centímetros que
faltam ser percorridos ate chegar ao hospital. Booth quase salta do carro em movimento. Ele atravessa a recepção do hospital, correndo pelos corredores tentando achar a ala da maternidade. De longe, ele avista a Dra Banno:

- Agente Booth.

- Dra Banno, o que aconteceu? Onde esta a Bones? Ela esta bem? E o bebê?

- Ela teve um principio de abrupção. A cabeça do bebe desceu, ela teve contrações, perdeu um pouco de sangue...

- Oh, meu Deus! - Booth se desespera.

- Mas o pior já passou. Ela foi medicada, nós controlamos o sangramento, os sinais do bebê estão ótimos... - Booth não espera a medica terminar de falar, ele corre e entra no quarto. Ele encontra Brennan deitada e Angela ao seu lado:

- Bones!

- Booth.

- Graças a Deus você chegou. - se alivia Angela.

- Bones, como isso aconteceu?

- Eu estava na plataforma, analisando o tecido...

- Na plataforma?

- Sim

- Bones, você deveria estar de repouso. O repouso era justamente para evitar que isso acontecesse.

- Mas, Booth...

- Não, Bones! - ele se exalta. - Acabaram as desculpas! Você precisa entender que agora você é responsável por esse bebê. Você não pode mais ter atitudes egoístas e irresponsáveis, pois cada vez que isso acontecer, você vai prejudicar esse bebe como quase aconteceu agora!

- Booth! - Angela está chocada.

- E sua responsabilidade, NOSSA responsabilidade cuidar dessa criança. Nós temos obrigação de cuidar, de proteger, de amar esse bebê pro resto da vida! Esse tipo de coisa não pode acontecer, nunca, você está me entendendo? - Brennan e Angela acabam de perceber que Booth não esta mais falando sobre o ocorrido com Brennan.

Ele também acaba de perceber que perdera o foco, que o alvo de sua revolta não era Brennan. A consciência o atinge como um soco.

- Me... Me desculpe... - um misto de culpa e vergonha o abala.

Desnorteado, ele deixa o quarto, encontrando Cam, Hodgins e Sweets no corredor. Tomado pela raiva, por ter descontado sua frustração em Brennan, ele soca o quadro de avisos, quebrando o vidro e cortando a mão. Todos se assustam com a atitude, inclusive Brennan e Angela, que escutam o barulho. Antes mesmo que alguém tente se aproximar, Booth
repele os amigos e sai caminhando pelos corredores do hospital.

Algum tempo depois, Sweets entra na capela do hospital e encontraBooth sentado em um dos bancos.

Ele se aproxima e se senta ao lado do agente.

- Como me achou?

- Foi fácil! Você é católico, então há lugar melhor... Ok! Eu segui as gotas de sangue no chão! Aliás, você deveria deixar um médico dar uma olhada nisso. – diz, se referindo ao profundo corte na mão do agente.

- Eu estou bem!

- Você disse isso o dia inteiro, mas, me desculpe, você não pareceu nada bem naquele quarto.

- Eu não acredito que disse aquelas coisas para a Bones!

- A Dra. Brennan conhece você e é por isso que ela está preocupada com você. Todos nós estamos preocupados com você.

- Não deveriam!

- Por quê? Porque você está bem? Você não está bem!

- Eu só estou cansado.

- Seeley... – Booth se surpreende, pois Sweets nunca o chamou pelo primeiro nome. – Eu estou aqui, sentado do seu lado, como seu amigo. Amigos cuidam dos amigos. E, sorte sua, você tem um monte deles.

- Eu não...

- Deixe os seus amigos cuidarem disso.

- Eu nunca passei um caso. Nunca desisti!

- Você não está desistindo. Você está revendo prioridades, e sua prioridade agora é a sua família. Seu bebê. Não é isso que os pais fazem? – Sweets está certo e Booth sabe disso. Ele olha para o altar e, internamente, agradece a Deus pelo sinal que pedira minutos antes. Ele respira fundo e se levanta. Antes de sair, ele coloca a mão no ombro do amigo:

- Obrigado, Lance! – eles eram amigos.

Aos poucos Brennan desperta. Depois de tanta agitação, ela conseguira dormir alguns minutos como a médica orientou. Brennan olhou para o lado e viu Booth na cabeceira da cama. Ele cochilava com as mãos e a testa pousados em sua mão direita. Delicadamente, ela passou a mão em sua cabeça, fazendo com que ele acordasse assustado.

- Me desculpe, eu não queria acordá-lo!

- Não, tudo bem! Como você esta se sentindo? Você esta bem?

- Eu estou bem! - eles se olham por alguns instantes.

- Eu sinto muito, Bones! Me desculpe por tudo que eu disse. Eu não podia ter falado com você daquele jeito. Eu sinto muito!

- Booth, está tudo bem.

- Eu estava com raiva e acabei descontando em você. Eu não acho que você é irresponsável! Eu sei que você estava preocupada comigo.

- Booth,tudo bem, eu entendo! Eu estou do seu lado, como sempre. Eu te amo!

- Eu também te amo, Bones!

- Posso atrapalhar um pouco? - Dra. Banno entra no quarto e interrompe o momento.

- Claro, Dra. Banno!

- Vou fazer uns exames e um ultrassom.

- Alguma coisa errada?

- Não se preocupe, agente Booth, são exames de rotina. – a medica mede a pressão de Brennan e colhe um pouco de sangue. Depois levanta a camisola do hospital, deixando a barriga à mostra. Ela mede a barriga, apalpa um pouco, tudo sob o olhar atento de Booth. A médica faz algumas anotações:

- Vamos escutar o coração desse bebê?

- Música para os meus ouvidos. – os pais sorriem ao ouvirem as batidas do coração do bebê. Booth segura e beija a mão de Brennan.

- Bem, mamãe e papai, esta tudo bem com sua bebezinha.

- Bebezinha? – se espanta Brennan.

- É... É uma menina? – os olhos de Booth se enchem de lágrimas.

- Sim, papai! Parabéns, vocês vão tem uma menina! – Booth não consegue segurar a emoção e desaba em lágrimas. Comovida com a reação de Booth, Brennan também se permite liberar suas emoções.

- Vou deixar vocês sozinhos.

- Obrigada, Dra. Banno! – ela agradece antes que a médica deixe o quarto.

Sozinhos no quarto, eles admiram a imagem da filha no monitor do ultrassom.

- Olha, ela está chupando o dedinho. – Booth está encantado.

- Ela se parece com você.

- Não se parece, não. Ela é perfeita!

- Eu sei! Ela realmente se parece com você. – Brennan olha nos olhos de Booth.

- Bones, você me fez o homem mais feliz do mundo! – os dois se beijam e se abraçam tomados pela emoção.

Angela, Hodgins e Cam entram no quarto e se preocupam ao verem os amigos emocionados:

- Oi, gente! A Dra. Banno disse que nós podíamos entrar. - diz Hodgins

- Claro, entrem. – diz Booth, ainda com voz embargada.

- Está tudo bem? – pergunta Cam.

- Aconteceu alguma coisa? – pergunta Angela aflita. Booth e Brennan se olham.

- Nós vamos ter uma menina! – revela Brennan, entre lágrimas e risos.

- Oh, meu Deus! Parabéns!

- Uma menina, que felicidade! – eles comemoram juntos a ótima notícia