Era apenas mais um dia de treino como todos os outros. Harry estava dando seu máximo e capturando ao máximo o potencial de seu time, enquanto Draco assistia ao treino na arquibancada.
Porém tudo mudou quando um senhor muito bem vestido e que não aparentava ter mais de 45 anos se sentou ao lado do loiro.
- Perdi muito do treino senhorita?- Perguntou tentando parecer descontraído.
- Não muito tempo, senhor.
- Obrigado. A propósito sou James Potter. Pai do capitão. – o senhor o cumprimentou com um leve aperto de mãos.
Draco sentiu um arrepio na espinha. Aquele era ninguém mais, ninguém menos que o pai de seu namorado.
- Muito Prazer. A propósito... Sou um garoto.
- Garoto?Peço perdão por minha gafe.
- Não se preocupe. Isso acontece o tempo todo.
Após alguns minutos de silêncio incômodo, ambos voltam suas atenções para o treino. Em questão de segundos, Harry percebera a presença do pai. Não era preciso dizer que o rapaz perdera a concentração, mas para não passar vergonha na frente do mais velho, logo se recompôs,decretando o término do jogo.
O moreno enxuga o suor com uma pequena toalha, lava as mãos no tanque do campo e sobe a arquibancada.
- Oi pai.
- Harry. – James o cumprimentou friamente com um leve aperto de mãos.
- Como o senhor está?
- Bem. E você como vai o curso? E o time?
- Está tudo bem por aqui... Er... Pai... Eu não esperava ver o senhor tão cedo.
-Ora, estava passando por aqui e resolvi fazer uma visita.
- Ah... Legal... Ah... Pai, esse aqui é o meu... Meu amigo Draco.
- Nos conhecemos mais cedo. Inclusive até cheguei a pensar que era uma garota.
- Pai!
- Não foi intencional. Mas já pedi as devidas desculpas.
- Uhum... – Draco concordou com a cabeça timidamente.
- Okay...
- Bem, se me derem licença, já estou atrasado para minha aula. Prazer em conhec~e-lo senhor Potter.
- Prazer.
- Até mais Dray!
O loiro deixou pai e filho à vontade para conversarem melhor. A tristeza na expressão do loiro era nítida, porém mais tarde conversaria com o namorado.
- Rapaz muito elegante esse.
- Pois é... Ele anda se vestindo muito bem...
- Deve ser um rapaz rico. Afinal não é todo o dia que se vê alguém usando Ralph Lauren. Pena que parece gay.
- Pai!
- O que é? Ele realmente parece afeminado. Talvez se cortasse aqueles cabelos...
- Ele gosta dos cabelos assim pai.
- Bem... O que acha de almoçar com seu velho pai?
- Hoje?
- Obviamente.
- Tudo bem... Me dê alguns minutos. Vou tomar um banho, trocar essa roupa e te encontro no portão daqui a quinze minutos.
- E nem um minuto a mais está bem? Hoje tenho uma hora de almoço e não pretendo desperdiçá-la.
- Sim senhor.
Harry saiu em disparada para o corredor da universidade. Olhou para todos os cantos procurando pelo loiro, mas não havia nem sinal deste.
Quando entrou no quarto levou a mão ao peito. Não imaginava que Draco estivesse ali.
- Caramba! Que susto que você me deu Dray!
- Eu que o diga! Foi você quem abriu a porta de supetão.
- Desculpe. É que estou meio apressado. Como conseguiu entrar?
- Peguei sua chave.
- Mas... Ahn? Como?
- Você estava tão distraído hoje que esqueceu a chave do lado de fora da porta. Tem sorte de ter esse andar inteiro só para você...
- Puxa... Obrigado mesmo Dray.
O moreno finalmente entrou no quarto, fechando a porta logo depois. Não podia demorar muito então logo procurou suas roupas, suas toalhas e entrou no banheiro.
Após alguns minutos apareceu já vestido, penteado e perfumado.
- Então é assim? Não ganho nem um beijinho?
- Ah... Desculpa Dray... Estou com a cabeça em outro lugar. – Harry se ajoelhou perto da cama, deu um leve celinho no loiro e se levantou, ajeitando as vestes.
- Só isso?
- Mais tarde tem mais. Prometo... Me deseje boa sorte...
- Acho que você vai mesmo precisar... – Draco alfinetou.
- Não Dray... Eu não posso dizer isso hoje. Eu prometo que vou dizer. Mas não hoje.
- Tudo bem...
Com um leve aceno Harry deixou o quarto. Sabia que o namorado provavelmente se sentia chateado com toda aquela situação, mas dizia para si mesmo que iria compensar o loiro por aquilo.
Chegou ao portão, entrando na Ferrari de seu pai. Por incrível que pareça, Harry não gostava de esbanjar luxo, diferente de seu pai.
- Por que essa carinha feia? Preferia que eu viesse de Porsche?
- Tanto faz pai... Como está a mamãe?
- Ah... Nada bem filho... Na verdade... Tenho algo a dizer...
- O que houve? Mamãe está bem?
- Oh sim... Muito bem... Muito bem na casa do Liam.
- O que?
- Sua mãe... Sua mãe vem me traindo... – James engoliu a seco, sentindo um gosto amargo descer por sua garganta.
- O senhor... O senhor não pode estar falando a verdade...
- Encontrei os dois na minha cama depois de um dia inteiro de turno. Pode imaginar como me senti.
- Não acredito nisso... Não pode ser verdade...
- Ligue para ela e veja se estou mentindo.
- Pai... Eu... Eu sinto muito. Nem sei o que dizer.
- Não tem o que dizer. Minha carreira já me basta. Além do mais tenho a carreira do meu filho para zelar, certo? Não irá me decepcionar como sua mãe, não é?
- N-Não pai...
Em meia hora chegaram ao restaurante Sketch, um dos mais caros de Londres e mais frequentado pela alta classe britânica.
Entraram e logo foram guiados a sua mesa fixa na Lecture Room,que é uma das salas de jantar ambientadas do local.
O garçon prontamente se aproximou da mesa, trazendo os pães e vinho de entrada.
- Gostariam de realizar seu pedido?
- Oh sim. Queremos um Scallop and Morel de entrada, Beef como prato principal e suflê de chocolate para sobremesa. Ah, e acrescente um vinho Chateau Cheval Blan.
- Sim senhor. Aproveitem os aperitivos. Logo trarei seus pratos.
E como prometido o garçon trouxe os pratos com auxílio de outro, retirando os pratos do carrinho e depositando à mesa.
- Eu não gosto disso papai... Enquanto estamos comendo tudo isso tem pessoas passando fome. Isso não me parece justo.
- Você tem coração mole assim como sua mãe. Temos sorte de podermos comer algo assim então não me venha com reclamações.
- Sim senhor...
- Bem... Mudando de assunto, como vai o curso de medicina?
- Está indo bem pai...
- Que bom. E como vão as garotas? Quando é que vou ganhar um netinho?
- Pai! Ainda é cedo! Não tenho idade para ser pai.
- Mas e a namorada?
- No momento estou sem...
- Tome cuidado com o gayzinho. Ele parece gostar de você...
- Pai!
- É verdade. Vi como ele olha para você. Tome cuidado. Nunca se sabe quando esse tipo de gente pode nos influenciar.
- O que quer dizer com isso?
- Ora... É isso que gays fazem. Eles forçam você a fazer coisas que você pode não gostar. Eles acham que nós pessoas normais temos que aceitá-los de bom grado.
- Pai isso não é verdade!
- Prove o contrário.
- Pai, o que você está dizendo é muito ofensivo!
- Cada um pode ter o ponto de vista que quiser.
- Já chega. Não fico nem mais um minuto aqui ouvindo a sua ladainha.
- Como disse?
- Tchau pai.
- Hey garoto! Jamais vire as costas para seu pai!
- Não estou me sentindo bem pai... Adeus.
E sem olhar para trás Harry deixou o restaurante, antes mesmo de almoçar.
Continua...
By Vicky
Nossa! O pai do Harry é bem pior do que todos imaginavam! Vamos ver o que vai acontecer;.;
bye
