_ Estava de licença em junho...
_ Julho! Depois que eu me mudei para a cidade.
_ Isso mesmo, julho, na OSU.
Isabella me olhou como se acabasse de declarar que a guerra havia recomeçado.
_ Não sabia que trabalhava pra OSU. – Renné disse curiosa à Isabella.
_ Eu não trabalhei lá realmente.
_ Então o que fazia num salão repleto de homens estranhos? – Charlie sempre desconfiado.
O único casal que não estava realmente prestando atenção em nós era Elisabeth e Aro, que estava derramando sal em sua comida.
_ Aro!
_ Meu avô viveu até os 102 anos e usava sal feito os peixes no mar. Meu bisavô viveu até os 106 anos.
_ Mas diga senhor Cullen, já que nós sabemos claramente como os dois se conheceram, de onde o senhor é? – Charlie sempre curioso.
_ Moline, Illinóis.
_ Onde é que fica?
Desta vez foi Isabella que respondeu.
_ Fica no meio do país, bem no meio.
_ E os seus pais? Ainda estão em Moline? – Renné sempre preocupada.
_ Jamais conheci meus pais.
_ Ahhhhh, quem cuidou de você? – Por que Charlie está tão interessado?
_ Fui criado num Lar.
_ Lar de quem?
_ Num orfanato.
_ Ótimo, é maravilhoso, minha filha vem de ancestrais de 400 anos, de uma das melhores famílias do México, e você me diz que ela se casou com um homem sem passado, ou melhor, um homem sem passado e sem futuro. Ótimo.
_ Você não sabe se ele tem um futuro, você não sabe nada sobre ele! – Isabella veio em minha defesa.
_ Você sabe?
_ Sei. Eu sei que ele sabe como amar alguém, eu sei que ele quer uma casa com crianças e um cachorro, um bom emprego.
_ Assim como o que ele tem?
As ofensas de Charlie estavam começando a me atingir, preferi me retira da mesa antes que o matasse com a faca que estava ao meu lado.
_ Com licença, estava uma delicia obrigado.
Comecei a caminhar e escutei passos pequenos e rápidos atrás de mim e então Isabella estava ao meu lado, caminhamos até uma pequena área ao lado da cozinha e ficamos parados olhando para o céu.
_ Ele não tem papas na língua não é?
_ Desculpe, deve achar que eles são horríveis.
_ Quando eu era criança eu subia no telhado do orfanato e fazia um pedido a cada estrela que eu via.
_ São muitos pedidos.
_ Pra dizer a verdade era apenas um pedido.
_ E qual era?
_ Uma família como a sua.
_ Com todo mundo lhe dizendo como deve viver sua vida?
_ Melhor do que não ter ninguém.
_ Não tenho certeza.
_ Eu tenho.
_ Não é motivo para ele tratar você assim.
_ Não, eu ia dizer uma coisa, mas então pensei, e se fosse comigo? Um estranho chegasse à minha casa dizendo que se casou com minha única filha e eu sou o último a saber, agiria do mesmo modo.
_ Não, não agiria.
_ Não tenho certeza.
_ Eu tenho.
_ Bom, amanhã vou escrever a carta para seus pais, e de madrugada já estarei na estrada. Acho que o pior já passou, não acha?
Isabella sorriu para mim e então caminhamos em direção ao nosso quarto, e não foi surpresa alguma vermos a senhora Swan ao lado da porta nos esperando. Assim que entramos ela começou a arrumar nossa cama.
_ Esta cama foi parte do meu dote quando me casei com o senhor Swan. E também foi parte do dote de minha avó antes disso. Ela o trouxe direto de Paris, meu avô era diplomata. E foi aqui que passamos nossas primeiras noites de casados, minha mãe, minha avó e eu.
_ Nós podemos dormir no quarto de Jacob. – Sugeriu Isabella.
_ Naquela cama tão pequena? Na lua de mel? Minha querida, não. Precisam de espaço, para se mexer.
Renné olhou para mim e seu rosto era sereno, mas no fundo de seus olhos pude ver a malícia contida naquelas palavras e meu único impulso foi sorrir.
_ Mamãe!
_ Eu sei que não é a primeira noite de vocês juntos. Mas eu gostaria de pensar que é. É que desde o começo todos os nossos casamentos foram abençoados. Sabe, não é sem motivo que meu marido fala tanto. Somos pessoas conservadoras Edward, neste mundo moderno leva tempo para se acostumar. Ele vai se acalmar.
Ela seguiu até a empregada e pegou uma rosa vermelha e colocou entre os travesseiros que estavam sobre a cama.
_ Amem um ao outro, sempre.
Logo após essas palavras ela saiu e nos deixou a sós.
PDV especial Renné
Entrei no quarto ao qual eu e Charlie dividiríamos e ele já estava resmungando.
_ Primeiro ele invade minha casa e rouba minha filha, e agora toma minha cama.
Ele tentou passar por mim mas eu o parei em seu lugar.
_ Charlie! Você não quer ver, mas sua filha é uma mulher! Ela não foi mais roubada do que você me roubou! Ou você se esqueceu daquele quartinho sobre as escadas na casa do meu pai?
_ Eu pedi sua mão adequadamente, com respeito, quem é ele? Ele não é ninguém!
_ É a escolha dela e ela é sua filha. Charlie, foi de nós que ela aprendeu a ser quem é. Se não tivermos confiança nela, como podemos confiar em nós mesmos? – Ele tentou abri o robe que eu usava, mas eu o parei. – Primeiro vá lá e de boa noite, para que não dormirem pensando que está furioso com eles.
_ Mas eu estou furioso com eles. – Então começamos a rir de sua infantilidade.
_ Devia começar a sorrir mais. Fica tão bonito quando sorri.
Ele começou a me beijar e nos levar em direção a cama, mas eu o parei.
_ Primeiro vá e de boa noite a ele.
PDV Edward
Isabella havia retirado um cobertor e um travesseiro que eu pedi, afinal não poderíamos dormir na mesma cama, sou casado com outra mulher e não seria justo com Jéssica.
_ Gosta de vender chocolates?
_ Não, não gosto.
_ E por que faz isso?
_ É um dos motivos por que estou viajando, estou tentando achar alguma coisa pra mim.
_ Mas você já sabe o que quer.
_ Não é fácil assim. É complicado.
_ Não me parece tão complicado assim.
_ Você não é casada.
Vi que minhas últimas palavras haviam a afetado, seus olhos caíram e seus cabelos encobriram seu rosto.
_ Me desculpe.
_ Essa não é uma época muito boa para mim. Você tem sido maravilhoso. Mais do que maravilhoso. Poderia se virar por favor?
Assim que o fiz, arrumei minha cama no chão.
_ Haverá alguém pra você.
_ Não é preciso que me faça sentir melhor.
_ Não, eu acredito nisso. Acredito que exista alguém perfeito para a outra pessoa. Alguém que a ame acima de tudo.
_ Você se casaria com alguém se o bebê na barriga não fosse seu?
_ Se a amasse.
_ Boa noite.
Nos deitamos, mas antes mesmo de nos deitarmos ouvimos batidas na porta.
_ Posso entrar? – Droga, era Charlie.
_ Um momento.
Subi correndo na cama e coloquei o travesseiro ao meu lado no chão. Charlie entrou e começou a falar.
_ Sua mãe me mandou para desejar boa noite.
_ Boa noite Papa.
_Boa noite senhor.
Ele se virou e começou a caminhar rumo à porta, mas de repende e parou e olhou novamente para o quarto, mais especificamente para a coberta que estava metade no chão e metade na cama e no travesseiro que a acompanhava. Então ele novamente se virou e saiu.
_ A porta tem fechadura?
_ Não.
_ Acha que ele suspeita?
_ Eu não sei.
_ Melhor não correr o risco, eu vou ficar caso ele volte.
_ Tudo bem.
Olhamos-nos por alguns momentos, mas crepitar da lareira me trouxe de volta.
_ Boa noite.
_ Boa noite.
E então cada um em seu lado, nós dormimos.
