_ Elas também diziam que você é bom de cama, acho que nunca vou saber. – sorriu. Tinha um desses sorrisos marotos, meio menina, meio mulher, coisa séria que sempre mexeu com a minha cabeça.

Me vi perante a um daqueles momentos decisivos que nos deparamos vez ou outra enquanto a vida acontece, aonde não existe um meio termo, ou tudo acontece, ou permanece o mesmo, não tem um meio termo.

Olhei Lily com cuidado e uma admiração quase doentia. Seus cabelos embaraçados em cachos artificiais, duros pelo uso de um produto qualquer cheirando a flores, sua imponente sobrancelha arqueada em desafio, seus cílios loiros quase brancos sujos com rímel que coloriam seu rosto junto a sombra rosa com lilás manchada, o batom rubi na boca. Rubi vermelho, rubi sangue, rubi paixão, rubi Lily Evan.

Era uma obra de arte que esperando ser apreciada, uma necessidade latente de pecar, de ser o sujeito de caráter duvidoso do qual sempre fui propenso a ser. Meu sonho moldado em realidade, a beleza devastadora que me transformava em um poeta barato.

Olhei-a em silêncio, com nada além de pesar e desejo sob meus ombros cansados, talvez fosse simplesmente covarde demais para começar, talvez essa fosse minha última chance ante a ruina eminente dos sentimentos que possuímos por tanto tempo.

A diferença era pequena, mas transformadora. Diferente de mim, Lily Evans era uma mulher de coragem.

Beijou-me como se não houvesse amanhã, porque provavelmente não havia.

_ Eu te amo tanto. - Sussurrei meu pecado em seu ouvido. Devasso. Perdido. Sirius Black.

– Também. - Me respondeu com cuidado. Não um ''eu te amo'' como em meus sonhos molhados da juventude, mas um "eu também" seco, cheio de desespero e desejo.

Tirei suas pequenas peças de roupas com um delicioso prazer culpado, admirei seus seios grades e levemente caídos, aqueles que por tanto tempo cobicei, como se pudesse guardar cada pequeno detalhe para a posteridade, bicos grandes e rosados, perfeitos como sonhei que seriam em cada momento de delírio que tive.

Beijei-a mais uma vez, ela era meu tudo, meu mundo.

_ Tire a roupa. Preciso te abraçar, te sentir em mim. - Me suplicou de uma forma que eu nunca ousei sonhar.

Puxei minha camisa com urgência e necessidade, senti meu pênis duro e vigoroso ao tirar as calças, fiquei mais duro ao sentir seu olhar de cobiça. Naquela noite, esse foi o único momento no qual permiti lembrar-me de James durante o nosso pecaminoso ato de amor, James teria uma vida toda para lhe entregar a noite perfeita e eu sabia que só teria aquela chance, por isso queria deixar minha marca como ferro em brasa faria que nunca se esquecesse de mim, eu não seria apenas uma noite de vergonha em sua memória...

Lembrei-me das últimas palavras que minha mãe havia gritado enquanto olhava-me com desprezo do alpendre: "Desonrou a mim, a seu pai e a família, arruinou nossas vidas! Soube disso no momento em que observei a forma desleixada com a qual via o mundo, no momento em que desprezou nossa tradição e bons costumes. Você é maldito, tudo o que toca vira dor e suplício, vá embora daqui e leve a desgraça junto de ti."

Era realmente maldito, e mais uma vez destruiria a todos ao meu redor.

Saber disso não me impediu de fode-la com vontade, não me impediu de beijar, tocar e acariciar cada pedaço de seu corpo, de amassar seus seios deliciosos conta mim, ou de morder seu pescoço, fazendo-a minha. A culpa não me impediu de monta-la uma e outra vez, de chupar sua buceta, de ama-la e fazê-la gozar tantas vezes quanto o tempo me permitiu.

Ouvir Lily gritar meu nome foi meu mais precioso tesouro, foi o que eu guardei para conseguir enfrentar o resto da vida sem ela em meus braços. Uma vida sem cor e sem amor.

Não dormi, mas fiquei observando Lily sonhar em meus braços, murmurando palavras inteligíveis até o sol nascer. Observei o suor entre seus seios ainda turgidos e excitados, seu cabelo ainda mais embaraçado, molhado de suor pela nossa noite de amor, a curva da sua barriga, seu umbigo fundo e o monte de pelos ruivos cobrindo sua boceta. Coisas que me fizeram ficar duro de novo, um sentimento de foder com mais força, com mais vontade.

Mas os sonhos são efêmeros, e quando ela abriu os olhos, primeiro em confusão e depois em desespero, eu soube que tudo havia mudado. Eu só rezei silenciosamente para que ela não se arrependesse do que vivemos, pois eu nunca esqueceria.

– O que fizemos? - sussurrou mais para si mesma do que para mim. – Como... Como fui capaz de fazer isso com ele?

_ Ama-me.- concluí. Se a minha vida era um poço de dor e desespero, ao menos tive aquela certeza para me resguardar.

Seus olhos cheios de lágrimas não derramada, opacos pela falta de vontade, temerosos e ansiosos.

_ Sim... Não posso negar. Mas...

_ Ao James a mais. - disse a verdade que saiu mais amarga do que o esperado de minha boca. - Eu sei. Eu sinto muito.

– Não posso ficar. - disse enquanto encostava a cabeça no meu peito, os lençóis da cama emaranhados em nossos tornozelos, uma pequena lembrança da noite tortuosa que passamos.

_ Tudo mudou? - perguntei-lhe sem ter coragem de olhar em seus olhos. Admirando as teias de aranha em um canto do quanto.

_ Tudo mudou. - me respondeu com uma simplicidade em que nada refletia aquele momento.

Mas a confirmação de suas palavras foi como uma flecha atravessando meu coração machucado. O último golpe, fatal a um coração tão torturado.

Levantou-se da cama sem olhar para trás, juntou as peças espalhadas e entrou no banheiro com a nécessaire que encontrou em baixo da minha própria pilha de roupas. Mais uma vez sofri ao escutar água caindo no chuveiro, a prova cabal de que ela estava apagando cada rastro que eu tinha deixado, ao fechar os olhos facilmente poderia imaginar o vapor da água formando uma luxuriante neblina em volta de seu corpo pecaminoso.

Quando finalmente saiu em suas usuais calças justas e uma camisa preta do Nirvana, aquela famosa com o bebê nadando pelo dólar, a maquiagem havia sido lavada, assim como as marcas que eu havia deixado por todo seu corpo, talvez um feitiço murmurado as presas, ou simplesmente o milagre de um bom banho quente.

_ Queria poder ficar e dizer que seríamos felizes para sempre. – ela disse finalmente, seus grandes olhos verdes me encarando com uma sábia seriedade. – Mas você sabe que nunca gostei dos contos encantados. Correndo o risco de parecer muito clichê, se alguém aqui é culpado, creio que seja eu. Percebo agora que não tenho vergonha do que fizemos, foi incrível. Mas James jamais poderá saber. Amo James de uma forma que chega perto da obsessão, amo mais do que o ar que respiro e quando estou com ele, mesmo nos piores momentos, é como se tudo fosse dar certo, como se o mundo se encaixasse. Não é que não te ame. Apenas não é o suficiente. Quem sabe se você tivesse me convidado para o baile de inverno, se fosse você e não James no enterro dos meus pais, se fosse você quando recebi meu título de monitora, se fosse você e não James nos pequenos e grandes momentos... Mas amor é mais... É inexplicável dizer porque ele e não você... Por fim, correndo o risco de parti ainda mais seu coração, a verdade é que amo ao James verdadeiramente.

_ Não sei se serei capaz de vê-los juntos novamente. – falei sentado na cama, encarando-a pelo espelho – Isso porque em parte te amo, em parte o amo. Não estarei aqui para o casamento, nem quando primeiro bebê chegar, nem quando brigarem, nem quando se reconciliarem, nem quando, muitos anos depois, nada fizer diferença e vocês estiverem lado a lado de mãos dadas como dois velhinhos de um filme piegas de romance esperando o final da vida, e você contar o que aconteceu entre nós. Mas ele não vai se importar, apenas vai suspirar cansadamente e dizer que está tudo bem, porque você o escolheu. – Lágrimas escorreram de meu rosto rapidamente, de forma que por mais que eu tentasse não conseguiria retê-las.- Pensei que era melhor ter e perder do que nunca ter tido, mas eu estava enganado. Queria nunca tê-la conhecido.

Uma lágrima solitária caiu em sua bochecha, deixando uma trilha por onde passava.

– Vai embora, vai para onde?

Pensei por um minuto antes de responder.

_Não sei, para qualquer lugar que não seja aqui. Tenho uma herança para gastar de um tio tão maldito quanto eu. Vou para longe, Egito, Brasil, China ou mesmo para a lua. Não importa. Vou para qualquer lugar aonde você não exista.

Ela me observou um pouco brava um pouco conformada, pegou o resto das coisas e foi para a porta.

– Nunca vou te aquecer, e Deus sabe que James vai falar de você todos os dias que estão por vir... – suspirou, a mão apertando firmemente a maçaneta, incapaz de me encarar nos olhos.- Mande notícias de vez em quando. – Finalmente olhou para mim - Não se apaixone por um sacana qualquer... E Sirius... Você não é amaldiçoado, só não encontrou a pessoa certa para te amar.

Seus olhos decididos e perspicazes foram a última lembrança que tive de Lily em vida. Eu viajei por muitos anos, morei em uma vila esquecida do mundo em Gana por alguns anos a mais, passei um tempo no Rio de Janeiro, e conheci a grande muralha, talvez foi por isso nunca soube que Lily se casou com James um tempo depois, nem que eles foram muito felizes por pouco tempo ou que ela deu à luz a um pequeno menino chamado Harry James Potter. Ou que esse menino era o menino de uma profecia maldita e que eles morreriam em seguida, ele primeiro, defendendo ela, ela depois, defendendo Harry, tudo porque eu não estava lá e por isso Rabicho foi o guardião do segredo.

Rabicho que traiu James e Lily Potter por motivos nada nobres mas completamente humanos.

Agora, enquanto volto ao meu pequeno apartamento esquecido em cima do meu antigo bar, olho com certo desespero o pequeno menino de cinco anos com uma cicatriz na testa e os olhos dela me encaram de volta.

O rapaz que havia saído deste apartamento anos atrás estava cheio de arrependimento, culpa e medo, mas o homem que voltou para cuidar de um menino órfão era alguém melhor, tinha quer ser, por ela. Não que todos os pecados tenham sido esquecidos, mas eles são mais leves por que agora eu finalmente entendo o amor, porque agora eu possuo um propósito maior.

–Pad, quero pão.- Harry diz segurando um retalho de lençol puído que trazia consigo do lugar horrível em que morava sob os cuidados, nada cuidadosos, da sua tia Petúnia.

–Pão não é bom para você Harry, o que acha de um copo de leite quente e um pedaço de torta?

Ele abriu ainda mais os olhos como se houvesse recebido a proposta do ano. Era James do começo ao fim.

_ Eu prefiro aqui do que... Tia Petúnia.

Sorri e abaixei para pega-lo em meus braços. Os olhos eram dela, mas Harry era muito mais parecido com o pai, e tendo em conta como apertava os olhos verdes para enxergar qualquer coisa, os problemas de visão dele também.

_ O que vamos fazer hoje Harry? O que você sempre quis na vida? Qualquer coisa mundana que você quiser! – falei sentindo-me verdadeiramente feliz em muito tempo.

_ O que é mundano Pad? - ele me encarou com dúvida e uma esperança que eu rapidamente tive que desfazer.

_ Qualquer coisa que possa ser comprada. Coisas como amor, um abraço, ou pessoas...seus pais... Não são mundanos... São especiais.

Ele lamentou um pouco antes de me encarar novamente, esperança renovada.

_ Uma cama com cobertas novas... e uma mesinha.

_ Uma mesinha? - perguntei curioso sobre o que um garotinho faria com uma mesinha.

_ Para colocar a foto que você me deu, aquela bonita com o papai e a mamãe dançando...

Sorri. Meu coração aquecido como nunca havia estado antes.

_ Seu desejo mundano é uma ordem.

Coloquei em Harry uma toca de lã verde que Lily costumava usar para trabalhar nos dias mais frios, segurei sua mão e juntos saímos pelas movimentadas ruas de Londres...

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FIM

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N/A: Olá, desculpe a demora. Problemas. Life happens. FINALMENTE REVISADO (sério, tem uns cinco anos que eu terminei essa fic, espero que alguém leia!).

Beijos, comentem o que acharam e vejam minhas outras fics para mais uma dose de emoção... :*

(Eu li os comentários, é só que não consigo responder)