3º CAPÍTULO
Ao despedir-se de seus pais, Sesshoumaru reflete sobre o comportamento do casal à mesa enquanto jantavam; Na verdade, estava ficando cansado daquilo. Os pais agiam deliberadamente achando que ele fosse algum tonto em não perceber aqueles olhares... para o inferno todos eles! Ele sabia exatamente o que estava fazendo e ninguém tinha o direito de se meter! Não era mais uma criança e muito menos tinha algum problema que não pudesse ser resolvido por ele mesmo! Não precisava da interferência dos pais. Tentando afastar tais pensamentos com um simples menear de cabeça, Sesshoumaru já não via mais a hora de chegar em casa e tomar uma bela ducha, só assim relaxaria e esqueceria de seus problemas, ou pelo menos, tentaria. Se sua mente não for atormentada pela lembrança de alguém...
Recostado aos travesseiros em sua cama, Oyakata observava sua esposa enquanto a mesma escovava os cabelos. Ele bem sabia que ela estava doida para tocar no assunto, no entanto manteve-se calada desde então.
-Não vai me perguntar nada?
-Sobre? - Ingada, virando-se para encará-lo.
-Sobre o que conversamos antes de descermos para o jantar.
-É tentador, acredite.
-Mas? - Oyakata levanta a sobrancelha, uma característica típica dos homens daquela família.
-Acho que é melhor deixarmos ele resolver isso sozinho.
-Acha mesmo que esse casamento tem volta?
-Ai, eu não sei. - Izayou dá um longo suspiro. - É muito complicado. Isso é um assunto só deles, só deles.
-Eu sei querida, mas eu temo que isso possa trazer consequências profundas para o nosso filho.
-Você acha? - Pergunta deixando a escova sobre a penteadeira e dirigindo-se à cama dando um demorado abraço em seu marido.
-Você não sabe da última.
-E qual é?
-Sesshoumaru largou o emprego de professor.
-O QUE?
-É isso mesmo o que ouviu. Ele pediu demissão.
-Mas...mas por quê? Ele não tinha motivo...
-Até onde sabemos? Não sei...
-Acha que a Rin tem a ver com isso?
-Talvez sim, talvez não. Ele não me disse muita coisa. Nem conversar a respeito ele conversa. Sabe como o Sesshoumaru é.
-Se sei. Sesshoumaru nunca fez o tipo adolescente problemático, mas será que vai dar uma de adulto problemático?
Oyakata a fita por um longo tempo e ri.
-Não é para tanto. Não sejamos tão radicais. Mas o fato de ele ser tão fechado pode atrapalhar se ele ainda quer alguma conciliação, porque eu sei que ele a amou e pode ser que ainda a ame. Não sei se estou falando bobagem, mas acho que ele foi bem submisso quando a Rin foi embora. Simplesmente aceitou e ficou por isso mesmo...
-É... - responde Iza intrigada, como se só agora tivesse percebido. - Agora que você falou é verdade... ele simplesmente deixou que ela fosse embora e mais nada. Acha mesmo que o problema dele É a Rin?
-Você sabe a resposta, deveria saber disso melhor do que eu.
-Ah não, eu acho que não. Já se passou tanto tempo, eles se separaram e de acordo com o Sesshoumaru, tudo ocorreu de forma amigável. Não foi? - Finaliza ainda em dúvida.
-Querida, nós não sabemos como tudo aconteceu, só sabemos que aconteceu. E além do mais, trata-se do Sesshoumaru. - Diz Oyakata enquanto fazia pequenos círculos com o seu dedo no ombro de sua mulher.
-É mesmo. Eu havia esquecido deste pequeno detalhe. E isso faz toda a diferença.
-Então já está decidido. Sesshoumaru voltará a trabalhar na empresa. O que acha? Eu darei uma chance a ele.
-Acho muito bom. Pelo menos, passarão mais tempo juntos, mesmo que seja como patrão e empregado. Agora, podemos dormir?
Ele a beija de leve e diz:
-Eu estive pensando em algo mais interessante. -Provoca sussurrando no ouvido de Izayou, sobressaltando-a.
-Hum...acho que eu não quero mais dormir. - E voltam a se beijar, enquanto tentava ao mesmo tempo apagar as luzes.
Escola Primária de Quioto.
Uma jovem professora terminava a arrumação de sua classe. As crianças encontravam-se sentadas no futon e uma delas levanta-se indo em direção a professora, entregando-lhe o que parecia ser um livro.
-Senhorita Rin, acho que esqueceu esse aqui.
-Oh obrigada, Hideki eu não o vi, onde estava?
-No chão. Eu peguei ele para ler.
-Não faz mal, agora irei guardá-lo. - A professora se levanta, juntando-se ao resto da turma, levando consigo o pequenino aluno.
-E vocês não se esqueçam do festival, daqui a uma semana. Sabem que terão que convidar os pais, não sabem?
-Sim. - Respondem elas.
-E não se esqueçam do que eu pedi para a tarefa de casa. Agora, formem a fila para sairmos...é melhor guardar logo esse livro. - Diz para si mesmo, ainda tendo o livro em mãos. - Acho que a minha cabeça não está muito boa hoje. - Rin retorna à estante ao final da sala e coloca o livro que restava.
O final do expediente na escola transcorreu tranquilo e no entanto, mal iniciara o período escolar, Rin desejava que ainda pudesse estar em casa, desfrutando de suas férias. Gostava de trabalhar com o Jardim de Infância, adorava crianças e por isto, nunca julgara seu trabalho cansativo. Porém, começara a sentir-se cansada e esgotada, não sabia o por quê daquele mal estar, apenas sabia que devia parar e descansar um pouco. Talvez precisasse sair um pouco, conversar com suas amigas ou até mesmo visitar sua família, pois há muito não a via há um certo tempo.
À noite, Rin conversava com sua mãe pelo telefone.
-Você vem para o casamento de sua irmã, não vem, querida?
-Ora, que pergunta boba. Mamãe. É claro que irei. Sango me mataria, eu sou uma das madrinhas dela.
-É eu sei, mas é que nunca temos tanto contato, você deveria nos visitar mais vezes.
-Eu sei, tenho total consciência disso, e por acaso hoje estive pensando na mesma coisa. Desculpe-me, mas é que ultimamente anda meio complicado, início de semestre na escola, temos tido muitos planejamentos.
-Entendo, mas não deve viver apenas para trabalhar.
-Mãe, não comece com isso, está bem? Aliás, não foi por isso que me ligou.
-Não não... Eu quero saber quando você virá.
-Eu pretendo estar aí na semana que vem. E vou precisar de sua ajuda. Ainda não consegui um traje decente.
-Eu não acredito que você ainda não se resolveu! O casamento é daqui a duas semanas, Sango vai ter um troço!
-Não exagera mãe, eu sei que ela anda meio nervosa, mas não é pra tanto. Vai dar tudo certo.
-Assim espero.
Enquanto conversava com sua mãe, Rin procurava alguma coisa em seu armário. Porém, acaba encontrando algo que a deixa desconcertada. Esquecera-se que havia guardado aquilo por tempo demais talvez...
-Rin ainda está aí?
-Ah...mãe, não... não é que... olha, eu te ligo amanhã, está bem? Preciso fazer algo agora.
-Tudo bem então, boa noite. Beijo.
-Boa noite.
Rin senta-se em sua cama e olha para a caixinha azul em suas mãos. O par de sapatinhos brancos ainda estavam lá. Uma lágrima solitária escorre de seu rosto e Rin procura em sua gaveta da mesa de cabeceira, um amarrado de cartas, todas elas de Sesshoumaru. Mas sua falta de coragem, no entanto, a impede mais uma vez de lê-las, fazendo-a devolvê-las intactas ao local onde encontravam-se anteriormente. A partir daí, Rin resolve dormir para sonhar os sonhos que há muito, deixara de sonhar.
