Dois dias se passaram desde aquele encontro casual, porém não havia encontrado aquela mulher. Kuroro estava interessado em rever Robin. Ela parecia ser uma mulher poderosa. Talvez, fosse uma excelente parceira dentro do Ryodan. Mas, e se ela trabalhasse em favor da justiça? Provavelmente o prenderia; coisa que nem de longe o assustava. Queria de qualquer maneira vê-la novamente. Aqueles dias longe dos outros em busca de uma missão não estava sendo em vão.

Numa tarde fria e de ar seco, resolveu ir novamente naquela biblioteca. Dessa vez, estava de moletom cinza escuro e uma calça preta. Andar com suas típicas roupas e aquele casaco de cruz invertida não era conveniente para andar por aí – até mesmo porque era procurado. Novamente estava com a faixa na cabeça. Com um estilo mais "teen", ele foi até a biblioteca como quem não quisesse nada, a não ser ler. Analisou todo o território, não havia nenhum perigo de alguém reconhecê-lo, até mesmo porque havia poucas pessoas ali, diferente do domingo passado.

Robin foi vista sentada na área do cibercafé. Kuroro se aproximou da bela mulher que vestia um longo chemisier de um roxo bem escuro. Tinha os cabelos disciplinadamente retos, cortados até um pouco abaixo do ombro, franjinhas que davam um ar mais jovem ao seu rosto de traços únicos, similares à de uma típica mulher egípcia. Sentou-se ao lado dela, ela estava tomando café bem relaxada, sequer tinha percebido alguém sentar ao seu lado no balcão. Ou foi o que ele pensou dela.

- Então nos encontramos de novo... - exclamou Robin, sem olhar para ele.

Foi rápida e precisa ao percebê-lo sem ter olhado. Realmente, ele não estava lidando com uma moça qualquer.

- Na verdade, não esperava encontrá-la tão cedo. - mentiu o moreno. - Mas acabei vendo-a sozinha novamente, e... quis ter a chance de cumprimentá-la.

Robin olhou para os olhos dele com ar de malandragem, como se estivesse detectando algo nele.

- Está mentido! - deixou parte do belo sorriso aparecer.

Ele sorriu sem jeito.

- Parece que sabe detectar mentiras, não?

- É que seus olhos não esconderam isso. - ela deu um gole de café e retornou a lhe falar.

- Sei mentir um pouco, mas meus olhos não sabem seguir minhas intenções... e sim, queria vê-la novamente. Esqueci de perguntar algumas coisas, antes de deixá-la ir embora.

- E eu também tenho algumas coisas para lhe perguntar, diante da curiosidade em me ver novamente.

- Que ótimo!

Robin se virou para ele, dando-lhe total atenção. Kuroro se aproximou mais.

- É Kuroro, seu nome?

- É... você se lembrou bem. Lembro-me apenas do seu primeiro nome, Robin...

- Nico Robin.

- Isso, não esquecerei mais. - disse ele, coçando a cabeça.

- E... espero que não esteja sendo tão grosseira mas... gostaria de saber quantas primaveras você tem? Parece ser bem jovem!

- Pareço ser mais jovem, mesmo. Mas já possuo vinte e seis primaveras. Só não vai espalhar por aí, hein?

- Ah, não se preocupe. Pelo visto, você já é um adulto. Mas quando o vi pela primeira vez, jurava que fosse ainda um adolescente, sabe?

- Eh? - disse ele, rindo discretamente.

- Sim. E para uma mulher de vinte e oito, não ficaria muito bem se envolver com um mocinho assim...

- Oh! Parece que você também sabe disfarçar a idade em uma aparência mais jovem! - ele se surpreendeu ao vê-la mais velha que ele. Dava menos que a idade dele.

- Mas não me disse seu sobrenome, Kuroro... - ela terminou seu café.

- Meu sobrenome não é muito necessário saber...

- Por quê?

- Por ser muito incomum... e até assustador para alguns.

- Tudo bem, diga-me se quiser, não o forçarei a nada... e... você faz alguma coisa? Trabalha, estuda?

- Sou líder de uma organização. Apenas posso lhe dizer isso.

Aquele mistério que ele fazia a deixava desconfiada. Ao mesmo tempo, curiosa. Queria saber mesmo se aquelas informações dele eram reais.

- E você, Robin? O que faz da vida?

- Sou uma assassina. - disse tranquilamente, mas para ver a reação do outro, que não foi igual ao que ela imaginava.

- Sério? Que legal isso! Gosto de lidar com assassinos.

- Mesmo? Não imaginava ouvir isso. Mas espero que não seja da polícia e queira me prender! - disse ela, rindo.

- Quem sou eu para prender algum tipo de criminoso?

Ambos sentiram a aura de cada um. Ambos tinham um quê de perigo. Parece que transmitiam confiança um para o outro.

- Mas não estou mentindo. Também sou uma arqueóloga, porém sou uma pirata, que já trabalhou em uma organização criminosa e agora vivo pelo mundo da pirataria junto com meus amigos piratas.

- Nossa... então já trabalhou em uma organização perigosa! - Kuroro se surpreendeu. - Pode ser possível que, um dia, trabalhe na minha organização!

- Sua organização também é criminosa? - Robin perguntou um pouco desconfiada.

- Sim. Sou um ladrão. Mas apenas roubo por uma necessidade, não por divertimento. Levo a arte do roubo muito a sério.

Ambos se olharam calados por alguns minutos.

- Parece que... somos perigosos. - completou Robin.

- E procurados, pelo visto.

- Mas tem horas que... não consigo acreditar em tudo isso!

- Nem eu, Robin.

- Prova-me que está dizendo a verdade de tudo sobre si. E farei o mesmo! - disse a outra.

- Claro!

- Vem comigo! - Robin chamou o garçom depois disso, e abriu a bolsa para deixar o dinheiro no balcão.

- Com licença... - Kuroro a impediu de tirar o dinheiro, colocando o dele no balcão. - posso retribuir com uma gentileza por ter sido atenciosa comigo?

- Er.. claro. Tudo bem! - ela ficou sem jeito ao vê-lo pagar seu café.

Ambos saíram dali, andando pelas ruas frias daquele inverno impiedoso. Robin o levaria até seu apartamento. Lá, poderiam conversar mais secretamente um sobre o outro. Ao chegarem no apartamento alugado, Kuroro teve que tirar seus sapatos para entrar, assim como Robin.

- Há quanto tempo não fazia isso! - exclamou ele.

- Já morou em casa assim, Kuroro?

- Já, sim.

- Agora, vem comigo. Vamos confirmar se ambos estão falando a verdade.

- Sim, de acordo. Que quer saber mais de mim?

Os dois foram até o laptop que ela tinha sobre a mesa de jantar e ela o ligou. Por pesquisas na internet, ela confirmou a existência de piratas em pleno século atual que eram procurados. Falou também um pouco do bando do Chapéu de Palha, o qual pertencia. Assim, confirmou que ela falava a verdade.

- Posso usar sua máquina? - perguntou Kuroro, a fim de mostrar um pouco de sua organização.

E assim ele fez. Robin, ficou sabendo da existência do maior grupo urbano de ladrões procurado: Genei Ryodan. Tinha poucas fotos deles, por ser coisas restritas. Ele, por precaução, não abriu o site oficial dos Hunters. Ambos só passaram informações básicas.

Depois daquelas confirmações, ficaram mais um pouco conversando papos simples. Ao ir embora, Kuroro quis fazer um pedido.

- Também estou em um apartamento alugado, não moro aqui exatamente. Não é tão confortável como o seu, mas gostaria que fosse lá um dia qualquer.

- Por que não iria? Amanhã mesmo, pode ser?

- Venho te buscar aqui?

- Ah, não precisa tanta gentileza! Posso ir até lá sozinha.

- Ir sozinha pode sim, mas... queria vir buscá-la. - piscou o olho rapidamente.

- ...está certo, Kuroro... - ela correspondeu o piscar de olhos com um riso simples. - e seu sobrenome qual é mesmo?

- ...Lúcifer.